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MEU MATERIAL DIDÁTICO INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS LITERÁRIOS Partindo do conceito de texto como sendo um conjunto de palavras que formam um sentido relacionado a um contexto, podemos dividir os textos em dois grandes grupos: os textos literários e os textos não literários. Por que fazemos essa distinção? Para estudar os tipos de textos existentes em nossa sociedade, é importante compreender como podemos usá-los a fim de tornar nossa comunicação mais clara e aproveitarmos melhor a variedade de textos que temos a nosso dispor. Para isso, foi feita a distribuição dos textos por esses dois grupos. Isso equivale a dizer que a maioria dos textos que existem podem ser colocados em um desses grupos. Os textos literários são aqueles que possuem função estética, destinam-se ao entretenimento, ao belo, à arte, à ficção. Os textos literários são baseados na vontade e imaginação do artista e, portanto, são subjetivos. Sua função é entreter, e está ligado à arte. Por ser um texto artístico, não tem compromisso com a objetividade e com a transparência das ideias. Possui carácter estético, e não somente linguístico, onde a interpretação e significação variam de acordo com a subjetividade do leitor. É comum o uso de figuras de linguagem e de construção, assim como a subversão à gramática normativa. Exemplos de textos literários que você pode constatar: 1. Poemas, 2. contos, 3. fábulas, 4. romances, 5. peças teatrais, 6. poesias, 7. crônicas, 8. minicontos, 9. telenovelas, 10. lendas, 11. letras de músicas etc Texto literário – Característicsa Utiliza de linguagem bem elaborada com recursos artísticos e emotivos Faz parte de um universo imaginário, porém sem perder a interação do mundo real Há função poética e função emotiva As figuras de linguagem se fazem presente É construída de beleza, harmonia, musicalidade, ritmo, arte e pessoalidade O seu objetivo é tocar, marcar, fazer com que o leitor sinta além das palavras (tocar o coração) É um texto imaginativo, surreal expressando um desejo do autor. Recria o mundo real a partir da imaginação do autor As palavras do texto literário sempre ganham novos significados. O autor maneja essas palavras de forma muito livre, a seu dispor para que possa ser bem encaixada estimulando ao teor do belo e da espontaneidade Linguagem conotativa (sentido figurado) Subjetividade Então, é possível afirmar que, se você ler apenas o tema, seja ele um texto literário e não literário, isso não te dará suficiente segurança em distingui-lo, sendo fundamental fazer a leitura completa para identificar a linguagem que este foi aplicado ao longo do discurso. Qual a sua função? Qual o objetivo desse texto? Não existem textos que utilizam os dois tipos de linguagens. Na verdade, são raríssimos de ver. O que pode ocorrer é a predominância de apenas um em suas diversas características. Se você optar em criar um texto literário, então, utilizará destas características a seguir que fazem parte desse texto. Assim como também irá utilizar com o texto não literário. Cada um à sua maneira de abordar dentro do seu objetivo de uso. Exemplo de texto literário Conto: O Enfermeiro Machado de Assis Veja um trecho do conto: - Deixa lá o outro que morreu, diziam-me. Não é caso para tanta melancolia. E eu aproveitava a ilusão, fazendo muitos elogios ao morto, chamando-lhe boa criatura, impertinente, é verdade, mas um coração de ouro. E, elogiando, convencia-me também, ao menos por alguns instantes. Outro fenômeno interessante, e que talvez lhe possa aproveitar, é que, não sendo religioso, mandei dizer uma missa pelo eterno descanso do coronel, na igreja do Sacramento. Não fiz convites, não disse nada a ninguém; fui ouvi-la, sozinho, e estive de joelhos todo o tempo, persignando-me a miúdo. Dobrei a espórtula do padre, e distribuí esmolas à porta, tudo por intenção do finado. Não queria embair os homens; a prova é que fui só. Para completar este ponto, acrescentarei que nunca aludia ao coronel, que não dissesse: "Deus lhe fale n'alma!" E contava dele algumas anedotas alegres, rompantes engraçados... Fonte: Contos Consagrados - Machado de Assis - Coleção Prestigio - Ediouro - s/d. Disponível em http://www.biblio.com.br/defaultz.asp?link=http://www.biblio.com.br/conteudo/MachadodeAssis/oenfermeiro.htm. O conto O Enfermeiro está, certamente, entre os melhores contos de Machado de Assis. Narrado em primeira pessoa a um interlocutor imaginário, é a história do último enfermeiro do rabugento coronel Felisberto, que esgana seu indócil paciente. Sofre o drama de consciência, intensificado pela herança do pecúlio do velho, mas a culpa arrefece quando se vê reconhecido por sua dedicação extrema. São todos exemplos maduros do realismo machadiano. O narrador nos relata a história de uma vez em que tinha ido trabalhar como enfermeiro para um riquíssimo senhor de nome Felisberto. Era tão rico quanto ranheta, o que havia motivado os inúmeros pedidos de demissão de enfermeiros anteriores. Por causa disso, o narrador é tratado pelo padre da pequena cidade interior em que estão com toda a atenção, já que é quase a última esperança. Fonte: https://www.passeiweb.com/estudos/livros/o_enfermeiro_conto Exercícios ASSINALE A OPÇÃO CORRETA: [...] Acordei aos gritos do coronel, e levantei-me estremunhado. Ele, que parecia delirar, continuou nos mesmos gritos, e acabou por lançar mão da moringa e arremessá-la contra mim. Não tive tempo de desviar-me; a moringa bateu- -me na face esquerda, e tal foi a dor que não vi mais nada; atirei-me ao doente, pus-lhe as mãos ao pescoço, lutamos, e esganei-o. Quando percebi que o doente expirava, recuei aterrado, e dei um grito; mas ninguém me ouviu. Voltei à cama, agitei- -o para chamá-lo à vida, era tarde; arrebentara o aneurisma, e o coronel morreu. Passei à sala contígua, e durante duas horas não ousei voltar ao quarto. [...] Antes do alvorecer curei a contusão da face. Só então ousei voltar ao quarto. Recuei duas vezes, mas era preciso e entrei; ainda assim, não cheguei logo à cama. Tremiam-me as pernas, o coração batia-me; cheguei a pensar na fuga; mas era confessar o crime, e, ao contrário, urgia fazer desaparecer os vestígios dele. Fui até a cama; vi o cadáver, com os olhos arregalados e a boca aberta, como deixando passar a eterna palavra dos séculos: “Caim, que fizeste de teu irmão?” Vi no pescoço o sinal das minhas unhas; abotoei alto a camisa e cheguei ao queixo a ponta do lençol. Em seguida, chamei um escravo, disse-lhe que o coronel amanhecera morto; mandei recado ao vigário e ao médico. A primeira ideia foi retirar-me logo cedo, a pretexto de ter meu irmão doente, e, na verdade, recebera carta dele, alguns dias antes, dizendo-me que se sentia mal. Mas adverti que a retirada imediata poderia fazer despertar suspeitas, e fiquei. Eu mesmo amortalhei o cadáver, com o auxílio de um preto velho e míope. Assis, Machado de. O enfermeiro. QUESTÃO 01: Considere as seguintes afirmações sobre o trecho do texto: I. O enfermeiro, mesmo sabendo que seu paciente morrera de aneurisma, teve muito remorso, pois achou que o havia esganado. II. A consciência de que praticou um crime leva o enfermeiro a procurar esconder as evidências de seu ato. III. O narrador é um homem religioso e, atendendo às necessidades dos rituais funerários, conta como cuidou ele próprio dos restos mortais do coronel. IV. A frase — “Caim, que fizeste de teu irmão?” — revela que o enfermeiro considera seu paciente como um irmão, dedicando-se a ele apesar da violênciado coronel. V. O narrador relata os modos pelos quais evitou que se percebesse o assassinato do coronel. São corretas apenas as afirmativas: (a) I e IV. (b) II e III. (c) II e V. (GABARITO) (d) IV e V. QUESTÃO 02: Considerando o fragmento de O enfermeiro, é correto afirmar que, na obra de Machado de Assis: (a) os impulsos doentios e as atitudes criminosas do homem são dois de seus principais temas. (b) os comportamentos humanos são analisados em função das relações sociais. (GABARITO) (c) são constantes as referências religiosas e bíblicas, atestando a confiança do homem que obedece à moral cristã. (d) os personagens se conduzem de acordo com as normas éticas universais, mesmo quando infringem as leis dos homens. QUESTÕA 03. “Já sabe que foi em 1860. No ano anterior, ali pelo mês de agosto, tendo eu quarenta e dois anos, fizme teólogo, — quero dizer, copiava os estudos de teologia de um padre de Niterói, antigo companheiro de colégio, que assim me dava, delicadamente, casa, cama e mesa. Naquele mês de agosto de 1859, recebeu ele uma carta de um vigário de certa vila do interior, perguntando se conhecia pessoa entendida, discreta e paciente, que quisesse ir servir de enfermeiro ao coronel Felisberto, mediante um bom ordenado. O padre falou-me, aceitei com ambas as mãos, estava já enfadado de copiar citações latinas e fórmulas eclesiásticas. Vim à Corte despedir-me de um irmão, e segui para a vila. Chegando à vila, tive más notícias do coronel. Era homem insuportável, estúrdio, exigente, ninguém o aturava, nem os próprios amigos. Gastava mais enfermeiros que remédios.” O texto, extraído do conto “O Enfermeiro”, de Machado de Assis, permite observar o trabalho de composição estética do autor. Com relação aos procedimentos de construção do texto literário, é possível inferir que o autor: (a) Utiliza do escapismo e da imaginação para compor um texto lírico e emotivo, com a finalidade de comover e persuadir o leitor. (b) Faz uso da linguagem subjetiva e função emotiva para compor um texto em verso, privilegiando a dramaticidade do gênero teatral. (c) Cria um narrador em terceira pessoa que assume contornos épicos ao empregar como recurso estético diversas hipérboles na caracterização do herói. (d) Organiza a referência espaço-temporal, a qual é utilizada pelo narrador personagem como estratégia discursiva para apresentar ao leitor o universo narrativo. (GABARITO) O texto, pertencente ao gênero narrativo, recorre à linguagem objetiva e às referências de espaço e tempo para conduzir a narrativa em primeira pessoa a partir da estruturação clara de seus elementos estruturais. QUESTÕA 04- Leia o trecho de "O enfermeiro": "Acordei aos gritos do coronel, e levantei-me estremunhado. Ele, que parecia delirar, continuou nos mesmos gritos, acabou por lançar mão da moringa e arremessá-la contra mim. Não tive tempo de desviar-me; a moringa bateu-me na face esquerda, e tal foi a dor que não vi mais nada; atirei-me ao doente, pus-lhe as mãos ao pescoço, lutamos, e esganei-o. Quando percebi que o doente expirava, recuei aterrado, e dei um grito; mas ninguém me ouviu. Voltei à cama, agitei-o para chamá-lo a vida, era tarde; arrebentara o aneurisma, e o coronel morreu. Passei à sala contígua, e durante duas horas não ousei voltar ao quarto. Não posso mesmo dizer tudo o que passei, durante esse tempo. Era um atordoamento, um delírio vago e estúpido. Parecia-me que as paredes tinham vultos; escutava umas vozes surdas." Pelo trecho da crônica, entende-se que: (a) o enfermeiro era louco. (b) o coronel estava doente. (c) o enfermeiro tinha a intenção de matar o coronel. (d) o coronel morreu devido a seu aneurisma. (GABARITO) QUESTÕA 05- (a) estava com medo do fantasma do coronel. (b) estava feliz com a morte do coronel. (c) estava assustado e confuso com o ocorrido. (GABARITO) (d) estava com medo de ser descoberto. RESPONDA AS SEGUINTES QUESTÕES: 01. Qual o tema do conto "O enfermeiro", de Machado de Assis? Narra em primeira pessoa a um interlocutor imaginário, é a história do último enfermeiro do rabugento coronel Felisberto, que que engana seu indócil paciente. Sofre o drama de consciência intensificada pela herança do pecúlio do velho, mas a culpa arrefece quando se vê reconhecido por sua dedicação extrema. São todos exemplo do realismo machadiano . 02. Quais os principais personagens deste conto? Há dois personagens que envolvem toda a trama: Procópio, o enfermeiro e o Coronel Felisberto, um homem velho, ranzinza, cruel, maldoso, que padecia de várias doenças, muito rico, provocador, mas por outro lado, capaz de perceber o bem que lhe fazem e retribuir a gratidão, tanto que determinou o Enfermeiro como seu herdeiro universal. 03. Descreva o perfil psicológico de Procópio. Procópio se mostra um homem bem formado psicologicamente conseguindo ultrapassar barreiras que deixaria qualquer um com bastante irritação, com a tolerância posta à prova com casos absurdos ele consegue se sobressair facilmente de todas sem demonstrar raiva. 04. Descreva o perfil psicológico do Coronel Felisberto. Idoso, com muitos problemas de saúde, já foi desenganado pelo médico de Bom Sossego. Altamente impaciente, intolerante e, quase sempre, cruel e sádico. E será com Plínio que ele passará a usar todo o seu sadismo e crueldade, chegando a uma intolerante e violenta convivência. Sua morte acarretará uma grande reviravolta na vida de todos os personagens da história. 05. Explique o comportamento de Procópio ao final da história. O desfecho é fechado, em que o Enfermeiro, ao terminar suas confissões, delega a um senhor (ou a nós, leitores) para que cuide de espalhar suas confissões e cuidar de seus espólios após a morte, finalizando com a hipocrisia de exigir em seu túmulo a seguinte escritura: "Bem aventurados os que possuem, pois serão consolados". Revela também que, talvez, o crime cometido não fosse acidental, pois, após se beneficiar da fortuna do falecido, Procópio esquece a culpa e investe em títulos, não cumprindo a promessa de que investiria em caridade.