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BASES FILOSÓFICAS I Formação em Gestalt-terapia - Turma 2021 Coordenação: Helen Messias Guzman e Laís Nadai Tavares Helen Messias Guzman MÓDULO 1 1. Palavra alemã de difícil tradução. 2. A configuração total de um evento percebido. 3. A visão completa. 4. O sentido completo em si mesmo. 5. Processo de completar qualquer acontecimento, ideia de fechamento. GESTALT substantivo feminino Sistema terapêutico fundamentado científica e filosoficamente a partir das formulações de Frederick Salomon Perls, com a participação de sua esposa Laura e de seu colaborador Paul Goodman. Grupo dos sete: Isadore From, Paul Goodman, Paul Weisz, Sylvester Eastman, Elliot Shapiro, Laura Perls e Fritz Perlsn. SURGIMENTO DA GESTALT-TERAPIA 195119511951 Pulicação do livro "Gestalt-terapy". 195219521952 The Gestalt Institute of New York. SURGIMENTO DA GESTALT-TERAPIA No Brasil: 197219721972 Thérèse Tellegen vai a Londres.Publicação de “ Elementos de Psicoterapia Gestáltica”- Boletim da Sociedade de Psicologia de São Paulo. 198119811981 Centro de Estudos de Gestalt de São Paulo. PRINCIPAIS PIONEIROS Thérèse Tellegen, Lilian Frazão, Abel Guedes e Jean Clark Juliano TEORIAS E FILOSOFIAS DE FUNDO Humanismo Existencialismo Fenomenologia Martin Buber Filosofias Orientais Escola da Gestalt Psicanálise Reich Moreno Kurt Lewin Teoria Organísmica 1. Existencialismo é um conjunto de filosofias ou correntes filosóficas cuja marca comum é a análise da Existência. EXISTENCIALISMO substantivo masculino IDEIAS CENTRAIS do Existencialismo Análise Existencial é analise das situações mais comuns ou fundamentais em que o homem vem a encontrar-se. (RIBEIRO, 2012) Para o Existencialismo, o Homem é visto como um ser universal, diluído na ideia, mas também como um ser particular, concreto, com vontade e liberdade pessoais, consciente e responsável. 1. Ato ou efeito de escolher 2. Preferência que se dá a alguma coisa que se encontra entre outras; predileção. ESCOLHA substantivo feminino 1. Grau de independência legítimo que um cidadão, um povo ou uma nação elege como valor supremo, como ideal. LIBERDADE substantivo feminino 1. Obrigação de responder pelas ações próprias ou dos outros. RESPONSABILIDADE substantivo feminino Para Kierkegaard, a subjetividade é a verdade, a subjetividade é a realidade. É a própria necessidade de se tentar compreender o indivíduo a partir de sua singularidade, de seu manifestar-se subjetivo. A consciência, segundo RIBEIRO (1985) não é um depósito morto de objetos e imagens, mas é ativa e dá sentido às coisas. A consciência é ativa, viva e dá sentido a tudo, estando voltada para algo. O ser humano só pode ser compreendido por ele mesmo através de uma experiência direta de seu ser no mundo… Momentaneamente até pode ter perdido essa aptidão, mas continua sendo o intérprete mais fiel de si mesmo. (RIBEIRO, 1985) O Homem passa a ser considerado como um ser privilegiado, pois como afirma Heidegger, só o Homem existe enquanto modo particular de estar no mundo enquanto as coisas simplesmente são. (RIBEIRO, 1985) O Homem é existência porque ele é um projeto. O Homem nada mais é do que aquilo que ele decide ser, do que aquilo que ele projeta ser… (RIBEIRO, 1985, p. 38) O Homem é um ser se fazendo, sempre a caminho, caminhando entre liberdade e responsabilidade, como um projeto se constituindo permanentemente. (RIBEIRO, 2011, p. 106) A liberdade do Homem é condicionada, finita e obstaculizada por muitas limitações... (RIBEIRO, 2011, p. 110) 1. movimento intelectual difundido na Europa durante a Renascença e inspirado na civilização greco-romana, que valorizava um saber crítico voltado para um maior conhecimento do homem e uma cultura capaz de desenvolver as potencialidades da condição humana. HUMANISMO substantivo masculino SURGIMENTO DO HUMANISMO Tem suas raízes no séculos XIII e XIV, firmando-se nos séculos XV e XVI. Nasce como uma antidoutrina religiosa, surge em uma época que o dogmatismo tinha deformado o Homem e o próprio Deus. (RIBEIRO, 2011) O Humanismo recoloca Deus e o Homem em seus devidos lugares. O Humanismo cristão passa a realçar o vigor do Homem como pessoa, ou seja, como ser autônomo dotado de consciência e responsabilidade. Através do Humanismo , o Homem consegue recuperar sua natureza, sua origem, seu destino mutilados por uma visão religiosa por demais dogmática e autoritária do ser humano, visto até então como vítima de um eterno pecado a ser punido e espiado. (RIBEIRO, 2011) A PSICOLOGIA HUMANISTA 195419541954 Mala direta com 125 autores. 196119611961 Journal of Humanistic Psychology/comitê ed: KurtGoldstein, Rollo May, Erich Fromm e Clark Moustakas. 196319631963 196419641964 I Congresso da Associação Americana de Psicologia Humanista/Filadélfia. A Psicologia Humanista estrutura-se como terceira força da Psicologia. A PSICOLOGIA HUMANISTA Ideia de oposição ao comportamentalismo e à Psicanálise A pessoa é mais que a soma de suas partes Ela é afetada por seu relacionamento com outras pessoas Ela é um ser consciente Ela tem possibilidade de escolhas Ela apresenta um caráter intencional (ARCARO in Pinto, 2009) IDEIAS CENTRAIS do Humanismo O ser humano apresenta possibilidade de escolha, ou seja capacidade de livre arbítrio. "Esta ideia não se refere a uma visão utópica de plena liberdade, mas na convicção de que o próprio indivíduo é uma das fontes de determinação de seu comportamento e de sua experiência subjetiva". (ARCARO in Pinto, 2009, p. 15) O ser humano tem o privilégio de ser livre. Outra ideia humanista é tomar a experiência subjetiva como referência básica para a compreensão, postura esta de teor fenomenológico. Esta postura significa buscar o significado da experiência vivida nos próprios fenômenos que a constituem e não em estruturas teóricas explicativas. Interesse nos aspectos mais característicos do ser humano. Para os humanistas devemos abordar as peculiaridades do comportamento das pessoas. Discordam das estratégias que procuram conhecer o Homem através de pesquisas com animais. Valorizam investigações de experiências humanas e estudos de indivíduos saudáveis. Para o Humanismo o ser humano é compreendido através de uma ótica holista. (BONAIN JR, 1995) Consiste em numa compreensão integral da totalidade do Homem ao invés de analisá-lo em partes, acreditando que ele seja mais do que a soma dessas partes. Os Humanistas rejeitam as concepções reducionistas da psicanálise e do comportamentalismo. Enfoque psicossomático do Homem que também está indissociavelmente ligado ao seu ambiente e influenciado por ele. (ARCARO in Pinto, 2009) O Humanismo acredita que o ser humano apresente um caráter eminentemente dialogal. Coerente com a teoria de campo de Lewin, acredita que o Homem não existe, realmente, como indivíduo isolado, pois só se define e se realiza no encontro com o outro. Os psicoterapeutas humanistas acreditam que o relacionamento de pessoa para pessoa seja o mais favorável para o crescimento do indivíduo e sua auto- realização. Por isso, se adota nas psicoterapias humanistas um modelo de psicoterapia relacional. Os Humanistas também propõem que o indivíduo busque uma existência mais espontânea, autêntica e auto- consciente, crendo na importância do terapeuta relacionar-se empática e autenticamente com o cliente. É uma corrente que visa como objetivo fundamental da psicoterapia, o crescimento e a autonomia psicológica do cliente. Substitua o termo paciente por cliente. "Dizer que uma criança é teimosa é cristalizar seu momento presente em seu campo atual, em uma “essência” que não condiz com a visão processual de ser humano em Gestalt-terapia". (AGUIAR, 2005) O Homem é um ser se fazendo, não é isto ou aquilo de forma definitiva, mas está sendo neste momento e pode vir a ser outra “coisa”num momento seguinte. É a postura Humanística que, sem esquecer os limites pessoais, os fracassos e impossibilidades de mudanças,aqui e agora, procura fazer uma reflexão a partir do positivo, do criativo, do que é ainda potencialmente transformador; enfim, daquilo que talvez sem o perceber, o cliente tem à sua disposição, como principal e, às vezes, única porta de saída para sua recuperação e renascimento. (RIBEIRO, 1985, p. 30) IMPLICAÇÕES DO HUMANISMO E DO EXISTENCIALISMO PARA A GESTALT-TERAPIA As pessoas não sabem mais olhar para dentro de si mesmas e se verem tais como são: imensas, sagradas, plenas de potencialidades. Concebemos a pessoa capaz de se ajudar, de saber o que é melhor para si e de escolher os melhores caminhos para atingir seus fins. Entendemos que apesar das aparências ela jamais perde todo seu referencial interno de lidar. É função da psicoterapia colocar a pessoa, a todo instante, diante de si mesma, olhando-se sem culpa de querer ser feliz, mas com amor, orgulho de si mesma, com fascínio e celebração da própria realidade. O Homem é um projeto, portanto, só ele pode cuidar de sua execução, de sua modificação ou de sua interrupção. É fundamental que o processo de psicoterapia coloque a pessoa o tempo todo, diante de sua experiência imediata, tanto do ponto de vista da consciência, como da emoção. Colocar o cliente diante do próprio poder, de modo que se sinta mais capaz e menos crítico sobre si mesmo. Fazer com que o cliente descubra em si tudo de bom que ele possui e pare de amar o próprio sofrimento como um mal menor do que a incerteza do futuro e do risco. Fazer com que o cliente ame o que tem, o que lhe está disponível. Fazer com que o cliente pare de procurar o vilão de sua história passada e se veja como responsável pela sua vida. É FUNÇÃO DO TERAPEUTA... segundo RIBEIRO (1999) Discutir concretamente a realidade discernindo realidade e fantasia; Experienciar o real e suas consequências; Inventar caminhos, tornando-se mais; Perceber a perda de tempo, o desgaste de energia, quando ele faz de conta que está procurando soluções verdadeiras; Verificar as razões pelas quais o cliente insiste em manter o passado como se fosse um presente indiscutível; Ajudar o cliente a experienciar seu verdadeiro limite de velocodade e a perceber que está andando a 60km/h quando poderia andar a 80km/h. Se olhar com mais respeito e carinho; Levar o cliente a confiar nas próprias percepções; Sentir que mudar, mais do que ficar fixado resulta em uma vida diferente; Descobrir os caminhos mais fáceis de trilhar; Reabrir os olhos e ver o mundo como um convite e não como um desafio; Sentir que não é um solitário no planeta. O psicoterapeuta não pode e não tem de decidir nada para o cliente, mas pode decidir com o cliente, num encontro profundo que de fato contamine a totalidade da relação. (RIBEIRO, 1999) Levar o cliente a tomar consciência de seu projeto, do modo como o projeto vem sendo realizado e de como levá-lo adiante, com base em sua realidade pessoal, em sua relação com o mundo. (RIBEIRO, 1985) Nós recebemos o presente da vida. Nenhum de nós escolheu a vida. Nós fomos escolhidos por ela. Precisamos honrar este presente. O que fazemos com a vida neste curto período de tempo é muito importante... (HYCNER, Goiânia, 2015) SUGESTÕES DE LEITURAS E REFERÊNCIAS RIBEIRO, Jorge Ponciano. Conceito de Mundo e de Pessoa em Gestalt-terapia: Revisitando o caminho. São Paulo: Summus, 2011. RIBEIRO, Jorge Ponciano. Gestalt-terapia: Refazendo um caminho. São Paulo: Summus, 1985. (cap. 2) REFERÊNCIAS PRINCIPAIS FRAZÃO, Lilian Meyer & FUKUMITSU, Karina Okajima (org.) Gestalt-terapia: Fundamentos epistemológicos e influências filosóficas (Coleção Gestalt-terapia Fundamentos e Práticas, v.1). São Paulo: Summus, 2013 CARDELLA, B. H. P. De Volta para Casa: Ética e poética na clínica gestáltica contemporânea. Amparo: Gráfica Foca, 2017 ( solicitar para a autora por email: biacardella@uol.com.br) PINTO, Ê. B. (org). Gestalt-terapia: Encontros . São Paulo. Instituto Gestalt de São Paulo, 2009 (série Atualizações em Gestalt-terapia) REFERÊNCIAS COMPLEMENTARES STEVENS, John O. Tornar-se Presente: experimentos de crescimento em gestalt-terapia. São Paulo: Summus, 1977. HELEN MESSIAS GUZMAN Psicóloga CRP 08/04499 pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCAMP), é Gestalt-terapeuta, Mestre em Ciências Humanas e especialista em Metodologia do Ensino e Psicologia Educacional. Professora e supervisora de Psicologia Clínica em Abordagem Gestáltica na UniCesumar – Centro Universitário de Maringá, carrega uma experiência como docente de 29 anos e há 15 anos é formadora de Gestalt-terapeutas. Fundadora e coordenadora do Instituto Gestalt Paraná.