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Conteudista: Prof. Me. Gabriel Henares Eroico 
Revisão Textual: M.ª Bruna Giovana Bengozi
Objetivos da Unidade:
Compreender a importância da gestão de emergências para a prevenção de incêndios e
explosões;
Identificar a composição, as atribuições e o papel da brigada de incêndio nas ações de
resposta a emergências;
Reconhecer os tipos, funções e critérios normativos da sinalização e da iluminação de
emergência;
Compreender o que é um plano de emergência, e como ele auxilia nos  procedimentos de
prevenção, evacuação e resposta a sinistros.
📄 Material Teórico
📄 Referências
Gestão de Emergências para a Prevenção de
Incêndios e Explosões
Página 1 de 2
📄 Material Teórico
Introdução
Muitas legislações sobre o combate e a prevenção de incêndios são estaduais, como as
Instruções Técnicas (ITs) do Corpo de Bombeiros, pois cada estado da federação possui as
suas. Para fins didáticos, utilizaremos nesta disciplina a legislação do estado de São Paulo, por
ser referência para os demais, visto que possui a legislação mais completa, servindo de base
para que outros estados criem ou atualizem suas próprias normas.
Portanto, para os demais estados, é necessário consultar a legislação específica. Embora os
conceitos sejam os mesmos, podem existir algumas particularidades.
Além disso, abordaremos, nesta Unidade, assuntos que são mais usuais e necessários para
praticamente todas as edificações e áreas de risco, pois auxiliam na prevenção e no combate
aos incêndios.
Brigada de Incêndio
A brigada de incêndio é um grupo organizado, treinado e capacitado de
pessoas voluntárias ou indicadas, dentro de uma edificação ou área de
risco, com a finalidade de atuar na prevenção, no combate ao princípio
de incêndio, na evacuação de pessoas, abandono de área e na prestação
de primeiros socorros, até a chegada do Corpo de Bombeiros.
Em outras palavras, é o primeiro elo da resposta a emergências. A
brigada é composta por trabalhadores(as) ou ocupantes do próprio local,
obrigatoriamente pessoas que conheçam bem a edificação, seus
sistemas de segurança, os riscos existentes e as rotas de fuga. Há
preferência para que os(as) escolhidos(as) sejam das áreas de elétrica,
hidráulica e manutenção geral.
A brigada de incêndio é regida pela IT17 do Corpo de Bombeiros da
Polícia Militar do Estado de São Paulo (CBPMESP) e pela ABNT NBR
14276, que define os requisitos e procedimentos necessários. Outras
normas também importantes são a NBR 14277, que trata sobre as
instalações e equipamentos para treinamentos de combate a incêndio e
resgate técnico, e a NBR 17039, que aborda a qualificação profissional
de instrutor e bombeiros civis e brigadistas.
A composição da brigada de emergência deve ser planejada levando em
conta fatores como a divisão de ocupação da edificação, o grau de risco
existente, o número de pessoas que permanecem regularmente em cada
setor e a distância que os brigadistas precisam percorrer até os locais de
atuação. O quantitativo de integrantes deve ser suficiente para garantir a
execução eficaz de todas as ações preventivas e de resposta previstas
no plano de emergência, considerando os cenários acidentais
previamente identificados na análise de riscos da edificação
(Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2020a).
Ao definir o perfil e as atribuições dos(as) brigadistas, é essencial
considerar as atividades que eles(as) deverão desempenhar, tais como
(Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2020a):
Realização de inspeções de segurança nas instalações e
equipamentos;
Prestação de primeiros socorros ou atendimento pré-hospitalar
em situações de emergências médicas;
Execução de ações de salvamento e resgate de pessoas em
perigo;
Prevenção e combate ao incêndio, controlando princípios de
incêndio de forma segura;
Atendimento a emergências envolvendo produtos perigosos,
conforme o risco químico identificado;
Coordenação e apoio ao abandono de áreas, assegurando
evacuação ordenada e segura;
Atividades de educação e treinamento contínuo, promovendo a
conscientização e capacitação do público interno.
Complementarmente, a IT17 define três variáveis principais para a
quantidade necessária de brigadistas por turno: a população fixa por
turno de trabalho, o grau de risco da edificação ou área de risco e o tipo
de ocupação (grupo ou divisão de uso da edificação). Nos casos em que
a edificação possua ocupações mistas, ou seja, diferentes tipos de uso
em um mesmo prédio ou conjunto, o número de brigadistas pode ser
calculado separadamente para cada tipo de ocupação,
independentemente de haver compartimentação ou isolamento entre as
áreas. Essa abordagem assegura que todos os ambientes, mesmo
distintos entre si, contem com cobertura adequada de pessoas para a
brigada (São Paulo, 2025b).
Após determinar a quantidade total de brigadistas, é essencial distribuí-
los(as) de maneira estratégica em toda a edificação, garantindo
presença equilibrada em todos os pavimentos, setores e turnos. Essa
distribuição tem como objetivo permitir resposta imediata e eficiente em
caso de emergência, reduzindo o tempo de deslocamento e aumentando
a capacidade de controle da situação.
Dentre a formação e a composição da brigada de incêndio, há quatro
cargos que a compõe, sendo eles (São Paulo, 2025b):
Brigadista: é a pessoa, voluntária ou indicada pela empresa, que
recebe treinamento e capacitação específicos para atuar nas
ações de prevenção e combate a princípios de incêndio,
abandono de área, prevenção de acidentes e prestação de
primeiros socorros dentro da edificação ou área de risco;
Líder: é o(a) brigadista designado(a) para coordenar e conduzir
as ações de emergência em um conjunto de setores,
pavimentos ou compartimentos da edificação. É escolhido(a)
entre os(as) brigadistas que obtiveram aprovação no processo
seletivo, devendo demonstrar iniciativa e capacidade de
liderança durante as ocorrências;
Chefe da edificação ou do turno: trata-se do(a) brigadista
encarregado(a) de coordenar e supervisionar todas as ações de
emergência em uma edificação específica da planta, ou de um
turno específico. Assim como o(a) líder, é selecionado(a) entre
os(a) brigadistas devidamente aprovados(as) e treinados(as);
Coordenador(a) geral: é o(a) responsável máximo pela brigada
de incêndio da planta, coordenando as ações de emergência em
todas as edificações e turnos existentes. Deve ser escolhido(a)
entre os(as) brigadistas aprovados(as) e possuir habilidade de
liderança, autoridade reconhecida pela direção da empresa e
autonomia para tomada de decisões durante emergências. O
plano de emergência deve prever um(a) substituto(a)
devidamente treinado(a) e capacitado(a), de modo a evitar o
acúmulo de funções e garantir a continuidade da coordenação
em sua ausência.
O atestado de brigada de incêndio é válido por um ano e, sempre que
houver alteração de 50% ou mais de seus membros durante a vigência, é
necessário renová-lo. Além disso, a cada um ano é preciso realizar a
atualização do treinamento para os brigadistas já formados
(reciclagem).
São deveres dos(as) brigadistas (Associação Brasileira de Normas
Técnicas, 2020a):
Conhecer e aplicar os procedimentos do plano de emergência
da planta, que deve ser elaborado seguindo os requisitos da
ABNT NBR 15219;
Identificar perigos e avaliar riscos existentes na edificação ou
área de risco, atuando ativamente na correção dos problemas
encontrados, de modo a prevenir incidentes e promover um
ambiente de trabalho seguro;
Realizar inspeções periódicas em todos os materiais,
equipamentos e sistemas de emergência, verificando a
funcionalidade de extintores, hidrantes, alarmes e outros
dispositivos, bem como manter desobstruídos os acessos a
esses equipamentos, aos quadros elétricos, corredores e saídas
de emergência;
Verificar regularmente as rotas de fuga, garantindo que estejam
livres de obstáculos, devidamente sinalizadas e iluminadas,
permitindo uma evacuação rápida e segura em caso desinistro;
Participar dos exercícios simulados de emergência, colocando
em prática os conhecimentos adquiridos e submetendo-se às
avaliações práticas de desempenho, que verificam a prontidão e
a eficiência operacional do(a) brigadista;
Contribuir com sugestões e propostas de melhoria das
condições de segurança contra incêndios e acidentes,
colaborando com o aprimoramento contínuo do sistema de
prevenção da edificação;
Acompanhar e avaliar atividades de risco compatíveis com sua
capacitação, como trabalhos a quente, manuseio de inflamáveis
Fonte: São Paulo, 2025b
Nota: quando a população fixa for maior que dez pessoas, será acrescido mais um(a)
brigadista para cada grupo de até vinte pessoas para risco baixo, mais um(a) brigadista
para cada grupo de até quinze pessoas para risco médio e mais um(a) brigadista para
cada grupo de até dez pessoas para risco alto (ver exemplo B).
#ParaTodosVerem: a imagem é uma tabela que detalha os níveis de treinamento e
instalação com base no grupo da edificação, grau de risco e população. As colunas são:
"Grupo", "Divisão", "Descrição", "Grau de risco", "População fixa por pavimento"
ou manutenção elétrica, atuando de forma preventiva e
orientadora;
Registrar todas as ocorrências de emergência, ainda que de
pequeno porte, e propor medidas corretivas e preventivas para
evitar reincidências, o que fortalece o aprendizado
organizacional e a cultura de segurança.
Para ficar mais completo e fácil de entender nosso conteúdo, vamos
aprender agora a dimensionar uma brigada de incêndio, para uma
indústria com grau de risco alto, um único pavimento e que possui 80
empregados(as). Para isso, é necessário consultar a Tabela A.1 do
anexo A da IT17 (Tabela 1):
Tabela 1 – Composição mínima da brigada de incêndio por pavimento,
níveis de treinamento e da instalação (parte da tabela A.1 do Anexo A da
IT17/2025)
(subdividida em "Até 2", "Até 4", "Até 6", "Até 8", "Até 10", "Acima de 10"), "Nível do
treinamento (Anexo B)" e "Nível da instalação (Tabela A2)". A tabela foca no "Grupo I –
Indústria" (Divisão I-1, I-2, I-3). Para "Grau de risco Baixo", os valores para as colunas de
população são 1, 2, 2, 2, 2, e (nota 5), com níveis de treinamento e instalação "Básico".
Para "Grau de risco Médio", os valores são 2, 4, 4, 5, 6, e (nota 5), com níveis
"Intermediário". Para "Grau de risco Alto", os valores são 2, 4, 5, 7, 8, e (nota 5), com
níveis "Avançado". Fim da descrição.
O grau de risco é definido pela carga de incêndio, que, no nosso exemplo, é alto. Até dez
pessoas, a quantidade de brigadistas, conforme Tabela 1 deve ser de oito pessoas. Portanto,
agora, é necessário calcular a quantidade de brigadistas da população acima de dez pessoas.
Logo, basta subtrair 10 de 80, que dará setenta pessoas.
Conforme a nota 5 da tabela A.1 da IT17, é mencionado que para cada grupo de até dez
pessoas para o risco alto, devem ser adicionados um(a) brigadista. Sendo assim, o resultado é
de 8 +(70/10)= 15 brigadistas. Esse número é o mínimo, porém, é recomendado colocar pelo
menos 10% a mais de brigadistas, pois, caso haja desligamentos ou folgas de funcionários(as),
não haverá comprometimento do efetivo. Logo, o recomendado é ter dezessete brigadistas,
contudo, o exigido legalmente são quinze brigadistas.
Caso essa indústria tenha mais de um turno, a brigada de incêndio deve ser calculada para
cada turno. Se houver mais de um pavimento, é necessário calcular a brigada individualmente
pelo número de empregados(as) existentes em cada pavimento e, depois, somar a quantidade
de brigadistas que foi obtida em cada pavimento, a fim de descobrir a quantidade total de
brigadistas necessária.
Por fim, quanto maior o grau de risco, maior é a exigência quanto ao nível de treinamento dos
brigadistas (com maior carga de conteúdo) e ao nível de segurança da instalação.
Sinalização de Emergência
A sinalização de emergência é regida pela IT 20 que tem como objetivo
principal minimizar o risco de incêndios e outros acidentes, por meio da
identificação clara dos perigos existentes e da orientação adequada das
ações a serem tomadas em situações de emergência. Ela desempenha
papel essencial ao indicar rotas de fuga seguras, localizar equipamentos
de combate a incêndio, como extintores e hidrantes, além de orientar as
pessoas durante o abandono da edificação. A ABNT NBR 16820
estabelece os sistemas de sinalização de emergência, definindo as
diretrizes para o projeto, requisitos e métodos de ensaio.
Ela é dividida em duas classificações: sinalização básica e sinalização
complementar (São Paulo, 2025d):
Sinalização Básica
É o conjunto mínimo obrigatório de sinalizações que toda edificação deve possuir, organizado
em quatro categorias:
Proibição: proíbe ações que possam causar ou agravar incêndios (ex.: “Proibido fumar”);
Alerta: adverte sobre áreas ou materiais com risco de incêndio, explosão, choque elétrico
ou contaminação;
Orientação e salvamento: indica rotas de fuga, saídas de emergência e as ações
necessárias para evacuação;
Equipamentos: identifica a localização e o tipo de equipamento de combate a incêndio ou
alarme.
Sinalização Complementar
É a sinalização de apoio à básica, composta por faixas de cor, símbolos e mensagens escritas,
utilizada para aumentar a clareza e a segurança (Figura 1, 2 e 3). Suas finalidades principais
constituem:
Orientar rotas de saída de forma contínua, mostrando todo o trajeto até a saída de
emergência;
Indicar obstáculos e riscos ao longo do caminho (pilares, desníveis, fechamento de vãos
com vidros etc.);
Complementar a sinalização básica com mensagens escritas, dando maior clareza sobre
a sinalização;
Identificar medidas de proteção contra incêndio e indicar lotação máxima em locais de
reunião de público;
Demarcar áreas no piso, assegurando corredores de circulação e acesso a equipamentos
de segurança;
Identificar tubulações e acessórios de sistemas hidráulicos de combate a incêndio
(hidrantes e sprinklers) por meio de pintura de destaque diferenciada.
Figura 1 – Exemplos de sinalização básica de proibição, alerta,
orientação e salvamento, e de equipamentos, respectivamente (de
cima para baixo), de acordo com IT 20
Fonte: São Paulo, 2025d
#ParaTodosVerem: a Figura 1 mostra quatro fileiras (linhas, uma em cima da outra), e
cada uma delas representa uma das quatro categorias da sinalização básica da
sinalização de emergência. Portanto, serão descritas as sinalizações que aparecem em
cada uma das fileiras, respectivamente, da esquerda para a direita e de cima para baixo:
1. Sinalização de proibição: a) proibido fumar; b) proibido utilizar água para apagar o
fogo; c) proibido obstruir este local. São sinalizações preto e branco dentro de um
círculo vazado vermelho cortado ao meio;
2. Sinalizações de alerta: a) cuidado, risco de incêndio; b) cuidado, risco de explosão;
c) cuidado, risco de choque elétrico. São sinalizações na cor preta, internas a um
triângulo com as bordas espessas na cor preta;
3. Sinalização de orientação e salvamento: a) orientação do sentido da saída de
emergência; b) orientação do sentido de saídas de emergências acessíveis; c)
saída de emergência; d) orientação do sentido da escada de emergência. São
sinalizações verdes, na grande maioria retangulares, representadas muitas vezes
por um boneco correndo;
4. Sinalização de equipamentos de combate a incêndio e alarme: a) alarme sonoro;
b) extintor de incêndio; c) hidrante de incêndio; d) seta à direita, indicativa de
localização dos equipamentos de combate a incêndio ou alarme. São sinalizações
na grande maioria quadradas, dentro de um fundo vermelho. Fim da descrição.
Figura 2 – Sinalização complementar indicando a lotação máxima
para locais de reunião de público, de acordo com IT 20
Fonte: São Paulo, 2025d
#ParaTodosVerem: a Figura 2 ilustra um exemplo de sinalização complementar, que
indica a quantidade máxima de pessoas sentadas e em pé que podem permanecer no
local, por meio de uma mensagem escrita dentro de umasinalização retangular e com
fundo verde. Está escrito o seguinte na placa: “Lotação máxima 00 pessoas sentadas
00 pessoas em pé”. Fim da descrição.
Figura 3 – Exemplo de situação que mostra a sinalização que
ilustra a rota de fuga para a saída de emergência, e que leva a
porta corta-fogo, além de mostrar a sinalização complementar e
obstáculos, de acordo com IT 20
Fonte: São Paulo, 2025d
#ParaTodosVerem: a Figura 3 mostra um exemplo de situação interna a uma edificação
que sinaliza, com diversas placas (sinalizações básicas e complementares), as direções
da rota de fuga e saída de emergência, além de identificar os obstáculos no caminho.
Fim da descrição.
Figura 4 – Sinalização de emergência indicando extintores de
incêndio e hidrante, em um prédio residencial
Cabe salientar que a IT 20 estipula uma altura exata obrigatória (medida a partir do nível do
piso) para que cada um dos tipos de sinalizações sejam instalados (Figura 4).
#ParaTodosVerem: a Figura 4 mostra três sinalizações básicas de emergência
colocadas na parede, indicando, respectivamente, da esquerda para a direita: extintor de
incêndio de água, extintor de incêndio de pó químico e hidrante.
Iluminação de Emergência
A iluminação de emergência é regida pela IT 18 que tem como objetivo principal estabelecer as
condições mínimas e os requisitos técnicos para o projeto e a instalação do sistema de
iluminação de emergência em edificações e áreas de risco. Esse sistema tem a função de
assegurar a visibilidade adequada e a orientação segura das pessoas durante situações de
falta de energia ou emergência, permitindo o abandono rápido e seguro da edificação e o
acesso eficiente das equipes de resgate. A ABNT NBR 10898 define os requisitos para o
sistema de iluminação de emergência e seu conteúdo é completar ao da IT 18.
A distância máxima entre os pontos de iluminação de emergência de aclaramento não deve ser
superior a 15 m, e a distância entre cada ponto de iluminação e a parede mais próxima deve ser
de, no máximo, 7,5 m (São Paulo, 2025c). Esses parâmetros garantem uma distribuição
uniforme da luminosidade, assegurando que, em situações de falta de energia, os(as)
ocupantes consigam enxergar claramente o caminho de evacuação e os equipamentos de
segurança. Entretanto, a IT 18 permite que outros espaçamentos sejam adotados, desde que o
projeto comprove conformidade com os critérios técnicos da ABNT NBR 10898, norma
específica que regulamenta o sistema de iluminação de emergência.
Deve ser assegurado um nível mínimo de iluminância adequado para permitir a circulação
segura das pessoas durante emergências. O iluminamento não pode ser inferior a 3 lux em
áreas planas, como corredores, halls e áreas de refúgio, garantindo que os(as) ocupantes
consigam se orientar visualmente mesmo em caso de falha da iluminação principal. Nos locais
com desnível, como escadas, rampas ou passagens com obstáculos, o nível mínimo de
iluminação deve ser de 5 lux, já que essas áreas apresentam maior risco de acidentes durante o
abandono da edificação (São Paulo, 2025c).
Além disso, salas com área igual ou inferior a 50 m² e ocupação de até cinquenta pessoas,
conforme parâmetros da IT 11 (Saídas de Emergência), não são obrigadas a possuir sistema de
Figura 5 – Iluminação de emergência em cima do patamar de uma
escada de emergência em um prédio residencial
iluminação de emergência, desde que suas saídas sejam diretas para corredores devidamente
iluminados e sinalizados (São Paulo, 2025c)
#ParaTodosVerem: a Figura 5 mostra uma luminária de emergência autônoma,
colocada diretamente no teto (cerca de 2,80 m de altura em relação ao piso), em cima
do patamar de uma escada em um prédio residencial. Fim da descrição.
Plano de Emergência
Um plano de emergência é um conjunto estruturado de procedimentos e medidas preventivas e
corretivas elaboradas para responder de forma organizada e eficiente a emergências que
possam colocar em risco a integridade física das pessoas, o patrimônio, o meio ambiente e a
continuidade das operações de uma organização. Ele tem como objetivo principal minimizar os
impactos de eventos inesperados, como incêndios, explosões, vazamentos de produtos
perigosos, desabamentos, acidentes com múltiplas vítimas, entre outros cenários críticos.
O plano de emergência é paramentado na ABNT NBR 15219 que regula os requisitos técnicos e
procedimentos para a sua implantação. Além disso, essa norma estipula que o(a) profissional
habilitado(a) de realizar o documento deve embasar sua análise com base na NBR ISO 31000,
que é uma norma de diretrizes para gestão de riscos, com o intuito de identificar, mitigar,
controlar ou eliminar os riscos encontrados (Associação Brasileira de Normas Técnicas,
2020b). A IT 16 trata sobre os pontos fundamentais sobre o gerenciamento de riscos de
incêndio e explica como o plano de emergência deve ser estruturado, bem como cita quais são
as áreas mais perigosas e que precisam de uma atenção especial, como aquelas que possuem,
por exemplo, tanques de combustíveis, caldeiras ou vasos de pressão, espaços confinados,
cozinha profissional, locais com armazenamento e utilização de explosivos etc.
A elaboração de um plano de emergência parte da identificação dos perigos e avaliação dos
riscos presentes nas atividades e instalações da empresa. Com base nesse diagnóstico, são
definidas as ações de prevenção e os procedimentos a serem adotados em caso de ocorrência
de uma emergência. O plano deve especificar as responsabilidades de cada membro da equipe,
os meios e recursos disponíveis (como extintores, alarmes, sistemas de combate a incêndio,
rotas de fuga e pontos de encontro), bem como os métodos de comunicação interna e externa
durante uma crise.
Um aspecto essencial do plano de emergência é a organização das brigadas de emergência,
formadas por trabalhadores(as) treinados(as) para atuar em diferentes frentes, como combate
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ACESSE
a incêndios, primeiros socorros, evacuação e apoio à coordenação geral. Essas equipes devem
ser capacitadas periodicamente, garantindo que estejam aptas a agir com rapidez e segurança
quando necessário.
Outro elemento indispensável é a simulação de emergências, que permite testar a eficácia do
plano, identificar falhas operacionais e aprimorar os procedimentos com base nas lições
aprendidas. Essas simulações reforçam a cultura de segurança, tornando os(as)
trabalhadores(as) mais conscientes e preparados(as) para agir sob pressão.
O plano de emergência também deve incluir protocolos de comunicação com órgãos externos,
como o Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil, o SAMU e a Polícia Militar, garantindo uma
resposta integrada entre a empresa e os serviços públicos. Além disso, é fundamental manter o
plano documentado e acessível, contemplando plantas de risco, sinalizações de rotas de fuga e
instruções claras afixadas em locais visíveis.
Leitura
Emergências em Ambientes Industriais
Este manual lista, entre as páginas 50 a 58, todas as normas técnicas ABNT relacionadas direta
ou indiretamente a emergências em ambientes industriais.
https://www.spinelli.blog.br/literatura/manual_emergencias_cpto.pdf
Procedimentos para Abandono da Área ou Edificação
Em casos de emergências, a população do local deve seguir obrigatoriamente as seguintes
instruções, a fim de que o espaço possa ser evacuado com o máximo de segurança possível
(Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2020b):
Seguir rigorosamente as orientações dadas pelos(as) brigadistas;
Manter-se calmo e agir com tranquilidade;
Deslocar-se de forma ordenada, evitando empurrões ou atropelos;
Permanecer em silêncio, facilitando a comunicação durante a evacuação;
Caso alguém entre em pânico, tentar acalmá-lo e informar imediatamente um(a)
brigadista;
Não retornar ao local de risco para buscar objetos pessoais;
Ao sair de um ambiente, fechar portas e janelas, sem trancá-las;
Não se distanciar das outras pessoas e não parar nos corredoresou andares;
Acompanhar e conduzir visitantes que estejam em sua área de trabalho;
Se houver cheiro de gás, não acender ou apagar luzes e equipamentos elétricos;
Deixar acessos e vias livres para o trabalho dos bombeiros e das equipes de emergência e
socorro médico;
Dirigir-se ao ponto de encontro designado e aguardar novas orientações.
Cabe ressaltar que, para que tudo isso seja feito com agilidade e o máximo de tranquilidade
possível, é necessário que toda a população do local seja informada e passe por simulados
periódicos de emergências (evacuação).
A organização deve estipular um ou mais pontos de encontro (com base no tamanho da
planta), afastados dos locais de riscos, para que as pessoas possam se encontrar depois de
evacuarem a edificação/área e aguardarem o socorro das equipes de resgate.
Revisão e Vigência do Plano de Emergência
O plano de emergência deve ser revisado periodicamente por um(a) profissional habilitado(a),
especialmente quando houver mudanças relevantes nos processos industriais, de serviços,
leiaute ou área da planta. A revisão também é necessária se ocorrer aumento superior a 50% no
número de pessoas da planta, se for identificada a possibilidade de aprimoramento do plano ou
após 24 meses desde a última revisão, garantindo que o documento permaneça atualizado e
adequado às condições reais de operação (Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2020b).
Cabe salientar que a IT 16 define o prazo de doze meses para a revisão do documento (São
Paulo, 2025a), portanto, deve valer esse prazo, que é o mais restritivo.
Qualquer modificação significativa nos processos ou nas instalações deve contar com a
participação formal de um(a) profissional qualificado(a), que precisa ser consultado e emitir
parecer por escrito. Sempre que possível, recomenda-se que essa revisão seja feita pelo(a)
mesmo(a) responsável técnico(a) que elaborou o plano original, a fim de manter a coerência e a
continuidade das informações e estratégias estabelecidas.
Durante o processo de revisão, o(a) profissional habilitado(a) deve consultar diferentes
especialistas e setores envolvidos, como a área de Segurança, Saúde e Meio Ambiente (SSMA),
grupos de apoio técnico, coordenador(a) de emergência, bombeiros(as) civis e membros da
Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio (CIPA). Quando necessário, também
podem ser ouvidas empresas vizinhas e comunidades próximas, buscando garantir uma
resposta integrada e eficaz diante de possíveis emergências (Associação Brasileira de Normas
Técnicas, 2020b).
Importante!
Os anexos B, C e D da IT16 (São Paulo, 2025a) apresentam um resumo das informações que
são necessárias para o preenchimento do plano de emergência, inclusive citando o modelo
para preenchimento e exemplo hipotético de um modelo preenchido (para fins didáticos).
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📄 Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT 14276: Brigada de incêndio e
emergência — Requisitos e procedimentos. 3. ed. Rio de Janeiro: ABNT, 2020a.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT 15219: Plano de Emergência –
Requisitos e procedimentos. Rio de Janeiro: ABNT, 2020b.
SÃO PAULO (Estado). Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Instrução
Técnica 16/2025: gerenciamento de riscos de incêndio. 1. ed. São Paulo: Corpo de Bombeiros
da Polícia Militar do Estado de São Paulo, 2025a.
SÃO PAULO (Estado). Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Instrução
Técnica 17/2025: brigada de incêndio. 1. ed. São Paulo: Corpo de Bombeiros da Polícia Militar
do Estado de São Paulo, 2025b.
SÃO PAULO (Estado). Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Instrução
Técnica 18/2025: iluminação de emergência. 1. ed. São Paulo: Corpo de Bombeiros da Polícia
Militar do Estado de São Paulo, 2025c.
SÃO PAULO (Estado). Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Instrução
Técnica 20/2025: sinalização de emergência. 1. ed. São Paulo: Corpo de Bombeiros da Polícia
Militar do Estado de São Paulo, 2025d.

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