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A relação entre Razão humana x Fé cristã Informações históricas: Tomás pertence a segunda ou alta escolástica, que vai do séc. XII ao início do séc. XIV, e tem como objetivo central conciliar fé e razão. São Tomás, ao lado de Santo Agostinho, são os principais representantes da filosofia medieval, que vai do séc. V ao séc. XIV; Baseia-se, principalmente, no pensamento de Aristóteles na discussão dialética entre razão e fé. A finalidade de Tomás foi organizar um conjunto de argumentos para demonstrar e defender as revelações do cristianismo, de modo a não contrariar a fé. Prof. Juliano 1226 – 1274 d.C. São Tomás de Aquino AP Nota Aspectos fundamentais: Reconhece a importância do conhecimento natural (humano), adquirido através do sentidos, imaginação e intelecto. Afirma que o conhecimento começa pela experiência sensível, passa pela fantasia até a apreensão de formas abstratas pelo intelecto. Teoria do conhecimento tomista Prof. Juliano julianojbs@gmail.com Tomás valoriza o raciocínio indutivo como condição para a aquisição de conhecimento, que se processa a partir da observação de fatos singulares ou particulares até a elaboração de ideias que sejam universais. Afirma que a razão não pode conhecer a essência e nem a localização de Deus, mas pode demonstrar a sua existência. Teoria do conhecimento Características das provas da existência de Deus em Tomás de Aquino: - sensíveis; - indiretas; - imperfeitas; - negativas; e - análogas. Prof. Juliano julianojbs@gmail.com A metafísica tomista: Ser (existência) e essência (substância): pode ser igual ou diferente. Afirma a existência de dois seres, a saber: ● Ser Pleno: é Deus, onde ser e essência são os mesmos. Prof. Juliano Filosofia Medieval Teoria do conhecimento ser = é = existência ● Seres em geral: são as criações de Deus, onde ser e essência são diferentes. Ser = Essência essência = substância ser ≠ essência “A essência precede a existência.” = ≠ Para Tomás o único ser realmente pleno, no qual o ser (existência) e a essência (substância) se identificam, é Deus – Ato Puro. Nesse sentido, não há o que se realizar ou se atualizar em Deus, pois Ele é desde sempre completo, perfeito. Teoria do conhecimento Conclusão: Tomás afirma que Deus é Ser, e o mundo tem seres – criaturas. Ou seja, Deus é o Ser que existe como fundamento da realidade das outras essências (criaturas) que, uma vez existentes, participam de seu Ser. Nas criaturas ser/existência é diferente da essência/substância, pois às criaturas são seres não-necessários, na medida em que é Deus que permite às essências das criaturas realizarem-se em entes, isto é, em seres existentes. Prof. Juliano Princípios da filosofia tomista referentes aos seres contingentes/criaturas: Princípio da não-contradição: afirma que o ser é ou não é, não podendo ser e não-ser ao mesmo tempo. Princípio da substância: afirma que nos seres contingentes existem substâncias e acidentes. O primeiro faz parte da essência do ser, portanto não pode dele ser tirado; o segundo não faz parte da essência do ser, por isso pode ser alterado. Prof. Juliano Filosofia Medieval Teoria do conhecimento Princípio da causa final: todo ser contingente, exceto as ações humanas que possuem o livre arbítrio, existe em função de uma “razão de ser”, isto é, todo ser sensível/criatura possui uma causa final, um objetivo, uma finalidade. Princípio da causa eficiente: afirma que os seres contingentes (seres em geral) somente vieram a existir graças ao Ser necessário (Ser Pleno), que é a própria causa eficiente das criaturas que captamos pelos sentidos. Teoria do conhecimento Prof. Juliano julianojbs@gmail.com Principais obras: Suma teológica. Suma contra os gentios. Princípio do ato e potência: afirma que todo ser contingente possui duas dimensões: o ato e a potência. O ato representa a existência atual do ser. A potência representa a capacidade de vir a ser aquilo que não se realizou, e que pode ou não se realizar. É a passagem da potência para o ato que explica toda e qualquer mudança dos entes sensíveis/contingentes/criaturas. Teoria do conhecimento Teoria do conhecimento - A primeira via é o primeiro motor [ou do movimento]; - A segunda via é a causa eficiente [ou das causas]; - A terceira via é o Ser necessário e seres contingentes [ou da contingência]; - A quarta via é a dos graus de perfeição; - A quinta via é a finalidade do(s) ser(es) [ou da ordem do mundo]. Provas da existência de Deus: Prof. Juliano Filosofia Medieval São Tomás considera cinco vias que conduzem argumentativamente a Deus, todas com a característica comum de se firmarem na evidência, sensível e racional, para proceder à demonstração como a lógica exige. As vias são: Atenção! A quarta prova da existência de Deus é a única que se baseia em Platão, todas as outras baseiam-se em Aristóteles. Explicação das provas da existência de Deus: 1ª Prova [o primeiro motor]: tudo aquilo que se move é movido por outro ser. Por sua vez, este outro ser, para que se mova, necessita também que seja movido por outro ser. E assim sucessivamente. Se não houvesse um primeiro ser movente, cairíamos num processo indefinido. Logo, conclui Tomás de Aquino, é necessário chegar a um primeiro ser movente que não seja movido por nenhum outro. Esse ser é Deus. 2ª Prova [causa eficiente]: todas as coisas existentes no mundo não possuem em si próprias a causa eficiente de suas existências. Devem ser consideradas efeitos de alguma causa. Tomás de Aquino afirma ser impossível remontar indefinidamente à procura das causas eficientes. Logo, é necessário admitir a existência de uma primeira causa eficiente, responsável pela sucessão de efeitos. Essa causa eficiente primeira é Deus. Prof. Juliano Filosofia Medieval Teoria do conhecimento 3ª Prova [o Ser necessário e seres contingentes]: esse argumento é uma variante do segundo. Afirma que todo ser contingente, do mesmo modo que existe, pode deixar de existir. Ora, se todas as coisas que existem podem deixar de ser, então, alguma vez, nada existiu. Mas, se assim fosse, também agora nada existiria, pois aquilo que não existe somente começa a existir em função de algo que já existia. É preciso admitir, então, que há um ser que sempre existiu, um ser absolutamente necessário, que não tenha fora de si a causa eficiente da sua existência, mas, ao contrário, que seja a causa da necessidade de todos os seres contingentes. Esse ser necessário é Deus. Prof. Juliano Filosofia Medieval Teoria do conhecimento 4ª Prova [graus de perfeição]: em relação à qualidade de todas as coisas existentes, pode-se afirmar a existência de graus diversos de perfeição. Assim, afirmamos que tal coisa é melhor que outra, ou mais bela, ou mais poderosa, ou mais verdadeira etc. Ora, se uma coisa possui “mais” ou “menos” determinada qualidade positiva, isso supõe que deve existir um ser com o máximo dessa qualidade, no nível da perfeição. Devemos admitir, então, que existe um ser com o máximo de bondade, de beleza, de poder, de verdade, sendo, portanto, um ser máximo e pleno. Esse ser é Deus. Teoria do conhecimento julianojbs@gmail.com 5ª Prova [a finalidade do(s) ser(es)]: todas as coisas brutas, que não possuem inteligência própria (seres inanimados, vegetais e irracionais), existem na natureza cumprindo uma função, um objetivo, uma finalidade, semelhante à flecha dirigida pelo arqueiro - “Alegoria do Arqueiro”. Devemos admitir, então, que existe algum ser inteligente que dirige todas as coisas da natureza para que cumpram seu objetivo. Esse ser é Deus.Prof. Juliano Filosofia Medieval Teoria do conhecimento O tema fundamental da filosofia de Tomás de Aquino é o conceito de livre arbítrio, no sentido que “Deus não daria ao homem um razão que não pudesse ser conciliada com sua fé”. Conclusão: Para Tomás, Deus tem como essência ser existência, e é alcançado como princípio explicativo de fatos que, sem Ele, não se explicariam. Desse modo, se conhecermos a existência de Deus é apenas indiretamente - isto é, pelas provas. Veja! Primeiramente sabemos que Deus não é: imperfeito e limitado; e, dado que o conhecimento certo de Deus se deve realizar partindo das criaturas (seres imperfeitos), o efeito deve ter semelhança com a causa. Essa doutrina da analogia consiste precisamente em atribuir a Deus as perfeições criadas. Logo, o que conhecemos a respeito da existência de Deus é, portanto, um conjunto de negações e de analogias. Já a essência e a localização de Deus é impossível de ser conhecida. Teoria do conhecimento Prof. Juliano ABBAGNANO, Nicola. História da Filosofia. Lisboa: Presença, 1992. ARANHA, M. L. & MARTINS, M. H. P. Filosofando. São Paulo: Moderna, 2003. CHAUÍ, M. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 2003. CHALITA, G. Vivendo a filosofia. São Paulo: Atual, 2002. COTRIM, G. Fundamentos da filosofia. São Paulo: Saraiva, 2002 [e 2006]. GILES, T. R. Introdução à Filosofia. São Paulo: EDUSP, 1979. MANDIN, B. Curso de filosofia. Os filósofos do ocidente. São Paulo: Paulus, 1982. OLIVEIRA, A. M. (org.). Primeira filosofia. São Paulo: Brasiliense, 1996. REZENDE, A. (org.). Curso de filosofia; para professores e alunos dos cursos de segundo grau e graduação. Rio de Janeiro: Jorge Zahar editor, 2002. Prof. Juliano julianojbs@gmail.com Referências Bibliográficas