Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

enfermagem em saúde mental 
PROF: FABRÍCIA SOUZA 
TURMA 40
2025
R. Raulino Finamore, 56 - Centro, Iúna - ES, – TEL: 28 3545-1580
No ambiente hospitalar os profissionais a enfermagem principalmente os técnicos e enfermagem são expostos diariamente aos riscos ocupacionais, principalmente psicossociais, pois estão submetidos a um processo psicologicamente intenso, devido à convivência com o sofrimento e a morte, alta demanda de pacientes, trabalho em turnos longos, conflitos nas relações interpessoais, bem como baixo reconhecimento e desvalorização profissional (TUNG. Et el. 2014)
O estresse ocupacional é compreendido como a interação entre alta demanda psicológica, baixo controle sobre qual decisão a ser tomada em seu trabalho e baixo apoio social que o indivíduo recebe dos outros trabalhadores e das chefias da instituição, gerando um ambiente desagradável, tenso e de relações conflituosas com intrigas na própria equipe (KARASEK, 1979). Manter- se ao longo do tempo, sob agentes estressores durante seu trabalho e perceber a ausência de atitudes externos e internos que auxiliem na adaptação às situações no trabalho, faz que o desgaste torne- se crônico levando por sua vez ao adoecimento mental (LEITER, MASLACH, 2016). 
A síndrome de burnout é caracterizada por um conjunto de sintomas que demonstram o esgotamento do trabalhador, manifestado por falta energia física e mental (exaustão emocional), perda do interesse pelo trabalho e sentimentos de autodesvalorização onde o profissional não esta mais realizado com seu trabalho. (LEITER, MASLACH. 2016). 
As consequências da síndrome são devastadoras ao indivíduo e à organização, pois devido ao declínio na saúde emocional, ocorrem baixa produtividade, acidentes de trabalho e a aposentadoria precoce, além de colocar em risco a segurança dos pacientes (VAN BOGAERT, et el, 2013). 
Embora o Burnout acometa as mais diversas profissões, aquelas em que se lida com o sofrimento alheio aumentam a vulnerabilidade (GALINDO et al., 2012).
O estresse ocupacional interfere diretamente na vida do individuo, podendo ocorrer alterações bruscas na saúde física e mental, relações sociais e meio ambiente devido ao pouco tempo dedicado à família e à falta de suporte e apoio quando necessários por parte da instituição. O estresse além de ter um efeito favorável para o desenvolvimento de doenças, pode propiciar prejuízos para a qualidade de vida e para produtividade do profissional, comprometendo a segurança do paciente. (CORRÊA, SOUZA, BAPTISTA, 2013). 
A Enfermagem foi classificada, pela Health Education Authority (Autoridade de Educação em Saúde), como a quarta profissão mais estressante no setor público, devido ao constante contato com doenças, mortes e problemas interpessoais, o que expõe a equipe a fatores de risco de natureza física, química, biológica e psíquica. A complexidade dos inúmeros procedimentos realizados pela equipe, o grau de responsabilidade nas tomadas de decisão, a falta de recursos humanos, os possíveis acidentes de trabalho e o trabalho por turnos aumentam a angústia e a ansiedade dos profissionais, devido a muitas vezes ser procedimento duradouros e se apresentar um pequeno numero que não consegue vencer a demanda, desencadeando muitas vezes, situações de estresse (RISSARDO, GASPARINO, 2013)
Burnout é uma síndrome em que o profissional perde o sentido da sua relação, da sua identidade com o trabalho e s ente como se as coisas já não tivessem mais importância. Trata-se de um conceito que envolve três dimensões, onde podem aparecer associadas, mas que são independentes: exaustão emocional, despersonalização e falta de envolvimento no trabalho ou diminuição da realização pessoal (RISSARDO, GASPARINO 2013).
O enfermeiro principalmente na área hospitalar, pode ser acometido pelo Burnout. Com o tempo a síndrome acaba torna-se vulnerável a prejuízos, podendo atingir o paciente e a instituição hospitalar com a piora da qualidade assistencial da enfermagem, diminuição da sua eficácia e assim, influenciar de maneira negativa os colegas de trabalho, podendo até mesmo vir a se ausentar, desligar do emprego e até mesmo uma aposentadoria precoce devido a depressão. (SANCHEZ, 2016).
O trabalho deve ser visto como algo satisfatório onde a pessoa realizará suas atividades todos os dias e pode representando uma fonte de satisfação ou insatisfação pessoal. 
Isso ocorre quando o ambiente de trabalho é percebido como uma ameaça ao indivíduo, repercutindo no plano pessoal e profissional, com demandas maiores do que a sua capacidade de enfrentamento, propondo um sentimento de inutilidade por parte do profissional devido a muitas vezes não conseguir realizar suas tarefas cabíveis. (RISSARDO, GASPARINO 2013).
A Síndrome de Burnout tem consequências físicas e mentais devastadores a longo prazo à saúde dos trabalhadores, dentre as quais alterações cardiovasculares, fadiga crônica, cefaleias, enxaqueca, úlcera péptica, insônia, dores musculares ou articulares, ansiedade, depressão, irritabilidade estão presentes. 
Também pode interferir na vida pessoal, como nas relações familiares, ressentindo-se da falta de tempo para o cuidado com os filhos e o lazer. 
O contexto do trabalho é afetado pelo absenteísmo de colegas aumentando a carga de trabalho dos profissionais, pela rotatividade de emprego, pelo aumento de condutas violentas por paciente e familiares e pela diminuição da qualidade do trabalho. A síndrome mostra-se como um processo progressivo, com período de sensibilização de 10 anos de trabalho e a possibilidade de aumento suscetibilidade após esse tempo. (SILVA, 2015).
É importante e extremamente válido que profissionais busquem medidas de enfrentamento ao estresse no qual estão inseridos, utilizando-se de medidas como relaxamento, atividades físicas, musicoterapia, diálogo, bem como, também, diversas outras formas que contemplem o bem- estar para mente e corpo, buscando apoio da instituição ou apoio externo (FARIAS, Et el, 2017).
No caso específico da enfermagem, os funcionários desenvolveram doenças tais como a Síndrome de Burnout, estresse ocupacional, conflitos relacionados à violência dentro das instituições de saúde, dirigida tanto aos usuários quanto a própria enfermagem, índices de baixa satisfação ocupacional e depressão. 
Isso está ligado diretamente as condições do local de trabalho relacionadas à forma de contratação, ao fato de os funcionários terem dois ou mais empregos devido a baixa remuneração e ao tipo de instituição onde trabalham, além dos riscos reconhecidos nas literaturas relacionadas a trabalhar em hospitais, que implicam em uma carga mental que incide diretamente na qualidade da atenção, na qualidade de vida no trabalho e na qualidade de vida geral das pessoas (ORTIZ, ARIAS, 2009).
Em relação aos profissionais que podem ser acometidos pelos processos de desgastes físico-psíquicos, os Técnicos e Auxiliares de enfermagem são mais suscetíveis à alteração da QV (qualidade de vida), pois prestam os cuidados diretos aos pacientes com diferentes necessidades e complexidades, muitas vezes com uma demanda maior do que essencial. O ambiente de trabalho destes profissionais é insalubre, os turnos são alternados, existe hierarquização que em casos diferem chefes de lideres que não é ideal, não há a autonomia, evidencia-se a rigidez na carga horária, rotatividade de setores, aumento de esforços físicos acompanhado de lesões, desarticulação de defesa da equipe e exposição a agentes biológicos (RIOS, BARBOSA, BELASCO, 2010).
Importante fator que interfere na qualidade de vida dos profissionais de enfermagem é o trabalho noturno, que altera o padrão de sono, além de gerar desequilíbrios orgânicos já que as funções orgânicas estão em menor intensidade, aumentando o peso corporal devido ao profissional comer para ficar acordado, uma vez que isto provoca um desgaste psicofisiológico mais intenso que aquele trabalho executado durante o dia. Outra consequência do serviço noturno é que os profissionais se esquecem do autocuidado negligenciando suasaúde e colocando em risco o desempenho no seu contexto de trabalho, o que é frequente entre os profissionais de enfermagem (NEVES, Et el, 2010). No entanto, a preocupação da maioria dos gestores ainda está voltada para a qualidade dos serviços prestados e não para a qualidade de vida do profissional que o executa (SCOPINHO, 2015).
image1.jpeg

Mais conteúdos dessa disciplina