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## Resumo sobre Pulpotomia em Dentes Decíduos – Vanessa WünschA pulpotomia é uma técnica endodôntica utilizada principalmente em dentes decíduos, que consiste na remoção da polpa coronária quando a lesão não atinge a polpa radicular, com o objetivo de preservar a vitalidade da polpa remanescente. Essa abordagem é fundamental para manter os dentes decíduos comprometidos endodônticamente na cavidade bucal até o momento da esfoliação fisiológica, evitando a perda precoce e suas consequências no desenvolvimento da arcada dentária. A indicação da pulpotomia depende de diversos fatores, que podem ser classificados em locais, sistêmicos e comportamentais, e deve ser cuidadosamente avaliada para garantir o sucesso do tratamento.### Indicações e Contraindicações da PulpotomiaA pulpotomia é indicada em casos de lesão cariosa extensa, exposição pulpar por trauma, ausência de pulpite radicular, ausência de dor espontânea persistente, presença de hemorragia viva no local da amputação, pelo menos dois terços do comprimento radicular preservados, e ausência de sinais clínicos como abscesso, fístula, mobilidade ou reabsorção interna. Radiograficamente, a presença de radiopacidade óssea na região da furca também é um critério favorável. Por outro lado, a técnica é contraindicada em situações que envolvem dor intensa, sensibilidade à percussão, edema, mobilidade acentuada, reabsorção radicular superior a dois terços e radiolucidez periapical ou na região da furca, que indicam comprometimento pulpar mais grave ou infecção avançada.Após a realização da pulpotomia, o dente tratado não deve apresentar sintomas como sensibilidade prolongada, dor, reabsorção interna, calcificação anormal do canal radicular, perda dos tecidos de suporte ou danos ao dente sucessor. O sucesso do procedimento depende da correta seleção do caso e do material terapêutico utilizado.### Materiais Terapêuticos e Modo de AplicaçãoOs materiais utilizados na pulpotomia podem ser classificados em três grupos principais: desvitalizadores (que promovem fixação e cauterização), preservadores (que minimizam a desvitalização e não induzem agressão) e regeneradores (que estimulam a indução e regeneração tecidual). Entre os materiais mais comuns estão o hidróxido de cálcio, formocresol, glutaraldeído, sulfato férrico, MTA (Agregado Trióxido Mineral), laser e proteínas morfogenéticas ósseas (BMPs).O formocresol, por exemplo, é um agente bactericida que age fixando os tecidos pulpares através da ligação química com proteínas microbianas, promovendo a fixação tecidual e controle da infecção. Ele é composto por formaldeído (19%), que precipita proteínas e atua como fixador pulpar; cresol (35%), que reduz o poder irritante e tem ação antisséptica; e glicerina (15%), que aumenta a viscosidade do produto. O formocresol é aplicado em forma líquida sobre o remanescente pulpar com auxílio de uma bolinha de algodão e pinça clínica, durante um período de 5 a 7 minutos.### Diagnóstico Pulpar em Dentes DecíduosO diagnóstico correto da condição pulpar é essencial para o sucesso do tratamento endodôntico em dentes decíduos. Ele deve ser baseado em uma análise clínica detalhada, incluindo a avaliação da dor (se provocada, espontânea, contínua, pulsátil, sensível à percussão ou provocada à mastigação), sinais clínicos (como lesão cariosa ativa, exposição pulpar, hiperplasia pulpar, presença de abscesso ou fístula) e aspectos radiográficos (radiolucidez ou radiopacidade em diferentes regiões, espessamento do espaço periodontal, reabsorção interna ou radicular, rarefação óssea).A tabela diagnóstica, retirada do livro de Mário Leonardo, relaciona os sintomas e sinais clínicos com os achados radiográficos para definir o diagnóstico provável, que pode variar desde hiperemia ou inflamação suave, pulpite aguda, pulpite crônica hiperplásica, até necrose pulpar. Por exemplo, uma dor provocada por estímulos térmicos e uma lesão cariosa superficial ativa com radiolucidez limitada à metade externa da dentina indicam hiperemia ou inflamação leve, enquanto dor espontânea, contínua e pulsátil associada a radiolucidez periapical e reabsorção radicular sugere necrose pulpar.### Considerações FinaisO sucesso do diagnóstico e tratamento pulpar depende não apenas da avaliação clínica e radiográfica, mas também do conhecimento aprofundado da histofisiologia pulpar e das patologias associadas. Além disso, o estado geral de saúde do paciente deve ser considerado para garantir a eficácia e segurança do procedimento. A pulpotomia, quando indicada e realizada corretamente, é uma técnica eficaz para preservar dentes decíduos, mantendo sua função e espaço na arcada dentária, o que é fundamental para o desenvolvimento adequado da dentição permanente.---### Destaques- A pulpotomia remove a polpa coronária para preservar a vitalidade da polpa radicular em dentes decíduos.- Indicações incluem lesão cariosa extensa, exposição pulpar sem pulpite radicular e ausência de dor espontânea persistente.- Contraindicações envolvem dor intensa, mobilidade acentuada, reabsorção radicular avançada e sinais radiográficos de infecção.- Materiais terapêuticos variam entre desvitalizadores, preservadores e regeneradores, com destaque para o formocresol.- Diagnóstico pulpar eficaz depende da análise clínica, radiográfica e do conhecimento da fisiologia e patologias da polpa dentária.