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Stefanny Santana Wolff - cirurgiã dentista - Pós graduanda em endodontia Complexo dentino-pulpar• A polpa e a dentina formam a verdadeira unidade biológica, conhecida como complexo dentino-pulpar por seus aspectos embrionários, estruturais e funcionais. Embriologicamente, dentina e polpa se originam da papila dental. Estruturalmente os corpos dos odontoblastos se localizam no interior dos túbulos dentinários, percorrendo a grande extensão da dentina; funcionalmente, os odontoblastos são responsáveis pela formação e manutenção da dentina, que, por sua vez são consideradas uma estrutura integrada, denominada complexo dentino- pulpar Origem- Esmalte - órgão do esmalte Dentina - papila dentária Polpa dental - papila dentária Cemento, ligamento periodontal e osso alveolar - folículo dentário A dentina e a polpa são tecidos que estão intimamente ligados em relação à anatomia e fisiologia, e por isso são considerados um complexo - complexo dentino-pulpar. O esmalte e o cemento agem como camadas protetoras naturais. A polpa dental pode ser anatomicamente dividida como coronária (porção do tecido presente na câmara pulpar) e radicular (porção presente no canal radicular). A polpa dental conecta-se com o ligamento periodontal diretamente através dos forames apical (is) e lateral (is). Consequentemente, alterações patológicas no tecido pulpar pode afetar, por extensão, os tecidos perirradiculares (ligamento periodontal, osso alveolar e cemento.) Características Gerais• A dentina constitui o tecido mineralizado que forma o maior volume do dente. A porção coronária é recoberta por uma camada de esmalte, e a região radicular é revestida pelo cemento. Interiormente, a dentina delimita uma cavidade que contém a polpa dental. A dentina é menos mineralizado do que o esmalte e mais mineralizado do que o osso e o cemento. A elasticidade da dentina compensa a rigidez do esmalte, evitando que ele frature ao amortecer os impactos mastigatórios. Sua permeabilidade é outra característica, pois a presença dos túbulos dentinários permite a penetração relativamente fácil de elementos externos tais como microorganismos A cavidade pulpar é dividia em câmara pulpar coronária e canais radiculares. A forma da câmara corresponde à da coroa do dente, com extensões para as extremidades incisais e topos das cúspides. Essas extensos contém os cornos pulpares. A camada de dentina oclusal forma o teto da câmara pulpar. Em dentes multirradiculares, a dentina inter-radicular forma o assoalho da câmara pulpar. A polpa dental é um tecido conjuntivo frouxo de consistência gelatinosa que, no forame apical, se comunica com os tecidos periodontais. Por estar alojada em uma rígida estrutura calcificada, a polpa não pode expandir-se, e assim, quando inflamada, desencadeia um processo doloroso com características que, muitas vezes, podem indicar o grau de comprometimento pulpar Os forames apicais de dentes recém erupcionados são amplamente abertos, e tardiamente, com a completa formação do ápice, tornam-se mais estreitos. O tamanho e direção dos canais próximos ao ápice são determinados pelo curso e arranjo dos vasos sanguíneos que entram e saem da polpa Página 1 de Endodontia Estrutura do Complexo dentino-pulpar• A dentina é o tecido responsável pelo maior volume do dente Composição: 70% material inorgânico 10% água 20% matriz orgânica (principalmente colágeno) A dentina funciona como "amortecedor" do esmalte, pois compensa a rigidez desse através da sua elasticidade, evitando que ela venha a fraturar Dentina primária: depositada durante a formação fisiológica do dente. A dentina do manto e a dentina circumpulpar, que se formam até o fechamento do ápice radicular, constituem a dentina primária. - Dentina do manto: é a primeira dentina a ser formada pelos odontoblastos recém diferenciados e está localizada imediatamente abaixo do esmalte e cemento. Espessas fibras de colágeno dispostas de forma ordenada e regular formam a matriz orgânica. A dentina do manto, menos calcificada que a circumpulpar, contém as ramificações terminais dos túbulos dentinários e, por isso, eles são numerosos nessas localizações - Dentina circumpulpar: A mineralização da dentina começa na dentina do manto a partir de vesículas de matriz. Em seguida, a mineralização progride para as fibras colágenas e forma-se glóbulos de calcificação, que coalescem deixando pequenas regiões de dentina interglobular com áreas hipomineralizadas. Após a mineralização da dentina do manto, os odontoblastos começam a se deslocar centripetamente e a depositar a dentina circumpulpar, que constituem o maior volume do dente e se estende ate a pré-dentina. O processo de mineralização torna-se mais regular, e as regiões interglobulares, menos evidente - Existe vários tipos de dentina: Embriologia do complexo dentino pulpar• O dente deriva de dois tipos de tecido embrionários básicos: ectoderma e ectomesêquima Ectoderma: origina o esmalte Ectomesênquima: origina a dentina, a polpa e os tecidos periodontais Durante o processo de formação do dente, haverá a diferenciação desses tecidos, que inclui o espessamento do ectoderma oral, formação da lâmina dentária, e então o desenvolvimento dentário, que é divido em 3 estágios, denominados de acordo com o desenvolvimento do germe dentário: fase de botão, capuz e campânula Na fase de campânula, o tecido localizado dentro da invaginação é conhecido por papila dentária e será responsável por originar dentina e polpa Os tecidos periodontais são originários do ectomesênquima que envolve o órgão do esmalte e a papila dentária e forma o folículo (ou saco) dentário Resumindo: 1. o esmalte dentário é originado pelo órgão do esmalte, que por sua vez, tem sua origem de um tecido ectodérmico. 2. a dentina e polpa dental são formadas pela papila dentária, na fase de campânula, que tem origem de um tecido ectomesenquimal (ectomesênquima). 3. O cemento, ligamento periodontal e osso alveolar, são formadas pelo folículo dentário, que também tem origem do ectomesênquima Página 2 de Endodontia Dentina intratubular (peritubular): reveste o interior dos túbulos dentinários - Os túbulos dentinários estão limitados por uma parede denominada dentina intratubular altamente mineralizada e nitidamente demarcada pela dentina intertubular. As regiões dentinárias submetidas a estímulos persistentes e não muito graves como as cáries de evolução lenta, podem aumentara quantidade de dentina intratubular, chegando a obliterar totalmente os túbulos. Essa dentina de aparência cristalina é chamada de esclerosada ou translúcida. Pessoas com mais idade desenvolvem a denominada dentina esclerosada fisiológica. Que se forma pela obliteração e mineralização dos túbulos da dentina radicular, especialmente na região apical. A dentina fisiológica não está relacionada com um estimulo externo que possa ser identificado. Quando a dentina é afetada por uma lesão relativamente intensa, os odontoblastos se defendem retraindo seus prolongamentos e deixando os túbulos vazios. Essa dentina é chamada de opaca e contém tratos mortos ou desvitalizados Dentina esclerosada: caracterizada pela obliteração total ou parcial dos túbulos dentinários Linhas incrementais de crescimento A dentina cresce continuamente por aposição. Esse tipo de crescimento determina as linhas incrementais. As linhas maiores são as linhas de contorno de Owen e as menores são as linhas de Von Abner Dentina secundária: também é depositada fisiologicamente, após a raiz estar formada e o ápice ter alcançado estágio final de desenvolvimento - A dentina secundária se deposita mais lentamente do que a dentina primária e sua produção continua durante toda a vida do dente. A dentina secundária se forma por dentro da dentina circumpulpar em toda a periferia da câmara pulpar. Sua deposição diminui progressivamente o tamanho da câmara pulpar e , consequentemente,diminui número de odontoblastos por mecanismos de apoptose Túbulos dentinários: Estão presentes em toda a extensão da dentina, tendo seu diâmetro maior voltado para a polpa, e a menor para periferia. São estruturas cilíndricas delgadas que se estendem por toda a espessura da dentina desde a polpa até a união amelodentinária ou cementodentinária. Os túbulos são formados por uma parede de dentina e dentro deles se encontram líquido tecidual (fluído dentinário) e o prolongamento principal dos odontoblastos (processo odontoblástico). - Os túbulos dentinários ramificam-se em um sistema canalicular com diferentes diâmetros e numerosas anastomoses As ramificações de maior diâmetro são as ramificações terminais dos túbulos e ocorrem com maior frequência na dentina radicular do que na dentina coronária. A natureza tubular da dentina torna esse tecido permeável, favorecendo o desenvolvimento de processos cariosos e acentuando a resposta da polpa aos procedimentos restauradores. Principal função e importância Permeabilidade e sensibilidade A permeabilidade permite que qualquer material aplicado à dentina possa atingir a polpa. Quanto a sensibilidade dentinária, a teoria mais aceita é a hidrodinâmica, que considera que os estímulos possam induzir a movimentação do fluído dentinário no interior dos túbulos, seja em direção a polpa ou em direção a periferia.. Esses estímulos causam dor, seja qual for sua origem (calor, frio, mastigação, doces, jatos de ar, etc). Conteúdo dos túbulos O revestimento dos túbulos dentinários é constituído por um material orgânico e hipomineralizado, denominado lamina limitante. Os processos odontoblásticos no interior dos túbulos dentinários são circundados por um espaço preenchido pelo fluído dentinário e alguns constituintes orgânicos como fibras colágenas Dentina intertubular: circunda a dentina intratubular (constitui grande parte da massa dentinária) - A dentina intertubular se distribui entre os túbulos dentinários e, fundamentalmente, é formada por fibras de colágeno que constituem um amalha fibrilar na qual se depositam os cristais de hidroxiapatita. Essa matriz constitui a matéria orgânica da dentina Página 3 de Endodontia Dentina interglobular: Os espaços interglobulares, de tamanhos variavéis, são áreas que se formam por defeito da mineralização da dentina devido a falta de fusão dos calcosferitos ou glóbulos de mineralização. - Dentina terciária: A dentina terciária é a que se forma mais internamente, alterando a morfologia da câmara pulpar nas regiões onde existe um estímulo localizado (formada em resposta a estímulos externos). Esse tipo de dentina é produzida pelas células diretamente relacionadas com o estímulo nocivo, formando uma barreira entre a polpa e o local afetado. - Pode ser caracterizada em reacional ou reparadora. > Dentina reacional formada por odontoblastos que sobreviveram à injuria e exibem túbulos contínuos com a dentina secundária > Dentina reparadora: formada por células recém-diferenciadas, semelhante aos odontoblastos, que substituem os odontoblastos originais que foram destruídos pelo estímulo. Nessa dentina, os túbulos não são contínuos com os da dentina secundária A quantidade e a qualidade de dentina terciária que se produz dependem da duração e da intensidade do estímulo; quanto mais acentuados esses fatores, mais rápida e irregular será a aposição de dentina. Por exemplo, as cáries extensas que se desenvolvem rapidamente podem induzir a formação de dentina terciária com padrão tubular irregular e, com frequência, odontoblastos ficam incluídos no material mineralizado caracterizando a chamada osteodentina. Pré-dentina: é uma camada de dentina não mineralizada, localizada entre a camada odontoblástica e a dentina mineralizada (circumpulpar). É constituída pelos prolongamentos citoplasmáticos, acompanhados pelas fibras nervosas amielínicas e matriz orgânica dentinária. A função da pré-dentina é evitar que ocorra reabsorção pelo contato entre a polpa a dentina mineralizada - Polpa Dental• A polpa é um tecido conjuntivo frouxo, ricamente vascularizado e inervado. As principais células da polpa são odontoblastos, fibroblastos, ectomesenquimais indiferenciadas e macrófagos Suas principais funções são: Formativa (odontoblastos) Sensitiva (inervação sensorial) Nutritiva (vascularização pulpar) Defensiva (produção de dentina terciária e/ou esclerosada; dentes com polpas sadias são bastante resistentes à infecção bacteriana) Odontoblastos são células especializadas do tecido pulpar localizadas na periferia desse tecido e adjacente à pré-dentina (mais características do complexo dentinopulpar) Na região coronária as células são maiores e mais numerosas do que na região radicular. - O odontoblasto maduro é uma célula altamente diferenciada que perde a capacidade de se dividir. Os novos odontoblastos que se formam nos processos reparadores da dentina se originam de células ectomesenquimais. Os fibroblastos são as células mais numerosas do tecido conjuntivo pulpar, especialmente na região coronária onde formam uma camada altamente celularizada. É responsável pela produção e a manutenção do colágeno. Estas células podem se diferenciar em células semelhantes a odontoblastos em resposta a injuria e a estimulação - Células ectomesenquimais (células ectomesenquimais indiferenciadas) derivam-se do ectoderma e da crista neural. Constituem as células de reserva da polpa pela sua capacidade de se diferenciar em novos odontoblastos ou fibroblastos, de acordo com o estímulo atuante. - O número de células ectomesenquimais diminui com a idade Macrofágos: são células que participam do mecanismo de defesa e pertencem ao sistema fagócito mononuclear e, como tal, originam-se dos monócitos - Página 4 de Endodontia Outras células do tecido pulpar• Ao serem examinados os componentes da polpa humana, outros tipos celulares podem ser identificados, como células dendríticas, linfócitos, plasmócitos e, ocasionalmente, eosinófilos e mastócitos. Essas células são bem observadas nos processos inflamatórios. Células dendríticas são células apresentadores de antígenos que estão posicionadas estrategicamente na região odontoblástica e próximas aos vasos sanguíneos como parte do mecanismos de vigilância imunológica. - A polpa possui linfócitos T que participam da resposta imunológica inicial, ativados pela presença de antígenos provenientes da cárie, e liberam citocinas, provocando a vasodilatação pulpar. Provavelmente, esse mecanismo permite a migração de linfócitos B da corrente sanguínea até o tecido pulpar. Os linfócitos B se diferenciam em plasmócitos e elaboram anticorpos específicos para os antígenos que desencadearam a resposta inflamatória - Os mastócitos atuam nos processos inflamatórios que acometam a polpa liberando histamina, aumentando a permeabilidade dos vasos e produzindo edema - Fibras Colágenas: Colágenos tipo I e III correspondem à maioria total de colágeno do tecido pulpar. (colágeno tipo I constitui 60%do colágeno encontrado na polpa) A. Fibras reticularesB. Fibras elásticasC. Fibras- Substância fundamental• A substância fundamental constitui um meio de transporte pelo qual as células recebemos nutrientes do sangue arterial, e os produtos que devem ser eliminados são transportados até a circulação aferente. Na substância fundamental do tecido pulpar de dentes recém erupcionados o componente predominante é o sulfato de dermatan. No tecido pulpar de dentes maduros, o ácido hialurônico é o componente essencial. . O ácido hialurônico confere viscosidade e coesão à polpa, tornando-a um tecido conjuntivo gelatinoso que estão em maior quantidade na região apical, permitindo extirpar a polpa sem rompimento durante procedimento endodônticos. Além disso o ácido hialurônico é encarregado de manter a fluidez e a permeabilidade da substância fundamental, regular o transportede metabolitos e impedir ou pelo menos retardara difusão de micro-organismos Camadas topográficas da polpa• Camada odontoblástica: é constituída apenas pelo corpo dos odontoblastos, já seus prolongamentos permanecem dentro dos túbulos dentinários - Camada subodontoblástica ou pobre em células: também denominada camada de Weil, geralmente é bem definida na região coronária dos dentes recém erupcionados. Porém pode estar ausente na região radicular. Essa camada é atravessada por numerosos prolongamentos das células adjacentes, que se ramificam e estabelecem contatos com os odontoblastos. Nela se encontram o plexo capilar subodontoblástico e o plexo nervoso de Raschkow - Camada rica em células: caracteriza-se pela alta densidade celular, destaca-se as células ectomesenquimais indiferenciadas. Fibroblastos também estão presentes, quase todas em estado de repouso. As células emitem prolongamentos para a camada acelular e para a região central da polpa - Região central da polpa: é formada por tecido conjuntivo frouxo, diferentes tipos celulares, escassas fibras em uma matriz amorfa e abundantes vasos e nervos As células principais são os fibroblastos, que podem estar ativos ou em repouso. Células ectomesenquimais indiferenciadas e macrófagos perivascualres. - Estruturalmente, a polpa se divide em quatro regiões distintas Página 5 de Endodontia Vasos sanguíneos- Vascularização Devido ao seu reduzido tamanho, a polpa possui vasos sanguíneos de pequeno calibre. Os vasos sanguíneos entram e deixam a polpa pelo forame apical e forames acessórios acompanhados de fibras nervosas sensitivas e simpáticas. Na região coronária, os vasos se ramificam, diminuem o calibre e formam o plexo capilar subodontoblástico. Essa extensa rede de capilar localiza-se na camada pobre em células com a função de nutrir os odontoblastos. As artérias estão localizadas mais perificamente, enquanto as vênulas se localizam mais centralmente Vasos linfáticos- Os estudos da polpa indicam que a vitalidade do dente depende de sua microcirculação em maior grau do que seu mecanismo sensitivo. As investigações mais recentes indicam que existem numerosos vasos linfáticosna região central da polpa e, em menor quantidade, na sua periferia, próximo a camada odontoblástica Os vasos linfáticos deixam a polpa deixam a polpa radicular acompanhados de nervos e vasos sanguíneos pelo forame apical para drenar os vasos linfáticos maiores do ligamento periodontal. Nos dentes anteriores, os vasos linfáticos drenam até os gânglios linfáticos submentonianos e, nos dentes posteriores, drenam até os gânglios linfáticos submandibulares e cervicais profundos. Inervação O tecido pulpar se caracteriza por ter uma inervação sensitiva e autônoma. As fibras nervosas chegam na polpa acompanhando os vasos sanguíneos aferentes através do forame apical e são constituídas por fibras nervosas sensitivas mielínicas (tipo A) e amielínicas (tipo C), além de fibras simpáticas. As fibras nervosas simpáticas são fibras de condução lenta, provenientes do gânglio cervical superior, que controlam o calibre arteriolar (função vasomotora). As fibras nervosas sensitivas constituídas pelos aferentes sensoriais do trigêmeo (V par do nervo craniano) são responsáveis pela transmissão da dor. As fibras mielínicas sensitiva são tipo A, localizadas na periferia da polpa, são responsáveis pela dor aguda pulsátil, típica da estimulação dentinária. As fibras amielínicas sensitivas do tipo C, localizadas profundamente na polpa, são responsáveis pela dor excruciante e difusa da polpa, típica de pulpite irreversível sintomática Permeabilidade e sensibilidade• A estrutura tubular garante à dentina duas propriedades importantes: permeabilidade e sensibilidade Por causa da permeabilidade, qualquer substância aplicada à dentina tem o potencial de atingir e afetar a polpa Reação do complexo dentino-pulpar á cárie• A sensibilidade dentinária também está relacionada com a presença de túbulos. A teoria mais aceita é a hidrodinâmica. Essa teoria considera que estímulos externos atuam na dentina, induzindo o movimento abrupto do fluído dentinário no interior dos túbulos, seja em direção à polpa ou e direção à periferia, dependendo do estímulo. O rápido deslocamento do estímulo, que provoca dor, como os estímulos teóricos (calor e frio), mecânicos (mastigação e sondagem), osmóticos (doces) e evaporativos (jato de ar) provocam o deslocamento de odontoblastos e a deformação mecânica direta das terminações nervosas sensoriais de baixo limiar, que se encontram próximos aos odontoblastos nos túbulos ou na camada odontoblástica adjacente. Em decorrência da deformação, essas fibras são ativadas, provocando dor. Redução da permeabilidade dentináriaI. Formação de dentina terciáriaII. Resposta imuneIII. Quando sofre agressão, a polpa responde. A cárie é a causa mais comum de agressão ao complexo dentino- pulpar, e através dos túbulos dentinários, os produtos e as toxinas bacterianas podem alcançar a polpa dental. Os principais mecanismos de resposta pulpar à agressão são: As duas primeiras reações envolvem a dentina e são realizadas para reforçar as barreiras contra a invasão bacteriana, proporcionado proteção adicional a polpa. Todas as três reações podem se desenvolver simultaneamente e apresentam intensidade diretamente proporcional a intensidade da agressão causada pelo avanço do processo carioso. Como a cárie pode progredir rápida e lentamente, ou ainda pode se tornar inativa, a reação do complexo dentino-pulpar irá variar de acordo com cada situação. Página 6 de Endodontia redução da permeabilidade dentinária- Formação de dentina terciaria - Em dentes com a polpa vital, o movimento do fluido dentinário em direção externa e a presença de conteúdo tubular vital influenciam a permeabilidade dentinária e podem retardar a invasão bacteriana intratubular. Além disso a polpa pode fazer com que a dentina exposta se torne anda menos permeável através do aumento ao fluxo de fluidos para o exterior, da indução do revestimento dos túbulos com proteínas plásmaticas e produção de dentina esclerosada.. A produção de dentina esclerosada pode estar presente em até 95% dos dentes em processo carioso Outro importante mecanismo de proteção pulpar contra a invasão bacteriana é a formação de dentina terciária. Este mecanismo pode ser encarado como uma forma da polpa recuar em resposta ao avanço da lesão cariosa da dentina, retardando a exposição. A dentina terciária pode ser reacional ou reparadora. Em casos de estímulos suaves/moderados, não há morte dos odontoblastos, e estes conseguem produzir dentina reacional, porém, quando o estímulo é agressivo, pode haver morte dos odontoblastos, e a partir das células recém-formadas e originadas de células tronco-mesenquimais indiferenciadas. Será formada a dentina reparadora Uma lesão de cárie superficial e/ou progressão lenta resulta em estímulo irritante leve que estimula a produção de dentina reacional. Uma lesão de cárie profunda e/ou progressão rápida resulta em estímulo irritante tenso que pode causar a morte dos odontoblastos primários e a produção de dentina reparadora. Resposta imune - inflamação inicial - Como qualquer outro tecido conjuntivo do corpo a polpa dental responde à injuria tecidual por meio da inflamação. As bactérias do biofilme da cárie representam a fonte mais comum de antígenos e agressão a polpa. A inflamação pulpar se desenvolve como uma resposta de baixa intensidade as bactérias e seus produtos em lesões cariosas, muito antes da polpa se tornar diretamente exposta e infectada. Algumas alterações inflamatórias são observadas a região pulpar subjacente aos túbulos afetados, tão logo o processo carioso destrua o esmalte e alcance a dentina. Produtos bacterianos se diluem no fluido dentinário e percorrem toda a extensão tubular até atingir a polpa e induzir uma respostainflamatório. A inflamação pulpar inicial em resposta à cárie envolve o acúmulo focal de células inflamatórias crônicas abaixo da dentina afetada. Os odontoblastos, por serem s células localizadas mais na região periférica da polpa, são as primeiras células a entram em contato com os produtos bacterianos e, devido a isso, acabam liberando moléculas pró- inflamatórias que recrutam células de defesa para a região pulpar subjacente a dentina afetada. À medida que a cárie avança em direção a polpa, a densidade de infiltrado inflamatório crônico, no tecido pulpar, aumenta. A extensão da inflamação pulpar em resposta à cárie depende da profundidade da invasão bacteriana intratubular, da virulência bacteriana, da duração do processo de doença e do grau em que a permeabilidade dentinária foi reduzida. Em relação a profundidade da lesão cariosa, tem sido verificada que, quando a distância entre o biofilme da cárie e a polpa é maior que 1mm, a intensidade da inflamação pulpar é quase insignificante. Conforme o biofilme avança e fica a uma distância de 0,5mmda polpa, a inflamação aumenta significativamente e se torna ainda mais severa quando a dentina terciária formada abaixo da cárie é invadida por bactérias. A polpa, sob uma lesão cariosa, raramente sofre alterações deletérias significativas devido à inflamação, enquanto a cárie estiver confinada a dentina. Nesses casos, a inflamação pulpar (pulpite) frequentemente é considerada reversível, uma vez que a cárie for removida ou tornar-se inativa, ocorre o reparo tecidual e a polpa volta ao estado normal. Página 7 de Endodontia Os tecido perirradiculares normais• Os tecidos perirradiculares compreendem o cemento, o ligamento periodontal e o osso alveolar. A região perirradicular que circunda o terço apical da raiz é usualmente referida como "periápice" ou "tecido periapical" Ligamento periodontal- O ligamento periodontal é um tecido conjuntivo tendo como sua função principal sustentar o alvéolo, tornando possível que ele resista às cargas de compressão consideráveis decorrentes da mastigação. Também atua como receptor sensorial indispensável para o posicionamento adequada da maxila e da mandíbular durante a função normal Cemento- Tecido conjuntivo duro que recobre a raiz dentária. A sua principal função é fornecer uma superfície de contato para as fibras do ligamento periodontal. Diferentemente do osso, o cemento não tem sua própria vascularização e geralmente é mais resistente a reabsorção A deposição de cemento ao redor do forame apical, frequentemente, pode ser observada em resposta ao tratamento endodôntico. Osso alveolar- A porção da maxila e da mandíbula que contém os dentes e os álveolos nos quais eles estão inseridos é chamado é chamado de processo alveolar. O osso alveolar é constituído de uma tábua cortical externa de osso compacto (vestibular, lingual e palatina) um centro esponjoso (compartimento constituído de osso trabecular) e o osso que reveste o alvéolo. O osso alveolar promove a fixação das fibras do ligamento periodontal e é perfuradopor numerosos orifícios que dão passagem aos vasos e nervos. Por essa razão , são também conhecidos como lâmina cribiforme Página 8 de Endodontia