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Execução Trabalhista - Teoria Geral, Princípios, Títulos e Competência 
1. Introdução à Execução Trabalhista e a Reforma do CPC 
A fase de execução é a concretização da justiça, onde o credor busca a satisfação de seu 
crédito. As reformas do CPC influenciaram a execução trabalhista, buscando maior 
celeridade e efetividade. 
1.1. Evolução da Execução no CPC e Impacto no Processo do Trabalho 
Principais Inovações do CPC que Influenciaram a CLT: 
▪ Tutela Específica: Possibilidade de o juiz conceder a tutela específica da obrigação 
de fazer/não fazer, entregar coisa nos próprios autos do processo de conhecimento, 
com imposição de multas diárias (astreintes). 
▪ Cumprimento de Sentença: A Lei 11.232/05 instituiu a fase de cumprimento de 
sentença, integrando a liquidação e a execução ao processo de conhecimento. O 
CPC/15 consolidou essa sistemática (Arts. 513 e ss.). 
▪ Penhora Online e Leilão Eletrônico: Medidas para acelerar a execução, como a 
penhora eletrônica de valores (BACENJUD) e a autorização para leilões virtuais. 
▪ Fim do Efeito Suspensivo dos Embargos: Regra geral de que os embargos à 
execução não suspendem a execução, salvo exceções de grave lesão. 
Essas mudanças no CPC serviram de inspiração para a CLT, que, embora mantenha algumas 
peculiaridades, busca a mesma celeridade e efetividade na satisfação dos créditos 
trabalhistas. 
2. Conceito e Natureza Jurídica da Execução Trabalhista 
2.1. Conceito de Execução 
A execução é a atividade jurisdicional do Estado que visa a satisfação forçada de um direito 
reconhecido em um título executivo. É a fase do processo em que se busca a concretização 
da obrigação, transformando o direito declarado em realidade material. 
2.2. Conceito de Execução Trabalhista 
A execução trabalhista é a atividade jurisdicional do Estado, de natureza coercitiva, 
desempenhada por órgão competente, de ofício ou mediante requerimento do interessado, 
visando ao cumprimento de obrigação contida em: 
▪ Sentença condenatória transitada em julgado; 
▪ Acordo judicial inadimplido; 
▪ Termos de Ajuste de Conduta (TAC) firmados perante o Ministério Público do Trabalho 
(MPT); 
▪ Termos celebrados perante a Comissão de Conciliação Prévia (CCP); 
▪ Execução ex officio dos créditos previdenciários decorrentes de decisão judicial. 
Além disso, a Justiça do Trabalho tem competência para a execução fiscal das multas e 
valores relativos às infrações aplicadas pela fiscalização do trabalho aos empregadores (EC 
45/04). 
2.3. Natureza Jurídica da Execução Trabalhista 
Na seara trabalhista, a discussão sobre a natureza jurídica da execução oscila entre ser um 
processo autônomo ou uma fase do processo de conhecimento. 
▪ Processo Autônomo: Argumenta-se pela necessidade de citação do executado (Art. 880 
da CLT) e pela possibilidade de execução de títulos extrajudiciais. 
▪ Fase do Processo de Conhecimento: Historicamente, a execução trabalhista era calcada 
majoritariamente em títulos judiciais (sentença ou acordo). A possibilidade de o juiz 
iniciar a execução ex officio (Art. 878 da CLT, com redação da Lei 13.467/17) ou pelo 
MPT reforça essa visão, diferenciando-a do processo civil, onde a execução não pode ter 
início por determinação espontânea do juiz. 
Atualmente, com a ampliação dos títulos executivos trabalhistas (incluindo extrajudiciais) e 
a influência do CPC/15, a tendência é considerar a execução trabalhista como uma fase do 
processo, especialmente para títulos judiciais, e como processo autônomo para títulos 
extrajudiciais, buscando sempre a celeridade e efetividade. 
3. Princípios Informativos da Execução Trabalhista 
Os princípios são as bases que norteiam a interpretação e aplicação das normas jurídicas. Na 
execução trabalhista, eles garantem que o processo atinja seus objetivos de forma justa e 
eficaz. 
3.1. Princípio da Redução do Contraditório 
Na execução trabalhista, o contraditório é mitigado em comparação com a fase de 
conhecimento. Isso significa que as discussões são mais restritas, focando na validade do 
título executivo e nos atos executórios, e não mais no direito em si. O objetivo é evitar a 
rediscussão de matérias já preclusas e garantir a celeridade na satisfação do crédito. 
3.2. Princípio da Natureza Real (Patrimonialidade) 
A execução recai sobre o patrimônio do devedor, e não sobre sua pessoa. O executado 
responde com seus bens presentes e futuros para o cumprimento da obrigação, salvo as 
restrições legais de impenhorabilidade. Este princípio assegura que a execução não se torne 
uma forma de prisão por dívida, mas sim uma forma de constrição patrimonial. 
3.3. Princípio da Limitação Expropriatória 
Embora o devedor responda com seus bens, a execução não pode atingir bens absolutamente 
impenhoráveis (Art. 833 do CPC), como o bem de família, salários, aposentadorias, etc. A 
expropriação deve se limitar ao necessário para a satisfação do crédito, observando-se o 
princípio da menor onerosidade para o executado. 
3.4. Princípio da Utilidade da Execução 
A execução deve ser útil ao credor, ou seja, deve ser capaz de produzir um resultado prático 
que satisfaça seu direito. Não se admite execução por quantia irrisória ou que não traga 
benefício real ao exequente. 
3.5. Princípio da Celeridade e Efetividade 
Busca-se que a execução seja rápida e eficaz, garantindo a pronta satisfação do crédito. Este 
princípio é fundamental no Processo do Trabalho, dada a natureza alimentar dos créditos 
trabalhistas. 
3.6. Princípio do Impulso Oficial 
Uma vez iniciada, a execução prossegue por impulso oficial do juiz, que pode determinar a 
prática de atos processuais independentemente de requerimento das partes. Isso é 
especialmente relevante na execução trabalhista, onde o juiz pode iniciar a execução ex 
officio (Art. 878 da CLT). 
3.7. Princípio da Menor Onerosidade para o Executado 
Embora a execução vise a satisfação do credor, ela deve ser conduzida da forma menos 
gravosa possível para o executado, desde que não prejudique o exequente. Este princípio, 
previsto no Art. 805 do CPC, busca um equilíbrio entre o direito do credor e a preservação 
do patrimônio mínimo do devedor, evitando medidas excessivas ou desnecessárias. 
3.8. Princípio da Dignidade do Executado 
A execução deve respeitar a dignidade da pessoa humana do executado, evitando-se medidas 
excessivamente gravosas ou vexatórias que atinjam sua subsistência ou a de sua família. 
3.9. Princípio da Boa-fé e Lealdade Processual 
As partes devem agir com boa-fé e lealdade em todas as fases do processo, inclusive na 
execução, evitando atos protelatórios ou fraudulentos. 
4. Títulos Executivos Trabalhistas 
O título executivo é o documento que confere certeza, liquidez e exigibilidade à obrigação, 
permitindo o início da execução. No Processo do Trabalho, os títulos podem ser judiciais ou 
extrajudiciais. 
4.1. Títulos Executivos Judiciais (Art. 876 da CLT) 
São aqueles formados no próprio processo judicial, após o trânsito em julgado da decisão. 
Incluem: 
▪ Sentença Condenatória Transitada em Julgado: A decisão final que reconhece o 
direito e condena ao pagamento de uma quantia ou ao cumprimento de uma 
obrigação. 
▪ Acordos Judiciais Homologados: Conciliações realizadas e homologadas em juízo, 
que adquirem força de sentença. 
▪ Termos de Ajuste de Conduta (TAC) firmados perante o Ministério Público do 
Trabalho (MPT): Quando descumpridos, podem ser executados na Justiça do 
Trabalho. 
▪ Termos de Conciliação firmados perante as Comissões de Conciliação Prévia 
(CCP): Também possuem força de título executivo extrajudicial, mas sua execução 
se dá na Justiça do Trabalho. 
▪ Decisões Homologatórias de Cálculos: Quando a liquidação é homologada, a 
decisão se torna um título executivo judicial. 
4.2. Títulos Executivos Extrajudiciais (Art. 876 da CLT e Art. 784 do CPC) 
São aqueles que, embora não formados em processo judicial, a lei lhes confere forçaexecutiva. No Processo do Trabalho, a CLT e o CPC (aplicado subsidiariamente) preveem: 
▪ Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado perante o MPT: Já mencionado, 
mas também pode ser considerado extrajudicial se não homologado judicialmente. 
▪ Termo de Conciliação firmado perante as Comissões de Conciliação Prévia 
(CCP): Possui eficácia de título executivo extrajudicial. 
▪ Cheque, Nota Promissória, Duplicata, Letra de Câmbio: Embora menos comuns na 
execução trabalhista direta, podem ser objeto de execução se relacionados a obrigações 
trabalhistas. 
▪ Documento particular assinado pelo devedor e por duas testemunhas: Pode ser 
utilizado para executar obrigações trabalhistas, desde que preenchidos os requisitos 
legais. 
▪ Crédito decorrente de foro arbitral: Sentenças arbitrais que reconheçam créditos 
trabalhistas. 
Dica: A distinção entre títulos judiciais e extrajudiciais é crucial para determinar o 
rito e as defesas cabíveis na execução. 
5. Competência na Execução Trabalhista 
A competência para processar e julgar a execução é um aspecto fundamental para a correta 
tramitação do processo. 
5.1. Competência Material (Art. 114 da CF) 
A competência material da Justiça do Trabalho para a execução é definida pelo Art. 114 da 
Constituição Federal. Abrange a execução de: 
▪ Sentenças proferidas pela própria Justiça do Trabalho: Relativas a relações de 
trabalho. 
▪ Termos de Ajuste de Conduta (TAC) e Termos de Conciliação: Firmados no âmbito 
trabalhista. 
▪ Créditos de natureza previdenciária: Decorrentes de sentenças que proferir (Art. 114, 
VIII, da CF). 
▪ Multas administrativas: Impostas por órgãos de fiscalização do trabalho. 
5.2. Competência Funcional (Art. 877 da CLT) 
Regra Geral: A execução é processada perante o juízo que conciliou ou julgou 
originariamente o dissídio. Isso garante a familiaridade do juiz com a causa. 
Exceção: Em caso de falência ou recuperação judicial, a execução trabalhista 
prossegue na JT até a liquidação, mas a habilitação do crédito e a execução 
patrimonial se dão no juízo universal da falência/recuperação. 
5.3. Competência Territorial 
A execução deve ser processada no local onde o devedor tem bens ou onde a obrigação deve 
ser cumprida. Em regra, segue a competência territorial do processo de conhecimento. 
 
Questionário de Fixação 
1. Explique a evolução da execução no CPC e como ela influenciou o Processo do 
Trabalho. 
2. Defina execução trabalhista e liste os principais títulos executivos trabalhistas. 
3. Discorra sobre a natureza jurídica da execução trabalhista, abordando as diferentes 
correntes doutrinárias. 
4. Cite e explique três princípios informativos da execução trabalhista. 
5. Qual a competência da Justiça do Trabalho para a execução, tanto material quanto 
funcional? 
 
	Execução Trabalhista - Teoria Geral, Princípios, Títulos e Competência
	1. Introdução à Execução Trabalhista e a Reforma do CPC
	1.1. Evolução da Execução no CPC e Impacto no Processo do Trabalho
	2. Conceito e Natureza Jurídica da Execução Trabalhista
	2.1. Conceito de Execução
	2.2. Conceito de Execução Trabalhista
	2.3. Natureza Jurídica da Execução Trabalhista
	3. Princípios Informativos da Execução Trabalhista
	3.1. Princípio da Redução do Contraditório
	3.2. Princípio da Natureza Real (Patrimonialidade)
	3.3. Princípio da Limitação Expropriatória
	3.4. Princípio da Utilidade da Execução
	3.5. Princípio da Celeridade e Efetividade
	3.6. Princípio do Impulso Oficial
	3.7. Princípio da Menor Onerosidade para o Executado
	3.8. Princípio da Dignidade do Executado
	3.9. Princípio da Boa-fé e Lealdade Processual
	4. Títulos Executivos Trabalhistas
	4.1. Títulos Executivos Judiciais (Art. 876 da CLT)
	4.2. Títulos Executivos Extrajudiciais (Art. 876 da CLT e Art. 784 do CPC)
	5. Competência na Execução Trabalhista
	5.2. Competência Funcional (Art. 877 da CLT)
	5.3. Competência Territorial
	Questionário de Fixação

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