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Liquidação de Sentença Trabalhista 
1. Introdução à Liquidação Trabalhista 
A fase de liquidação de sentença no Processo do Trabalho é um estágio crucial e muitas 
vezes complexo, que se situa entre a fase de conhecimento (onde se declara o direito) e a fase 
de execução (onde se satisfaz o direito). 
Seu objetivo primordial é quantificar o valor da condenação expressa em uma decisão 
judicial, tornando-a líquida, certa e exigível. Sem a liquidação, a execução do julgado seria 
inviável, pois não haveria um montante preciso a ser cobrado. 
1.1. Conceito e Natureza Jurídica 
A liquidação é o procedimento pelo qual se determina o quantum debeatur (o quanto é 
devido), ou seja, o valor exato da obrigação reconhecida na sentença. Ela não tem o condão 
de rediscutir o an debeatur (se é devido), que já foi definido na fase de conhecimento. 
Trata-se de um incidente processual da fase cognitiva, com natureza predominantemente 
declaratória, pois apenas declara o valor de um direito já reconhecido. É, portanto, uma fase 
preparatória e integrativa da execução. 
Manoel Antonio Teixeira Filho define a liquidação como a fase preparatória da execução, 
onde atos são praticados por uma ou ambas as partes para determinar o valor da condenação 
ou individuar seu objeto, utilizando os meios de prova admitidos em lei. 
 1.1.1 Princípio da Fidelidade ao Título Executivo: A liquidação deve ser fiel ao 
 que foi decidido na sentença. O Art. 879, § 1º, da CLT, e o Art. 509, § 4º, do CPC, 
 são categóricos ao estabelecer que, na liquidação, não se poderá modificar ou 
 inovar a sentença liquidanda, nem discutir matéria pertinente à causa 
 principal. Isso significa que a liquidação não é o momento para reabrir debates 
 sobre o direito em si, mas apenas para apurar seu valor. 
1.2. Abrangência da Liquidação 
Além do crédito principal devido ao empregado, a liquidação trabalhista abrange outros 
elementos essenciais: 
• Crédito Exequendo: O valor principal da condenação (salários, horas extras, verbas 
rescisórias, etc.). 
• Contribuições Previdenciárias: O cálculo das contribuições devidas à Previdência 
Social, tanto a cargo do empregado quanto do empregador, decorrentes da sentença (Art. 
879, § 1º-A, da CLT). A Justiça do Trabalho tem competência para executar essas 
contribuições de ofício (Art. 114, VIII, da CF). 
• Imposto de Renda: A apuração do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre as 
verbas tributáveis, observando-se o regime de competência (mês a mês) e as tabelas 
progressivas. 
• Juros e Correção Monetária: A atualização do crédito principal e dos demais valores, 
aplicando-se os índices e juros definidos na sentença ou na legislação (ex: IPCA-E ou 
Taxa Selic, conforme decisão do STF nas ADCs 58 e 59). 
• Custas Processuais: O cálculo das custas devidas ao final do processo. 
• Honorários Advocatícios: A apuração dos honorários de sucumbência e/ou 
contratuais. 
2. Regras Gerais e Competência na Liquidação 
2.1. Decisão Ilíquida e Ordem de Liquidação 
Quando a decisão judicial (sentença ou acórdão) não determina o valor exato da condenação, 
ela é considerada ilíquida. Nesses casos, a liquidação é previamente ordenada pelo juiz 
para que se possa dar início à fase executória (Art. 879, caput, da CLT). 
2.2. Competência para a Liquidação 
A regra geral de competência para a liquidação e execução é do juízo que conciliou ou 
julgou originariamente o dissídio (Art. 877 da CLT). Isso garante a coerência e a 
familiaridade do juízo com a matéria já decidida. 
Para os títulos extrajudiciais, a competência para a liquidação e execução será do juiz que 
teria competência para o processo de conhecimento relativo à matéria (Art. 877-A da CLT). 
2.3. Promoção da Liquidação 
A liquidação pode ser promovida de diversas formas: 
• Pelas Partes: O exequente (credor) ou o executado (devedor) podem apresentar seus 
cálculos ou requerer a liquidação. 
• Ex Officio pelo Juiz: O próprio juiz ou presidente do tribunal pode determinar a 
liquidação, especialmente quando a parte não estiver representada por advogado (Art. 
878 da CLT). Este é um diferencial do processo trabalhista, que busca a efetividade da 
tutela jurisdicional. 
• Pelo Ministério Público do Trabalho (MPT): Nos casos em que atuou como parte ou 
como custos legis. 
2.4. Correção de Erros 
Erros materiais (de escrita, datilografia ou cálculo) na decisão exequenda podem ser 
corrigidos, de ofício ou a requerimento das partes, até o momento da liquidação (Art. 833 da 
CLT). Isso evita que pequenos equívocos comprometam toda a fase executória. 
3. Modalidades de Liquidação Trabalhista 
O Art. 879, caput, da CLT, prevê três modalidades de liquidação, que devem ser escolhidas 
conforme a complexidade da apuração do valor: 
3.1. Liquidação por Cálculos 
É a modalidade mais comum e simples, utilizada quando a determinação do valor da 
condenação depende de meras operações aritméticas. A sentença já fornece todos os 
elementos necessários para a apuração do valor, restando apenas a aplicação de índices e 
juros. 
Procedimento: 1. Apresentação dos Cálculos: Podem ser apresentados pelas partes 
(exequente ou executado) ou elaborados pelos órgãos auxiliares da Justiça do Trabalho 
(Contadoria Judicial). 2. Intimação das Partes: O juiz abre prazo comum de 8 dias para as 
partes impugnarem fundamentadamente os cálculos, indicando os itens e valores objeto da 
discordância, sob pena de preclusão (Art. 879, § 2º, da CLT, alterado pela Lei 13.467/17). * 
Atenção: Antes da Reforma Trabalhista, o prazo era de 10 dias e a intimação era facultativa. 
A nova regra é aplicável à liquidação iniciada após 11 de novembro de 2017 (Art. 14 da IN 
41/18 do TST). 3. Intimação da União: Elaborada a conta, a União (Fazenda Nacional) é 
intimada para manifestação no prazo de 10 dias, sob pena de preclusão, em relação às 
contribuições previdenciárias (Art. 879, § 3º, da CLT). 4. Resolução de Divergências: Se 
houver divergências nos cálculos e o magistrado não conseguir solucioná-las, pode ser 
nomeado um perito contador, facultando-se às partes a indicação de assistente técnico e a 
formulação de quesitos. 
3.2. Liquidação por Arbitramento 
Esta modalidade é empregada quando a determinação do valor da condenação depende de 
conhecimentos técnicos ou científicos que exigem a avaliação de um perito. Por exemplo, 
para apurar o valor de uma indenização por danos morais que dependa de laudo psicológico 
ou médico, ou para avaliar bens. 
Procedimento: O juiz nomeia um perito, que apresentará um laudo. As partes são intimadas 
para se manifestar sobre o laudo, podendo apresentar quesitos e indicar assistentes técnicos, 
conforme as regras do CPC (Art. 509, I, do CPC, aplicado subsidiariamente). 
3.3. Liquidação por Artigos 
É a modalidade mais complexa e menos usual na Justiça do Trabalho. É cabível quando o 
valor da condenação depende da prova de fato novo que necessite ser alegado e provado. 
Por exemplo, se a sentença condenou ao pagamento de aluguéis de um imóvel, mas não 
especificou o período exato em que o imóvel esteve ocupado, será necessário provar esse 
período. 
Procedimento: A liquidação por artigos segue o rito ordinário, com petição inicial, 
contestação, produção de provas e sentença, conforme as regras do CPC (Art. 509, II, do 
CPC, aplicado subsidiariamente). 
4. Sentença de Liquidação e sua Impugnação 
4.1. Sentença de Liquidação 
Após todos os procedimentos de apuração do valor (cálculos, arbitramento ou artigos), o juiz 
profere a sentença de liquidação. Este ato processual delimita o montante do crédito 
exequendo, tornando-o líquido e apto para a execução. 
4.2. Irrecorribilidade Imediata e Impugnação 
A sentença de liquidação, por ser uma decisão interlocutória na fase de execução, é, em regra, 
irrecorrível de imediato no Processo do Trabalho. Isso significa que não cabe recurso 
autônomo contra ela no momento em que é proferida. 
A impugnaçãoà sentença de liquidação só é possível após a garantia do juízo, ou seja, após 
a penhora de bens ou o depósito do valor da execução. Uma vez garantido o juízo, as partes 
podem: 
• Executado: Apresentar Embargos à Execução no prazo de 5 dias (Art. 884 da CLT), 
onde poderá discutir a correção da liquidação. 
• Exequente: Apresentar Impugnação à Sentença de Liquidação no mesmo prazo de 5 
dias (Art. 884, § 3º, da CLT, por analogia ao CPC). 
Importante: A discussão nos Embargos à Execução ou na Impugnação à Sentença de 
Liquidação deve se restringir à matéria da liquidação, não sendo permitido rediscutir o mérito 
da causa principal. 
5. Atualização Monetária e Juros na Liquidação 
A atualização monetária e os juros de mora são componentes essenciais do cálculo de 
liquidação, visando preservar o poder de compra do crédito e compensar o atraso no 
pagamento. 
5.1. Juros de Mora 
No Processo do Trabalho, os juros de mora são de 1% ao mês, contados a partir do 
ajuizamento da ação (Art. 883 da CLT e Súmula 200 do TST). São aplicados de forma 
simples, não capitalizados. 
5.2. Correção Monetária 
A questão da correção monetária no Processo do Trabalho foi objeto de intensa discussão e 
pacificação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nas ADCs 58 e 59. Atualmente, a decisão 
do STF estabelece que: 
• Fase Pré-judicial: Para os créditos trabalhistas devidos até a data do ajuizamento da 
ação, aplica-se o IPCA-E (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo Especial). 
• Fase Judicial: A partir do ajuizamento da ação, aplica-se a Taxa Selic (Sistema 
Especial de Liquidação e de Custódia), que já engloba juros e correção monetária. 
Portanto, não há cumulação de juros de 1% ao mês com a Selic. 
Tabela Comparativa: Índices de Correção Monetária 
Período 
Índice 
Aplicável Observações 
Até o ajuizamento 
da ação 
IPCA-E Preserva o poder de compra do crédito. 
A partir do 
ajuizamento 
Taxa Selic Engloba juros e correção monetária. Não há 
cumulação com juros de 1% ao mês. 
6. Contribuições Previdenciárias e Imposto de Renda 
6.1. Contribuições Previdenciárias 
A Justiça do Trabalho tem competência para executar, de ofício, as contribuições sociais 
previstas no Art. 195, I, ‘a’, e II, da CF, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças 
que proferir (Art. 114, VIII, da CF). A liquidação abrangerá o cálculo dessas contribuições 
(Art. 879, § 1º-A, da CLT). 
Regras Específicas: * As partes devem ser previamente intimadas para a apresentação do 
cálculo de liquidação, inclusive da contribuição previdenciária incidente (Art. 879, § 1º-B, 
da CLT). * A atualização do crédito devido à Previdência Social deve observar os critérios 
estabelecidos na legislação previdenciária (Art. 879, § 4º, da CLT). * O Ministro da Fazenda 
pode dispensar a manifestação da União em casos de valores que ocasionem perda de escala 
(Art. 879, § 5º, da CLT). 
6.2. Imposto de Renda 
O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre as verbas tributáveis deve ser apurado no 
momento da liquidação. A base de cálculo e as alíquotas devem observar a legislação 
específica do Imposto de Renda, aplicando-se o regime de competência (mês a mês) e as 
tabelas progressivas, conforme a Súmula 368 do TST e a Instrução Normativa RFB nº 
1.500/2014. 
7. Títulos Extrajudiciais e a Liquidação 
Embora a liquidação seja mais comum para títulos judiciais ilíquidos, os títulos 
extrajudiciais também podem necessitar de liquidação se não tiverem um valor 
predeterminado. Por exemplo, um Termo de Conciliação Prévia (CCP) que preveja a 
liberação do FGTS, mas com diferenças a serem apuradas posteriormente. 
Nesses casos, a liquidação por cálculos é a modalidade mais adequada para dar liquidez ao 
título, permitindo sua posterior execução (Art. 783 do CPC, aplicado subsidiariamente). 
8. Aspectos Práticos e Dicas para a OAB 
8.1. Roteiro para Análise de Cálculos de Liquidação 
Ao analisar os cálculos de liquidação, seja como exequente ou executado, é fundamental 
verificar: 
1. Fidelidade ao Título Executivo: Os cálculos respeitam rigorosamente o que foi 
decidido na sentença? Não há inovação ou modificação? 
2. Base de Cálculo: As bases de cálculo das verbas (salário, horas extras, adicionais) estão 
corretas? 
3. Período de Apuração: O período abrangido pelos cálculos está de acordo com a 
condenação? 
4. Aplicação de Juros e Correção: Os índices (IPCA-E/Selic) e juros (1% ao mês) foram 
aplicados corretamente, sem cumulação indevida? 
5. Verbas Tributáveis e Não Tributáveis: A distinção entre verbas de natureza salarial 
(tributáveis) e indenizatória (não tributáveis) foi observada para IR e INSS? 
6. Deduções: Foram consideradas as deduções de valores já pagos ou de contribuições 
previdenciárias e fiscais? 
7. Cálculo das Contribuições Previdenciárias: A cota-parte do empregado e do 
empregador foi apurada corretamente, observando o teto e o fato gerador? 
8.2. Erros Comuns na Liquidação e Como Evitá-los 
• Inovação da Sentença: Tentar rediscutir o mérito ou alterar o que já foi decidido. 
Lembre-se: a liquidação não é fase de conhecimento. 
• Cálculos Genéricos: Apresentar cálculos sem a devida fundamentação ou 
discriminação dos itens, o que pode levar à preclusão. 
• Desconsideração de Atualizações: Não aplicar os índices de correção monetária e 
juros corretos, ou aplicá-los de forma cumulativa indevida. 
• Falta de Intimação: Não observar os prazos de intimação das partes e da União, 
gerando nulidades. 
• Não Garantia do Juízo: Tentar impugnar a sentença de liquidação sem antes garantir 
o juízo, o que impede o conhecimento da impugnação. 
9. Conclusão 
A liquidação de sentença trabalhista é uma fase de grande importância, que exige atenção 
aos detalhes e profundo conhecimento das regras processuais e dos critérios de cálculo. A 
correta apuração dos valores garante a efetividade da decisão judicial e a satisfação do crédito 
trabalhista, sendo um pilar fundamental para a concretização da justiça social. Dominar essa 
etapa é essencial para o sucesso na advocacia trabalhista e para a aprovação na OAB. 
10. Questionário de Fixação 
1. O que é a fase de liquidação no Processo do Trabalho e qual a sua natureza jurídica? 
2. Quais são as três modalidades de liquidação trabalhista e quando cada uma é utilizada? 
3. A sentença de liquidação é recorrível de imediato? Justifique. 
4. Qual o prazo para as partes impugnarem os cálculos de liquidação após a intimação? 
5. Como se dá a atualização monetária e a aplicação de juros na liquidação trabalhista, 
considerando as decisões recentes do STF? 
 
	Liquidação de Sentença Trabalhista
	1. Introdução à Liquidação Trabalhista
	1.1. Conceito e Natureza Jurídica
	1.2. Abrangência da Liquidação
	2. Regras Gerais e Competência na Liquidação
	2.1. Decisão Ilíquida e Ordem de Liquidação
	2.2. Competência para a Liquidação
	2.3. Promoção da Liquidação
	2.4. Correção de Erros
	3. Modalidades de Liquidação Trabalhista
	3.1. Liquidação por Cálculos
	3.2. Liquidação por Arbitramento
	3.3. Liquidação por Artigos
	4. Sentença de Liquidação e sua Impugnação
	4.1. Sentença de Liquidação
	4.2. Irrecorribilidade Imediata e Impugnação
	5. Atualização Monetária e Juros na Liquidação
	5.1. Juros de Mora
	5.2. Correção Monetária
	6. Contribuições Previdenciárias e Imposto de Renda
	6.1. Contribuições Previdenciárias
	6.2. Imposto de Renda
	7. Títulos Extrajudiciais e a Liquidação
	8. Aspectos Práticos e Dicas para a OAB
	8.1. Roteiro para Análise de Cálculos de Liquidação
	8.2. Erros Comuns na Liquidação e Como Evitá-los
	9. Conclusão
	10. Questionário de Fixação

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