Logo Passei Direto
Buscar

Esse resumo é do material:

Resistencia a antimicrobianas
40 pág.

Microbiologia Centro Universitário Euro AmericanaCentro Universitário Euro Americana

Material

Esta é uma pré-visualização de arquivo. Entre para ver o arquivo original

## Resumo sobre Aspectos Genéticos da Resistência BacterianaA resistência bacteriana é um fenômeno genético que envolve a presença de genes nos microrganismos capazes de codificar mecanismos bioquímicos que impedem a ação dos antibióticos. Essa resistência pode ser classificada em três tipos principais: natural (ou intrínseca), adquirida e induzida. A resistência natural é uma característica hereditária da espécie bacteriana, transmitida verticalmente às células filhas, e está relacionada a fatores como a ausência de receptores para o antibiótico. Já a resistência adquirida surge em populações bacterianas originalmente sensíveis, por meio de mutações ou transferência genética via cromossomos, plasmídeos, bacteriófagos ou transposons. A resistência induzida ocorre pela desrepressão de genes específicos que conferem resistência.O cenário atual da resistência microbiana é preocupante, especialmente em ambientes hospitalares, como as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) nos Estados Unidos. Dados do sistema NNIS (National Nosocomial Infections Surveillance) indicam que, entre os microrganismos isolados, 89,1% dos Staphylococcus e 59,5% dos Staphylococcus aureus são resistentes à meticilina, enquanto 28,5% dos enterococos apresentam resistência à vancomicina. A prevalência de MRSA (Staphylococcus aureus resistente à meticilina) quase dobrou entre 1992 e 2002, passando de 36% para 62%. Além disso, houve um aumento significativo da resistência em Klebsiella spp. e Pseudomonas aeruginosa a diversos antimicrobianos, como cefalosporinas, fluorquinolonas e carbapenens. Infelizmente, não existem novos antibióticos eficazes contra Pseudomonas resistentes, o que agrava ainda mais o problema.A resistência microbiana é impulsionada principalmente pela pressão de seleção exercida pelo uso de antibióticos, que elimina microrganismos sensíveis e favorece a sobrevivência e proliferação de cepas resistentes. Estudos indicam que 30 a 40% das infecções por microrganismos resistentes resultam de transmissão cruzada, enquanto 20 a 25% são atribuídas à pressão seletiva do uso de antimicrobianos, e outros 20 a 25% à introdução de novos microrganismos. As bactérias podem transferir genes de resistência entre si por diferentes mecanismos, independentemente da replicação celular, o que facilita a disseminação da resistência.### Mecanismos de Resistência BacterianaOs principais mecanismos pelos quais as bactérias desenvolvem resistência incluem:- **Alteração de permeabilidade:** Modificações na membrana celular externa que impedem a entrada do antibiótico, como observado em Pseudomonas aeruginosa resistente ao imipenem.- **Bomba de efluxo:** Sistema ativo que expulsa o antibiótico do interior da célula para o meio externo, reduzindo sua concentração intracelular. Um exemplo é a resistência às tetraciclinas em Escherichia coli, mediada por plasmídeos que codificam bombas de efluxo.- **Mecanismo enzimático:** O mais importante e frequente, consiste na degradação do antibiótico por enzimas bacterianas. Nas bactérias Gram-negativas, as β-lactamases desempenham papel crucial, produzindo grandes quantidades dessas enzimas que inativam diversos antibióticos β-lactâmicos. Os genes que codificam essas enzimas são altamente mutáveis e facilmente transferidos entre bactérias, o que amplia a resistência. Além disso, as β-lactamases são secretadas no espaço periplasmático, atuando em conjunto com a barreira da parede celular para conferir resistência significativa.### Implicações e ConclusõesA resistência bacteriana representa um desafio crescente para a medicina, especialmente em ambientes hospitalares, onde a prevalência de microrganismos resistentes compromete o tratamento de infecções graves. A história dos antibióticos mostra um ciclo contínuo de desenvolvimento de novos medicamentos seguido pela emergência de resistência, culminando em um cenário atual onde os microrganismos parecem "vencer" a batalha, levando a um retorno a práticas antigas e menos eficazes. A disseminação da resistência é multifatorial, envolvendo transmissão cruzada, uso inadequado de antibióticos e introdução de novos microrganismos resistentes.Portanto, o controle da resistência bacteriana exige estratégias integradas, incluindo o uso racional de antimicrobianos, medidas rigorosas de controle de infecção, vigilância constante e pesquisa para o desenvolvimento de novos agentes terapêuticos. Compreender os mecanismos genéticos e bioquímicos da resistência é fundamental para enfrentar esse problema e preservar a eficácia dos antibióticos disponíveis.---### Destaques- A resistência bacteriana é um fenômeno genético que pode ser natural, adquirida ou induzida, envolvendo genes que codificam mecanismos de defesa contra antibióticos.- O aumento da resistência em microrganismos hospitalares, como MRSA, Klebsiella spp. e Pseudomonas aeruginosa, é alarmante e dificulta o tratamento de infecções.- Os principais mecanismos de resistência incluem alteração da permeabilidade, bombas de efluxo e degradação enzimática, especialmente por β-lactamases em bactérias Gram-negativas.- A pressão seletiva do uso de antibióticos e a transmissão cruzada são fatores-chave na disseminação da resistência.- O combate à resistência bacteriana requer uso racional de medicamentos, controle de infecções e desenvolvimento contínuo de novos antibióticos.

Teste o Premium para desbloquear

Aproveite todos os benefícios por 3 dias sem pagar! 😉
Já tem cadastro?

Mais conteúdos dessa disciplina