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APOSTILA DA DISCIPLINA

Apostila de Cristologia para curso de Teologia por Raquel C. Cabral. Contém unidades sobre conceito e metodologias da cristologia, a 'antiga questão do Jesus histórico', expectativas messiânicas e reinado de Deus no AT, o título 'Filho do Homem' e análise dos evangelhos sobre Jesus de Nazaré.

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Cristologia 
Professora Dra. Raquel C. Cabral
Reitor 
Prof. Ms. Gilmar de Oliveira
Diretor de Ensino
Prof. Ms. Daniel de Lima
Diretor Financeiro
Prof. Eduardo Luiz
Campano Santini
Diretor Administrativo
Prof. Ms. Renato Valença Correia
Secretário Acadêmico
Tiago Pereira da Silva
Coord. de Ensino, Pesquisa e
Extensão - CONPEX
Prof. Dr. Hudson Sérgio de Souza
Coordenação Adjunta de Ensino
Profa. Dra. Nelma Sgarbosa Roman 
de Araújo
Coordenação Adjunta de Pesquisa
Prof. Dr. Flávio Ricardo Guilherme
Coordenação Adjunta de Extensão
Prof. Esp. Heider Jeferson Gonçalves
Coordenador NEAD - Núcleo de 
Educação à Distância
Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal
Web Designer
Thiago Azenha
Revisão Textual
Beatriz Longen Rohling
Caroline da Silva Marques
Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante
Geovane Vinícius da Broi Maciel
Jéssica Eugênio Azevedo
Kauê Berto
Projeto Gráfico, Design e
Diagramação
André Dudatt
Carlos Firmino de Oliveira
2022 by Editora Edufatecie
Copyright do Texto C 2022 Os autores
Copyright C Edição 2022 Editora Edufatecie
O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correçao e confiabilidade são de responsabilidade 
exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Per-
mitido o download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas 
sem a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais. 
 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP 
 
C117c Cabral, Raquel c. 
 Cristologia / Raquel C. Cabral. Paranavaí: EduFatecie, 
 2022. 
 97 p. : il. Color. 
 
 
 
1. Jesus Cristo – História das doutrinas. 2. Teologia. I. Centro 
 Universitário UniFatecie. II. Núcleo de Educação a Distância. 
 III. Título. 
 
 CDD : 23 ed. 232.954 
 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577 
 
 
UNIFATECIE Unidade 1 
Rua Getúlio Vargas, 333
Centro, Paranavaí, PR
(44) 3045-9898
UNIFATECIE Unidade 2 
Rua Cândido Bertier 
Fortes, 2178, Centro, 
Paranavaí, PR
(44) 3045-9898
UNIFATECIE Unidade 3 
Rodovia BR - 376, KM 
102, nº 1000 - Chácara 
Jaraguá , Paranavaí, PR
(44) 3045-9898
www.unifatecie.edu.br/site
As imagens utilizadas neste
livro foram obtidas a partir 
do site Shutterstock.
AUTOR
Prof.ª Drª. Raquel C. Cabral
● Doutora em Teologia pela PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná) 
em Curitiba - PR.
● Mestra em Teologia Sistemática Pela FAJE (Faculdade Jesuíta) de Belo 
Horizonte – MG.
● Bacharel em Teologia pela Pontifícia Universitá Urbaniana de Roma. 
● Professora da área de Teologia Sistemática da PUCPR desde 2012 (Teologia 
Fundamental, Cristologia, Trindade, Mariologia e Escatologia).
● Professora de Cristologia e Trindade do curso de Teologia em EAD da Uningá - 
Maringá - PR.
● Pesquisadora com foco temático em Reino de Deus, Dom Helder Câmara e 
Concílio Vaticano II.
Experiência em coordenação de cursos de Teologia para Leigos, pregação de 
retiros espirituais cristãos e práticas meditativas e de relaxamento.
CURRÍCULO LATTES: http://lattes.cnpq.br/9662020930739112
http://lattes.cnpq.br/9662020930739112 
APRESENTAÇÃO DO MATERIAL
Prezado (a) aluno (a),
Seja bem-vindo (a) ao caminho que iremos percorrer juntos graças ao seu interesse 
por esta disciplina do curso de teologia. Nela, você conhecerá os conceitos fundamentais 
da teologia cristã a respeito de Jesus Cristo, sua construção histórica e o conjunto de 
crenças que compõem a fé cristã. 
Nós estaremos juntos nessa jornada por meio das vídeo aulas e do apoio da presente 
apostila preparada especialmente para você. Nela você encontrará outras indicações que 
poderão lhe conduzir a um maior aprofundamento dos temas estudados. 
Na primeira unidade, estudaremos o conceito de cristologia, as características 
fundamentais para que a cristologia seja reconhecida como teológica e as diferentes 
metodologias de estudo. Para exemplificar a importância de uma metodologia adequada 
no estudo da cristologia, estudaremos um acontecimento significativo que ficou conhecido 
como “antiga questão do Jesus histórico”.
Na segunda unidade do curso de cristologia, cujo tema é Jesus, o Messias prometi-
do, procuraremos entender e conhecer às expectativas messiânicas de Israel. Estudaremos 
também as origens da noção de reinado de Deus e como se pensava este modelo no antigo 
testamento. Na sequência, refletiremos um pouco mais a respeito do título que Jesus deu 
a si mesmo, a saber, Filho do Homem, e procuraremos identificar os motivos pelos quais 
Jesus adotou esta figura apocalíptica.
Na terceira unidade do nosso curso iremos visitar os evangelhos observando Jesus 
de Nazaré e nos perguntando se de fato é ele o Messias. Estudaremos as relações que ele 
estabeleceu com a lei com o templo com Deus e com as pessoas, de modo a nos aproximarmos 
dos valores por ele vividos e ensinados. Sendo o Reino de Deus, a temática catalisadora do 
seu projeto salvífico, estudaremos que sentido teve pra Jesus falar em Reino de Deus. Por 
fim, faremos juntos uma leitura teológica da morte e da ressurreição de Jesus.
Finalmente na quarta unidade faremos uma investigação tipicamente dogmática 
para conhecer as cláusulas vinculantes da fé cristã a respeito de Jesus Cristo. Por esta 
razão, de modo sintético, estudaremos as principais decisões conciliares.
Agora você tem em mãos o percurso a ser feito. Que a sua trajetória de conhecimentos 
teológicos na área da cristologia acrescente ao seu horizonte de vida elementos que venham 
lhe tornar uma pessoa melhor para si e para o mundo.
Muito obrigada e bom estudo!
SUMÁRIO
UNIDADE I ...................................................................................................... 4
A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã
UNIDADE II ................................................................................................... 31
O Messias Prometido e Esperado
UNIDADE III .................................................................................................. 54
Jesus de Nazaré: Vida e missão
UNIDADE IV .................................................................................................. 75
Verdadeiramente Homem e Verdadeiramente Deus
4
Plano de Estudo:
● A Cristologia e as cristologias;
● Métodos, fontes e notas identitárias da cristologia;
● A antiga questão do Jesus histórico;
● A nova questão do Jesus histórico.
Objetivos da Aprendizagem:
● Conceituar a cristologia e contextualizar a abordagem 
cristã entre outras abordagens e perspectivas;
● Compreender os traços distintivos e identitários da criptologia;
● Estabelecer a importância da historicidade da pessoa de 
Jesus Cristo e nela a revelação do Filho de Deus.
UNIDADE I
A Fé Cristã a Partir 
da Visão Cristã
Professora Doutora Raquel C. Cabral
5UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã
INTRODUÇÃO
Muito se diz e se escreve a respeito da pessoa de Jesus de Nazaré, a quem 
chamamos Cristo. O material produzido a respeito da sua pessoa é tão amplo e diversificado 
em quantidade quanto em perspectivas e pontos de vista. Estamos nos referindo a reflexões 
e estudos que envolvem dois séculos de história contados a partir de sua vinda ao mundo e 
mais dois séculos anteriores a ele, importantes para a cristologia. Tudo isso permeado por 
variados moldes e movimentos culturais, implicando evoluções no conceito de Deus, de ser 
humano e de mundo. 
Em poucas palavras, estamos entrando em um campo que implica diversas 
cosmovisões. E fazemos estas considerações para que se solidifique em nós a consciência 
de que não se pode pretender a hegemonia do conhecimento quando o objeto de estudo e 
de pesquisa é comum a métodos olhares e perspectivas diferentes. 
Isso é suficiente para nos convencermos de queé necessário delimitar e esclarecer 
de que ponto de vista estamos falando quando o assunto é Jesus Cristo. No nosso caso 
queremos conhecer a pessoa de Jesus Cristo no quanto ele é importante para a fé cristã 
vista a partir da visão, da história e dos princípios cristãos. Portanto, além de perguntarmos 
quem é Jesus de Nazaré a quem chamamos Cristo, nesta unidade procuraremos nos 
ocupar em responder quem é Jesus Cristo para os cristãos e para a fé que eles professam. 
6UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã
1. A CRISTOLOGIA E AS CRISTOLOGIAS
1.1 Inesgotável Mistério em pessoa
Habitualmente, o uso da palavra mistério está relacionado a contextos e 
acontecimentos que fogem ao alcance do conhecimento, da compreensão e de uma 
explicação esclarecedora. Para o uso popular, o que determina a condição mistérica 
daquilo de que se está falando é o desconhecimento e não a real impossibilidade de 
obter informações a respeito. Basta, por exemplo, que algo tenha aparecido quebrado 
e não se saiba quem o quebrou e a palavra mistério caberá bem para falar sobre esse 
desconhecimento. O termo é muito caro aos ambientes e contextos religiosos para indicar 
o desconhecimento a respeito do sagrado e suas repercussões na vida e no destino do 
ser humano e do mundo. Por exemplo: como será a vida depois da morte, porque os bons 
sofrem, por que o ser humano busca a dimensão religiosa, etc.
Teologicamente falando, o termo mistério tem um significado específico e ampliado em 
relação ao uso popular que acabamos de falar. Em especial quando o termo mistério está referido 
a Deus ele quer indicar infinitude. Note que infinitude é diferente de incompreensibilidade. 
Certamente você deve ter estudado no curso de introdução à teologia ou de teologia 
da revelação que todo o conteúdo da teologia cristã vem da automanifestação de Deus 
ao ser humano e que a isso chamamos Revelação. Deus desejou tornar-se conhecido e, 
embora sendo de natureza infinita e ilimitada, Ele deu-nos possibilidade de conhecê-lo até 
onde temos condições de alcançá-lo, considerando as diferenças entre a natureza divina e 
a natureza humana. 
7UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã
Assim fica mais fácil entender que Deus é Mistério (com letra maiúscula!) que quis se 
tornar acessível através da sua automanifestação ao longo da história. Complementando a 
nossa compreensão a respeito da aplicação do termo Mistério para Deus falta-nos lembrar 
que, por mais que consigamos avançar em pesquisas teológicas e na experiência espiritual, 
jamais esgotaremos o nosso conhecimento a respeito de Deus. Logo, é lícito afirmar 
que Deus é Mistério inesgotável, auto manifesto, aberto ao infinito e somente alcançado 
plenamente por Ele mesmo.
Jesus Cristo foi a manifestação mais eloquente de Deus sobre si mesmo à 
humanidade e à história. Devido à sua natureza plenamente humana e plenamente divina 
é lícito afirmar que ele é o inesgotável Mistério em pessoa.
1.2 Inesgotável complexidade na simplicidade de uma pessoa
No tópico anterior, você entendeu em que sentido afirmamos que Jesus é o 
inesgotável Mistério em pessoa. Agora, ampliando um pouco mais a nossa reflexão, 
é lícito e devemos considerar que Jesus Cristo também é inesgotável complexidade na 
simplicidade de uma pessoa. Vamos procurar citar algumas razões que justificam afirmar 
sua complexidade e ao mesmo tempo sua simplicidade.
A complexidade da pessoa de Jesus reside no fato de ele ser o cumprimento 
das promessas feitas por Deus a humanidade por meio de gerações seguidas de líderes 
carismáticos, como registradas na Sagrada Escritura: patriarcas, juízes carismáticos e 
profetas. Porém, como estudaremos mais à frente, ele veio de um modo surpreendente e 
difícil de ser reconhecido de imediato. O caráter complexo que envolve a sua pessoa aparece 
no modo como ele se apresenta. Ele dava pistas sobre a sua pessoa por meio de ações e 
de palavras explícitas e implícitas. A complexidade aparece quando, por exemplo, ele chama 
a Deus de pai com intimidade jamais imaginada. Chamando-o Pai, Jesus estava afirmando 
ser filho do Eterno, Insondável, Perfeitíssimo, Altíssimo, Onipotente... Implicava dar por 
pressuposto que ele tinha a mesma natureza de Deus. Isso era muito impactante no seio 
de uma cultura mergulhada no judaísmo que não ousava nem mesmo pronunciar o nome 
de Deus (SCHNEIDER, 2002). Outros exemplos disso são todas as vezes em que Jesus 
se apresenta com autoridade que somente Deus a tem (A BÍBLIA, 1985): ordenando aos 
ventos e ao mar que se calem (Mc 4, 35-41; Lc 8, 22-25), perdoando pecados (Mt 18, 21-22), 
curando pessoas (Mc 2, 1-12) e libertando-as do mal (Lc 11, 15-26). O conteúdo dos seus 
ensinamentos e a mensagem comunicada por meio de suas ações era o Reino de Deus.
8UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã
Na verdade, o povo esperava a chegada de um tempo em que o reinado de Deus 
prevalecesse, estabelecendo a justiça e a ordem sociopolítica no país, por uma intervenção 
divina. Jesus anuncia a chegada do Reino de Deus, afirma que o Reino de Deus já está entre 
eles e aponta para sinais que surpreendiam o povo, como teremos oportunidade de estudar 
mais detalhadamente sobre este assunto. Três dias depois de sua morte apareceu vivo, com o 
havia prometido, à algumas pessoas isoladamente e também ao grupo dos doze que o seguiam 
mais de perto. E os seus anunciavam que ele estava vivo e que ressuscitara de entre os mortos 
causando galhofas e indignação. Esses e outros elementos justificam dizer que Jesus é a 
inesgotável complexidade na simplicidade de uma pessoa (DUPUIS, 2007, p. 11).
A simplicidade de Jesus também foi algo notável e você haverá de convir que era 
paradoxal: um ser humano aparentemente igual a todos os outros, portador das mesmas 
necessidades e limites dos seus contemporâneos que dizia que Deus era seu Pai. Por 
exemplo: sentia cansaço, sede e fome, comovia-se diante do sofrimento alheio, diante da 
perda de um amigo sentiu o coração apertar e chorou. Nasceu na condição indigente igual 
a todo recém-nascido, precisando ser alimentado por sua mãe, ser cuidado e protegido. 
Aprendeu a andar, a falar e a se comportar na família e na sociedade conforme os costumes 
e regras sociais e sociopolíticas. 
Foi iniciado na lei judaica como todos os adolescentes seus contemporâneos, 
quando iniciou a vida pública e saiu de sua pequena cidade em direção à capital do país, 
Jerusalém, provocou espanto e admiração pelo fato de demonstrar tanta sabedoria embora 
sendo de origens tão simples. Sua proposta de vida não tinha nada que exigisse alto nível 
intelectual para que fosse acolhida, seus preferidos eram os da periferia da existência, 
aqueles que sobravam das camadas seletas da sociedade. Jesus causou muito incômodo 
às classes dominantes de sua época, no campo civil e também da religião, por isso foi 
perseguido condenado à morte de cruz e executado como um malfeitor que deveria 
ser eliminado para o bem de todos, historicamente, um falido. Poderíamos continuar 
citando quase que ao infinito as razões paradoxais da extrema simplicidade unida à uma 
complexidade incomparável na pessoa de Jesus.
1.3 Falamos de uma Cristologia ou de várias cristologias?
Com sua encarnação, testemunho de vida, ensinamentos e obras, Jesus inaugurou 
uma novidade cujo grupo primitivo recebeu a responsabilidade, ou melhor, a missão de 
comunicar a todos aquilo que ouviu e vivenciou naquela comunidade primitiva formada 
pelos doze apóstolos, o Mestre e tantos seguidores. 
9UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã
Cada apóstolo e cada discípulo estabeleceu um tipo de relação com o Mestre de 
acordo com a sua caminhada de seguimento e adesão à Boa Nova que Jesus estava 
trazendo. Jesus enviou a todos a pregar ao mundo que eles aprenderam de maneira que 
cada apóstolo gerou o seu discipulado. O perfil desses grupos assistidos pelos apóstolos era 
bastante variado. A pregaçãodos apóstolos transmitindo a Boa Nova de Jesus adaptava se 
a realidade de cada grupo principalmente a proveniência de suas crenças. Anunciar Jesus 
a um pagão requeria uma estratégia diferenciada do anúncio feito há um judeu convertido, 
para citar um exemplo. Esta é uma das razões pelas quais cada um dos evangelistas 
construiu uma narrativa especifica a respeito de Jesus, embora Marcos Mateus e Lucas se 
aproximem mais entre si por terem usado fontes comuns, enquanto João tenho estilo todo 
próprio. Ora, se isso acontece entre os evangelistas imaginemos que ao longo de dois mil 
anos de evangelização são muitas as interpretações existentes a respeito do evento Jesus 
Cristo e do seu significado. Isso indica que o modo como cada um comunicou a experiência 
e aprendizagem feita no discipulado de Jesus teve um enfoque particular.
É bom lembrar que estamos diante de um objeto de estudo sobre o qual tudo o que 
foi absorvido, escrito e interpretado a respeito parece INADEQUADO ou INSUFICIENTE. 
Esta inadequação de que estamos falando não é apenas uma sensação. É uma realidade 
inerente à cristologia devido a seguinte razão:
Os registros do Novo Testamento foram feitos conforme uma seleção do que se 
pretendia narrar a respeito de Jesus Cristo. O Evangelista Lucas inicia o seu evangelho 
explicando que tudo o que conhecera a respeito de Jesus Cristo ele pretende anunciar. 
E explica que está enviando um escrito previamente organizado o que significa certa 
seleção de material. Vale a pena conferir na sua bíblia (A BÍBLIA, 1985): Lc 1,3: “... escrito 
ordenado...”. No capítulo 21 do seu evangelho, o Evangelista João explica que aqueles 
relatos não corresponder a tudo o que Jesus fez e disse. João declara que tal pretensão 
seria impossível. Confira Jo 21, 15: “Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fossem 
escritas uma por uma...” Ainda como exemplo, observe o que o próprio Jesus explica sobre 
a totalidade das coisas que ele gostaria de dizer e ensinar. Porém, ele prefere delegar ao 
paráclito que conduza os seus a verdade plena. Caso Jesus mesmo resolvesse dizer tudo 
os seus não suportariam. Isso está em Jo 16, 12-13: “tenho ainda muito a vos dizer que não 
podeis agora suportar... o Paráclito vos conduzirá à verdade plena...”. 
10UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã
Não obstante tudo isso, Jesus ordena que o seu evangelho, a sua Boa Nova, seja 
anunciada. Esta palavra de ordem é levada a sério pelas comunidades cristãs primitivas: Mc 
16, 1s: “ide pregai o evangelho...” e até os nossos dias. Haja vista, a título de exemplificação, 
algumas das abordagens recentes reproduzidas pelo olhar mais amplo de uma teologia 
pluralista que considera os contextos específicos da cristologia. Apresentaremos algumas 
delas, baseando-se em Dupuis (DUPUIS, 2007):
●	Abordagem	 histórico	 crítica: esta abordagem atende ao método histórico 
crítico de estudo dos evangelhos. Esse jeito de fazer cristologia tem o propósito de 
demonstrar que o fundamento da cristologia presente no anúncio da igreja primitiva 
está na pessoa concreta do Jesus histórico. Esforça-se para extrair dos evangelhos 
tudo aquilo que é possível afirmar a respeito da experiência terrena de Jesus de um 
modo crítico e comparativo entre o Jesus concreto da história e a tradição de fé dos 
discípulos desde os da primeira geração. 
●	Abordagem	 existencial: esta abordagem baseia-se em uma forma de 
fazer teologia que busca colher o significado do aspecto cristológico estudado, 
considerando a resposta e adesão de fé existencialmente válida que a mensagem 
de Jesus suscita. A abordagem existencial considera que os registros sobre a 
experiência cristã lógica que se encontram nos evangelhos foram formulados a 
partir de uma linguagem típica do tempo utilizando-se dos símbolos e representa 
ações de uma experiência de fé resultante do sentido existencial daquele contexto.
●	Abordagem	 Cristológica	 pelos	 títulos: entre as tantas formas de se fazer 
cristologia está abordagem através dos títulos atribuídos a Jesus Cristo que se 
encontram ao longo dos evangelhos. Analisando a origem e a razão pela qual 
esses títulos são atribuídos a Jesus Cristo nos evangelhos constrói-se uma 
cristologia. Cada título relaciona se a dimensões diferentes da vida e do ser de 
Jesus Cristo. Existem os títulos messiânicos como por exemplo: o Cristo ou o 
servo de Javé ou ainda o Filho do Homem. Outros títulos são mais funcionais. Eles 
indicam a missão salvífica de Jesus em relação à humanidade e ao cosmo. Por 
exemplo: profeta, salvador e Senhor. Podemos citar ainda uma terceira categoria 
de títulos cristológicos que se encontram nos evangelhos. São os chamados títulos 
ontológicos por indicarem o perfil pessoal de Jesus Cristo. Por exemplo: palavra de 
Deus filho de Deus caminho verdade e vida. 
●	Abordagem	crítico	dogmática:	estuda se Jesus Cristo a partir da formulação 
de fé construída principalmente nos primeiros séculos com validada pelos concílios 
ecumênicos antigos. Os dogmas cristológicos estão diretamente relacionados a 
contextos específicos de debates a respeito da pessoa de Jesus, porém, foram 
assumidos pela fé da igreja e continuam válidos até os nossos dias.
11UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã
Estudar a pessoa e o significado de Jesus Cristo apenas sob o olhar dogmático 
pode-se incorrer no risco de deixar muito fechada a leitura a respeito de Jesus 
Cristo. Embora não sendo do agrado do magistério Oficial da Igreja Católica 
Apostólica Romana oficial (maior representante do cristianismo no mundo), a 
abordagem crítico dogmática estuda a fé professada pelos cristãos através dos 
dogmas por eles assumidos, a partir de uma postura criticamente respeitosa ou 
respeitosamente crítica. 
●	Abordagem	histórico	salvífica:	esse modo de fazer cristologia destaca se por 
considerar primordial o evento Jesus Cristo. Abordagem parte da encarnação do filho 
de Deus considera toda a sua experiência de vida como evento salvífico e vai até a 
ressurreição. A cristologia construída a partir da perspectiva histórico salvífica está 
centrada no significado teológico do evento Jesus Cristo que veio para a salvação 
do gênero humano e de toda a criação restabelecendo a comunhão com Deus.
●	Abordagem	da	cristologia	da	libertação:	nesta abordagem importa colher da 
experiência de encarnação do filho de Deus na história em seus comportamentos 
e práticas a chave para uma interpretação prática de todas as realidades atuais 
necessitadas de libertação. Ela baseia-se na teologia da libertação que se levantou 
a partir do Concílio Vaticano II. A teologia da libertação ganhou muita expressão na 
América Latina devido a ser um continente que concentra muitas injustiças sociais 
resultando no desrespeito à dignidade da pessoa humana e à vida no universo. 
Esta produção cristológica pergunta-se sobre o sentido prático da fé cristã, ou seja: 
o que muda na justiça social de um país ou continente em que a sociedade é 
constituída por uma maioria de cristãos? Que respostas podemos encontrar nos 
ensinamentos e na praxe de Jesus para o escândalo da miséria e da fome?
●	Abordagem	Inter-religiosa:	é uma das abordagens mais novas da cristologia. 
Ela se insere na dinâmica do diálogo micro e macro ecumênicos. A cristologia do 
diálogo está sempre relacionada a algum tema específico da cristologia. Um bom 
exemplo de uma cristologia inter-religiosa é aquela que foi envolvida entre teólogos 
judeus e cristãos nos anos 1980, procurando resgatar a profunda inserção de Jesus 
na cultura e na prática religiosa do seu povo reconstruindo as evidências de que 
Jesus foi um autêntico judeu. 
Poderíamos continuar citando diferentes modelos de cristologia alargando o 
leque temporal para algumas abordagens mais antigas, já em desuso. Neste momento da 
nossa reflexão, gostaríamos de deixar clara a importância de uma abordagem integral da 
cristologia simplesmente definida pela buscade entender como é que os cristãos dão razão 
à sua própria fé do ponto de vista histórico, bíblico e dogmático.
12UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã
2. MÉTODOS, FONTES E NOTAS IDENTITÁRIAS DA CRISTOLOGIA
Os bons resultados de qualquer empreendimento dependem em grande parte de 
um bom planejamento que preveja desde o ponto de partida aos detalhes da execução. 
O êxito dos resultados depende ainda das estratégias e dos meios escolhidos para se 
alcançar um determinado fim. Os instrumentos ou materiais utilizados também precisam 
estar alinhados e adequados ao tipo de empreendimento falando mais especificamente do 
planejamento é imprescindível determinar o ponto de onde se quer partir, ou seja, o início 
da ação empreendedora.
É importante também incluir no planejamento um ponto de onde partir, os direcionamentos 
a serem tomados durante o processo e os procedimentos em vista da sua conclusão. 
Você deve estar se perguntando o que tudo isso tem a ver com o nosso curso 
de cristologia. Dizíamos na introdução ao módulo que faríamos uma construção de 
conhecimentos juntos e de fato é o que estamos realizando.
Cabe-nos agora conversar um pouco sobre os métodos da cristologia.
2.1 Os métodos descendente e ascendente da cristologia
Antes de explicarmos cada uma desses métodos é importante entender que o que 
aqui se chama de método diz respeito à determinação do ponto de partida da construção 
cristológica. As duas visões qual respondem a 2 perguntas: na elaboração da cristologia 
devemos proceder a partir de Deus ou a partir do homem? Deve-se fazer a cristologia 
apoiar-se sobre um dogma de fé ou deve-se construi-la sobre a base da história? É o que 
você irá entender agora.
13UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã
2.1.1 O método descendente da cristologia
A cristologia segundo o método descendente implica partir de pressupostos a 
respeito da natureza divina de Jesus Cristo, seus atributos de semelhança a Deus como 
ponto de partida. O estudo inicia tendo já em mãos os resultados das grandes discussões a 
respeito da identidade de Jesus, desde os seus contemporâneos até os primeiros conselhos 
ecumênicos da história da igreja. 
O método descendente da cristologia é também chamado cristologia de cima 
(LOEWE, 2000). A razão disso é que a cristologia descendente ou de cima parte das 
realidades pré-existentes do filho de Deus, por exemplo, inicia pelo estudo da sua condição 
eterna pré-existente de ser filho de Deus, em seguida, estuda a sua ressurreição e por 
último a sua experiência terrena, ou seja, a realidade da sua encarnação.
A desvantagem do método descendente de fazer cristologia está Inter como 
pressupostos cláusulas quem incluem a profissão de fé cristã. Este, a priori, dificulta a 
aprendizagem e a compreensão de pessoas que não professam a fé cristã. Um outro 
motivo pelo qual este método caiu de uso, é por divergir do modo como Deus revelou a si 
mesmo na história. Você entenderá melhor esta avaliação depois que apresentarmos os 
dois métodos, dando-lhe condições de uma comparação avaliativa.
2.1.2 O método ascendente da cristologia
Ao contrário do método descendente da cristologia, o método ascendente da cristologia 
parte da perspectiva histórica de Jesus, como pressupostos apenas dos registros do antigo 
testamento que por sua vez também são estudados conforme a progressividade da Revelação. 
A cristologia ascendente é também chamada cristologia de baixo (LOEWE, 2000) 
porque parte das realidades histórico existenciais vividas por Jesus Cristo, o Verbo de 
Deus encarnado e segue a sequência dos próprios acontecimentos registrados na sagrada 
escritura a saber a ressurreição, a experiência da igreja primitiva, as controvérsias e 
discussões a respeito da identidade de Jesus Cristo, até estudar por último a formulação 
do dogma cristológico a partir do estudo dos concílios ecumênicos antigos.
O consenso entre teólogos contemporâneos aponta para o método ascendente de 
fazer cristologia como o mais adequado há uma teologia lúcida e coerente com o processo 
da revelação. Quando Deus quis dizer disse ele adotou a progressividade da história sem 
nenhum pressuposto a não ser ele mesmo sinalizando o seu ser e a sua presença no 
mundo. Fez isso na história de Israel desde o antigo testamento até o cume da revelação 
com a vinda de Jesus. 
Estão representados:
14UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã
FIGURA 1 - MÉTODO ASCENDENTE E DESCENDENTE DA CRISTOLOGIA
 
Fonte: A autora (2021).
15UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã
3. A ANTIGA QUESTÃO DO JESUS HISTÓRICO
 
Entre os elementos que compõem a fé e o anúncio cristãos o que mais causa 
dificuldades, desde o primeiro século, é a dupla natureza de Jesus Cristo, humana e divina 
ao mesmo tempo. Para a cultura e a concepção religiosa judaica era impossível inadmissível 
pensar que Deus pudesse assumir a imperfeição de um corpo visível e tudo o mais que 
compõem a natureza humana: a corporeidade, a historicidade, a temporalidade e assim por 
diante. Deus estaria contradizendo a sua própria natureza, negando-a.
A dupla pertença de Jesus natureza humana e divina foi causa de muitos debates 
teológicos durante a formulação e a sistematização do dogma cristológico. A grande maioria 
das heresias que surgiram durante os seis ou sete primeiros séculos do cristianismo 
discutiam este assunto e apresentavam formulações ou respostas teológicas julgadas 
incorretas no corpo das verdades sobre a pessoa e o significado de Jesus Cristo. Embora 
desde o primeiro Concílio Ecumênico da história da igreja (Concílio de Niceia – 325 d.C.) 
afirme-se que Jesus, o Filho de Deus, possuía a mesma natureza divina que o Pai, até hoje 
muitos não creem que verdadeiramente Jesus Cristo é o Filho de Deus e que tem a mesma 
natureza divina que o Pai.
Neste momento do nosso curso de cristologia, queremos voltar a nossa atenção 
para o debate que surgiu no auge da época moderna e ficou conhecido como a questão do 
Jesus histórico. O movimento intelectual moderno atravessou os séculos XVIII, XIX e XX e 
encontra-se ativa até os nossos dias. 
16UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã
Embora tenha causado muitos desconfortos aos cristãos foi importante porque 
mobilizou aprofundamentos teológicos sobre a natureza de Jesus, melhorou o modo 
como estudar a sagrada escritura e enriqueceu a Cristologia enquanto tal. O debate ficou 
muito conhecido devido a densidade das argumentações entre os participantes e o quanto 
confrontavam a fé cristã e negavam o seu núcleo: a extraordinariedade da divindade de 
Jesus. A Questão do Jesus histórico nasceu do processo que se desencadeou no encontro 
entre autocompreensão da fé cristã e a cultura moderna no final do século XVIII. Uma 
espécie de confronto entre a fé e a razão.
A nossa razão possui uma lógica conceitual e é segundo ela que acontece o contato 
com todas as realidades que o ser humano conhece. Quando algo desconhecido nos é 
apresentado, naturalmente a nossa razão busca nos arquivos já existentes um grupo ao 
qual esta nova realidade desconhecida poderia se enquadrar. Vamos procurar entender 
melhor a partir do seguinte exemplo: imaginemos que seja apresentado um limão há uma 
pessoa que não o conhece. Em frações de segundo, a mente começa a buscar nos seus 
arquivos grupos aos quais aquela novidade poderia se encaixar. Quanto à forma definirá 
que é algo redondo em base a outros objetos redondos já conhecidos. Quanto à espécie 
associará ao grupo frutas. E agora, para definir de que fruta se trata, a mente inteligente 
recorrerá ao que mais lhe aproxima, talvez a uma laranja. Imaginemos agora que a razão 
seja colocada diante de um ser que se afirme pertencente a duas naturezas ao mesmo 
tempo. Na mais absurda das hipóteses imagine um ser com aparência de um papagaio 
afirmando ser ao mesmo tempo cobra. A tendência natural é de descrença. Simplesmente 
a razão não consegueenquadrar essa novidade em nenhuma das categorias que ela 
possui. Simplesmente acontece a negação da razão sobre a existência deste elemento não 
alcançável pela razão. Por este motivo, percebe-se a limitação da habilidade racional e à 
necessidade que ela tem de outras faculdades do ser humano.
Antes de avançarmos na nossa reflexão, é interessante considerar que a razão 
não é a única forma com que o ser humano entra em contato com as realidades que ele 
conhece. Nos últimos vinte anos, muitas pesquisas têm sido feitas a respeito de outras 
formas com que o ser humano pode conhecer e interagir com o meio em que vive. Estudos 
sobre a mente humana constatam que ela emite e capta sinais ao seu redor auxiliando 
o ser humano na percepção e no conhecimento das realidades existentes. É próprio da 
antropologia teológica estudar o ser humano a partir da visão da teologia, segundo a qual 
ele é imagem e semelhança de Deus, dotado de um corpo material e de uma alma espiritual 
capaz de se comunicar com seres também espirituais, como é Deus. 
17UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã
O âmbito da espiritualidade também tem se desenvolvido muito reconhecendo a 
natural sensibilidade que o ser humano possui para captar e interagir com as realidades 
transcendentes, capaz, portanto, de professar a fé. 
A pesquisa do Jesus histórico teve cunho histórico crítico. Foi construída por 
pensadores racionalistas, iluministas e empiristas. Ela ia contra todo tipo de concepção 
transcendente, especialmente a fé de que Jesus era mais que um homem comum. A crítica 
recaiu especialmente sobre a fé cristã por causa da grande influência do cristianismo sobre 
a sociedade. É bom que você perceba que não se tratou de um trabalho com o objetivo de 
análises teológicas pois tratou-se de um evento eminentemente científico e cultural.
Tudo começou entre 1774 e 1778 com a publicação de fragmentos da gigantesca 
obra de Hermann Samuel Reimarus (1694-1768) por um discípulo seu chamado Lessing 
(LOEWE, 2000, p. 24). A obra enciclopédica tinha cerca de quatro mil páginas e era intitulada 
Fragmentos de um anônimo de Wolfenbüttel. Era uma narrativa crítica da vida de Jesus Cristo 
construída a partir de uma leitura dos evangelhos de cunho histórico crítico. Ele fez questão de 
considerar apenas os dados históricos, cortando tudo o que está relacionado ao perfil divino 
extraordinário de Jesus que suscitava a fé dos discípulos: a concepção graciosa, as curas, os 
milagres, o perdão dos pecados, as profecias e a ressurreição (LOEWE, 2000, p. 25). 
Segundo a análise Reimarus, existe uma clara distinção entre a doutrina de Jesus e 
a doutrina dos apóstolos. Segundo ele, aquele Jesus que existiu realmente em Nazaré não 
é o mesmo daquele que os apóstolos anunciavam. Logo, para conhecer a Jesus é preciso 
distinguir metodologicamente a apresentação dos apóstolos daquilo que realmente foi a 
vida e os ensinamentos de Jesus. Para ele, Jesus não teria ensinado mistérios nem nada 
que fosse significativo para sustentar uma fé religiosa. O Reino de Deus ensinado por Jesus 
era diferente da concepção judaica. O que aparece nas palavras e gestos de Jesus é um 
modelo sociopolítico tão desafiador para as classes dominantes da época que resultaram 
na decisão de eliminá-lo. E Jesus foi crucificado e morto violentamente (LOEWE, 2000). 
Loewe (2000) segue explicando que para Reimarus o Reino de Deus anunciado 
por Jesus não era deste mundo e que a sua morte não foi um fracasso porque na verdade 
Jesus morreu para salvar a humanidade dos seus pecados e, portanto, ele não estava morto 
ressuscitou e eles o viram vivo. A ressurreição foi um modo dos discípulos não se envolverem 
com o fracasso do mestre. Para defenderem-se das consequências de um falimento público, 
os discípulos teriam roubado o cadáver de Jesus e anunciado que ele ressuscitou. 
18UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã
Assim, a partir da morte de Jesus abre-se um novo cenário de pregação que já não 
é correspondente aos ensinamentos de Jesus e sim a pregação dos apóstolos. Para ele, as 
histórias da ressurreição são tão contraditórias que nos permitiram acordar deste torpor. Em 
conclusão dos seus estudos, Jesus teria sido um histórico, revolucionário, religioso e nacionalista, 
um grande mestre ético. E o cristianismo não foi resultado das intenções dele, mas uma fraude 
da parte dos discípulos que mergulhou gerações inteiras no engano (LOEWE, 2000).
Como você há de convir, essa publicação causou muitas inquietações, especialmente 
para os cristãos. Os escritos de Reimarus foram suprimidos por causa do extremismo de 
suas posições e pelas reações que causou. O debate sobre a questão do Jesus histórico 
dividia-se entre duas posições. De uma parte, os racionalistas defendiam Reimarus. De 
outra parte, os sobrenaturalistas o combatiam defendendo a doutrina segundo a qual a 
bíblia vale em cada uma das suas palavras literais (LOEWE, 2000, p. 25). 
Houve muitas publicações de ambas as concepções. Não teríamos espaço suficiente 
neste curso para estudá-las. Alguns autores tentavam reconciliar a posição sobrenaturalista 
com a racionalista. Procuravam encontrar algo esclarecedor e convincente entre a visão da 
modernidade sobre o cristianismo e a vertente tradicional de uma leitura literal das sagradas 
escrituras sobre Jesus. Porém, não se chegou a resultados apaziguadores.
Para você conhecer um pouco mais apresentaremos uma das posições mais 
polêmicas (LOEWE, 2000). Adolf von Harnack (1851 - 1930) considerado o mais notável 
teólogo protestante e historiador da Igreja do fim do século XIX e do início do século XX, é 
exemplo dessas tentativas, embora tenha também desmerecido a narrativa cristã. Segundo 
Harnak, era necessário romper com o dogmatismo teológico e, através de uma análise do 
cristianismo primitivo e da história da doutrina cristã. Somente assim se poderia chegar ao 
evangelho do próprio Jesus e à essência do cristianismo. Ele proferiu muitas conferências 
sobre ao assunto. Em 1901, foi publicada a obra A Essência do Cristianismo. É uma síntese 
das dezesseis conferências proferidas por ele a seiscentos estudantes na Universidade de 
Berlim entre os anos 1899 e 1900. Vamos conhecer a posição dele de forma sintética:
● A essência do cristianismo é Jesus e sua mensagem extraída dos evangelhos 
mediante uma análise histórica, especialmente de Marcos, o mais próximo dos fatos;
● Jesus desviou a atenção de si em sua pregação, apontando para alguns temas 
bem específicos colocando-se como modelo desse conteúdo: Deus como Pai, a 
filiação divina e o amor universal que é eternizante. 
● Os ditos de Jesus sobre a vinda do Reino têm dupla vertente: um reino além 
desta vida e também relacionado a uma realidade presente na história.
19UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã
● A Igreja exige a profissão de fé em coisas tão complexas e está deixando de lado 
a vida simples e a mensagem concreta de Jesus.
● Discutir se Ele é o Filho de Deus, de igual natureza, verdadeiramente homem e 
Deus... não seria a casca do cristianismo?
● Jesus pertence à essência do cristianismo não porque era filho de Deus, mas 
porque “era a realização pessoal e a força de sua mensagem, e ainda é visto assim”, 
pelo poder de sua personalidade.
Como você já deve ter notado, o teólogo joga o cristianismo contra o Jesus histórico, 
sua experiência de vida e seus ensinamentos. Resulta para Harnak que, eliminando dos 
evangelhos o que ele chama de “a casca do cristianismo”, o sobrenatural, obtém-se uma 
narrativa confiável sobre Jesus Cristo e os seus ensinamentos. Harnak foi contestado 
e também apoiado de modo a não chegar a uma solução para o problema em aberto. 
Afinal, há ou não diferenças entre a experiência de Jesus na história e o que os apóstolos 
e discípulos anunciaram a seu respeito? Se existem diferenças, até que ponto ela torna 
inválida a fé da Igreja? (LOEWE, 2000).
Fazendoum balanço desta primeira fase da pesquisa do Jesus histórico ficou claro 
que o programa faliu pelo preconceito dogmático que visava substituir a imagem ortodoxa 
do Cristo pela de um Jesus conforme aos pressupostos históricos, cientificistas e até 
mesmo nacionalistas da teologia liberal alemã. Restou o incômodo para os cristãos de não 
encontrar resposta satisfatória em nenhuma das tentativas de conciliação.
Em 1906 entram no cenário três personagens que dão início a reavaliações sobre 
o percurso feito nos debates sobre a questão do Jesus Histórico iniciada no final do século 
XVIII. Os teólogos Albert Schweitzer (1875 - 1965), Rudolf Karl Bultmann (1884 - 1976) 
e Karl Barth (1886 - 1968) reavaliam os resultados obtidos na primeira fase das buscas, 
retomam a discussão e abrem um período considerado o tempo intermediário entre a antiga 
e a nova questão do Jesus Histórico, como veremos no próximo tópico.
20UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã
4. A NOVA QUESTÃO DO JESUS HISTÓRICO
4.1 Introdução
Os resultados da antiga questão do Jesus Histórico, considerando as várias 
posições dos pensadores que se pronunciaram, deixou no ar uma tremenda insatisfação. 
Tudo começou com a pergunta sobre possível diferença entre a pessoa e a pregação de 
Jesus em si e o que os apóstolos e discípulos anunciaram a seu respeito. Certamente 
existiram diferenças, como é comum em todas as narrativas a respeito de fatos históricos e 
dos seus significados. Quando alguém ou um grupo conta uma vivência acentua os traços 
da experiência feita pela própria pessoa ou por aquele grupo específico. E se cada pessoa 
envolvida no acontecimento for ouvida em suas narrativas, os enfoques serão específicos e 
diferenciados. Porém, há de se manter o teor regente do acontecimento, a sua veracidade.
4.2 A fase intermediária dos debates
Para Albert Schweitzer a pesquisa antiga fracassou por não ter conseguido trazer 
o Jesus da história à tona sem destruir o mestre de salvação, não atendeu à exigência de 
sentido. Para ele, o que pode ajudar e é importante para o nosso tempo não é a busca por 
Jesus conforme historicamente conhecido, mas Jesus espiritualmente ressuscitado dentro 
dos homens (LOEWE, 2000).
Rudolf Karl Bultmann e Karl Barth falam a partir do movimento teológico “Teologia 
da Palavra” segundo o qual o texto da Bíblia desapareceu na poeira do tempo, mas torna-se 
palavra salvífica de Deus, pelo poder do Espírito Santo, quando é proclamada no púlpito, 
porque põe os ouvintes em crise frente a sua condição de vida atual e seu destino eterno 
(LOEWE, 2000). A Palavra proclamada exige uma resposta imediata do ouvinte em crise. 
21UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã
Sem tempo nem interesse por uma análise histórica, ele dá uma resposta de 
adesão na fé.
Barth afirma que o que há de mais precioso na Palavra escapa à crítica histórica, 
por isso ela é irrelevante. E Para Bultmann (LOEWE, 2000) a busca do Jesus histórico é, 
de fato, impossível e, em princípio ilegítima, por dois motivos. Primeiro porque, segundo 
ele, os textos estão de tal modo impregnados pela fé da Igreja primitiva que é impossível 
retroceder por eles até o Jesus histórico. Para ele, não se deve nem tentar buscá-lo. Como 
bom luterano que era, ele cita Lutero: “os seres humanos são justificados pela graça de 
Deus recebida na fé e não pelos seus próprios esforços...”
Nestes termos, Schweitzer, Barth e Bultmann defendem a fé cristã contra os 
resultados da pesquisa crítica histórica de até 1953 (LOEWE, 2000).
A autoconcepção da fé entrou em crise no encontro com a consciência científica 
empírica e histórica da modernidade. É inegável! Porém, será que para um estudo dos 
evangelhos e do evento cristão o método utilizado pela ciência empírica e histórica da 
modernidade foi adequado? É a questão impulsionadora da segunda fase da pesquisa do 
Jesus histórico que ficou conhecida como a nova fase ou simplesmente a nova pesquisa do 
Jesus histórico (LOEWE, 2000).
4.3 A nova questão do Jesus histórico
Em 1953, Ernest Kasemann, ex-aluno de Bultmann, apresentou um trabalho “a 
questão do Jesus histórico” em um círculo de estudos em Marburg. Kasemann defende 
que há continuidade entre o que se pode saber a cerca de Jesus, pelo método de estudo 
crítico histórico e a figura de Jesus como Cristo, apresentado pelo Novo Testamento e pela 
tradição cristã. Ele afirma que esta pesquisa era legítima, necessária e possível e deve 
continuar. Assim explica Kasemann (KONINGS, 1997):
●	Legítima:	a pesquisa que foi considerada falida, a do Jesus histórico é legítima 
porque os evangelistas escrevem falando sobre Jesus, portanto não é tentativa de 
salvação por obra humana, é legítimo do ponto da fé cristã, buscar acesso a Jesus 
como podemos hoje;
●	Necessária:	a dicotomia entre o Jesus histórico e o Cristo bíblico, mito e história, 
gera uma posição insustentável nos cristãos com relação aos evangelhos. O 
impasse sem respostas justifica retomar a questão do Jesus histórico;
●	Possível:	para Kasemann, o problema da impossibilidade e do falimento foi devido 
ao emprego de método adequados ao estudo na sagrada escritura. Portanto, se for 
adotada uma metodologia que atenda às exigências do estilo de literatura bíblica, a 
pesquisa é possível e deve ser retomada.
22UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã
Kasemann estava fazendo alusão ao método histórico crítico de leitura da Bíblia 
desenvolvido por August Ludwig Schlözer à época do Iluminismo tardio. Ele foi reelaborado 
por muitos biblistas, inclusive com a colaboração de Bultmann, de onde surgiu o método 
de estudo bíblico denominado “crítica das fontes”. Esta percepção foi de suma importância 
para que houvesse um significativo eu vou avanço na cristologia a partir do estudo das 
Fontes bíblicas (KONINGS, 1997). 
O método nasceu da consideração do material primário do qual cada evangelho 
é construído. A partir da diferença das Fontes, foi possível perceber a semelhanças que 
fazem com que os evangelhos de Mateus Marcos e Lucas sejam semelhantes entre si e 
diferentes do evangelho segundo João (FABRIS, 1988). 
A leitura crítico histórica da vida de Jesus a partir da narrativa dos evangelhos, 
além de considerar as fontes, considera também os contextos redacionais, as questões 
linguísticas e tantos outros detalhes que ajudam a compreender melhor os registros do 
Novo Testamento a respeito da vida de Jesus. O método da crítica das fontes, inclui a crítica 
das formas e também a crítica redacional. 
Com este trio metodológico, pode-se considerar a tradição oral que está atrás de 
cada um dos escritos, a pré-história de cada um dos documentos situados entre a morte 
de Jesus e as primeiras redações dos evangelhos. Assim é possível identificar o gênero 
literário e distinguir o material da fonte dos materiais aportados pelo autor para dar liga ao 
texto. A partir da crítica redacional são estudados e levados em consideração os contextos, 
ou seja, o ambiente vital de onde surgiu o texto. São muitos e diversos entre si os contextos 
culturais envolvidos e eles são importantes para que se possa colher os padrões redacionais 
adotados pelos evangelhos e as opções de disposição dos redatores distintamente. 
A nova pesquisa do Jesus histórico abriu horizontes para um conhecimento muito 
mais amplo e profundo a respeito da experiência terrena de Jesus resolvendo muitas 
das questões a presentadas na antiga pesquisa do Jesus histórico, de modo particular 
as suspeitas quanto ao caráter divino de Jesus e à fé desenvolvida desde a primeira 
comunidade cristã (FABRIS, 1988).
O objetivo do registro escrito da vida e dos ensinamentos de Jesus não é 
simplesmente um diário de ações útil para a formulação de uma biografia, como pensada 
pela ciência moderna da história. Os evangelhos foram escritos para narrar a experiência 
feita pela comunidade que recebeu a figura histórica e teológica de Jesus. O legado dos 
evangelhosconsiste no sentido conferido pela comunidade primitiva ao evento Jesus Cristo, 
desde o seu nascimento até o complexo contexto da sua morte e ressurreição. 
23UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã
Por este motivo, qualquer pesquisa feita a partir dos escritos dos evangelhos que tenha 
o objetivo de compilar uma biografia construída por uma sequência lógica de fatos existenciais 
sobre Jesus, é fadada a falir. O motivo pelo qual cada registro foi feito, não é oferecer aos 
leitores uma lógica cronológica dos fatos. Cada evangelho possui um perfil delimitado pelos 
mais diversos fatores e, por isso, ora omite informações que atenderiam à nossa curiosidade 
histórica, ora desce a mínimos detalhes de uma determinada cena. O importante é que consiga 
transmitir a experiência de fé feita pelos apóstolos e discípulos de Jesus.
24UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã
SAIBA MAIS
Você já deve ter observado como é imensa a quantidade de artigos e livros publicados a 
respeito de Jesus Cristo. Deve também ter notado que o material produzido diverge um 
do outro quanto as suas opiniões e pontos de vista a respeito de quem tenha sido Jesus 
Cristo e o significado da sua existência na história. Então, eu quero fazer uma pergunta 
provocante: é lícito falar sobre Jesus a partir dos contextos de quem o estuda? Pode-
se fazer uma leitura cristológica de cunho cultural atualizado nas diversas culturas?!!! 
Sim, é possível! Mais ainda: há que se considerar as novas cristologias de ontem e de 
hoje, como o faz o teólogo jesuíta, Manuel Hurtato, em um artigo muito interessante, 
NOVAS CRISTOLOGIAS: ONTEM E HOJE ALGUMAS TAREFAS DA CRISTOLOGIA 
CONTEMPORÂNEA, publicado na revista Perspectiva Teológica, disponível online. 
Fonte: HURTATO, M. Novas cristologias: ontem e hoje algumas tarefas da cristologia 
contemporânea. Revista Perspectiva Teológica, ano XL, número 112, set/dez. 2008. DOI: https://doi.
org/10.20911/21768757v40n112p315/2008
https://doi.org/10.20911/21768757v40n112p315/2008
https://doi.org/10.20911/21768757v40n112p315/2008
25UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã
REFLITA
Você já parou para pensar como o mundo seria diferente se o os cristãos vivessem 
radicalmente a sua fé? Será que o número de cristãos no Brasil é insuficiente para 
combater os sinais de injustiça social e a má divisão dos bens da natureza? O que será 
que está faltando? Leia e compare essas duas matérias:
1- “O Anuário Pontifício 2017 e o Anuarium Statisticum Ecclesiae 2015, do Departamento 
Central de Estatística da Igreja do Vaticano, indica que o Brasil ocupa o primeiro lugar no 
conjunto de dez países do mundo com maior consistência de católicos batizados, com 172,2 
milhões de católicos. Ficando à frente de países como o México, com 110,9 milhões, Filipinas 
com 83,6 milhões, Estados Unidos da América (72,3), entre outros. O número de católicos 
brasileiros representa 26,4% de católicos no continente americano. Na pesquisa do Instituto 
Pew Research Center, o Brasil figura na lista dos maiores países cristãos do planeta, com 
aproximadamente 175 milhões de seguidores de Jesus, atrás apenas dos Estados Unidos, 
246 milhões, e à frente do México, terceiro colocado, com 107 milhões”. 
Fonte: CNBB- Igreja católica Apostólica Romana. Cristãos no mundo. Disponível em: https://www.cnbb.
org.br/cristaos-no-mundo-7-bilhoes-de-pessoa-dizem-professar-a-fe-crista-segundo-instituto-de-pesqui-
sa-pew-research/. Acesso em: 25 out. 2021.
https://www.cnbb.org.br/cristaos-no-mundo-7-bilhoes-de-pessoa-dizem-professar-a-fe-crista-segundo-instituto-de-pesquisa-pew-research/
https://www.cnbb.org.br/cristaos-no-mundo-7-bilhoes-de-pessoa-dizem-professar-a-fe-crista-segundo-instituto-de-pesquisa-pew-research/
https://www.cnbb.org.br/cristaos-no-mundo-7-bilhoes-de-pessoa-dizem-professar-a-fe-crista-segundo-instituto-de-pesquisa-pew-research/
26UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã
2 - “Superando a atual taxa de mortalidade pela covid-19, cerca de 11 pessoas poderão 
morrer de fome por minuto no mundo até o final de 2021. A falta de alimentação mínima 
é agravada por cenários de conflitos armados, pelos efeitos da crise climática e pela 
própria pandemia. A conclusão é de relatório da ONG (organização não governamental) 
Oxfam divulgado nesta 6ª feira (9.jul.2021)” (11 pessoas podem morrer de fome por 
minuto no mundo até fim do ano, diz ONG. 
Fonte: RODRIGUES, F. Jornal digital O poder360. Disponível: https://www.poder360.com.br/internacional/
11-pessoas-podem-morrer-de-fome-por-minuto-no-mundo-ate-fim-do-ano-diz-ong/. Acesso em: 25 out. 2021.
https://www.poder360.com.br/internacional/11-pessoas-podem-morrer-de-fome-por-minuto-no-mundo-ate-fim-do-ano-diz-ong/
https://www.poder360.com.br/internacional/11-pessoas-podem-morrer-de-fome-por-minuto-no-mundo-ate-fim-do-ano-diz-ong/
27UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Chegamos ao final da primeira unidade do curso de cristologia. Nela, você entendeu 
que o nosso curso está situado no âmbito do cristianismo a partir da própria visão cristã. 
Você pode perceber também a grande variedade de abordagens quando se trata de estudar 
a pessoa de Jesus Cristo.
Durante o percurso, foi oportuno que você tivesse compreendido em que sentido a 
palavra mistério é atribuída a Deus e também a Jesus Cristo. Uma vez que você teve essa 
compreensão, tornou-se mais fácil acrescentar os dados da historicidade da pessoa de Jesus.
Os evangelhos são uma fonte primária da cristologia, porém, para extrair dos 
evangelhos dados a respeito da pessoa de Jesus é necessário adotar uma metodologia 
específica a fim de não forçar o texto dos evangelhos a responderem aí tens que eles 
não possuem. Por esta razão, estudamos a metodologia descendente e ascendente da 
Cristologia, isso suscitou que também estudássemos a questão do Jesus histórico. O 
objetivo da sequência temática escolhida é de que você perceba que é impossível reconstruir 
a história de Jesus a partir de métodos da historiografia moderna. Fica esclarecido que 
a dimensão mistérica de Jesus Cristo faz dele um objeto de estudo que requer que se 
considere a intelecção como também a fé cristã. De outro modo, estaremos estudando o 
fenômeno histórico Jesus e não estaremos colhendo o seu significado teológico que é o 
que sustenta a Cristologia.
Os resultados que se pretendem num curso de cristologia é colher a compreensão 
cristã a respeito da pessoa e do significado de Jesus Cristo e isso ultrapassa infinitamente 
uma mera construção biográfica.
Na próxima unidade, estudaremos Jesus como o Messias prometido por Deus.
28UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã
LEITURA COMPLEMENTAR
O Dicionário Crítico de teologia dirigido Por Yves Lacoste, reúne os mais renomados 
teólogos do ocidente escrevendo sobre temas clássicos da teologia. Os verbetes são 
construídos em estilo abrangente, próprio para o aprofundamento de temas específicos. 
No verbete Mistério, você vai encontrar abordagem bíblica, litúrgico sacramental e o 
desenvolvimento do sentido do uso do termo na teologia do oriente e do ocidente. 
Fonte: ALETTI, J. Mistério. In: LACOSTE, J. Y. (Org.) Dicionário Crítico de Teologia. 
São Paulo: Paulinas/Loyola, 2004, p. 1157 - 1161. 
O tema central deste artigo é o dilema que o método histórico-crítico de interpretação 
da Bíblia vive hoje, causado pelo amadurecimento dos princípios que adotou por ocasião de 
seu nascimento, há cerca de 250 anos, como filho legítimo do Iluminismo e do racionalismo. 
O artigo poderá enriquecer os seus conhecimentos por retomar aspectos do nascimento do 
método, sua contribuição e seus limites, de modo esclarecedor e crítico. 
Fonte: LOPES, A. N. O dilema do método histórico-crítico na interpretação bíblica. 
Revista Fides Reformata X, n. 1 (2005): 115-138. Disponível em: https://cpaj.mackenzie.
br/wp-content/uploads/2018/11/6-O-dilema-do-m%C3%A9todo-hist%C3%B3rico-
cr%C3%ADtico-na-interpreta%C3%A7%C3%A3o-b%C3%ADblica-Augustus-Nicodemus-Lopes.pdf. Acesso em: 21 out. 2021.
29UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã
MATERIAL COMPLEMENTAR 
 
LIVRO 1
Título: Introdução à Cristologia
Autor: Jacques Depuis.
Editora: Loyola.
Sinopse: Esta obra procura aprofundar tanto o mistério da pessoa 
como o próprio sentido do acontecimento Jesus Cristo na história 
da humanidade e do mundo. Pretende assinalar uma volta à histó-
ria humana de Jesus, muitas vezes esquecida pelo peso excessivo 
da especulação criptológica.
 
LIVRO 2
Título: Jesus Cristo Libertador
Autor: Leonardo Boff.
Editora: Loyola.
Sinopse: Este livro quer ser um ensaio cristológico pensado e 
escrito dentro do horizonte da experiência da fé como é encarada 
na América Latina. A figura do Cristo aqui apresentada nasceu de 
estudos acurados de exegese; história dos dogmas e de antropolo-
gia. Especialmente a humanidade de Cristo é posta numa luz nova. 
Foi essa humanidade; e não apesar dela; que Deus se manifestou. 
Por isso Deus não pode ser encontrado fora do homem-Jesus. 
Nele Deus revelou a sua face humana; e o homem sua face divina. 
É em Jesus que descobrimos quem é Deus e quem é o homem.
30UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã
FILME/VÍDEO 
Título: Jesus de Nazaré
Ano: 1977.
Sinopse: Aclamado por críticos e espectadores, Jesus de Nazaré 
continua sendo uma das melhores representações da história 
de Cristo. ... O comovente retrato da vida e a morte de Jesus de 
Nazaré, é aqui apresentado desde o seu nascimento, passando 
pelas suas peregrinações ainda enquanto criança e o seu batismo 
por João Batista.
Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=I3Iz7eLq1Ws
WEB
1- O documentário “Quem foi realmente Jesus” poderá contribuir 
com a evolução das suas reflexões a respeito dos seus conheci-
mentos sobre Jesus Cristo. 
Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=MPkJyoT_F1Q 
2- Vídeo: Jesus histórico. Site: Jesus histórico
Neste vídeo você vai ouvir uma exposição ampla sobre a questão 
do Jesus histórico, que nós estudamos, produzida pela faculdade 
São Basílio Magno, FASBAM, proferida pelo filósofo e teólogo 
Rogério Miranda de Almeida. A abordagem é clara e rica em infor-
mações multidisciplinares.
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Plano de Estudo:
● As expectativas messiânicas de Israel;
● A tradição profética do Filho do homem;
● O Filho do homem segundo o Novo Testamento;
● O Reino de Deus anunciado por Jesus.
Objetivos da Aprendizagem:
● Conceituar e contextualizar o messianismo de Jesus;
● Compreender os tipos de expectativas messiânicas de Israel;
● Estabelecer a importância da figura do Filho do Homem na tradição profética;
● Identificar os pontos de identificação e de ruptura entre o Reino que Jesus 
anunciou e as expectativas de reinado de Deus contemporâneas a Ele.
UNIDADE II
O Messias Prometido 
e Esperado
Professora Doutora Raquel C. Cabral
32UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã 32UNIDADE II O Messias Prometido e Esperado
INTRODUÇÃO
Prezados e prezadas estudantes do curso de cristologia, que bom que você concluiu 
a primeira unidade do nosso curso e agora está disposto a fazer a segunda.
O objetivo dessa unidade do curso de cristologia é conhecer a forma toda própria 
como Jesus instaura o reinado de Deus no mundo. Para conhecermos melhor o reinado de 
Deus a partir de Jesus Cristo, nada melhor que darmos atenção ao que ele mesmo dizia a 
seu respeito, como se apresentava e que nomes dava a si. Agora você, vai perceber melhor 
que Jesus, como bom judeu, conservou um fio de continuidade com a tradição judaica e, 
ao mesmo tempo trouxe novidades. Na verdade, Jesus estabeleceu com o judaísmo uma 
relação de ruptura na continuidade. É aqui que se encontra o núcleo da fé cristã em Jesus 
Cristo, razão de ser da cristologia.
Para observar melhor o que acabei de afirmar, é de suma importância visitarmos 
juntos alguns pontos específicos da tradição religiosa judaica, cujos registros encontram-se 
na primeira parte da Bíblia, no Antigo Testamento. De modo mais geral, nesta unidade nos 
ocuparemos em encontrar as razões pelas quais Jesus foi o Messias esperado e prometido. 
No primeiro tópico compreenderemos as esperanças messiânicas de Israel, veremos a 
variedade das problemáticas e das ânsias que determinavam, para cada grupo, o desejo de uma 
intervenção de Deus enviando alguém que respondesse as suas problemáticas específicas.
No segundo tópico, muito relacionado ao primeiro, estudaremos no que consistia o 
reinado de Deus segundo a concepção judaica, principalmente a partir da monarquia como 
regime governamental de Israel. 
No terceiro tópico do nosso curso, aprenderemos o significado do termo tão caro 
a Jesus quando falava de si mesmo: Filho do Homem. Daremos um mergulho na tradição 
profética para conhecermos a figura apocalíptica na qual Jesus se inspirou para falar de si.
E já no quarto tópico analisaremos o perfil de Jesus comparado a figura do filho do 
homem como aparece na tradição profética, ressaltando os traços identitário da pessoa de 
Jesus Cristo, enquanto filho de Deus encarnado na história.
Desejo-lhe um aprendizado empolgante e rico em significados para a sua vida 
pessoal e sua atuação como teólogo ou teóloga.
33UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã 33UNIDADE II O Messias Prometido e Esperado
1. AS EXPECTATIVAS MESSIÂNICAS DE ISRAEL
Introdução
O título desta unidade evoca uma realidade própria da pessoa de Jesus que tornou-se 
uma propriedade de domínio popular, dispensando necessidade de maiores esclarecimentos. 
O curso que você está fazendo proponho um salto de qualidade nos conhecimentos a 
respeito do significado da pessoa de Jesus Cristo para fé cristã. Como o domínio popular 
não é suficiente para descrever o perfil teológico de Jesus Cristo, procuraremos entender 
em que sentido Jesus foi o cumprimento da promessa da vinda de um Messias. 
A título de revisão, é importante recordarmos que estamos construindo uma 
cristologia que visa abordar integralmente as dimensões fazendo com que resulte em um 
estudo de fato teológico. Para tal, é necessário contemplar a dimensão teológica da cristologia 
(considerar que Jesus é o filho de Deus que se encarnou); soteriológica (ter presente que 
Jesus é o Salvador); pneumatológica (não perder de vista que Jesus é o portador por 
excelência do Espírito Santo de Deus) e, por último, a dimensão histórico-antropológica (o 
fato de que o filho de Deus, Jesus Cristo assumiu a realidade histórica é a natureza humana 
tal como ela é). Além dessas dimensões que compõem uma cristologia integral haveremos 
também de incluir alguns princípios. O primeiro deles é atenção dialética. Com essa palavra 
aparentemente difícil estamos nos referindo a dupla natureza de Jesus Cristo que gera uma 
certa atenção, ou seja, Jesus pertence ao mesmo tempo à natureza humana e à natureza 
divina. Segundo princípio é o de totalidade quer dizer, precisamos considerar tudo o que diz 
respeito a sua existência inclusive aos fatos que o precederam.
34UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã 34UNIDADE II O Messias Prometido e Esperado
 Outro elemento importante é o da continuidade histórica. Jesus irrompe na história 
um tempo novo que só foi possível ser reconhecido retomando o contexto histórico ao qual 
ele deu continuidade. Os seus apóstolos e todas as gerações de discípulos precisaram 
fazer leituras retrospectivas da Sagrada Escritura e da história de Israel, de modo especial 
sobre o messianismo.
Tendo em vista todas as considerações que fizemos até aqui, devemos nos pergun-
tar: o que é mesmo Messias? Você já parou para pensar? De onde nasceu este termo? Se 
Jesus Messias fora prometido e esperado, quem o prometeu e o que estava no imaginário 
e no desejo dos que esperavam pela sua chegada? Eram várias as expectativas ou uma 
única? As respostas a esses questionamentos são fundamentais para o nosso “início” de 
conversa. É o que iremos construir juntos.
1.1 O Antigo Testamento como chave de compreensão de Jesus, o MessiasJesus de Nazaré era judeu. Ele cresceu e foi educado nas tradições do povo judeu 
e não pode ser entendido sem elas. O Antigo Testamento é um pano de fundo irrenunciável 
para se compreender a cristologia. De modo particular, o conhecimento das expectativas 
salvíficas de Israel, oferecem valiosas indicações para que entendamos a missão Dele.
Jesus compartilhava a fé judaica no Deus Uno. Seus discípulos e os primeiros 
cristãos também eram judeus ou tinham muita aproximação às tradições e fé judaica. Eles 
interpretavam a história de Jesus conforme as escrituras, isto é, baseados na tradição da 
fé e dá Esperança de Israel. Mesmo que precisassem interpretá-la de maneira nova, a 
referência para a compreensão da missão e do ser de Jesus, O Mestre, era a Escritura. A 
profissão de fé e o anúncio de que Jesus seria o Cristo o Messias ou ungido, bem como 
tantas outras imagens e concepções fundamentais que eles utilizavam para compreender 
a figura e a história de Jesus, provém do Antigo Testamento.
Seria errôneo e redutivo afirmar que o Antigo Testamento é a pré-história que 
preparou a vinda de Jesus. Porém, é inegável que o antigo testamento preparou a vinda de 
Jesus e tornou-se um pressuposto interno para a interpretação e o conhecimento da sua 
vida e da sua missão. Muito frequentemente encontram-se nos textos do Novo Testamento 
citações da antiga aliança, da experiência do povo de Deus registrada no Antigo Testamento, 
sinalizando a veracidade do que acabamos de afirmar. Essa dinâmica encontra-se também 
no modo como Jesus se faz reconhecer dentro da história e das expectativas libertadoras do 
seu povo a fim de que se sentissem contemplados na espera da promessa de um Messias.
35UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã 35UNIDADE II O Messias Prometido e Esperado
Através da leitura retrospectiva das promessas fundamentais e abrangentes do 
Antigo Testamento de que o próprio já vê viria até o seu povo, os autores do Novo Testamento 
perceberam que aquelas promessas da vinda de Deus como o Justo Juiz por graça e favor 
de Deus estavam sendo realizadas, estavam concretamente presentes em Jesus.
1.2 As esperanças de salvação do Antigo Testamento: expectativas 
messiânicas de Israel
A pergunta que nos ocorre para entrar na dinâmica das expectativas messiânicas 
de Israel é a seguinte: se Israel espera a vinda de Deus em juízo e em graça salvadora, 
como é que o Novo Testamento pode dizer que a vinda de Jesus Cristo, tal como foi, seria 
o cumprimento dessa esperança? O povo tinha ânsia de salvação. Mas, o que será que o 
povo judeu entendia por salvação?
Fazia parte da concepção comum do judaísmo a respeito de Redenção como 
um processo que se realiza no palco da história no meio da comunidade. A salvação ou 
redenção acontece no mundo visível e concreto. Este é o traço característico mais marcante 
e está à base de concepções específicas. De acordo com as variantes da compreensão 
de salvação, variam também a espera por alguém que a concretize. Em poucas palavras: 
as expectativas messiânicas estão intimamente relacionadas à concepção de redenção e 
suas nuances, como veremos a seguir (SCHNEIDER, 2002).
1.2.1 Redenção como vida abençoada
Esta expectativa de Redenção como vida abençoada é muito comum à mentalidade 
de Israel que interpreta o êxito da criação como sinal de salvação. Do mesmo modo os 
sinais catastróficos da natureza, os eventos naturais de destruição, são interpretados como 
castigo de Deus ou retirada da sua benção.
A salvação consiste na plenitude dos bens vitais terrenos, como se fosse o prêmio 
do bom êxito da criação. A abundância em todos os sentidos é recebida como dádiva 
salvífica de Deus: saúde, terra descendência, paz, liberdade, meios de subsistência, etc.
Deus é experienciado como Deus vivo a fonte da vida (Sl 36, 10) e consequentemente, 
fonte da salvação. Ele concede a vida ao ser humano para que ele o siga e o testemunhe.
Diante do caos histórico, da desordem sociopolítica e da privação dos bens 
resultante das injustiças, Israel espera que a intervenção de Deus aconteça por meio da 
renovação das bênçãos (Dt 30, 19s; Ez 18, 4-9) que devolveria para o povo a vida e os bens 
da criação em plenitude (A BÍBLIA, 1984).
36UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã 36UNIDADE II O Messias Prometido e Esperado
1.2.2 Redenção como libertação histórica
A Redenção, que é tão esperada, acontece na história concreta e é observada nos 
acontecimentos da vida. De acordo com esta compreensão, a Redenção corresponde a 
libertação verificável no aspecto corporal, social e econômico. Como você pode observar 
essa concepção de Redenção não considera a interioridade.
Uma vez que a história é o palco da Redenção porque é nela que a libertação 
histórica se dá, está incluído nesta forma de compreensão a esperança de mediadores 
humanos como Moisés, Débora, Miriam (Jz 5, 2-31; 3, 9s; 4, 3-10; I Sm 11).
A experiência da libertação da servidão do Egito, no século XIII a.C. é o exemplo 
emblemático da ação redentora de Javé na história e deixou marcas indeléveis na memória 
coletiva. A salvação, para quem trazia no coração esta experiência, era esperada como 
uma intervenção histórica da parte de Deus, com efeitos definitivos de libertação de todo o 
tipo de escravidão, particularmente sócio social política religiosa e econômica. 
O formato da ação de Deus, libertando o seu povo da escravidão do Egito, teve 
caráter normativo, ou seja, orientações bem precisas do agir. O decálogo em Ex 20,2 e Dt 
5,6 instruiu a liberdade do povo na direção da escolha de uma vida em comum, com direitos 
e deveres iguais de pessoas libertas que realmente se tornaram livres. Por esta razão, 
qualquer forma de opressão torna-se abominável. “lembra-te que foste escravo no Egito e 
que já vê, teu Deus, que libertou de lá” (Dt 24, 17s; 15, 12-15). 
Para Israel, que foi escravo, estrangeiro, pobre e fraco no Egito, a opressão passa 
a ser sua maior incoerência e ingratidão para com Deus. Sendo assim, às condições 
históricas favoráveis a vida confortável são um sinal de livramento e salvação histórica 
também por serem acontecimentos da história real, palpáveis e materiais. Israel leva muito 
a sério a criação da terra Deus a criou e é nela que opera a salvação.
1.2.3 Salvação relacionada ao templo e à dinastia de Davi
Agora vamos conhecer um pouco mais a respeito da expectativa salvífica que se 
criou em torno do templo de Sião e da casa real davídica. 
A origem histórica da esperança messiânica em Israel é política e se encontra na 
instituição e posterior decadência da monarquia hierárquica em Israel que você poderá 
identificar na linha do tempo da história de Israel: 
37UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã 37UNIDADE II O Messias Prometido e Esperado
FIGURA 1 – LINHA DO TEMPO DA HISTÓRIA ANTIGA DE ISRAEL
 
Fonte: A autora (2021).
Depois que Israel conquistou A Terra Prometida, foi organizada em 12 tribos conduzidas 
por profetas carismáticos e organizada por juízes instituídos. O país vivia em sistema de 
teocracia direta, ou seja, o próprio Deus era o rei e a arca da aliança era o seu trono. 
Aconteceu que o povo desejou ter a mesma organização das nações vizinhas 
e ser governado por um líder político, um rei que não fosse o próprio Deus. Então, na 
assembleia de Ramá, o povo pediu ao profeta Samuel, último dos juízes que constitui se 
sobre ele um rei que exercesse à justiça e o direito, que o representasse politicamente 
como as outras nas ações (I Sm 8,5s).
Deus ouviu o pedido do povo, saiu do reinado e constituiu um rei temporal conforme 
o desejo do seu povo. Saul foi o primeiro rei. Ele foi rejeitado por ter desobedecido a Deus, 
ter oferecido sacrifício a deusas fenícias e ter recorrido a feiticeiras. (I Sm 13, 12-13; I Sm 
28, 18; I Cr 10,13).
Davi foi o segundo rei. Ele marcou muito a história de Israel. Ficou reconhecido 
como o ungido de Israel. Embora tendo cometido pecadosmuito graves, Davi realizou 
alguns prodígios administrativos como por exemplo: abriu rota de comércio nas fronteiras, 
constituiu um exército formal em defesa do país, construiu sua casa ou seu palácio no alto 
do monte Sião e levou para lá a arca que continha as tábuas da aliança. Intensificou-se 
a consciência de que o rei que governa Israel a partir de Sião, o faz por incumbência de 
Deus a quem ele representa: “senta-te ao lado meu” (Sl 110, 1). Coube a Davi anunciar a 
construção do templo em Sião em função de um futuro messiânico da estirpe de Davi abre 
aspas farei permanecer a tua linhagem depois de ti” (IISm 2, 12-14). 
38UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã 38UNIDADE II O Messias Prometido e Esperado
O reinado de Davi adquiriu traços messiânicos pelos seus feitos em favor do povo, 
tornando credível a unção de Deus sobre ele.
O arquétipo ou referência dos juízes e reis terrenos é o próprio Deus. Reinar em 
Seu nome significa promover a defesa e o direito dos pobres, a comiseração dos sem vida, 
o fortalecimento dos fracos e a libertação dos oprimidos. Esta figura contrasta com a tirania 
e a exploração dos pequenos por parte de reis terrenos que Samuel expõem para advertir 
ao povo (I Sm 8).
O terceiro rei, Salomão, deixou o país em crise depois dos 40 anos do seu reinado. 
Entregou se a idolatria se envolveu com idolatria, prestou culto às deusas fenícias da agricultura 
e da fertilidade, casou-se com uma filha pagã do Faraó, gastou muito com mulheres e deixou 
o tesouro público com sérios problemas. A crise levou ao cisma hebraico, que dividiu o reino 
em Reino do norte (Israel) cuja capital era Samaria e Reino do sul (Judá) cuja capital era 
Jerusalém. As relações entre os dois reinos não foram tranquilas até que Israel foi invadida, 
ficou cativa da Assíria de 722 a 586... sua independência e seus reis faliram! 
Esta situação fazia o povo reforçar a figura de Davi como referência. A Esperança 
pela ordem pública, pelo perdão dos pecados e pela intervenção de Deus fazia com que se 
imaginasse a Redenção como o reinado de Deus por meio de alguém parecido com Davi.
Os profetas começam a anunciar um novo começo que Deus quer fazer por 
intermédio não mais de um rei, mas de um Messias: Emanuel, um rei Salvador, que julga 
os pobres com justiça e age em nome de Deus, fiel à unção. 
De fato, as profecias apontam para esta figura salvadora que virá. Porém, a encarnação 
do Filho Deus do modo como se deu, jamais foi imaginada ou predita com clareza. 
39UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã 39UNIDADE II O Messias Prometido e Esperado
2. A TRADIÇÃO PROFÉTICA DO FILHO DO HOMEM
2.1 Introdução
A expressão “filho do homem” está presente em alguns escritos do Antigo Testamento 
e também do Novo Testamento. A expressão é utilizada no antigo testamento para referir-se 
a uma figura messiânica, presente na tradição profética, cuja presença simbólica tem um 
significado muito importante para se compreender a pessoa e a missão de Jesus Cristo. 
Afinal de contas quando Jesus se apresenta, muitas vezes, utiliza esta expressão como 
título que define a si mesmo.
Neste tópico do nosso curso de cristologia iremos estudar a origem da figura do 
filho do homem nos livros dos profetas Ezequiel e Daniel. É importante que você tenha sua 
bíblia em mãos e faça a leitura atenta dos textos em questão. 
O objetivo deste conhecimento é chegarmos a responder, no tópico seguinte, à 
pergunta: que tipo de Messias foi Jesus? Ele atendeu às expectativas messiânicas do seu 
tempo? Por que Jesus Cristo se referiu a si mesmo como filho do homem? Em que sentido 
ele se definia assim? Buscaremos as origens da expressão no Antigo Testamento que se 
encontram nos livros dos profetas Ezequiel e Daniel.
2.2 O filho do homem em Daniel e Ezequiel
Logo no início do livro do profeta Daniel encontra-se a narração de uma visão que 
ele teve, envolvendo elementos do cosmo, com uma mensagem a respeito de Deus e da 
história. Na teologia bíblica este tipo de visão se chama teofânica.
40UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã 40UNIDADE II O Messias Prometido e Esperado
O autor do livro conta que ficou encantado com o céu aberto e com quatro seres 
celestiais (Ez 1, 4-5) que carregavam algo muito precioso (Ez 1, 26). Ezequiel entende que 
aquele objeto estava representando a glória de Deus que não abandona o seu povo e está 
disposto a estar com ele e o salvar. Deus fala com o profeta chamando-o de “filho de Adão” 
ou “filho do homem”, demonstrando que há diferenças entre Ele e o ser humano, apesar de 
tanta proximidade. A expressão dá força à autoridade amorosa e salvadora de Deus sobre 
a criação. Por isso Ele ordena, indica, conduz e confere a Ezequiel uma missão, visto que 
o profeta é um descendente de Adão. Por isto, o profeta se sente obrigado a ir à “Casa 
Rebelde” ou “Casa de Israel” com a finalidade de anunciar a salvação. Ezequiel revê a 
esperança messiânica popular de cunho pagão e anuncia o verdadeiro conteúdo da Aliança 
e imagem do Messias. Ele não é um simples homem/guerreiro, ele é o príncipe da paz, o 
pastor sereno, cuja missão lhe foi dada por Yahweh (Ez 34, 23s). Ezequiel testemunha 
Deus, anuncia que a Aliança com deus requer renovação interior, culto de adoração e o faz 
como enviado, como filho do homem;
No capítulo sétimo do livro do profeta Daniel, também se encontra uma visão bem 
significativa sobre o final do domínio dos reinos terrestres. A narrativa simbólica é aterradora, 
antes de ser decifrada. Mas tudo ganha sentido ao final. 
Antes de irmos ao texto é importante que você saiba que essa literatura tem 
características que a definem como apocalíptica. Este tipo de escrito era muito usado em 
tempos de perseguições quando não se podia dizer abertamente o que se pensava ou 
tecer críticas a respeito das forças dominantes. Por isso, a utilização de símbolos substituía 
nomes de opressores, pessoas ou instituições a quem se queria denunciar no anonimato, 
evitando perseguição e morte. 
A visão de Daniel acontece em três etapas ou três visões em uma só, confira (A 
BÍBLIA, 1984):
1) Dn 7, 1-8- a visão dos quatro animais
Daniel vê quatro animais surgindo do mar, na concepção vigente o mar era o lugar 
do desconhecido, monstros potentes por superarem o domínio que o ser humano 
poderia ter sobre a realidade indomável. Acreditava-se que os demônios viviam no 
mar, o que indicava que a origem do mal era desconhecida em sua origem.
O número quatro no texto tem diversos significados que lembram tudo o que é 
potente no universo, por exemplo, quatro são as forças cósmicas: o ar, o fogo, a 
água e a terra. Quatro são as potências mundiais que dominaram Israel.
41UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã 41UNIDADE II O Messias Prometido e Esperado
Sendo assim, o número quatro também colabora na composição da mensagem 
simbólica que o texto quer comunicar. Também a aparência dos animais tem 
algo a dizer a animais que aparentam ser outros, em geral eles possuem força 
arrebatadora, membros, dentes ou chifres anormais, tudo usado para destruição. 
O conjunto dos animais está falando de uma totalidade potente e, ao que parece, 
insuperável. Eles representam os quatro impérios que dominaram o mundo até 
então: o babilônico, a meda, o persa e o macedônico. 
Os animais, ou potências mundiais, lutam pelo poder Império e pelo domínio do 
mundo que está em um verdadeiro caos. O cenário se dá em um terrível alvoroço 
caótico exatamente o oposto harmonia da criação. A triste realidade denunciada 
nesta primeira parte da visão é que essas potências mundiais receberam poder e 
tem espaço e autoridade na história.
2) Dn 7, 9-14 – o juízo mundial de Deus em contraposição às potências mundiais
Daniel continua narrando a sua visão. Ele assiste ao movimento de preparação 
para um possível julgamento. Ao centro tem um juiz, um idoso conversas brancas 
cuja brancura esplendorosa enche o espaço de glória.Chama muito a atenção de Daniel que o trono sobre o qual o juiz aparece sentado 
estava sobre rodas de fogo mais potentes que o rio de fogo que corria diante dele. 
Este rio representava a Macedônia. Outro elemento destacável é que o monstro de 
dez chifres (reis desse império), tinha milhares de pessoas que o serviam.
Como você há de convir, de fato a simbologia da visão está relacionada ao con-
texto sociopolítico em que Daniel estava inserido. O julgamento acontece porque 
há autoridade de alguém sobre um suposto culpado. Logo, a visão aponta para 
uma autoridade capaz de pôr ordem naquele contexto. Isso se torna mais claro 
na última etapa da visão.
3) Dn 7, 13
Na última parte da visão, Daniel viu descer das nuvens do céu uma figura que se 
apresentou ao juiz com firmeza e determinação. Segundo a cosmologia da época, 
acreditava-se que a abóbada celeste, ou seja, o céu, era a morada de Deus. Logo, este 
ser vem de Deus. Ele é descrito como sendo “um como filho do homem”, indicando 
que é um humano com algo especial que não permite ao profeta dizer simplesmente 
que é um homem. Ele recebe “a honra, o reino e todos os povos, nações e línguas o 
serviam”. Isso confirma autoridade que lhe é entregue e a dignidade que possuem.
42UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã 42UNIDADE II O Messias Prometido e Esperado
Resgata dignidade de imagem do juiz e seu império “é eterno, jamais passará”;
A missão profética tem como objetivo a palavra e ela depende da ordem divina, 
não da aceitação humana; carrega em si própria uma força tal que, ainda que 
rejeitada, impõe-se aos exilados, até à força, haverão de reconhecer que 
Deus envia um profeta (SCHOKEL e DIAZ, 1991, p. 709). 
Essas características, posteriormente, são assumidas por Jesus e, em parte, 
reconhecidas pelo povo.
Jesus era judeu. Conhecia muito bem a tradição e a história do seu povo, bem 
como as Sagradas Escrituras hebraicas. Por este motivo, muitas vezes recorre a termos 
e conteúdo da tradição para descrever o seu papel na história do povo de Deus e a sua 
missão enquanto enviado por deus como Salvador, o Messias. Assim, Jesus falava a mesma 
linguagem do seu povo. Quando ele atribui a si o título de filho do homem, está fazendo 
referência ao contexto e às simbologias que aparecem nesta visão. 
É importante considerar também que, a partir dessas narrativas do Antigo 
Testamento, os autores dos evangelhos sinóticos irão retomar o tema do filho do homem 
em suas narrativas, de forma atualizada e contextualizada para o seu tempo, falando de 
Jesus de Nazaré, o Cristo.
43UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã 43UNIDADE II O Messias Prometido e Esperado
3. O FILHO DO HOMEM SEGUNDO O NOVO TESTAMENTO
 
Entre as várias fórmulas ou títulos evangélicos usados para indicar a figura de Jesus 
e interpretar sua obra, a expressão filho do homem tem prioridade. Além do fator quantitativo, 
a fórmula é posta exclusivamente na boca de Jesus com apenas duas exceções: na boca 
do anjo que estava no sepulcro de Jesus (Lc 24,7) e por parte da multidão (Jo 12, 34).
“Filho do homem é uma das mais ricas designações do Cristo, prova é que Jesus 
o aplicou a si” (CULLMANN, 2004, p. 181-252). Foi a forma que Jesus escolheu para dizer 
ser o Messias. O termo ou expressão, toma conotação de título e ocorre setenta vezes nos 
evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas), doze vezes em João e apenas uma vez 
nos Atos dos Apóstolos (At 7, 56 - Estevão alude a à visão de Daniel que está em Dn 7, 13) 
e no Apocalipse de São João, duas vezes (Ap 1, 13 e 14, 14).
 Analisando às ocorrências do termo Filho do Homem aplicadas a Jesus, Mckenzie 
(1983) afirma que Jesus é identificado como Filho do Homem em cinco aspectos:
1) Jesus deixa clara a sua condição humana, por exemplo quando diz que não tem 
onde reclinar a cabeça (Mt 8,20; Lc 9,58;), ou quando come e bebe normalmente 
(Mt 11,19; Lc 7,34;).
2) Jesus age com poderes sobre-humanos e até divinos, como perdoar pecados 
que era algo reservado somente a Deus (Mt 9,6;Mc 2,10; Lc 5,24); declara ser 
Senhor do sábado (Mt 12,8; Mc 2,28; Lc 6,5). ,
44UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã 44UNIDADE II O Messias Prometido e Esperado
3) Alguns contextos descrevem a missão messiânica de Jesus, como por 
exemplo: aquele por quem os discípulos devem sofrer (Lc 6,22; Mt 5,11), aquele 
que procura e salva o que estava perdido (Lc 19,10), aquele a quem os homens 
devem reconhecer (Mt 16,13).
4) O quarto aspecto aparece no grupo de textos nos quais se fala da paixão e morte 
do Filho do Homem (Mt 12,40; 17,12.22; 20,18; Mc 9,31; 10,33; Lc 9,44). Ele veio 
para servir e dar sua vida por muitos (Mt 20,28; 26,2.24.43; Mc 8,31; 9,12; 10,45; 
Lc 9,22).
5) O quinto e último aspecto aparece no grupo de passagens que falam da vinda 
apocalíptico-escatológico do Filho do Homem no fim dos tempos e da sua vinda 
gloriosa, acompanhado pelos anjos. Estes textos são inspirados na visão de Daniel 
(Dn 7,13). Alguns deles: Mt 10,23; 13,41; Lc 9,26; Mt 17,9; Mc 9,9.
Jesus assume o título Filho do Homem, acentuando a sua comunhão com a 
humanidade fazendo-se humano. O próprio título evoca ao mesmo tempo a sua condição 
messiânica de enviado por Deus como ungido salvador. Pela natureza humana, o filho de 
Deus comunicou se com cada homem e mulher como se fala a amigos e amigas. Graças 
a natureza humana Jesus pode transmitir o seu amor humano divino de modo concreto, 
palpável e situado na história.
Embora Jesus não afirme abertamente ser ele o Messias prometido por Deus em 
algumas passagens, Jesus transparece este caráter da sua pessoa. Quando interrogado, 
perante o sinédrio, a respeito de sua identidade, o sumo sacerdote indagou: “eu te conjuro 
pelo Deus vivo que nos declares se tu és o Cristo, o filho de Deus” - e Jesus respondeu, 
declarando: “tu o disseste, aliás, eu vos digo que, de ora em diante, vereis o filho do homem 
sentado à direita do poderoso e vindo sobre as nuvens do céu” (Mt 26,63s; Mc 14,61s). 
Mckenzie (1983) põe em paralelo os quatro evangelhos e faz uma análise comparativa. Ele 
nos faz notar que Mateus, Marcos e Lucas reportam esse diálogo com algumas variações 
nas respostas. Segundo Marcos, a resposta é afirmativa, mas seu desdobramento não 
confirma o título de Messias, mas de Filho do Homem (Mc 14,61s). Em Lucas, a resposta 
é claramente evasiva e seu desdobramento faz coincidir o sentido de Filho do Homem e 
Filho de Deus. Jesus não nega nem confirma, apenas responde evasivamente, deixando 
espaço à percepção do seu interlocutor: “tu o disseste” (Lc 22,67). Segundo o evangelho de 
João, o Filho do Homem tem características mais claras do Filho de Deus. Ele é claramente 
preexistente, desceu do céu e, portanto, subirá para onde estava antes (Jo 6,62).
45UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã 45UNIDADE II O Messias Prometido e Esperado
Ele é um ser celeste, um mediador entre o céu e a terra, sobre o qual os anjos 
sobem e descem (Jo 1,51). A humanidade do Filho do Homem aparece eminentemente na 
sua obra salvífica que garante a vida eterna pela força da marca que o Pai lhe concedeu, a 
unção messiânica (Jo 6,27.53). 
Jesus vai se intitular como Filho do Homem, e não como messias, pois a falsa 
imagem de messias que o povo nutria não correspondia aos anseios de Jesus. Ele não 
aspirava de modo algum ao poder terreno. 
O título de Filho do Homem em Jesus remete ao filho do homem das visões de Daniel 
e Ezequiel, em relação a características da natureza divina e humana presentes na mesma 
figura. O modo como Jesus vivenciou e revelou ser ele o Messias foi pela pregação e imple-
mentação do que Ele chamou de Reino de Deus. É o que iremos estudar no próximo tópico.
46UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã 46UNIDADE II O Messias Prometido e Esperado
4. O REINO DE DEUS ANUNCIADO POR JESUS
O Reino de Deus é o tema com qual Jesus concentra a sua missão de enviado 
por Deus como Messiase Salvador. O tema perpassa os seus ensinamentos e ações. A 
coerência entre as palavras, os gestos e as posturas de Jesus dão a ele aquela autoridade 
que se impõe moralmente e ameaça as autoridades constituídas do seu tempo. 
Jesus não conceitua o Reino de Deus nem faz dele uma teoria. Na verdade, Ele 
não precisava remontar às origens da realidade anunciada por isso usava o termo sem 
explicações introdutórias.
Neste tópico do curso de cristologia, consideraremos a tradição dos evangelhos 
sinóticos para destacar algumas notas identitárias que definem o Reino que Jesus viveu 
e anunciou. Fica evidente que o Reino de Deus, segundo Jesus, está próximo, porém 
ainda virá; possui destinatários prioritários que intrigam e escandalizam muita gente. Os 
preferidos do Reino de Deus são os pobres, os pecadores e todo aquele que se encontra 
distante da dinâmica própria do reinado de Deus, como veremos a seguir.
4.1 O Reino de Deus que está próximo
Jesus não se preocupava em fazer grandes fundamentações teóricas sobre o Reino 
de Deus. Ele sabia, como autêntico judeu, que os seus ouvintes entendiam a tradição bíblica 
mantida nos ambientes de sinagoga (LIBÂNIO e BINGEMER, 1985). Por isso anunciava 
com segurança o senhorio de Deus atuando no presente e enchia a todos de admiração 
e alegria, próprio de quem vê acontecendo diante de si algo muito importante, desejado e 
esperado por tantas gerações.
47UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã 47UNIDADE II O Messias Prometido e Esperado
O Reino de Deus, conforme a pregação e a vida de Jesus, irrompe na história pela 
sua encarnação. É a chegada no mundo não apenas de um anúncio, mas da Sua pessoa 
que ativa, torna presente e realiza o Reino de Deus. Qual o nascimento de Jesus o senhorio 
de Deus se tornou carne, um sujeito ativo com efeitos notáveis ponto. Por ele, o Reino de 
Deus tornou-se gestos salvíficos do dia a dia atuando em favor de cada homem e mulher, 
tendo como prediletos os mais distantes dessa grande novidade.
Por meio de Jesus, o Reino de Deus acontece silenciosamente, mas com uma 
força capaz de oferecer aos seus ouvintes as condições necessárias para crerem nele.
O Reino de Deus anunciado e inaugurado por Jesus, requer adesão a uma dinâmica 
que exige conversão de vida para que tudo tome a forma e a direção da harmonia universal, 
de um mundo reinado por Deus.
O Reino de Deus que já está presente e tão próximo, inaugura um tempo futuro que 
ainda está por vir (DUPUIS, 2007). É o que veremos no tópico seguinte.
4.2 O Reino de Deus que vem
Pelo que estudamos até aqui, você há de convir que o anúncio do Reino de 
Deus feito por Jesus, não caiu na história de seus ouvintes como um marco zero. Muitos 
elementos culturais e subjetivos faziam com que o povo esperasse a libertação de toda 
sorte de dominação por uma intervenção divina, que restituísse a dignidade de todas as 
pessoas. Essa intervenção seria o envio de um ungido, um Messias. Aqui já se tem a 
espera de um reino que virá no futuro.
Os grupos religiosos e políticos partidários com os quais Jesus vai interagir, Jesus 
alimentava uma pré-compreensão da era messiânica baseados nas tradições judaicas 
antigas: saduceus, zelotes, essênios, fariseus e também aquela massa de pessoas que 
aguardava alguém que provesse suas necessidades básicas de sobrevivência, liberdade e 
segurança. Espera-se, portanto, “o Reino que vem” (CABRAL, 2021).
Confirmando esta tradição em vários momentos Jesus anuncia a vinda do Reino de 
Deus para um tempo futuro iminente. Exemplo emblemático disto é a última ceia de Jesus 
com os seus apóstolos, próximo à sua morte. Segundo Marcos, Jesus declara solenemente: 
“em verdade vos digo que não beberei mais do fruto da Videira até o dia em que o beberei 
de novo no Reino de Deus” (Mc 14,25). Lucas e também Mateus narram este mesmo fato 
com versões bem próximas à narrativa de Marcos. Um outro exemplo está também nos três 
evangelhos sinóticos, colocada em outros contextos. É um dito de autoridade de Jesus: 
“Em verdade eu vos digo: há alguns aqui presentes que não morrerão sem ter visto o Reino 
de Deus vir com poder” (Mc 9,1; Lc 9,27 e Mt 16,26-27).
48UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã 48UNIDADE II O Messias Prometido e Esperado
Parece contraditório que no início de sua vida pública Jesus afirme que o Reino 
de Deus já chegou e que está entre os seus e, no final da vida, afirme que o Reino de 
Deus ainda virá. Essa aparente contradição é reconhecida pela tradição teológica com a 
expressão escatológica “entre o já e o ainda não”. A tensão escatológica entre o já e o ainda 
não se refere ao arco meta temporal da chegada e da realização plena do Reino de Deus. 
Ao mesmo tempo em que o Reino é um dom gratuito, uma oferta salvífica incondicional 
da parte de Deus, ele é colocado à disposição do acolhimento consciente daqueles que 
aderem à sua dinâmica. Deste modo, a história é o palco da evolução do Reino até que 
chegue a sua plenitude no fim dos tempos, em que tudo e todos encontrem sentido em 
razão de ser na filiação divina que está no princípio de tudo o que existe. Quando a filiação 
divina, mesmo que inconscientemente concebida, for o único princípio reconhecido como 
ponto de partida de toda a existência, todos nos sentiremos membros uns dos outros e o 
mundo, poderá ser um mundo de irmãos.
Compreende-se assim, que o Reino de Deus possui uma dimensão de realização 
já no presente, com a encarnação do filho de Deus que é o próprio Reino. Mas, também é 
uma realidade aberta a plenitude futura.
Tudo isso se fez evento na realidade concreta em que estamos inseridos e inseridas. 
Em outras palavras, quero dizer que o Reino de Deus tem uma dimensão visível e palpável 
social, política e econômica voltada para a fraternidade universal, o direito e a justiça. Assim 
sendo, o Reino de Deus anunciado por Jesus situa-se no presente que encaminha se para 
um futuro, ao mesmo tempo histórico e meta histórico. 
4.3 O reino de Deus é dos pobres
O reinado de Deus anunciado por Jesus sou estabelece novas relações entre os 
homens e mulheres que vivem no mundo e também entre Deus e toda a humanidade 
conforme as intenções divinas de plenitude salvação e inclusão (DUPUIS, 2007).
O desejo salvífico de Deus é revelado e tornado conhecido nos gestos e tomadas 
de posição de Jesus, especialmente na defesa de valores como a fraternidade universal, a 
justiça e a paz. Esses valores são os sinais da presença do Reino de Deus no mundo. 
Jesus incorpora todos esses valores em forma de compromissos frente à sociedade, 
como anúncio e denúncia. Sua postura de vida e sua pregação combatem a tudo o que fere 
a dinâmica do Reino, especialmente a pobreza, seja ela fruto do pecado coletivo de injustiça 
na de visão dos bens da criação ou qualquer outra sorte de rebaixamento da dignidade 
dos filhos amados de Deus. Com este comportamento Jesus deixa claro quem são os 
destinatários preferidos do Reino de Deus. São aqueles desprovidos dos bens abundantes 
da realidade na qual Deus reina, as vítimas do não Reino. A vida de Jesus é uma verdadeira 
declaração existencial da preferência de Deus por eles (CABRAL, 2021). 
49UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã 49UNIDADE II O Messias Prometido e Esperado
Muitos registros dos evangelhos sinóticos concordam em apoiar que o Reino 
anunciado por Jesus é para os pobres. Entre as mais conhecidas estão as declarações de 
Jesus reportadas por Mateus e Lucas, conhecidas como “bem-aventuranças”. Uma delas é 
explícita em anunciar a quem pertence o Reino de Deus ou dos Céus. No sermão da montanha, 
segundo Mateus (Mt 5,3) encontramos: “bem-aventurados os pobres em espírito porque deles 
é o Reino dos céus”. Lucas descreve a categoria dos bem-aventurados em quatro: os pobres, 
os famintos, os aflitos e os perseguidos (Lc 6, 17-36). O aspecto mais relevante do anúncio 
de esperança é que as situações que lhe conferem aquelas identidadescessarão e eles 
assumem nova identidade: a de bem-aventurados do Reino (FABRIS, 1988, p. 112).
O Reino de Deus é garantido aos pobres aflitos, pela consolação; aos pobres 
perseguidos, pela possibilidade de exultação; e, aos pobres famintos, pela saciedade. Jesus 
faz uma entrega: “porque vosso é o Reino dos Céus.” Lucas coloca o discurso dirigido 
diretamente aos pobres, o que pode inspirar proximidade, presencialidade e mobilização do 
Reino de Deus ali, diante deles (CABRAL, 2021).
Jesus, em algumas passagens, condena a riqueza até então conhecida e, em 
outras, aponta para o Reino como a verdadeira riqueza ou tesouro que de fato se deve 
almejar. A pessoa precisa ter uma tal consciência do alto valor do Reino de Deus que Jesus 
propõe a ponto de deixar qualquer outra coisa, tida em grande valor, pelo Reino de Deus, 
sua abundância e sua justiça (Mt 13,44-46).
É importante considerar que os pobres dos quais Jesus fala é uma categoria que 
inclui todos os deserdados da verdadeira dignidade de filhos de Deus. Tudo o que faz do ser 
humano um excluído de alguma dimensão criacional o torna pobre e, portanto, destinatário 
privilegiado do Reino de Deus. São pobres os pecadores por serem privados da comunhão 
com Deus ponto são pobres os ricos de bens materiais por não conseguirem espaço em 
suas vidas para o que ultrapassa o valor da matéria. São pobres os excluídos do sistema 
social e econômico em que poucos vivem na abundância e muitos passam fome.
50UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã 50UNIDADE II O Messias Prometido e Esperado
SAIBA MAIS
Você já parou para pensar o que significa a palavra salvação no sentido em que o 
cristianismo a utiliza? Talvez você, como tantas outras pessoas, use frequentemente 
o adjetivo Salvador para referir-se à pessoa de Jesus Cristo simplesmente repetindo o 
que ouviu dizer, como um mero hábito de linguagem. No saiba mais desta unidade nós 
vamos conhecer melhor a força do significado teológico desse termo.
Para estudar assuntos a respeito da salvação, a teologia cristã possui uma área 
específica que se chama soteriologia. 
No contexto bíblico do Antigo e do Novo Testamento, o conceito de salvação está 
relacionado a ajuda, felicidade, bem-estar, libertação ou vitória doadas por Deus em favor 
da humanidade. O pressuposto do ato salvífico de Deus é a condição de sofrimento, 
escravidão ou qualquer caos histórico em que a comunidade se encontra. É aí que aparece 
a intervenção de Deus denominada salvação. Os atos salvíficos de Deus, na bíblia, 
resultam na construção de relações sociais que respeitem a dignidade do ser humano, 
em melhorias das estruturas sociopolíticas que geram violência e opressão, bem como na 
condição de reconciliação entre Deus e a inteira criação, ou seja, a humanidade e o cosmo.
A ação salvífica de Deus tende a retirar o ser humano de uma condição inferior a uma 
superior. Pensando assim entenderemos que o ato criador pode também ser considerado 
ato salvífico de Deus pois virgula ele retira tudo o que existe do nada ele dá a existência. 
Ele faz o “ser” do “não ser” e tira a existência da inexistência.
Faz parte da essência de Deus ser Salvador. Errôneo do ponto de vista teológico dizer que 
qualquer coisa estranha a Deus faz com que ele seja Salvador. O que motiva o ser Salvador 
de Deus é que ele é amor. Portanto, Deus é Salvador porque nos ama e é capaz de qualquer 
coisa para que atinjamos o projeto segundo o qual nós fomos criados e criadas por ele.
Jesus foi a imagem visível de Deus que é invisível. Ele realizou por meio de sua vida, 
seus ensinamentos e seus gestos a salvação de todo gênero humano e de toda a 
criação, fazendo novas todas as coisas diante de Deus. A Cruz, como estudaremos na 
próxima unidade, é o ponto mais alto do amor de Deus que se fez carne e habitou entre 
nós. Na Cruz Jesus arca com a consequência extrema do seu amor. Porém não é a cruz 
que faz com que Jesus seja o Salvador e sim por Ele nos ter amado com o mesmo amor 
com que nos amou o Pai e Criador, até entregar a vida.
Você poderá ler mais sobre este tema no verbete “salvação” do dicionário indicado a 
seguir. Vale a pena!
Fonte: PIKAZA, O. (Dir.). Dicionário o Deus Cristão. São Paulo: Paulus, 1998.
51UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã 51UNIDADE II O Messias Prometido e Esperado
REFLITA 
Será que somente a fé cristã tem a figura de um Messias ou outras religiões também 
tem? “Messias” é uma palavra que deriva do termo hebraico mashiah, que significava 
originalmente “ungido”. Ela se refere a alguém marcado com óleo sagrado para realizar 
atos religiosos. 
Posteriormente, o sentido da palavra passou a indicar uma figura semidivina com a 
missão de resgatar seu povo de situações de escravidão, um salvador. Segundo a 
tradição judaica, o messias salvador deveria ser um rei descendente do rei Davi, como 
já estudamos.
O curioso é que o conceito de messias tal como o judaísmo e o cristianismo utilizam, 
está presente também no hinduísmo e no budismo. Você poderá ter mais informações 
sobre este tema acessando a matéria disponível em: https://super.abril.com.br/mundo-
estranho/que-homens-ja-foram-considerados-messias-antes-e-depois-de-jesus/
Fonte: NAVARRO, R. Que homens já foram considerados Messias, antes e depois de Jesus. Revista 
eletrônica Super Interessante. Edição 432 - Outubro de 2021.
https://super.abril.com.br/mundo-estranho/que-homens-ja-foram-considerados-messias-antes-e-depois-de-jesus/
https://super.abril.com.br/mundo-estranho/que-homens-ja-foram-considerados-messias-antes-e-depois-de-jesus/
52UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã 52UNIDADE II O Messias Prometido e Esperado
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A unidade que estamos concluindo contemplou a Cristologia do Antigo Testamento, 
toda ela voltada para as promessas a respeito de uma intervenção salvífica de Deus, que 
enviaria um ungido, que reinaria sobre o mundo para reconduzir todas as coisas segundo 
a vontade de Deus. Essa promessa foi cumprida em Jesus.
O percurso que fizemos juntos das concepções antigas de Israel a respeito de 
salvação nos conduziu a conhecer as expectativas messiânicas mais significativas de Israel. 
Na sequência, estudando a expressão Filho do Homem com a qual jesus referia-se a si mesmo, 
fomos às raízes da expressão e colhemos um pouco do aspecto humano divino de Jesus. 
Por fim, estudando o Reino de Deus anunciado por Jesus, completamos a 
compreensão do seu messianismo e você pôde fazer um comparativo com o modo como 
Jesus correspondeu àquelas esperanças messiânicas e que tipo de Messias foi Jesus: 
aquele que inaugurou o Reino de Deus nesta terra. 
Meu desejo é que este conhecimento tenha edificado na sua vida, valores universais 
que lhe tornem uma pessoa melhor para si mesma, para o mundo e para Deus.
Na próxima unidade, desceremos ao chão concreto da vida de Jesus, desde a Sua 
concepção até a morte e ressurreição, analisando o sentido teológico de Sua existência 
para os cristãos.
53UNIDADE I A Fé Cristã a Partir da Visão Cristã 53UNIDADE II O Messias Prometido e Esperado
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO 
Título: Manual de Dogmática (vol. I)
Autor: Theodor Schneider (org.).
Editora: Vozes. 
Sinopse: O Manual de Dogmática é uma edição em dois volu-
mes, ambos organizados em sessões. A saber, o primeiro volume 
contém: Prolegômenos, doutrina sobre Deus, doutrina da criação, 
cristologia e pneumatologia. Em cada uma delas os autores 
colaboradores da obra apresentam uma fundamentação bíblica 
seguida da apresentação dogmática. Sendo assim, a sessão de-
dicada à cristologia poderá lhe ajudar no aprofundamento sobre o 
messianismo de Jesus.
 
FILME/VÍDEO 
Título: O Messias, a profecia cumprida
Ano: 2017.
Sinopse: Um drama gospel que revela as raízes do cristianismo de 
modo bastante criativo e atrativo. O filme traz uma apresentação 
dramática do nascimento do cristianismo, mostrando como um rabino 
(Nick Mancuso) se transforma num seguidor deYeshua de Nazareth.
Link do filme: https://www.youtube.com/watch?v=j8F8v5SK2ms
 
WEB 
1. Expectativas Messiânica - BTCAST Vida Nova 019 – Nesse bot 
quest você vai escutar uma explicação muito pertinente produzida 
de modo dialogal e bem acessível sobre o tema que estudamos. 
É uma conversa entre Rodrigo Bibo, Victor Fontana e Tiago Silva 
sobre Expectativa Messiânica que vale a pena escutar.
Link de acesso: https://bibotalk.com/podcast/expectativa-mes-
sianica-btcast-vida-nova-019/ 
2. O significado de Messias - Mashiah no Hebraico - é um vídeo 
de curta duração esclarecedor sobre o termo Messias na língua 
hebraica e seus correlativos.
Link de acesso: https://www.youtube.com/watch?v=LR-
JW2EhP9G8
54
Plano de Estudo:
● O evento Jesus Cristo;
● O Reino está entre vós;
● Jesus e suas relações fundamentais;
● Leitura teológica da morte e ressurreição de Jesus.
Objetivos da Aprendizagem:
● Contextualizar teologicamente a existência de Jesus de Nazaré;
● Compreender a realização do Reino de Deus na 
pessoa de Jesus, o Filho de Deus;
● Identificar o sentido e a importância teológica da morte e ressurreição 
de Jesus como um conjunto harmonioso e interligado.
UNIDADE III
Jesus de Nazaré: 
Vida e missão
Professora Doutora Raquel C. Cabral
55UNIDADE III Jesus de Nazaré: Vida e missão
INTRODUÇÃO
A terceira unidade do curso de cristologia tem como objetivo fazer um estudo a 
respeito da vida e da missão de Jesus, o Cristo de Deus, na perspectiva da fé cristã.
Pelo que já desenvolvemos até este ponto do nosso curso, é do seu conhecimento 
que não é possível escrever uma biografia de Jesus com ordem cronológica e os dados 
que a nossa curiosidade buscam, conforme os biógrafos modernos fazem. Isto se deve 
ao fato de que os evangelhos não foram escritos para fornecer uma biografia completa de 
Jesus. Contudo, é possível a aproximação suficiente para conhecer o significado histórico 
e teológico da sua pessoa. 
No primeiro tópico nós vamos conhecer aspectos da vida concreta de Jesus onde 
ele revela sua verdadeira identidade. É na vida cotidiana que Jesus vai espalhando seus 
ensinamentos, formando seus seguidores e anunciando os valores que compõem a sua 
proposta de vida. Por isso Jesus começou a se distinguir de outras propostas de mestres 
e líderes do povo.
No segundo tópico de título o Reino está entre vós, retomaremos os conhecimentos 
adquiridos no primeiro tópico referentes as expectativas messiânicas de Israel. O nosso olhar 
para a pessoa de Jesus Cristo será baseado na sua afirmação de que, com a sua chegada 
no mundo, o Reino de Deus já está presente. Procuraremos identificar as características do 
reinado de Deus na perspectiva de Jesus Cristo.
No terceiro tópico, conhecendo um pouco mais do modo como Jesus se relaciona com 
as instâncias mais importantes de sua sociedade, colheremos suas posturas fundamentais 
que servem de marco para todos os seus seguidores. Neste tópico conheceremos alguns 
dos traços teológicos fundamentais da vida e da missão de Jesus.
Por fim, analisaremos o contexto de crise provocada pelo movimento inaugurado 
por Jesus que resultou na perseguição, na condenação e na morte de Jesus. Faremos uma 
interligação entre o evento da sua morte e da ressurreição como o conjunto harmonioso 
que dá sentido à fé em Jesus Cristo, enquanto Filho de Deus.
Desejo a você um excelente percurso e a satisfação de acrescentar novas 
compreensões teológicas a respeito de Jesus de Nazaré, o Cristo.
56UNIDADE III Jesus de Nazaré: Vida e missão
1. O EVENTO JESUS CRISTO
 
1.1 Introdução
Jesus realmente existiu? A pergunta pode parecer desafiadora para quem professa 
a fé cristã. Porém, ela fornece a porta de entrada para que conheçamos a trajetória histórica 
da vida de Jesus de Nazaré, o filho de Deus. 
O testemunho dos evangelhos atesta sua existência: seu nascimento, missão, 
anúncio e sua condenação e morte. Os relatos são contextualizados geograficamente com 
indicações suficientes para que se identifique a periodicidade da sua existência terrena. 
Como se não bastasse, podemos contar também com testemunhas extrabíblicos que, 
embora não tenham sido construídos com o propósito de documentar a existência de Jesus, 
fornecem informações que cumprem esse papel.
É por esta razão que podemos dizer que Jesus Cristo foi um evento ou seja um fato 
que se deu na história, um acontecimento consumado temporal e geograficamente.
No primeiro tópico desta unidade, refletiremos sobre alguns aspectos que nos 
permitem afirmar a veracidade do evento Jesus Cristo.
1.2 A história como lugar da cristologia
Ao observarmos as pessoas falando a respeito de Jesus Cristo, encontramos duas 
tendências muito presentes na concepção o que está por trás do que se diz.
57UNIDADE III Jesus de Nazaré: Vida e missão
Uma primeira tendência caracteriza-se pelo esquecimento de que, falar em Jesus 
Cristo, significa referir-se a um acontecimento terreno que diz respeito à encarnação do 
Filho de Deus. O esquecimento da condição histórica de Jesus faz com que os seus 
ensinamentos e exemplos de vida se tornem algo muito alto, muito superior ao nosso 
universo vital, impossível de ser seguido ou imitado. Jesus fica sendo aquele lá de longe, 
das alturas do céu, estranho à nossa natureza humana e às condições do mundo em que 
vivemos. Um exemplo desta tendência são as resistências aos traços humanos da natureza 
de Jesus que sentiu sede, cansaço, medo do sofrimento e soube viver com alegria os 
momentos de festa e refeições festivas.
A segunda tendência caracteriza-se pelo extremo oposto do que acabamos de 
expor. Nessa vertente fala-se de Jesus Cristo de modo tão terreno e mundano que chega 
perto da vulgaridade. Parece que a necessidade de aproximação de Jesus é satisfeita 
retirando dele as suas perfeições e a sua santidade como verdadeiramente homem e 
verdadeiramente Deus. As afirmações extrapolam os dados da tradição bíblica com 
acréscimos muito distantes do seu contexto e dos registros históricos a seu respeito. Como 
exemplo desta tendência podemos citar filmes em que Jesus aparece envolvido em casos 
amorosos com discípulas.
Você deve estar se perguntando: qual seria a via de equilíbrio, capaz de tornar 
conhecida a história do Filho de Deus encarnado no mundo? Afinal a sua história tem ou 
não importância para fé cristã e para a cristologia? 
O próprio título do subtópico, a história como lugar da cristologia, já ilumina um 
caminho de reflexão que responda a essas perguntas.
Embora sejamos dotados de vida espiritual, somos seres históricos, corpóreos 
e temporais, pois Deus nos fez assim. Para se comunicar conosco de modo claro e 
compreensível, o Verbo eterno de Deus desejou falar conosco como um amigo fala a outro 
amigo, fazendo-se um de nós e entre nós. Somente Deus pode escolher o seu modo de ser 
e de existir a este ponto.
Fica evidente que não se pode fazer cristologia fora dos dados históricos da vida de 
Jesus porque foi na história que Ele revelou a sua identidade de Filho de Deus, mostrou-nos 
quem é o Pai e nos enviou o seu Espírito. A história é o palco da encarnação do Verbo de 
Deus, é o livro de registro dos seus ensinamentos e feitos grandiosos, do seu profetismo, 
das suas denúncias e do seu testemunho de justiça, verdade e amor (PAGOLA, 2011). 
58UNIDADE III Jesus de Nazaré: Vida e missão
Fazer cristologia é tomar conhecimento do ato de fé dos cristãos na pessoa e na 
obra salvífica de Jesus Cristo, encarnado na história, por livre escolha de Deus. E os cristãos 
creem e seguem a uma pessoa e não a uma ideia ou a um conceito abstrato. Portanto, fica 
esclarecido que a história é o lugar por excelência da cristologia.
1.3 A ressurreição: elemento fundante da fé cristã
No ponto anterior, refletimos a respeito do valor da história para a cristologia. Você 
pode entender por qual razão, exemplo, a história é um lugar por excelência da cristologia. 
Embora pareça estar tudo resolvido resta nós problematizarmais uma questão: se a história 
é um lugar por excelência da cristologia o que dizer da ressurreição?
Tendo presente tudo o que afirmamos até então, haveremos de convir que, embora a 
vida de Jesus suscitasse admiração e fosse um atrativo para tantos quantos o seguiram, sua 
morte deixou um gosto amargo de decepção nos apóstolos e discípulos. A vitória da morte sobre 
os seus ensinamentos de vida eterna e de ressurreição, como eles estavam experimentando 
com a morte de Jesus, tornaria inválida toda a obra de anúncio do Reino feito por ele.
Assim como a chegada de Jesus no mundo convalidou as promessas do Antigo 
Testamento a respeito de um Messias prometido, a ressurreição de Jesus foi a validação 
de tudo o que ele fez e ensinou, particularmente a respeito da remissão dos pecados e da 
vida eterna em Deus. Sem a ressurreição a fé em Cristo seria vã.
Em poucas palavras: enquanto a história é um lugar por excelência da cristologia, 
a ressurreição de Jesus é o elemento fundante da fé cristã.
59UNIDADE III Jesus de Nazaré: Vida e missão
2. O REINO ESTÁ ENTRE VÓS
 
2.1 Introdução
Embora existam tantas discussões a respeito da possibilidade de se chegar aos 
dados históricos da ação profética de Jesus, todos são concordes em afirmar que o Reino 
de Deus é o centro para o qual convergem o ensinamento e a atividade de Jesus. O Reino 
é tema central da pregação de Jesus (FABRIS, 1988).
Como já estudamos anteriormente, Israel esperava um rei ungido por Deus que 
libertasse o povo do domínio estrangeiro e reconduzisse o povo para Deus pela ordem 
social, a garantia do direito e a paz.
Em Jesus cumpriu-se essa promessa, embora de um modo jamais imaginado: o 
próprio Filho de Deus desempenhou este papel, reinou pessoalmente.
2.2 Reino de Deus ou Reino dos Céus?
Nos evangelhos e nos escritos em geral do novo testamento, a ideia reportada por 
Jesus em seu anúncio aparece com certa variação de expressões, o que pode deixar um 
certo desconforto e até mesmo incompreensão. 
Na verdade, trata se de modulações das traduções dos originais para as línguas 
modernas. O termo Reino de Deus é originário do Antigo Testamento, como já estudamos, 
e foi escrito em hebraico e aramaico. 
A expressão Reino de Deus é uma tradução do hebraico, malkut yahweh e do 
grego, βασιλεια του θεου. 
60UNIDADE III Jesus de Nazaré: Vida e missão
Este Reino que é de Deus pode ser entendido de dois modos diferentes: um mais 
abstrato, indicando o reinado ou governo de um rei, outro mais concreto, o reino como algo 
concreto referindo-se ao território, à extensão de domínio ou à soma total dos súditos. Em 
Lucas e Marcos, a expressão aparece em grego, βασιλεια του θεου, Reino de Deus. Enquanto 
Mateus prefere usar βασιλεια των ουρανων, Reino dos Céus, com apenas quatro exceções 
em que ele também usa Reino de Deus. Ambas as formas de nomeação têm o mesmo 
significado. É preciso apenas considerar que Mateus estava dirigindo-se a judeus, anunciando 
que Jesus era o Rei messiânico esperado. Para não os escandalizar no zelo e fidelidade ao 
terceiro mandamento, de não pronunciar nem mesmo conceituar a Deus, Mateus prefere dar 
voltas e usa a expressão Reino dos Céus, indicando a origem divina do reino anunciado.
Os sentidos se completam e se relacionam entre si, pois o Reino de Deus compreende 
o exercício da soberania de Deus em contextos geográficos, históricos e espaciais. A que é, ao 
mesmo tempo, mensagem e mensageiro do Reino de Deus, fez-se carne, entrou na história e 
o Reino de Deus habitou entre nós, realizando a libertação, a justiça e a paz (FABRIS, 1988).
As expressões Reino de Deus ou Reino dos Céus, na boca de Jesus, ocorrem 
cerca de 61 vezes nos sinóticos, 85 vezes somando os passos paralelos (FABRIS, 1988, p. 
104-105). Uma leitura generalizada do conjunto das ocorrências dos termos Reino de Deus 
ou Reino dos Céus no Novo Testamento, possibilita mais de uma compreensão quanto ao 
tempo e ao lugar em que o Reino se dará. Elencaremos três: 
● O Reino aparece como uma realidade iminente, dentro da história;
● O Reino de Deus é uma realidade para além da história, uma realidade escatológica;
● O Reino está presente na história como irrupção do poder de Deus no meio do 
seu povo, conduzindo-o à plenitude futura.
Ao anunciar o Reino de Deus, Jesus faz uma chamada de atenção para que a 
história se torne mais próxima de Deus (conversão), mais amorosa e perdoadora, e por 
isso, uma história salvífica. Jesus demonstra ser ele mesmo o portador da libertação, da 
justiça e da paz, comunicando que tudo isso é da vontade de Deus.
2.3 É um Reino futuro que já está presente
Ao falar explicitamente a respeito do Reino que veio trazer, Jesus não se preocupa 
em explicações com precisões conceituais como os gregos costumavam fazer. A clareza da 
noção de Reino de Deus que Jesus deseja anunciar está na segurança com que ele torna 
conhecido o senhorio de Deus atuando no presente. Todos ficam cheios de admiração e são 
invadidos por uma alegria própria de quem vê diante de si algo desejado por tantas gerações.
61UNIDADE III Jesus de Nazaré: Vida e missão
O Reino de Deus, que já está presente, inaugura e antecipa o futuro. Em teologia 
se diz que o Reino se encontra em “tensão escatológica”, ou seja, entre o “já” realizado e o 
ainda “não” em plenitude. Ao mesmo tempo em que Jesus aponta para os sinais visíveis do 
reino em seus gestos e palavras, ele também avisa que a plena realização do Reino só se 
dará no futuro. A realização futura do Reino de Deus eleva a condição atual de imperfeições 
a um estado de consolação, fartura e méritos diante de Deus. 
Vejamos exemplos de Jesus falando do Reino de Deus como realidade presente e 
como realidade futura (FABRIS, 1988).
2.3.1 O Reino presente:
● No debate entre Jesus e os chefes judeus sobre a expulsão do demônio, Jesus 
afirma que, se o faz em virtude do Espírito de Deus ou dedo de Deus, então o Reino 
de Deus já chegou “entre vós” (Mt 12,28; Lc 11,20).
● Respondendo a provocações e perguntas dos fariseus sobre a chegada do Reino 
Jesus explica que o Reino de Deus não vem chamando a atenção ou de modo 
alarmante. Nem mesmo se poderá afirmar que esteja aqui ou ali “porque o Reino 
de Deus está no meio de vós’” (Lc 17,20-21).
2.3.2 O Reino de Deus como realidade futura:
● Ao jovem rico que perguntou sobre o que fazer para entrar na vida eterna, Jesus 
respondeu que os que possuem riquezas dificilmente entrarão no Reino de Deus. 
Praticamente Jesus está dizendo que Reino de Deus é o mesmo que vida eterna 
como convencionalmente se entendia, a vida após a morte (Mt 19,16-30, Mc 10,17-
31 e Lc 18,18-30). 
● Falando a respeito da justiça que os seus seguidores precisavam viver, Jesus 
diz: “Com efeito, eu lhes garanto: se a justiça de vocês não superar a dos doutores 
da Lei e dos fariseus, vocês não entrarão no Reino do Céu” (Mt 5,17-19).
Jesus faz entender que ele está inaugurando um Reino futuro, um Reino presente, 
e um Reino presente e futuro pela ralação de antecipação do futuro no presente.
62UNIDADE III Jesus de Nazaré: Vida e missão
3. JESUS E SUAS RELAÇÕES FUNDAMENTAIS
3.1 Introdução
A sabedoria popular nos ensina que para conhecer uma pessoa basta observar 
com quem ela se relaciona. É o que diz o ditado popular: “dize-me com quem andas e eu 
te direi quem és”. Eu ousaria acrescentar que é válido também observar o tipo de relações 
estabelecidas pela pessoa em questão. O mesmo acontece a respeito de Jesus a quem 
queremos conhecer melhor.
No terceiro tópico desta unidade do nosso curso de cristologia quero convidar você 
a observar comigo as relações fundamentais de Jesus, ou seja, aquelas que nos ajudam a 
entender o que ele mesmo nos ensina sobre si. Certa vez, os discípulos de João levantaram 
o problema: “será ele o Messias ou devemos esperar um outro?” (cf: Lc 7, 19-13). Jesus 
respondeu com seus comportamentos frente a instituições, ambientes e categorias diversas 
depessoas do seu tempo.
Por motivos didáticos aplicados à teologia eu escolhi dar ênfase a alguns âmbitos 
relacionais iluminadores. É o que estudaremos a seguir.
3.2 Jesus em relação a Lei
O modo como Jesus se portava perante a Lei é de grande iluminação para leitura 
histórico teológica da sua existência. A lei era o marco da aliança de Deus com o seu povo. 
Na Bíblia, algumas vezes, a palavra lei indica todo o texto sagrado do Antigo Testamento.
63UNIDADE III Jesus de Nazaré: Vida e missão
Mais frequentemente, lei está indicando a lei escrita o código legal da aliança com 
Deus, a lei do povo de Deus, distinta das tradições humanas (Mt 15, 3.6; Mc 7, 8-9; Col 2, 8).
Na consciência do povo hebreu a lei ou Torá é sinônimo de ordenamento universal, 
decreto de justiça, juízo de Deus, mandamento que vincula o povo ao seu Deus e Deus ao 
seu povo (Sl 119). A lei é a própria presença de Deus plasmando o comportamento religioso 
e ético do seu povo.
Pelos motivos acima elencados, já dá para perceber a importância de conhecer como 
foi a relação de Jesus com a lei. Por meio de alguns episódios e palavras de Jesus, podemos 
afirmar que Jesus proclamou a superação da lei em sua própria pessoa: se acreditásseis 
em Moisés acreditarias também em mim por que foi a meu respeito que ele escreveu (Jo 
5,46). Jesus confirma sua adesão à lei e sua missão de levá-la a cumprimento (Mt 5, 17), 
mas não hesita em transgredir algumas prescrições, como por exemplo: argumenta sobre a 
superioridade do ser humano em relação ao sábado (Mc 2, 28), redireciona o valor do jejum 
(Mc 2, 18-20), e da compreensão sobre a impureza dos alimentos (Mc 7, 1-8).
Com esses comportamentos Jesus coloca-se no mesmo patamar do legislador, 
ou seja, de Deus. Assim Ele revela uma nova leitura sobre a lei e a vontade de Deus, 
acentuando com sua autoridade, possuir liberdade superior à antiga lei (DUPUIS, 1999). 
Ele mesmo é a Nova Lei!
Uma última observação é que colocando-se desta forma diante da lei, Jesus declara 
ser igual ao Pai quanto ao seu poder divino.
3.3 Jesus em relação ao Templo
No tempo de Jesus, o templo era tido como sede da presença divina, centro de 
irradiação de oração e bênçãos divinas sobre todos os povos (Is 2, 1-3; Ag 2, 6-9; Ml 3, 1). 
Jesus, como pertencente à cultura e à fé judaica, mostrava-se muito respeitoso para com 
o templo. Basta observarmos algumas de suas atitudes e palavras, em registros bíblicos, 
para constatarmos o que acabamos de afirmar (PAGOLA, 2011).
Ele ensinava no templo (Mc 11, 27; 12, 35; 14, 49);
Considerava-o casa do Seu Pai, casa de oração (Lc 2, 49; 19, 46); comporta-se 
com muita liberdade e intimidade com aquele espaço: expulsa os cambistas e o diz “casa 
de meu Pai”;
Curava no templo e ensinava lá frequentemente (Mt 21, 12-17; Mc 11, 15-17; Lc 19, 
45-48; Jo 2, 13-16);
Anunciou a ruína do templo e a substituição do mesmo em Sua pessoa, em seu 
corpo ressuscitado (Jo 2, 21s);
64UNIDADE III Jesus de Nazaré: Vida e missão
Quando Ele morreu “o véu do templo se rasgou”, significando a passagem do velho 
ao novo templo, que é o próprio Jesus, lugar de novo culto (Mc 15, 38s);
Com tudo isso Jesus indica que Ele é o novo e definitivo espaço para o encontro 
com Deus, Ele é o templo que será destruído e reconstruído em três dias, o lugar da perene 
adoração (DUPUIS, 1999). No novo templo, Jesus, a adoração é trinitária: ao Pai, em 
Espírito e Verdade que é Jesus (Jo 4, 21s).
3.4 Jesus em relação ao ambiente social e aos pobres
A vida de Jesus aconteceu no ambiente do império romano, governado por líderes 
regionais que recebiam o título de Herodes. A Judeia teve quatro Herodes durante a vida 
terrena de Jesus (PAGOLA, 2011).
Tudo faz notar que as relações de Jesus se desenvolveram mais entre o povo 
simples, os últimos, num movimento que inicialmente não incomodava. Mateus afirma que 
ele era amigo dos pecadores, doentes, prostitutas e mulheres, que eram classes excluídas 
e desvalorizadas (Mc 15, 40).
Quanto às suas preferências políticas, Jesus não se enquadrava em nenhum dos 
partidos religioso-políticos do seu tempo (saduceus, fariseus, zelotas, essênios...) e não 
fazia parte de nenhum ciclo exotérico/filosófico (apocalíptico, gnose...). Ele tomava distância 
de tudo que corrompesse a sua missão de Messias e salvador, sobretudo dos supremos 
detentores do poder religioso e político (PAGOLA, 2011). Por estar mais ativo nas periferias 
da sociedade, somente mais tarde é que o procurador romano, os sumos sacerdotes, os 
influentes saduceus e a aristocracia fundiária e sacerdotal, somente mais tarde, começaram 
a saber da novidade que estava sendo anunciada e proposta por aquele tal Jesus.
A escolha de Jesus e declaradamente pelos pobres. Estar ao lado dos pobres 
é o traço comportamental de Jesus mais atestado pelos evangelhos e motivo pelo qual 
ele é muito criticado: “...um comilão, beberrão, amigo dos cobradores de impostos e dos 
pecadores” (Mt 11, 19).
Na pregação e praxe de Jesus, a proximidade do Reino equivale à proximidade 
da salvação divina endereçada aos publicanos, às prostitutas, aos samaritanos, aos 
leprosos, às viúvas, aos pagãos, aos doentes... toda sorte de pobreza que possa retirar 
da humanidade a sua dignidade, traço fundamental da filiação divina (DUPUIS, 1999). Os 
evangelhos falam por si:
Os pecadores são a sua meta: “Mt 9, 12; 
Os publicanos e as prostitutas são os primeiros no Reino dos Céus (Mt 21, 31); 
Jesus come com os pecadores, como por exemplo, Zaqueu (Lc 19, 9-10); 
Afirma haver mais alegria no céu por um convertido que por noventa e nove justos 
que não têm necessidade de conversão (Lc 15, 4-7); 
65UNIDADE III Jesus de Nazaré: Vida e missão
4. LEITURA TEOLÓGICA DA MORTE E RESSURREIÇÃO DE JESUS 
4.1 Introdução
Muitas são as possibilidades de métodos e de perspectivas para se estudar a 
condenação e a morte de Jesus Cristo. Alguns estudos voltam-se para questões biológicas 
procurando entender os níveis da agressão sofrida, a resistência cardiorrespiratória, a perda 
de sangue e outros fatores relacionados ao físico de Jesus. Outros estudos procuram situar 
a existência de Jesus, sua condenação e morte, nas chaves históricas dos acontecimentos. 
No nosso curso, voltado para esclarecer o significado da pessoa de Jesus Cristo para a fé 
dos cristãos, o mais importante é colher o significado teológico ou a teologia do evento da 
morte de Jesus. Isto significa selecionar e destacar o que tudo aquilo nos revela sobre o 
Deus dos cristãos e a fé por eles professada.
4.2 Ponto auge de um conflito
A condenação e a morte de Jesus foi o ponto mais alto da crise causada pelas 
ideias que Jesus vinha anunciando, pelas suas palavras ousadas e pelas suas pretensões 
de intoleráveis e geradoras de uma tremenda crise (DUPUIS, 1999).
As ideias de Jesus mais provocantes para a cultura e a fé judaica estavam 
relacionadas ao templo, à lei e a deus. Ele redirecionou o valor do Templo e da Torah para si 
e colocou-se como a nova e imprevista intervenção definitiva de Deus entre a humanidade 
e o divino criador, como vimos anteriormente. 
66UNIDADE III Jesus de Nazaré: Vida e missão
O testemunho mais verdadeiro a respeito das causas de sua condenação vem dele 
mesmo: sua vida, seus ensinamentos e respostas ao sumo sacerdote durante o processo, 
é exemplo disso (Jo 8, 42).
Algumas das atitudes e palavras que se enquadram no que citamos acima:
● Com os milagres de cura, perdão dos pecados e comandos sobre a natureza, 
Jesus agia em nome e em lugar de Deus.
● Disse explicitamente que quem quisesse ter vida em plenitude, além de observar 
a lei e os mandamentos, deveria segui-lo (Mc 10, 17-31; Mt 5, 17...);
● Jesus apresenta a Deus como seu Pai, de quem se diz enviado, logo, Messias. 
Sendo assim, Deus passa a ligar-se à identidade de Jesus. “Se Deus fosse o vosso 
Pai, vós me amaríeis porquê de Deus eu vim” (Jo 8, 42); “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14, 
6); e ainda: “Quemcrê em mim não é em mim que crê, mas naquele que me enviou”.
Do mesmo modo, alguns comportamentos e posturas de Jesus que serão 
comentadas mais à frente, foram causa de conflitos frente às autoridades civis e considerado 
um propagador de rebeldia, uma ameaça para a ordem pública. 
Por tudo isso e muito mais, Jesus foi visado como um perigo para o império romano 
e a religião.
4.3 Jesus frente à morte iminente
Jesus tinha consciência da repercussão da sua atividade missionária, profética e 
messiânica. Ele sabia em que sua pregação ameaçava as autoridades do Império e em que 
aspectos a Boa Nova era intolerante para o judaísmo. Conhecia muito bem o tipo de pena 
empregada por cada uma das instâncias de autoridade. Por esta razão, ele previu para si uma 
morte violenta como possibilidade real e destino inevitável a partir da oposição crescente na 
experiência de seu ministério. Não estamos nos referindo há uma previsão Sobrenatural. Jesus 
apenas percebia o perigo que estava correndo, como qualquer outra pessoa que estivesse 
falando o que ele falava e comportando-se como ele se comportava (DUPUIS, 1999).
As razões pelas quais Jesus, mesmo conhecendo o perigo de morte, permanecia 
agindo do mesmo jeito e anunciando o mesmo conteúdo, era a consciência da sua missão de 
Messias e Salvador. O amor com que ele assumiu esta sua missão é incalculável, compreende 
o extremo da entrega de vida, ou seja, tudo o que ele tinha foi entregue como ato de amor 
incondicional, gratuito, sem nenhum merecimento de ninguém, sem nenhuma paga. 
67UNIDADE III Jesus de Nazaré: Vida e missão
A gratuidade do um amor incondicional é o que confere um sentido teológico 
autêntico à morte de Jesus e não a intensidade dos sofrimentos, pois outros sofreram 
também as penas da cruz e não nos salvaram... 
É oportuno notifica que, embora sendo humano e divino ao mesmo tempo, Jesus 
jamais serviu-se de seus atributos divinos para amenizar seus sofrimentos ou tornar a sua 
experiência terrena mais suave e confortável (BOFF, 2012). Em outras palavras, Jesus 
não serviu se de sua condição divina para consolar a sua condição humana. Por esses 
motivos, é preciso estarmos muito atentos e atentas para não cairmos em dois possíveis 
erros interpretativos: 
● Jesus premeditando sua morte ao longo de seu ministério como se fosse um 
mago ou adivinho, servindo-se de sua divindade para prever o próprio destino. 
E driblando tal destino. O problema teológico desse procedimento é o fato de 
desconsiderar que o Filho de Deus assumiu a condição humana e histórica assim 
como se apresenta. A potência da divindade de Jesus colaborava apenas para que 
ele cumprisse a sua missão como Salvador e revelasse o rosto salvífico de Deus.
● Jesus suportando tudo, passivamente, sem jamais ter previsto tal fim. Na verdade, 
Jesus sabia muito bem os perigos que estava correndo. Conhecia o que poderia 
acontecer alguém que se comporta como ele se comportou e anuncia as coisas 
que ele anunciou, embora sem previsão de data. Fica esclarecido então que, Jesus 
esperava um fim trágico.
4.4 Significado teológico da morte de Jesus
Jesus sofreu um duplo processo de acusação: o religioso, frente às autoridades 
judaicas que compunham o sinédrio (sumo sacerdote, fariseus e escribas) e o político, 
frente às autoridades romanas, principalmente ao governador romano da província da 
Judeia – Pôncio Pilatos (PAGOLA, 2011).
As acusações que feriam ao mundo religioso, já foram esclarecidas acima. Entre 
as acusações políticas estavam a de sonegação de impostos e de se dizer, tido como 
desrespeito e desacato ao rei Cesar. Tudo isso deu motivo para uma pena conforme os 
costumes romanos: flagelação, despojamento das vestes, carregar a travessa da própria 
cruz, ser pregado na cruz e erguido do chão. A lei judaica previa penas de apedrejamento, 
queima e decapitação.
O julgamento de Jesus na mão da humanidade e a pena recebida enfatizam sua 
entrega amorosa, o SIM de Deus cancelando o NÃO da humanidade a Ele.
68UNIDADE III Jesus de Nazaré: Vida e missão
É errôneo pensar que aconteceu uma entrega maldosa e fria por parte do Pai. Com 
o mesmo amor com que o pai entregou seu Filho pela salvação do mundo, o Filho de Deus 
é entregou a si mesmo para fazer a vontade do Pai.
4.5 O crucificado ressuscitou
É oportuno recordar que a base da cristologia é a experiência do Verbo de Deus 
feito carne cujo valor e significado são conferidos pela Ressurreição.
Segundo a tradição dos evangelhos sinóticos, sempre que Jesus fala em sua morte, 
faz uma associação direta à ressurreição dando ideia de continuidade dos fatos relativos à 
sua obra salvífica (Mt 16, 21; 17, 9; 17; Mc 8, 3; 10, 34; Lc 9, 22; 18, 33).
As predições sobre a ressurreição são acompanhadas por informações de que ela 
é incompreensível aos discípulos e os próprios relatos da ressurreição enfatizam a dúvida 
e a incerteza dos discípulos Era algo absolutamente novo e inimaginável.
É curioso obter que a ressurreição de Jesus causou uma virada no ânimo missionário 
e apostólico dos discípulos. Por ela, eles participam da obediência filial de Jesus ao Pai, 
reconhecem a experiência anterior à Páscoa como sua origem e seu fundamento com a 
consequência do anúncio salvífico e universal da boa nova de Jesus.
Entre a tragicidade da morte e a novidade imediata da ressurreição há continuidade 
no dizer-se de Deus sobre si mesmo e sobre a humanidade, ao que se chama Revelação.
A ressurreição de Jesus não é fato que se possa provar historicamente porque não 
deixou testemunhas diretas e é um acontecimento teológico por excelência, ou seja, está 
no além vida terrena, portanto, foge ao âmbito das nossas condições de conhecimento 
objetivado e empírico.
Porém, temos a fé dos discípulos e suas narrativas como suporte de veracidade e de 
fé. A maior proximidade histórica decorre da fé dos discípulos através dos seguintes sinais: 
● A mudança de comportamento constatada na comunidade dos doze (depois da 
crucifixão, a fuga e retorno repentino para a Galileia e posteriormente o retorno 
para Jerusalém);
● A afirmação da ressurreição e exaltação de Jesus pondo em risco suas vidas;
● O dinamismo do surgimento da comunidade das origens e sua missão/expansão; 
Ao grupo de Corinto que insistia em negar a ressurreição de Jesus, Paulo formulou 
a resposta que se tornou referência: “Se Cristo não ressuscitou, nossa pregação é vã e vã 
é a nossa fé.” (I Cor 15, 14; cf. 15, 3-5)
69UNIDADE III Jesus de Nazaré: Vida e missão
As aparições do ressuscitado e o túmulo vazio são um conjunto de sinais que devem 
sempre ser lidos e interpretados conjuntamente a fim de que se possa colher a riqueza da 
mensagem da ressurreição do Senhor (Mc 16, 8; Mt 28, 8; Lc 24, 4).
A ressurreição revolucionou radicalmente a interpretação da experiência e da vida 
dos apóstolos porque:
● Reabilitou Jesus diante do mundo;
● Deu início a um novo mundo;
● Revelou que a morte de Jesus aconteceu por um fim salvífico: por nossos 
pecados, por nosso amor;
● Deu origem à comunidade dos remidos e ressuscitados em Cristo.
70UNIDADE III Jesus de Nazaré: Vida e missão
SAIBA MAIS
A propósito do ambiente social e religioso de Jesus, vale conhecer um pouco sobre os 
saduceus, os zelotas e os fariseus:
Fariseus 
Frequentemente citados nos Evangelhos, os fariseus constituíam um dos grupos 
mais expressivos do judaísmo. Diversas fontes indicam que o termo fariseu significa: 
“separados”, o que faz muito sentido quando olhamos as suas características. Eram 
leigos de diversas camadas judaicas (exceto dos pobres), que buscavam viver fielmente 
os preceitos religiosos. Eles se apresentavam como mestres peritos na interpretação 
da lei e como observadores zelosos da mesma, com grande influência sobre o povo, 
especialmente em relação ao dízimo, à pureza ritual, e à observância do sábado. 
Exerciam grande influência na sociedade judaica e eram tidos em grande respeito.
SaduceusFormavam uma classe socialmente privilegiada da sociedade judaica - economicamente, 
culturalmente, religiosamente e politicamente – uma verdadeira aristocracia que exercia 
grande influência sobre o modo de vida da sociedade. Possuíam terras e exerciam 
atividade comercial. Sendo assim, por estarem à frente dos meios de prover o sustento 
material, também acabavam por ter grande incidência na área dos costumes. Certamente, 
isso estava vinculado e justificado pela religião, pois eles mantinham laços estreitos 
com a classe sacerdotal. Não eram um partido político, mas tinham forte protagonismo 
social, em vista dos seus interesses
Zelotas
Trata-se de um grupo de pessoas marcadas por um forte sentimento nacionalista, que 
não aceitavam a submissão judaica às outras nações. Pensam em restaurar um Estado 
onde Deus é o único rei, representado por um descendente de Davi, pois um rei livraria 
o povo hebreu do julgo da dominação estrangeira e Israel teria autonomia em todos 
os sentidos da vida. Deste modo, sua vivência religiosa tinha uma forte interação com 
a política através de uma postura de combate e hostilidade ao Império Romano com 
táticas de ataques e guerrilha. Nos evangelhos, Jesus parece não entrar num embate 
direto com este grupo, mas sua pregação e sua prática mostram com clareza, oposição 
aos zelotas no modo de conceber a vida e a religião.
71UNIDADE III Jesus de Nazaré: Vida e missão
O Reino, anunciado por Jesus como justiça, amor e fraternidade universal, era buscado 
pelos zelotas através da emancipação política.
Fonte: (STORNIOL, 1990; MACKENZIE, 1983; DUPUIS, 1999.)
 
REFLITA 
Todas as vezes que procurarmos entender o significado da existência de Jesus Cristo 
para a fé cristã apoiados em provas materiais estaremos falados a cair no vazio. Para citar 
um exemplo desse tipo de recurso e estratégia de conhecimento lembremos das tantas 
igrejas e museus espalhados pelo mundo inteiro que afirmam ter fragmentos originais da 
Cruz de Cristo para serem visitados. Em 1543 Jean Calvino afirmou que as relíquias da 
crucificação de Jesus existentes no mundo dariam para lotar um navio inteiro.
Para refletir mais a este respeito você pode ler o artigo Fragmentos da Cruz de Cristo, 
mencionado logo abaixo.
Fonte: ANSEDE, M. Fragmentos da cruz de Cristo. Revista eletrônica El Pais versão Brasil. 25 MAR 
2016. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2016/03/23/ciencia/1458763912_305135.html. Aces-
so em: 02 dez. 2021.
https://brasil.elpais.com/brasil/2016/03/23/ciencia/1458763912_305135.html
72UNIDADE III Jesus de Nazaré: Vida e missão
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Chegamos ao final de mais uma unidade do nosso curso de cristologia. Nela você pode 
visitar os aspectos mais significativos da vida terrena de Jesus para a formulação da fé cristã.
A base fundamental desse conhecimento são as escrituras sagradas especialmente, 
os relatos e os registros contidos nos evangelhos. E a leitura que procuramos fazer ao longo 
dessa unidade é tipicamente teológica e, portanto, diferenciada de outras leituras como por 
exemplo, a leitura da historiografia.
Você pode encontrar chaves de conexão entre as unidades anteriores de maneira 
que foi possível compreender a vida de Jesus como resposta de Deus a sua própria 
promessa de envio de um Messias Salvador.
Conhecendo as posturas principais tomadas por Jesus, os valores por ele vividos 
e o anúncio do Reino de Deus você entrou em sintonia com o quê os evangelhos chamam 
de Boa Nova, ou seja, a novidade do amor de Deus e se fez homem e viveu a vida humana 
com todos os desafios da história. 
Jesus, como Filho de Deus, é a imagem visível de Deus invisível. Por Ele e 
Nele o mundo pôde ter acesso a Deus Pai como nunca. Em suas atitudes, escolhas e 
ensinamentos fomos atingidos por um amor salvífico, perdoador e restaurador, de maneira 
que nos tornamos novas criaturas e, Cristo.
Por sua vida terrena aprendemos o que é ser “humano” conforme a vontade 
criacional do divino criador e acessamos o núcleo da sua proposta de reinado de Deus e de 
seguimento a Ele, em comunidade.
Na próxima unidade iremos estudar as fases da organização dos ensinamentos de 
jesus transformados em doutrina e ato de fé. 
73UNIDADE III Jesus de Nazaré: Vida e missão
LEITURA COMPLEMENTAR
O artigo foi escrito pela equipe de docentes da Faculdade Batista do Paraná com 
o objetivo de auxiliar os seguidores de Jesus a compreender melhor o Reino na pregação 
de Jesus, uma vez que a pregação de Jesus era fundamentalmente o anúncio do Reino 
de Deus. Suas exortações, parábolas, profecias e mesmo as bem-aventuranças, eram 
centradas e direcionadas no Reino de Deus, buscando explicá-lo, anunciá-lo ou mesmo 
realizá-lo no mundo.
Fonte: FABAPAR. O Reino de Deus na Pregação de Jesus. Revista Teológica, v. 
21, n. 42, 2020. Disponível em: https://www.fabapar.com.br/blog/o-reino-de-deus-na-pre-
gacao-de-jesus/. Acesso em: 02 dez. 2021.
74UNIDADE III Jesus de Nazaré: Vida e missão
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO 
Título: Jesus: aproximação histórica.
Autor: José Antônio Pagola.
Editora: Loyola.
Sinopse: O livro, Jesus: aproximação histórica, do teólogo José 
Antônio Pagola veio enriquecer a teologia e, de forma especial, a 
cristologia. Trata-se de uma obra que pretende apresentar Jesus 
de forma que seja conhecido e amado. A obra é escrita por uma 
pessoa de fé, situada no seio da Igreja católica, obra de um cristão, 
presbítero, que tem o ardente desejo de comunicar a pessoa de 
Jesus. O livro poderá lhe ajudar a aprofundar temas que tratamos e 
abrir os estudos de outros aspectos da vida e da pregação de Jesus.
 
FILME/VÍDEO 
Título: Dom Helder Câmara: o Santo Rebelde.
Ano: 2004.
Sinopse: O filme aborda sobre Dom Hélder Câmara, arcebispo 
emérito de Olinda e Recife, morto em 1999. Desde sua participação 
como figura central da ala progressista da Igreja Católica, na 
década de 1950, criando a Conferência Nacional de Bispos do 
Brasil (CNBB) e o Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), 
até suas ações proféticas durante a ditadura militar. O testemunho 
de Helder Câmara é uma das expressões cristãs notáveis do 
século XX.
Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=bvURWRz-
7jlE&t=185s 
75
Plano de Estudo:
● A crise ariana;
● O Concílio de Niceia;
● Dificuldades cristológicas;
● Verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus.
Objetivos da Aprendizagem:
● Compreender o processo da sistematização da fé cristológica;
● Estabelecer a importância de cada definição conciliar;
● Identificar o pensamento herético em meio ao 
pensamento ortodoxo cristão.
UNIDADE IV
Verdadeiramente Homem e 
Verdadeiramente Deus
Professora Doutora Raquel C. Cabral
76UNIDADE IV Verdadeiramente Homem e Verdadeiramente Deus
INTRODUÇÃO
Prezado e prezada estudante, estamos iniciando a última unidade do curso de 
cristologia, talvez, a mais empenhada por tratar de temas mais conceituais. 
A unidade está com o título de verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus 
porque nela estudaremos o processo de organização e sistematização dos elementos que 
compõem a fé cristã em Jesus Cristo.
A temática central da quarta unidade move-se em torno da natureza de Jesus que 
tem dupla pertença, humano divina.
O conteúdo desta afirmação foi entregue à história pelo próprio Jesus Cristo ao se 
apresentar publicamente com palavras e ações ao mesmo tempo humanas e divinas. É o 
que chamamos de Revelação, em teologia.
Você terá oportunidade de conhecer às etapas das discussões de temas que foram 
surgindo a partir de dúvidas genuínas, mas também de críticas provocativas e desafiadoras 
sobre a pessoa de Jesus Cristo e a fé dos cristãos.
Especialmente para a comunidade judaica e para a comunidade helênica era muito 
difícil conceber Deus feito humano.
Os Padres e líderes, inspirados pelo espírito de Deus e iluminados pela Sagrada 
Escritura, tiveram o mérito de explicitar racionalmente as cláusulas da nossa fé com as 
devidas aprovações,por parte dos bispos, em assembleias chamadas Concílios. 
Na tentativa de explicitar e responder às perguntas provocativas alguns dos padres 
se fecharam na própria opinião, não aceitaram ouvir as discussões em colegialidade 
e terminaram por defender pareceres na contramão do grupo dos padres da igreja. As 
reflexões e conclusões construídas nesse modo ficaram conhecidas como heresias. Você 
vai conhecer algumas das principais heresias cristológicas.
Desejo-lhe um excelente caminho de crescimento nos conhecimentos da fé cristã e 
uma ótima experiência de mergulhar nas fontes da fé cristã.
77UNIDADE IV Verdadeiramente Homem e Verdadeiramente Deus
1. A CRISE ARIANA
 
1.1 Introdução
Para melhor colhermos o que estamos por refletir é interessante nos situarmos no 
primeiro século do cristianismo quando os apóstolos e aqueles fiéis que conviveram com 
Jesus já estavam desaparecendo. A autoridade da experiência de quem viveu pessoalmente 
com o Mestre começou a desaparecer. Eram necessárias explicações altura das dúvidas e 
da incredulidade das pessoas que se convertiam ao cristianismo provenientes do paganismo 
ou mesmo do judaísmo. Fazia-se necessário uma verdadeira curva conceitual convincente 
para suscitar a fé e a decisão das gerações que iam surgindo. 
Em diversos momentos encontramos registros nos evangelhos de Jesus prometendo 
que tudo o que ele estava ensinando ficaria mais claro posteriormente, com o auxílio do Espírito 
Santo que ele mesmo enviaria. Jesus sabia que seria necessário muito tempo para que a fé 
dos discípulos se desenvolvesse forte e robusta, capaz de enfrentar os adversários por meio 
da pregação que considerasse a razão. Este é o berço do que chamamos crise ariana. 
1.2 Ário em busca de compreensão sobre a natureza divina de Jesus Cristo 
De acordo com o testemunho dos escritos do Novo Testamento, sabe-se que Jesus 
era respeitado e referido como o Senhor - Kyrios. Este título era reservado somente a 
Deus ou ao imperador, que era um legal representante de Deus. Deste modo, estamos 
constatando que desde as primeiras gerações de seguidores de Jesus, havia um ato de fé 
na sua na realidade extraordinária. 
78UNIDADE IV Verdadeiramente Homem e Verdadeiramente Deus
A partir da morte e ressurreição de Jesus a comunidade dos seguidores discípulos 
e discípulas, começou a pensar o que professava, fazendo se perguntas e recebendo 
perguntas daqueles que não pertenciam a comunidade cristã. Entre as tantas tentativas 
de respostas de autocompreensão da fé e de formulações racionais, muito se avançou 
na compreensão da pessoa de Jesus Cristo. Ao mesmo tempo, aconteceram muitos erros 
devido a compreensões isoladas e fechadas ao diálogo. 
O processo de compreensão da pessoa de Jesus Cristo e de tudo aquilo que ele 
ensinou a respeito de Deus foi possível graças à assistência do Espírito Santo por ele prometido 
e enviado como aquele que revelaria e conduziria toda a verdade à luz da compreensão. 
Os livros do Novo Testamento tiveram a primeira compilação canônica ou oficial 
no ano de 170 depois de Cristo. Até então, os testemunhos eram quase que diretos, ou 
seja, de pessoas que conviveram com Jesus ou receberam a Boa Nova diretamente de 
discípulos imediatos do mestre. A partir de 170, contava-se com muitos relatos cuja primeira 
compilação servia de ponto de referência. Isto não significa dizer que os textos sagrados 
dessem resposta para todas as perguntas que causavam debates. 
A fé cristológica passou por muitos debates e controvérsias desde o primeiro até o 
sétimo século. Os debates cristológicos discutiam sobre a verdade da encarnação de Deus, a 
verdade sobre a identidade divina do Filho de Deus, Jesus Cristo, e sobre o modo da encarnação 
visando entender a relação da natureza humana com a natureza divina numa mesma pessoa. 
Entre as tentativas de explicitação da divindade do Filho de Deus, Ário se destacou por 
inserir na sua formulação ela é menos diversos elementos que fortalecia a posição teológica 
que negava a sua natureza divina. Ário foi presbítero da Igreja de Alexandria, que nasceu 
entre os anos de 256 e 260 d.C., provavelmente na Líbia, e morreu em 336. Suas posições 
teológicas causaram um grande conflito que ficou sendo conhecido como a crise ariana: 
As principais ideias teológicas arianas podem ser assim resumidas (DUPUIS, 1999): 
● Deus é um só, o pai e criador, sem divisão. 
● O filho Jesus Cristo é divino somente por participação na divindade do pai pois, 
foi adotado pelo pai antes da criação do tempo para servir de instrumento e de 
auxílio na criação do universo. 
● Consequentemente o filho é menor que o pai, é subordinado ao pai em dignidade, 
autoridade e glória. 
● Tudo o que diz respeito a encarnação mostra que este filho foi submetido ao tempo, 
às paixões, a mudanças incompatíveis com a natureza divina. A incompatibilidade é de 
natureza pois a natureza divina não se deixa aprisionar pela natureza do mundo criado. 
● Sendo assim, o filho de Deus é uma criatura como outra qualquer e não existe 
desde sempre, como o pai, mas, pois, houve um tempo em que o filho não existia. 
Portanto ele não é coeterno com o pai. 
79UNIDADE IV Verdadeiramente Homem e Verdadeiramente Deus
1.3 Auge da crise 
Ário foi advertido por Alexandre, bispo responsável pela região eclesiástica à 
qual ele pertencia, Alexandria. Mas ele recusou-se a prestar esclarecimentos sobre suas 
posições teológicas a respeito de Jesus Cristo e continuou insistindo em pregar suas ideias. 
Por esta razão, foi afastado de suas funções sacerdotais e expulso de Alexandria. 
Para se fortalecer, Ário procurou o apoio de companheiros que, como ele, haviam 
sido discípulos de Luciano de Antioquia, em especial o amigo Eusébio, que era bispo 
de Nicomédia, outra região eclesiástica. Eusébio não só acolheu a Ário como também à 
sua teologia. Propagou as ideias de Ário e convoca uma assembleia local, para debater 
aquela doutrina, o qual conclui que as ideias de Ário não eram heréticas. A este ponto 
dos acontecimentos o conflito atingiu o seu auge e o império ficou dividido em arianos e 
alexandrinos, o que desagradou muito ao imperador Constantino. 
80UNIDADE IV Verdadeiramente Homem e Verdadeiramente Deus
2. O CONCÍLIO DE NICEIA
 
2.1 Introdução
A palavra “ecumênico” provém do termo οἰκουμένη (oikouméne), que quer dizer 
mundo habitado. Logo, a expressão Concílio Ecumênico indica a reunião das representações 
oficiais da Igreja do mundo inteiro. A história da Igreja conta com a realização de 21 concílios 
ecumênicos, cujo primeiro foi o concílio de Nicéia no ano de 325 e o último, o Concílio 
Vaticano II em de 1962 a 1965. Os concílios ecumênicos constituem um acontecimento 
eclesial em assembleia, formada pelo papa e pelos bispos, exercendo a autoridade de 
deliberação e decisões no campo dogmático canônico litúrgico moral ou disciplinar, segundo 
as necessidades do momento (PIKAZA, 1998).
A passagem da perseguição à tolerância do cristianismo por parte do Império 
Romano marcou uma guinada no caminho da Igreja. Foi a partir do imperador Constantino 
que a Igreja assumiu um formato mais burocrática e caráter oficial em suas posições e 
declarações, repercutindo em todo o império. A realidade eclesial, porém, passou a ser 
objeto da política imperial que via o cristianismo como peça fundamental para a sua 
popularidade e projeto de governo.
Ao se instalar nas estruturas do Estado, as decisões da Igreja se tornavam de 
interesse do governo e é nesse contexto que os concílios antigos aparecem com maior 
nitidez, cada vez mais abrangentes. Convocar assembleias sinodais e conciliares passou a 
ser uma atividade exercida pela Igreja numa busca de unidade da fé, mas também sob as 
prerrogativas do estado para unidade do império.
81UNIDADE IV Verdadeiramente Homem e Verdadeiramente Deus
O Concílio Ecumênico que aconteceu em Niceia no ano de 325 foi convocado em 
razão do conflito causado pelasteorias de Ário a respeito da natureza do Filho de Deus, 
conforme estudaremos neste tópico.
2.2 Elementos práticos sobre o Concílio de Niceia de 325
Embora os debates e discussões causados pela tese de Ário tenha sido motivada 
por temas teológicos, o conflito causado teve repercussões em todo o Império dividindo as 
opiniões em verdadeiros partidos ideológicos, pois nem todos estavam à altura de opinar 
com argumentação filosófica e teológica.
Preocupado com a situação política de divisão do império por questões teológicas, 
o imperador Flavius Valerius Aurelius Constantinus convocou um concílio. É importante 
ressaltar que, para ele, as particularidades teológicas pouco ou nada importavam. O 
resultado desejado é que o império reencontrasse a paz pela unidade de posicionamentos, 
facilitando assim, o exercício de governo (ALBERIGO, 1995). Constantino conduziu os 
trabalhos do concílio
2.3 Elementos teológicos inaugurados por Niceia
Nos debates teológicos que provocaram a convocação do Concílio de Niceia, Ário 
tinha como seu defensor, Eusébio de Cesaréia, enquanto Alexandre, que o condenara, 
tinha como defensor, Atanásio. Evidentemente, como defensor de Ário, Eusébio repetia e 
fundamentava suas teses teológicas já expostas acima. 
No combate à teologia de Ário, Atanásio e Alexandre, ambos de Alexandria, 
constroem uma teologia defensiva contra os arianos afirmando que:
● O Filho participa da mesma substância divina do Pai de maneira que é Deus 
como o Pai.
● Como tal, existe desde toda a eternidade, ou seja, é coeterno com o Pai.
● Sendo coeterno, não foi criado, mas emergiu do seio de Deus mesmo de maneira 
que, como é próprio de Deus, tanto o pai quanto o filho possuem em si mesmos o 
princípio e a causa das suas existências.
É importante destacar que a grande novidade das decisões do Concílio de Nicéia 
foi inserir no credo cristão a palavra “consubstancial” que indica a igual substância entre 
o Pai e o Filho. O monoteísmo questionado recebe uma resposta: Deus é mais de uma 
pessoa – Pai e Filho. Além disso, Niceia anatematizou, ou seja, condenou as ideias de 
Ário e aos que as professassem. Com esses esclarecimentos o credo niceno ficou com a 
seguinte formulação:
82UNIDADE IV Verdadeiramente Homem e Verdadeiramente Deus
“Cremos em um só Deus, Pai onipotente, artífice de todas as coisas visíveis e 
invisíveis. E em um só nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, nascido unigênito do 
Pai, isso é, consubstancial ao Pai, Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus 
verdadeiro, nascido, não feito, de uma só substância com o Pai (o que em grego se diz 
homoousion); por meio do qual foram feitas todas as coisas que no céu e as na terra; o 
qual, por causa de nossa salvação desceu, se encarnou e se fez homem, e padeceu, e 
ressuscitou ao terceiro dia, e subiu aos céus, havendo de vir julgar os vivos e os mortos. E 
no Espírito Santo. Aqueles, porém, que dizem: “Houve um tempo em que não era” e: “Antes 
que nascesse não era”, e que foi feito do que não era, ou que dizem ser de outra substância 
ou essência, ou que Deus é mutável ou alterável, a eles anatematiza a Igreja católica”.
83UNIDADE IV Verdadeiramente Homem e Verdadeiramente Deus
3. DIFICULDADES CRISTOLÓGICAS 
3.1 Introdução
A paz tão esperada não chegou e a resolução do problema teológico que nasceu 
das afirmações cristológicas de Ário não aconteceu. As definições de Nicéia provocaram 
as mais divergentes interpretações de maneira que as partes em debate sentiam-se 
contempladas ao mesmo tempo.
Na verdade, o Concílio de Nicéia impôs uma reviravolta eclesial e teológica muito 
difícil. A cristandade ficou dividida entre arianos e nicenos. A tarefa pós conciliar de tornar 
conhecida a fórmula que continha a palavra como substancial foi muito mais difícil do que se 
esperava. As contendas continuavam. Em Antioquia, no ano de 341, surgiu uma tentativa de 
conciliar arianos e nicenos por meio de uma fórmula que omitia a palavra com substancial.
Nesse momento da história o debate cristológico, baseado na sagrada escritura, 
perguntava se como poderia ser que Jesus Cristo, o filho de Deus, tivesse se feito homem, 
pertencendo a natureza divina. Como poderia ser que um homem fosse divino ou que Deus 
fosse um homem?
Fazia-se necessário enfrentar os desafios do anúncio cristão perante o helenismo, 
a comunidade judaica, aqueles que provinham do mundo pagão e os que não aceitaram as 
decisões conciliares. A dificuldade era, especialmente, no tocante à relação entre o Verbo 
de Deus e a carne assumida por Jesus Cristo. 
84UNIDADE IV Verdadeiramente Homem e Verdadeiramente Deus
3.2 As escolas teológicas alexandrina e antioquena 
Os debates teológicos desse período tiveram o apoio dos padres antigos do 
ocidente e do Oriente agrupados em tem 2 linhas de reflexão, o que chamamos de escolas 
teológicas: a escola de a escola de Alexandria e a escola de e a escola de Antioquia. 
De modo sintético, vamos destacar as características principais de cada uma delas a fim 
de colher as principais diferenças. Optaremos por destacar o esquema teológico e os 
representantes ortodoxos e heterodoxos e os representantes ortodoxos e heterodoxos de 
cada escola (DEPUIS, 1999).
3.2.1 Escola Alexandrina (Egito)
1) Esquema teológico:
● Valorizava o método alegórico das Sagradas Escrituras que admitia uma 
compreensão para além das palavras textuais;
● Dá especial atenção à unidade de pessoas na Trindade, com forte preocupação 
em anunciar a divindade das três pessoas na união pela essência divina;
● Cristologia da Palavra-carne ou Logos sarx: o Logos (Palavra-Verbo) de Deus 
assumiu a carne humana sem realmente entrar na existência humana em toda 
a sua plenitude, sem alma racional; 
● O Logos eterno é o sujeito que rege o evento Jesus Cristo – especial atenção 
à divindade de Jesus Cristo;
● Põe em risco a verdadeira humanidade do Verbo, o homem concreto, 
completo, autônomo.
2) Representantes ortodoxos: 
● Clemente de Alexandria;
● Origenes;
● Atanásio;
● Cirilo de Alexandria.
3) Pensadores heterodoxos:
● Ário;
● Apolinário.
85UNIDADE IV Verdadeiramente Homem e Verdadeiramente Deus
3.2.2 Escola Antioquena (Síria)
1) Esquema teológico:
● Primava pelo significado histórico literal das Escrituras, sem admitir alegorias 
interpretativas. 
● Dava especial atenção à distinção de pessoas em Jesus Cristo como duas 
fontes do ser apenas em relação;
● Cristologia Verbo-homem ou Logos antropos: a humanidade de Jesus Cristo 
não era passiva, mas ativa, Diodoro de Tarso chegava a afirmar que em Jesus 
Cristo estava o Filho de Deus e o Filho de Davi, distintos.
2) Representantes ortodoxos: 
● Diodoro de Tarso;
● João Crisóstomo;
● Teodoreto de Ciro;
● Teodoro de Mopsuéstia.
3) Pensadores heterodoxos:
● Nestório;
● Eutique.
3.3 O Monofisismo de Apolinário (Apolinarismo)
O monofisismo foi uma teoria teológica que nasceu no século quinto como uma 
reação ao nestorianismo, heresia criada por Nestório. Nestório defendia que Jesus era 
dotado de dupla natureza, porém distintas e separadas.
O termo “monofisismo” (de monos, “único”, e phusis, “natureza”) designa a posição 
dos que atribuem a Cristo uma única natureza. Foi uma das tentativas de esclarecer as dúvidas 
a respeito de como as duas naturezas, humana e divina, subsistiam na mesma pessoa do 
Filho de Deus encarnado. Entre os monofisistas que se destacaram está Apolinário.
Apolinário foi professor de retórica, bispo de Laodiceia, pertencente à escola 
teológica Alexandrina. Como ferrenho opositor do arianismo Apolinário tinha ânsia de 
defender a divindade de Jesus na unidade com sua humanidade. A falta de diálogo com os 
outros pensadores e o exagero da ênfase em uma única perspectiva de análise, fez com 
que a reflexão de Apolinário produzisse uma heresia que ficou conhecida como monofisismo 
de Apolinário ou apolinarismo.
86UNIDADE IV Verdadeiramente Homem e Verdadeiramente DeusApolinário defendia que Deus, o Verbo divino, não teria assumido a alma humana 
racional. O próprio Logos, o próprio Deus, teria substituído a alma humana de forma que 
o corpo de Jesus seria uma forma espiritualizada e glorificada de mera humanidade. A 
humanidade assumida, portanto, era incompleta, e assim deveria ser, porque duas naturezas 
completas não podem unir-se entre si e permanecerem inteiras. Segundo a heresia de 
Apolinário em Cristo havia uma única natureza e uma única vontade, a divina.
Para construir a sua heresia Apolinário faz uma leitura da Sagrada Escritura com 
interpretação muito restrita. Ao ler João quando diz que o Verbo se fez carne (Jo 1, 14), ele 
comenta que carne não é alma e confirma que não é possível que dois princípios intelectivos 
e volitivos habitem no mesmo lugar. O corpo assumido pelo Verbo divino é sem alma sem 
intelecto e sem vontade.
As duas escolas teológicas com seus representantes ortodoxos reagiram contra 
esta teoria teológica de Apolinário, como também Gregório de Nissa e Gregório Nazianzo, 
ambos da Capadócia. Suas respostas convergiam parar a tentativa de explicar que o verbo 
de Deus se uniu a carne humana perfeita e integralmente e que era dotada de alma racional: 
inteligência, liberdade e vontade.
O apolinarismo foi tema tratado no sínodo Alexandrino que aconteceu em 362 e 
condenado como herético. Porém a ideia continuava a persistir pelos seus seguidores é 
pelo próprio Apolinário.
3.4 O Concílio de Constantinopla 381
O concílio de Constantinopla retomou as discussões que provocaram a convocação 
do concílio de Nicéia em 325. Naquela ocasião, discutia-se a respeito da natureza divina 
do Filho de Deus encarnado. O pós-concílio trouxe novas discussões a respeito do mesmo 
tema embora com novas formulações e problematizações. 
Eram muitas as hipóteses e resultados de reflexões teológicas a respeito da dupla 
natureza do Filho de Deus. Desde os que acreditavam em uma única natureza dominando e se 
sobrepondo a outra aos que acreditavam que haviam dois sujeitos coexistindo em Jesus Cristo 
o fato é que a fé de Nicéia não havia sido ainda assumida nem mesmo bem compreendida.
O concílio de Constantinopla foi convocado pelo imperador Romano Teodósio em 
381. Nele, somente os bispos do Oriente participaram por causa da perseguição em razão 
das divergências entre o Oriente e o ocidente.
Os padres conciliares, mais uma vez, retomaram as teses de Ário e as confirmaram 
como heréticas. Fez o mesmo às teses de Apolinário, condenando-as como heréticas.
87UNIDADE IV Verdadeiramente Homem e Verdadeiramente Deus
O Concílio de Constantinopla acrescentou uma parte ao credo niceno referente à 
divindade do Espírito Santo e, quanto à doutrina cristológica, discutiu bastante o modo como 
a divindade e a humanidade se relacionam em Jesus e afirmou em forma de profissão de fé:
“Cremos em Jesus Cristo, filho unigênito de Deus, gerado pelo Pai antes de 
todos os tempos; Luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, 
consubstancial ao Pai por meio do qual todas as coisas foram criadas; Por nós homens e 
pela nossa salvação desceu, se encarnou pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria e 
se fez homem...; Virá de novo com glória julgar vivos e mortos e o seu reino não terá fim”.
88UNIDADE IV Verdadeiramente Homem e Verdadeiramente Deus
4. VERDADEIRAMENTE HOMEM E VERDADEIRAMENTE DEUS
4.1 Introdução
Não obstante, o Concílio de Constantinopla tivesse retomado as discussões que 
inquietavam o campo da fé cristã devido às dúvidas e incertezas a respeito da dupla 
natureza do Filho de Deus, não conseguiu pôr um fim ao conflito teológico.
O quinto século foi marcado pela controvérsia teológica entre Nestório, representante 
da Escola Antioquena, e Cirilo, da Escola de Alexandria.
4.2 A controvérsia nestoriana: Nestório X Cirilo
Nestório era um célebre pregador pertencente à escola teológica de Antioquia que 
reagiu contra a cristologia de Ário e de seus seguidores. A grande preocupação de Nestório 
era de preservar a plena humanidade e a plena divindade de Cristo sem prejuízos. No 
intuito de atingir a este objetivo, Nestório ensinou a ideia de uma conjunção, ou seja, da 
existência de dois sujeitos em Jesus Cristo: um divino e um humano, numa reunião apenas 
moral ou acidental entre o Verbo de Deus e a humanidade assumida. Nestório não aceitava 
a doutrina da comunicação de idiomas e rejeitava toda e qualquer ideia de apropriação real 
das propriedades da humanidade por parte do verbo de Deus. Segundo ele, isso significaria 
incompletude da parte de Deus e necessidade de ajuda da humanidade para realizar a 
salvação. Se assim o fosse, Deus teria em si indigências, lacunas e carências de ser.
89UNIDADE IV Verdadeiramente Homem e Verdadeiramente Deus
Seguindo seu raciocínio teológico, Maria seria a mãe apenas de Jesus em sua 
humanidade e não a mãe de Deus. Nestório, por este motivo, rejeita e crítica o título de 
theotókos atribuído a Maria pela maioria dos padres, desde Alexandre de Alexandria, e 
propõe o título cristotokos.
Cirilo era presbítero da igreja de Alexandria, portador de personalidade forte e 
enérgica, chegando a ser e violento para com os hereges e pagãos (DUPUIS, 1999). Ele 
não demorou a reagir aos Ideais de Nestório. Exprimiu o seu pensamento através de 3 
cartas de cunho dogmático, retomando as afirmações feitas pelo concílio de Niceia e de 
Constantinopla. Cirilo, nessas cartas, resgatou a identidade concreta entre o verbo de Deus 
e Jesus Cristo defendendo que há uma única pessoa em Jesus Cristo com duas naturezas 
diversas, unidas em real e verdadeira unidade, resultando de ambas um só Cristo, o Filho 
de Deus. Cirilo fez questão de enfatizar que as naturezas humana e divina Unidas, não 
eliminam as diferenças de maneira que as diferenças se conjugam e se integra não entre 
sim numa verdadeira comunicação de idiomas.
Quanto à teologia em relação a Maria mãe de Deus, a Theotókos, Cirilo confirma 
que há um só Filho, um só Senhor, tanto antes como depois da encarnação. Portanto, 
aquele que existiu desde sempre nasceu da carne de uma mulher e, portanto, se fez seu 
filho. Logo, Maria, é a mãe de Deus que se fez carne.
A discussão tornou-se problemática quando Nestório se rebelou contra as respostas 
de Cirilo, considerando-as inaceitáveis e heréticas ponto Nestório pediu apoio do imperador 
Teodósio II solicitando que ele convocasse um concílio em Éfeso, a fim de condenar Cirilo 
como herético. 
4.3 O Concílio de Éfeso 431
O concílio de Éfeso aconteceu no ano de 431 e foi convocado pelos dois 
imperadores: Teodósio II, do oriente, e Valentino III, do ocidente. A motivação da convocação 
foi a controvérsia teológica entre Nestório e Cirilo de Alexandria que punha em dúvidas o 
realismo da encarnação de Deus. A questão discutida era como o filho de Deus se fez 
realmente humano, algo escandaloso para a mentalidade helenista.
O concílio de Éfeso não promulgou nenhuma definição dogmática, porém aprovou 
oficialmente a segunda carta de Cirilo a Nestório, na qual ele defendeu a uniam da natureza 
humana a natureza divina sem separação e sem confusão. Em Cristo qual existe a divindade 
e a humanidade em um único sujeito, de forma que, estando as 2 naturezas bem Unidas em 
uma só pessoa, ele pertence perfeitamente ao divino e ao humano.
90UNIDADE IV Verdadeiramente Homem e Verdadeiramente Deus
É exatamente por isso que Ele é o único e perfeito mediador entre Deus e a 
humanidade na obra da redenção (DUPUIS, 1999).
Em síntese, o Concílio de Éfeso de 431:]
● Assume a cristologia alexandrina de Cirilo: o Logos assumiu de fato carne humana 
(equivale ao esquema Logos-sarx);
● Confirma um único sujeito divino em Cristo sem divisão;
● Defende a integridade e perfeição das duas naturezas;
● Canoniza a comunicação idiomas na união hispostática;
4.4 O Concílio de Calcedônia 
Desde o concílio de Nicéia o dogma cristológico veiopassando pelo processo de 
aprofundamento e explicitação sob a assistência do espírito de Deus, como Jesus havia 
prometido. O Tesouro dos dados revelados a respeito da realidade divina desde o antigo 
testamento, tendo o seu cume em Jesus Cristo, foram sendo cuidadosamente investigados, 
debatidos e esclareci idos de modo a tornar a fé não consta um conteúdo passivo de 
exposição racional.
Entre o concílio de Éfeso e o concílio de Calcedônia passaram-se vinte anos de 
ajustes de linguagem e de compreensão na busca por deixar mais claro o tema da união 
das naturezas divina e humana em Jesus Cristo.
Nesse espaço de tempo, surgiu uma controvérsia que causou inquietações teológicas 
e que ficou conhecida como a crise monofisista devido a uma corrente benéfica de pensamento 
levantada por Eutiques. Ele era um monge de Constantinopla, resistente às decisões de 
Nicéia, de Constantinopla e de Éfeso em relação às 2 naturezas de Jesus Cristo.
Segundo o monofisismo de Eutiques, as duas naturezas humana e divina de 
Cristo foram fundidas. Aconteceu uma mistura da qual surgiu uma nova e única natureza, 
por isso o prefixo mono. Em sua reflexão a natureza humana teria se dissolvido como 
uma gota de mel no mar. Eutiques explica que o humano foi absorvido pelo divino e, 
consequentemente, Cristo é consubstancial ao Pai, mas não a nós, não é humano em 
sua essência, embora o seja na aparência.
Diante dessa teologia o papa Leão I escreveu ao patriarca de Constantinopla, 
Flaviano, uma carta de cunho teológico dogmático, inspirada nos padres antigos da 
Igreja: Tertuliano e Agostinho. A carta que ficou conhecida como Tomus ad Flavium o 
afirma a unidade de Cristo conforme as reflexões da escola antioquena. Leão Magno 
afirma: a consubstancialidade, a integridade das propriedades das naturezas e repropõe a 
comunicação de idiomas.
91UNIDADE IV Verdadeiramente Homem e Verdadeiramente Deus
Portanto as decisões do concílio de Éfeso basearam-se na carta do papa Leão I e 
na segunda carta de Cirilo a Nestório.
O Concílio foi convocado pelo imperador Marciano e teve a participação maciça 
dos bispos orientais antioquenos e alexandrinos totalizando 350 padres conciliares.
As principais decisões de calcedônia 451 foram:
● A deposição e condenação do monofisismo de Eutiques de Constantinopla;
● A aprovação do Tomo ad Flavianus do papa Leão I, inclusive assumido como 
texto base de calcedônia 451;
● A fórmula de fé resultante de Calcedônia pode ser dividida em duas partes: a) 
os modos perfeitos de ser de Cristo; b) sobre a unidade de pessoa e a dualidade 
de naturezas.
Fica esclarecido que na pessoa de Jesus Cristo concentra-se uma dupla pertença 
e dupla condição existencial, sem confusão, sem separação e sem distinção, na união 
hipostática, que não elimina, mas salvaguarda a diferença de naturezas.
4.5 Declaração de Fé Calcedônia
(...) Todos nós, perfeitamente unânimes, ensinamos que se deve confessar 
um só e mesmo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, perfeito quanto à divin-
dade, perfeito quanto à humanidade, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, 
constando de alma racional e de corpo; consubstancial [hommousios] ao Pai, 
segundo a divindade, e consubstancial a nós, segundo a humanidade; “em 
todas as coisas semelhante a nós, excetuando o pecado”, gerado segundo 
a divindade antes dos séculos pelo Pai e, segundo a humanidade, por nós 
e para nossa salvação, gerado da Virgem Maria, mãe de Deus [Theotókos]. 
Um só e mesmo Cristo, Filho, Senhor, Unigênito, que se deve confessar, 
em duas naturezas, inconfundíveis e imutáveis e indivisíveis; a distinção das 
naturezas de modo algum é anulada pela união, mas, pelo contrário, as pro-
priedades de cada natureza permanecem intactas, concorrendo para formar 
uma só pessoa e subsistência [hypóstasis]; não dividido ou separado em 
duas pessoas. Mas um só e mesmo Filho Unigênito, Deus Verbo, Jesus Cris-
to Senhor; conforme os profetas outrora a seu respeito testemunharam, e o 
mesmo Jesus Cristo nos ensinou e o credo dos padres nos transmitiu (BET-
TENSON, 1998, p. 101).
92UNIDADE IV Verdadeiramente Homem e Verdadeiramente Deus
 
SAIBA MAIS
Para você que está entrando em contato com informações a respeito das escolas 
teológicas da antiguidade do cristianismo pela primeira vez, as escolas antioquena 
e alexandrina, ajudará a identificar as divergências entre elas e no que elas se 
complementam algumas dicas. 
Uma dica interessante para diferenciá-las está no conceito de comunicação de idiomas 
ou comunicação de propriedades por ser um elemento importante que as diferencia nos 
seus modos de fazer cristologia. 
Comunicação de idiomas significa a comunicação de propriedades que pertencem 
ao Verbo à carne, santificando-a e divinizando-a com a sua natureza divina. Significa 
ainda afirmar que Jesus Cristo viveu, pensou e agiu, contemporaneamente como Deus 
e como homem numa interação perfeita. 
Enquanto os alexandrinos utilizavam o critério da “comunicação de idiomas” ou 
“comunicação de propriedades”, a escola antioquena não a considerava. 
Fonte: A Autora (2022).
REFLITA
Chegando ao final do curso de cristologia, eu gostaria de lhe propor uma reflexão a partir 
da seguinte afirmação:
“Quando Deus quis nos mostrar rasgadamente o seu amor, nos beijou com lábios 
humanos”. 
Para lhe auxiliar na reflexão, sugiro que leia o artigo que está indicado abaixo.
Fonte: WOLFART, Gaziela. A humanidade de Jesus como divindade e amor. Revista do Instituto Humanitas 
Unisinos. Edição 336, 06 Jul. 2010. Disponível em: http://www.ihuonline.unisinos.br/artigo/3361-jose-
ignacio-gonzalez-faus-1. Acesso em: 02 dez. 2021.
http://www.ihuonline.unisinos.br/artigo/3361-jose-ignacio-gonzalez-faus-1
http://www.ihuonline.unisinos.br/artigo/3361-jose-ignacio-gonzalez-faus-1
93UNIDADE IV Verdadeiramente Homem e Verdadeiramente Deus
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A última unidade do curso de cristologia teve a intenção de refletir a respeito do 
desenvolvimento do dogma cristão como sistematização dos dados fornecidos pelo próprio 
Jesus Cristo, em sua vida terrena, a respeito de si mesmo. Isto aconteceu através de um 
longo processo de amadurecimento, reflexões e muito estudo pelo mérito dos padres da 
igreja antiga que, abertos a ação do espírito de Deus, não mediram esforços para dedicarem 
suas vidas a este fim.
O processo de clarificação teve a participação das representações da Igreja de 
todos os lugares onde ela estava presente, garantindo assim, o aspecto da recepção 
comunitária do grande dom de Deus, o seu Filho único para nos fazer conhecer melhor o 
Seu amor por nós, o seu projeto criacional e nos devolver a beleza e a comunhão com Deus 
conforme era na nossa origem.
Para alcançar a este fim estudamos os quatro primeiros concílios ecumênicos 
cristãos nos quais foram esclarecidos os principais aspectos a respeito da realidade de 
Jesus Cristo. Por meio deles você pode conhecer o fundamento da fé cristã: que o filho 
de Deus se fez humano e habitou entre nós conservando em si plena e perfeitamente a 
natureza divina ao mesmo tempo unida a natureza humana, sem confusão, sem perdas, 
sem sobreposição, enfim, do modo que só a Deus é possível.
94UNIDADE IV Verdadeiramente Homem e Verdadeiramente Deus
LEITURA COMPLEMENTAR
Depois de ter estudado sobre os principais concílios ecumênicos antigos nos quais 
discutiu-se sobre a natureza humana e divina de Cristo, é oportuno ler o artigo publicado 
no site da Faculdade São Basílio Magno o qual oferece uma visão sintética não só dos 
quatro primeiros concílios, que foram mais cristológicos, mas também dos sete primeiros 
que definiram o dogma cristão.
Fonte: FASBAM – Faculdade São Basílio Magno. Fatos rápidos sobre os Primeiros 
7 Concílios Ecumênicos. Disponível: https://fasbam.edu.br/2019/05/22/fatos-rapidos-sobre-
os-primeiros-7-concilios-ecumenicos/. Acesso em: 02 dez. 2021.
95UNIDADE IV Verdadeiramente Homem e Verdadeiramente Deus
MATERIAL COMPLEMENTAR
 
LIVRO 
Título:História das Heresias.
Autor: Roque Frangiotti.
Editora: Paulus.
Sinopse: Este livro oferece ao público as posições teológicas que 
causaram tantas inquietações à fé cristã por negarem o núcleo de 
sua fé: as heresias. O livro apresenta a história das heresias desde 
as origens do cristianismo até o início da Idade Média, ocupando 
maior espaço aquelas que foram mais problemáticas, mostrando 
os conflitos ideológicos dentro do cristianismo.
 
FILME/VÍDEO 
Título: O céu é de verdade.
Ano: 2014.
Sinopse: O filme é um drama que reforça algo fundamental: a 
importância da fé. A vida, em todas as suas facetas, incluindo a 
dor e a morte, ganha novo sentido quando é a fé que nos move 
ao melhor de nós mesmos na direção de algo que valha mais que 
a própria vida. Você vai ver a história de Todd Burpo, um pastor e 
bombeiro voluntário em uma pequena cidade do Nebraska. Ele e 
sua esposa enfrentam uma situação complicada quando seu filho, 
Colton, precisa ser operado às pressas. Felizes com a recuperação 
milagrosa da criança, eles não estão preparados para o que vem 
a seguir. Colton conta que foi ao céu e voltou e diz coisas que não 
teria como saber. Convicto de que o filho visitou o paraíso, Todd 
passa a questionar sua própria fé daquilo que pregava até então.
Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=bjmK8VB6qP4 
96
REFERÊNCIAS
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101. 
BOFF, L. Jesus Cristo Libertador. Petrópolis, 2012.
BOFF, L. Jesus Cristo Libertador: ensaio de cristologia crítica para o nosso tempo. Petró-
polis: Vozes, 2012. 
BOFF, L. Jesus Cristo libertador: ensaio de cristologia crítica para o nosso tempo. Petró-
polis, Vozes. p.111s, 2012. 
CABRAL, R. O Reino de Deus no pensamento e nas ações de Dom Helder Câmara: uma 
análise teológica. Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Teologia da 
Pontifícia Universidade Católica do Paraná, como requisito parcial à obtenção do título de 
Doutora em Teologia, no 26/08/2021, em processo de registro e fechamento de protocolo. 
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CULLMANN, O. Cristologia do Novo Testamento. São Paulo: Custon, 2004.
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DUPUIS, J. Introdução à Cristologia. São Paulo: Edições Loyola, 1999. 
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97
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gia e Ciências da Religião, v. 1, n. 1, p. 55-58, 1 jan. 1997. 
LACOSTE, Y. (Org). Dicionário Crítico de Teologia. São Paulo: Paulus e Loyola, 2004.
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LIBÂNIO, J. B.; BINGEMER, M. C. L. Escatologia cristã: o novo céu e a nova terra. Front 
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MACKENZIE, J. L. Dicionário Bíblico. 1. Ed. São Paulo: Ed. Paulinas, 1983. 
MCKENZIE, J. L. Dicionário Bíblico, São Paulo: Paulus, 1983.
PAGOLA, J. A. Jesus – aproximação histórica. Petrópolis: Vozes, 2011.
PIKAZA, X. Dicionário Teológico o Deus Cristão. São Paulo: Paulus,1998. 
SCHNEIDER, T. (org.) Manual de Dogmática I. Petrópolis: Vozes, 2002. 
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SESBUÈ, B. O Deus da salvação. São Paulo: Loyola. vol. 1, p. 206s, 2002. 
STORNIOLO, I. Introdução ao Novo Testamento: Bíblia Sagrada, Edição pastoral. 1. ed. 
São Paulo: Paulus, 1990. 
98
CONCLUSÃO GERAL
Caro (a) Aluno (a) Chegamos ao Final, Parabéns! 
Agora você tem a compreensão da importância desta disciplina e do seu conteúdo 
na grade do curso de Teologia. Nela você conheceu os conceitos fundamentais da teologia 
cristã a respeito de Jesus Cristo, sua construção histórica e o conjunto de crenças que 
compõem esta fé. 
Estivemos juntos nessa jornada por meio das vídeo aulas e do material de apoio 
que foi formulado de forma especial para sua edificação na construção de um bom teólogo. 
Ah, não nos esqueçamos das atividades, que, nos aprimorar e nos ajudaram a fixar o 
conteúdo de maneira prática durante o desenvolvimento da disciplina.
Logo no primeiro tópico estudamos o conceito de cristologia, as características 
fundamentais e as diferentes metodologias de estudo. Através da “antiga questão do Jesus 
histórico”, um acontecimento significativo dentro da Cristologia, como fundamento na teologia.
No segundo tópico, procuramos entender e conhecer as expectativas messiânicas 
de Israel, o “Reino de Deus” na visão do Antigo Testamento. Entramos na questão do “Filho 
do Homem”, anunciado e citado nos Livros de Daniel e Ezequiel.
O terceiro tópico nos levou a entender as indagações de Jesus ao ser humano, 
sobre quem de fato Ele era, sua importância e sua necessidade para os indivíduos e para 
toda a humanidade. Observamos as relações Jesus e o Templo, Jesus e a Lei, e demais 
relações importantes para a constituição de um Messias dos judeus, que, também, era o 
Salvador dos gentios.
Terminamos o último tópico e, assim, a apostila, com uma investigação tipicamente 
dogmática para conhecer as cláusulas vinculantes da fé cristã a respeito de Jesus Cristo. 
Adentramos na questão dos Concílios da Igreja, em que, compreendemos a necessidade 
de resolver questões primordiais para o Evangelho, afinal, Jesus, sendo humano e divino, 
proporcionaria uma certa reflexão teológica mais aprofundada para a Igreja.
O trajeto para ampliar seu conhecimento já foi apresentado. E esta trajetória de 
conhecimentos teológicos deve proporcionar um discernimento mais refinado e profundo à 
sua concepção de uma cristologia; impactante para sociedade e para as gerações.
Que Deus o ilumine em seus estudos!
+55 (44) 3045 9898
Rua Getúlio Vargas, 333 - Centro
CEP 87.702-200 - Paranavaí - PR
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	UNIDADE I
	A Fé Cristã a Partir 
	da Visão Cristã
	UNIDADE II
	O Messias Prometido 
	e Esperado
	UNIDADE III
	Jesus de Nazaré: 
	Vida e missão
	UNIDADE IV
	Verdadeiramente Homem e Verdadeiramente Deus

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