Prévia do material em texto
Estudos Temáticos: Assistência Social O SUAS e os Desafios para sua Efetivação no Contexto Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Profa. Esp. Polyana Aparecida Santos Guimarães Revisão Textual: Profa. Ms. Fátima Furlan 5 O SUAS e os Desafios para sua Efetivação no Contexto • As bases organizacionais do processo de gestão do SUAS • Os programas e benefícios preconizados pelo PNAS • Algumas considerações finais · Estudaremos os vieses que permeiam os desafios da efetivação do Sistema Único de Assistência Social – SUAS na atualidade. Para isso, conheceremos como se dá a organização do processo de gestão do SUAS como a matricialidade sociofamiliar, presente na proposta da PNAS. Identificaremos os programas e benefícios preconizados na política de Assistência e os desafios da participação popular por meio dos Conselhos e Conferências da área. Para um bom aproveitamento do curso, leia o material teórico atentamente antes de realizar as atividades. É importante também respeitar os prazos estabelecidos no cronograma. 6 Unidade: O SUAS e os Desafios para sua Efetivação no Contexto Contextualização Como faremos, nessa Unidade, uma avaliação sobre os programas de transferência de renda presentes na política de Assistência Social tendo como parâmetro os desafios presentes na efetivação do Sistema Único de Assistência Social – SUAS, proponho que iniciemos conhecendo melhor um desses programas. O vídeo abaixo é fruto de uma capacitação sobre o Bolsa-família oferecido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome – MDS e tem como foco principal a abordagem dos princípios e diretrizes que norteiam a oferta desse programa, bem como a condicionalidade para acesso dos seus usuários. Vídeo: O programa bolsa família http://www.mds.gov.br/bolsafamilia/capacitacao/videos/MDS%2003.mp4/view http://www.mds.gov.br/bolsafamilia/capacitacao/videos/MDS%2003.mp4/view 7 As bases organizacionais do processo de gestão do SUAS O Sistema Único de Assistência Social – SUAS, compõe a agenda da política de Assistência Social desde que foi proposto em 2004 pela Política Nacional de Assistência Social. A partir da IV Conferência Nacional de Assistência Social que aconteceu em Brasília no ano de 2003, fruto de reivindicações dos diversos segmentos que lutavam para efetivação da Assistência Social como política pública de direito, O SUAS esteve presente no texto da PNAS, que seria aprovada no ano de 2004. Antes mesmo de sua Norma Operacional Básica, que seria aprovada em 2005, o SUAS já estava previsto na PNAS como um modelo de gestão descentralizado e participativo, constituído na regulação e organização em todo o território nacional das ações socioassistenciais (Cf. PNAS, 2004). O texto da Política Nacional de Assistência Social, dispõe que “o SUAS materializa o conteúdo da LOAS, cumprindo no tempo histórico dessa política as exigências para a realização dos objetivos e resultados esperados que devem consagrar direitos de cidadania e inclusão social” (PNAS, 2004, p. 39). Em julho de 2005, o SUAS foi regulamentado pela Norma Operacional Básica da Assistência Social, a NOB/SUAS, que viria complementar o artigo 204 da Constituição Federal de 1988 e da Lei Orgânica de Assistência Social – LOAS, que propõem a gestão da Assistência Social por um modelo descentralizado e participativo, através da responsabilização das três esferas do governo na execução na política. A NOB/SUAS disciplina a operacionalização da gestão da Política de Assistência Social, conforme a Constituição Federal de 1988, a LOAS e legislação complementar aplicável nos termos da Política Nacional de Assistência Social de 2004, sob a égide de construção do SUAS, abordando, dentre outras coisas: a divisão de competências e responsabilidades entre as três esferas de governo; os níveis de gestão de cada uma dessas esferas; as instâncias que compõem o processo de gestão e controle dessa política e como elas se relacionam; a nova relação com as entidades e organizações governamentais e não-governamentais; os principais instrumentos de gestão a serem utilizados; e a forma da gestão financeira, que considera os mecanismos de transferência, os critérios de partilha e de transferência de recursos (NOB/SUAS, 2005, p. 14). O conteúdo presente na NOB/SUAS reforça os pressupostos das Normas Operacionais Básicas de 1997 e 1998 e determina os parâmetros para o funcionamento do SUAS como organismo gestor da Política de Assistência Social, consolidando suas bases de implementação. Desde sua proposição pela PNAS em 2004, o SUAS vem se consolidando no campo das políticas sociais e, a exemplo do SUS na área da saúde, tenta se firmar como o principal sistema de acesso à assistência social. Até o ano de 2011, o SUAS esteve previsto apenas por uma resolução, no entanto, a partir de 2011, o SUAS foi regulamentado pela Lei n. 12.435, que manteve sua proposta de gestão da política de assistência, através de maiores garantias de acesso a essa politica pela população usuária, com a alteração da Lei n. 8.742 de 1993, a Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS. Para efetivar suas ações, o SUAS busca se orientar por diretrizes que operam na organização do seu processo de gestão em todo o território nacional, através da articulação entre as esferas municipal, estadual e federal, como veremos a seguir. 8 Unidade: O SUAS e os Desafios para sua Efetivação no Contexto A matricialidade sociofamiliar na efetivação dos direitos socioassistenciais A atual visão de família pelas políticas sociais se abre na perspectiva de considerá-la como central na criação e na oferta de programas e serviços que assumem o caráter da proteção social. Sobre a consideração da família como espaço de necessária proteção social, a Constituição Federal refere em seu artigo 226, que “a família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado”, considerando ainda em seu 8º artigo que “o Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que a integram, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações” (CF/88). Nesse caso, reconhece que a família é percebida como uma unidade de direitos que, além da Constituição Federal, tem esse reconhecimento em outras legislações sociais, como na Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), no Estatuto do Idoso, entre outras. Na contemporaneidade, as políticas sociais concebem a família como espaço de convivência, engendrada por constantes transformações e dinâmicas sociais, com a finalidade de prover o cuidado de seus membros, mas que necessita, portanto, do amparo do Estado por meio das políticas sociais para tal. Embora existam limitações neste momento para que aprofundemos sobre as concepções de família nos dias atuais, deve-se considerar a fim de facilitar a compreensão dos princípios que norteiam sua proteção social no âmbito da política de assistência social, a existência de suas diversas configurações. As configurações que hoje permeiam a visão de família pelas políticas sociais estão intrinsecamente relacionadas à sua composição (determinação que tem a ver com os membros que a compõem, como pai, mãe, filhos, avós etc.), à sua organização (aqui se fala em definição de papéis no seio familiar e suas formas de mediação com o mundo externo) e à sua estrutura (determinação que reflete nas funções de seus membros, como o pai sendo provedor e a mãe protetora, por exemplo). Sobre esses aspectos, torna-se necessário compreender, que não se pode considerar a família sob uma perspectiva conservadora, abordando suas dinâmicas como estruturais, apenas. Nesse sentido, a NOB/SUAS vai dizer que “não existem famílias enquanto modelo idealizado e sim famílias resultantes de arranjos e rearranjos estabelecidos pelos integrantes dessas famílias” (NOB/SUAS, 2005). A professora Dalva Gueiros tem importante contribuição na discussão sobre a temática de famílias na contemporaneidade, considerando,inclusive, a família como unidade de convivência. Sugiro a leitura de um de seus trabalhos, destacado no material complementar dessa Unidade. Nesse aspecto, a Política Nacional de Assistência Social, por meio da gestão do SUAS “está ancorada na premissa de que a centralidade da família e a superação da focalização [..] repousam no pressuposto de que para a família prevenir, proteger, prover e incluir seus membros é necessário […] garantir condições de sustentabilidade para tal” (PNAS, 2004, p. 41). Além disso, levando em Na PNAS encontra-se redigido o termo “matricialidade sócio- familiar”, pois foi regulamenta- da em 2004, anterior ao novo acordo ortográfico da Língua Portuguesa. 9 consideração as diversas transformações na vida social, por meio das mudanças no mundo do trabalho, dos valores individuais e coletivos e até mesmo da reprodução dos princípios individualistas, promoveram mudanças imensuráveis nas dinâmicas das famílias, desde sua organização até suas estratégias de prover o acolhimento de seus membros. “Essas transformações, que envolvem aspectos positivos e negativos, desencadearam um processo de fragilização dos vínculos familiares e comunitários e tornaram as famílias mais vulneráveis” (PNAS, 2004, p. 42), daí a importância de considerá-las como centrais na garantia da assistência social dentro do conjunto protetivo da Seguridade Social representada pela matricialidade sociofamiliar. A matricialidade sociofamiliar compõe as bases organizacionais do processo de gestão do SUAS em âmbito nacional, sendo considerada também como um dos importantes pilares da política de Assistência Social. A matricialidade se faz presente na Política de Assistência Social configurando-se como uma nova estratégia das políticas sociais no sentido de fortalecer e empoderar as famílias para o enfrentamento de suas necessidades sociais. Diálogo com o Autor ...matricialidade sociofamiliar é ter a família (com suas questões coletivas e singulares) como matriz de execução da Política Nacional de Assistência Social; é entendê-la como o agente motor da intervenção do assistente social. Assim, o vínculo social com as famílias é constituído a partir da unidade familial, inter-relacionando os programas/serviços socioassistenciais e a realidade cotidiana dessas famílias e são assumidas estratégias de ação, nas quais o particular e o universal estão articulados. Em outras palavras, as famílias são o palco no qual a política de assistência social finca seus alicerces e busca, junto com esses sujeitos, engendrar possibilidades de inserção social, para garantir sua sobrevivência, o acolhimento de suas necessidades e interesses e o convívio familiar e comunitário – enfim, a proteção social (GUEIROS e SANTOS, 2011, p. 85). No que concerne à proteção social para que a matricialidade sociofamiliar seja prioritária na execução da política de assistência social, o SUAS se estrutura de forma a organizar a rede socioassistencial para oferecer apoio integral às famílias usuárias. Para isso, se utiliza dos Centros de Referência da Assistência Social – CRAS que, como vimos na unidade anterior, representa a porta de entrada para a Assistência Social como política pública e tem como prioridade a oferta da proteção social básica no território. Dessa maneira, o CRAS realiza a oferta exclusiva e obrigatória do Programa Integral à Família – PAIF, o qual independe de sua fonte financiadora. Diálogo com o Autor O PAIF é o principal serviço de Proteção Social Básica, a qual todos os outros serviços desse nível de proteção devem articular-se, pois confere a primazia da ação do poder público na garantia do direito à convivência familiar e assegura a matricialidade sociofamiliar no atendimento socioassistencial, um dos eixos estruturantes do SUAS (MDS, 2009, p. 31). 10 Unidade: O SUAS e os Desafios para sua Efetivação no Contexto Além do PAIF, outros programas socioassistenciais circunscritos na proteção básica priorizam o suporte às famílias atendidas pelo CRAS, devendo assegurar-lhes o acesso irrestrito a quaisquer informações pertinentes ao seu atendimento, bem como o respeito às suas singularidades no âmbito do atendimento profissional. Em documento do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, intitulado “Orientações Técnicas - Centro de Referência de Assistência Social – CRAS”, o CRAS deve assegurar as famílias usuárias os seguintes direitos: · de conhecer o nome e a credencial de quem o atende (profissional técnico, estagiário ou administrativo do CRAS); · à escuta, à informação, à defesa, à provisão direta ou indireta ou ao encaminhamento de suas demandas de proteção social asseguradas pela Política Nacional de Assistência Social; · a dispor de locais adequados para seu atendimento, tendo o sigilo e sua integridade preservados; · de receber explicações sobre os serviços e seu atendimento de forma clara, simples e compreensível; · de receber informações sobre como e onde manifestar seus direitos e requisições sobre o atendimento socioassistencial; · a ter encaminhamentos por escrito, identificados com o nome do profissional e seu registro no Conselho ou Ordem Profissional, de forma clara e legível; · a ter protegida sua privacidade, dentro dos princípios e diretrizes da ética profissional, desde que não acarrete riscos a outras pessoas; · a ter sua identidade e singularidade preservadas e sua história de vida respeitada; · de poder avaliar o serviço recebido, contando com espaço de escuta para expressar sua opinião; · a ter acesso ao registro dos seus dados, se assim o desejar; · a ter acesso às deliberações das conferências municipais, estaduais e nacionais de assistência social (MDS, 2009, p. 14). A organização do SUAS é categórica ao elencar a família como unidade dotada de direitos e necessitada de proteção social pelo Estado. Nessa lógica, a matricialidade sociofamiliar aponta para novas formas de conhecer e intervir na realidade social dessas famílias. Assim, “entender as particularidades e singularidades de cada família [...] não pode mascarar os condicionantes conjunturais e estruturais, portanto devem ser privilegiados os espaços coletivos de atendimento […], fugindo da lógica da “psicologização” das sequelas da questão social” (COUTO et. al., 2012, p. 252). 11 Descentralização político-administrativa e territorialização A descentralização político-administrativa associada à territorialização configura-se como elemento essencial à execução da política de assistência social, através da necessidade de eleger a interssetorialidade como mecanismo de ações integradas para “elaboração de diagnósticos sociais, diretrizes, metodologias […], monitoramento, avaliação e sistema de informações das ações definidas, com garantias de canais de participação local” (PNAS, 2004, p. 44). A descentralização considera o elevado índice populacional e a heterogeneidade dos territórios brasileiros, historicamente marcados pela desigualdade social e territorial. Assim como o artigo 6º da LOAS prevê que as ações na área de assistência social devem ser organizadas em sistema descentralizado e participativo, a gestão da PNAS pelo SUAS busca uma interlocução no sentido de promover o diálogo da descentralização a partir da perspectiva territorial, que se constitui palco das relações humanas. “Dessa forma, uma maior descentralização, que recorte regiões homogêneas, costuma ser pré-requisito para ações integradas na perspectiva da interssetorialidade” (PNAS, 2004, p. 44). A conexão territorialidade – rede – interssetorialidade, voltada à inclusão social redimensiona as intervenções específicas, ampliando o padrão de qualidade e a efetividade das ações desenvolvidas (YAZBEK et. al. 2012, p. 201 apud Capacita Suas, 2008). A descentralização/ territorialização prevê que o funcionamento do SUAS deve contemplar os municípios de pequeno porte (que contemplam até 50.000 habitantes), de médio porte (que contemplam entre 50.000e 100.000 habitantes), municípios de grande porte (que contemplam entre 100.000 e 900.000 habitantes) e as metrópoles (que contemplam acima de 900.000 habitantes). Assim, as famílias atendidas são orientadas pelo território que residem, ou seja, cada CRAS deve atender até cinco mil famílias dentro de um determinado território. Novas bases para a relação entre Estado e sociedade civil Os caminhos em que as políticas sociais, em especial a política de assistência social, percorreram no cenário brasileiro, estimularam a participação da sociedade civil, em especial por meio das entidades filantrópicas e de assistência social. Além disso, a partir do texto da PNAS, se impõe uma nova lógica de pensar a relação entre Estado e sociedade, por meio do fortalecimento dos espaços de participação popular, tendo em vista a presença do Estado como referência primária na garantia da assistência social como política de direito, porém com atuação articulada para o trabalho em rede ao promover a integralidade do atendimento no campo da assistência social. Assim, a nova relação público e privado deve ser regulada, tendo em vista a definição dos serviços de proteção básica e especial, a qualidade e o custo dos serviços, além de padrões e critérios de edificação. Nesse contexto, as entidades prestadoras de assistência social integram o Sistema Único de Assistência Social, não só como prestadoras complementares de serviços sócioassistenciais, mas, como cogestoras através dos conselhos de assistência social e corresponsáveis na luta pela garantia dos direitos sociais em garantir direitos dos usuários da assistência social (PNAS, 2004, p. 47). Vale ressaltar, ainda, que essa proposta engajada pela PNAS e reforçada pela NOB/SUAS busca romper a histórica relação das políticas sociais com as ações de benemerência e clientelismo, por meio da articulação e integração dos setores envolvidos no processo de garantia de direitos e cidadania dos usuários da assistência social. 12 Unidade: O SUAS e os Desafios para sua Efetivação no Contexto Financiamento Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, a Seguridade Social teve a previsão do seu financiamento assegurada, por meio da sociedade civil, dos orçamentos das três instâncias do governo, das contribuições sociais, das empresas e do trabalhador que contribui para a previdência social, por exemplo. Dessa maneira e, estando inserida no tripé da seguridade social brasileira, a assistência social tem o seu financiamento assegurado por essa via, que dentro da proposta do SUAS e tendo como referência o sistema descentralizado e participativo deve ser representado pelos Fundos de Assistência Social nas três esferas do governo. Além disso, “os instrumentos de planejamento orçamentário, na administração pública, se desdobram no Plano Plurianual, na Lei de Diretrizes Orçamentárias e na Lei Orçamentária Anual” (NOB/SUAS, 2005, p. 44). ...o financiamento dos benefícios se dá de forma direta aos seus destinatários e o financiamento da rede socioassistencial se dá mediante aporte próprio e repasse de recursos fundo a fundo, bem como de repasse de recursos para projetos e programas que venham a ser considerados relevantes para o desenvolvimento da política de assistência social em cada esfera de governo, de acordo com os critérios de partilha e elegibilidade de municípios, regiões e, ou estados e o Distrito Federal, pactuados nas comissões intergestoras deliberados nos conselhos de assistência social (PNAS, 2004, p. 49). Para maior conhecimento sobre o funcionamento do orçamento da Assistência Social, realize a leitura da PNAS e da NOB/SUAS na íntegra. Disponíveis em: · http://www.mds.gov.br/assistenciasocial/arquivo/norma-operacional-basica-do-suas.pdf · http://www.mds.gov.br/assistenciasocial/arquivo/Politica%20Nacional%20de%20Assistencia%20 Social%202013%20PNAS%202004%20e%202013%20NOBSUAS-sem%20marca.pdf. Controle Social e os desafios da participação dos usuários nos conselhos e conferências de assistência social O controle social tem sua concepção advinda da Constituição Federal de 1988, enquanto instrumento de efetivação da participação popular no processo de gestão político-administrativa- financeira e técnico-operativa, com caráter democrático e descentralizado. Dentro dessa lógica, o controle do Estado é exercido pela sociedade na garantia dos direitos fundamentais e dos princípios democráticos balizados nos preceitos constitucionais (PNAS, 2004, p. 51). Os desafios que envolvem a participação dos usuários no envolvimento do controle social e das ações relacionadas às políticas sociais estiveram sempre presentes no cotidiano da implantação e implementação dessas políticas. Assim como no Sistema Único de Saúde, o SUS, que hoje se encontra num patamar mais consolidado após longo processo de conquistas, o Sistema Único de Assistência Social, que operacionaliza a política de Assistência Social, caminha na contramão dos pressupostos conservadores que insistem em permanecer no campo da assistência social, haja vista seu recente reconhecimento, do ponto de vista histórico, como política pública a quem dela necessitar. http://www.mds.gov.br/assistenciasocial/arquivo/norma-operacional-basica-do-suas.pdf http://www.mds.gov.br/assistenciasocial/arquivo/Politica%20Nacional%20de%20Assistencia%20Social%202013%20PNAS%202004%20e%202013%20NOBSUAS-sem%20marca.pdf http://www.mds.gov.br/assistenciasocial/arquivo/Politica%20Nacional%20de%20Assistencia%20Social%202013%20PNAS%202004%20e%202013%20NOBSUAS-sem%20marca.pdf 13 Diálogo com o Autor ...o campo da assistência social representa um caldo de cultura para a reprodução da subalternidade dos pobres. A cultura do assistencial, amplamente disseminada na sociedade, penetra e se reproduz de modo particular no âmbito das práticas da assistência social, tanto estatais quanto privadas, Parece-nos, assim, que a sub- representação dos usuários no CNAS guarda relações com toda essa dinâmica societária, que acaba por atribuir às camadas mais pobres um estatuto de menoridade civil (RAICHELIS, 2011, p. 283). Cabe salientar que, para que haja o controle social dentro da implementação do SUAS é necessário que existam espaços de capacitação aos integrantes da sociedade civil e, assim como existiram atores que viabilizaram a construção da LOAS em 1993, esse setor da sociedade passaria a contribuir em igual proporção àquele período para efetivação da política de assistência social. “Assim, é fundamental a promoção de eventos temáticos que possam trazer usuários para as discussões da política fomentando o protagonismo desses atores” (PNAS, 2004, p. 53). Diálogo com o Autor Nessa direção, o Cras como um dos espaços de democratização e de exercício do controle social deve possibilitar condições concretas para a participação dos usuários no planejamento e na avaliação dos serviços e de seu funcionamento, estimular e fortalecer a organização e o associativismo locais, independentes e autônomos do poder público (YAZBEK et. al., 2012, p. 215). Cabe ressaltar que com a nova lógica proposta pelo SUAS, a sub-representação dos usuários nos Conselhos e nas Conferências de Assistência Social não podem ser encaradas de forma aceitável, dada a previsão de participação popular efetivada na LOAS. Ademais, os Conselhos e Conferências de Assistência Social, devem constituir-se em espaços de reivindicações de direitos, na participação na tomada de decisões através da fiscalização da execução da política. “Por fim, é importante ressaltar nesse eixo a necessidade de informação aos usuários da assistência social para o exercício do controle social […] para que efetivem essa política como direito constitucional” (PNAS, 2004, p. 53). A política de recursos humanos A proposta na perspectiva do SUAS para uma política de recursos humanos na área da assistência social tem tudo a ver com a atual conjuntura vivenciada pelo Brasil, na qual estão explícitas as relações de precarização do trabalho,enxugamento da máquina estatal através da execução de programas e serviços por organizações sociais, bem como da desvalorização do servidor público, que encontra em seus espaços de trabalho condições mínimas de estrutura e recursos financeiros. Além disso, “é fundamental considerar-se as compreensões fortemente arraigadas no campo da assistência social, enquanto um campo da improvisação, do voluntarismo e da desprofissionalização” (YAZBEK et. al., 2012, p. 253). 14 Unidade: O SUAS e os Desafios para sua Efetivação no Contexto Diálogo com o Autor É preciso, pois, enfrentar o desafio de construir e consolidar o perfil do trabalhador do Suas no contexto do conjunto dos trabalhadores da seguridade social, que incorpore a dimensão do compromisso público associado à sua função de agente público, comprometido com relações e práticas democráticas, com a afirmação de direitos e com dinâmicas organizativas e emancipatórias da população usuária. E que seja um trabalho que se deixe submeter ao controle social de usuários, conselhos, conferências e demais fóruns, nos espaços públicos de debate e deliberação da política (COUTO, YAZBEK e RAICHELIS, 2012, p. 85). Os princípios de valorização dos recursos humanos estabelecidos na PNAS tornaram-se propostas rumo à efetivação com a Norma Operacional Básica de Recursos Humanos do Suas, a NOB-RH/SUAS de 2006, dada a necessária intervenção nessa área para a construção da política de assistência. Sabe-se que do ponto de vista do senso comum e com a evidência do projeto neoliberal, a construção ideológica de que a máquina pública é ineficaz, faz refletir nos trabalhadores que executam as políticas sociais. No caso da assistência, mais uma vez a visão de descrédito do servidor público se faz presente a todo o momento, desqualificando-o e inibindo a ampliação dos processos de trabalho. “A assistência social é um setor intensivo de uso da força de trabalho humana, o que representa um desafio para a criação de condições adequadas de trabalho e de sua gestão cotidiana” (COUTO, YAZBEK e RAICHELIS, 2012, p. 82). Desse modo, a política de recursos humanos no âmbito do SUAS busca ajustar as arestas que inibem o crescimento da política de assistência em âmbito nacional e regional e por meio dos CRAS e CREAS, que reúnem a maioria dos profissionais envolvidos na política, dispõem de novos subsídios para a divisão sociotécnica do trabalho. Permite ainda a valorização e constante capacitação dos profissionais para o atendimento adequado aos seus usuários, como se verifica em recente documento publicado pelo MDS, intitulado “Orientações Técnicas: Centro de Referência de Assistência Social – CRAS”. Sobre a discussão da precarização das relações de trabalho, ver as obras de Ricardo Antunes, entre as quais se destacam: “Adeus ao trabalho?: ensaios sobre as metamorfoses e a centralidade no mundo do trabalho” e “Os sentidos do trabalho: ensaio sobre a afirmação e a negação do trabalho”. 15 A informação, o monitoramento e a avaliação Com a elaboração do texto da PNAS em 2004, surgiu a ideia de criação de um sistema para gerar informação, monitoramento e avaliação sobre a gestão do SUAS. Com a regulamentação da NOB/SUAS, tal proposta foi considerada de forma mais detalhada, para que, em 2009, fosse criada a REDE SUAS, que fomentaria à política de assistência um minucioso processo de gestão e sistema de informação para o Sistema Único de Assistência Social. A Rede SUAS é na verdade um sistema a ser usado para prover informação (incluindo o seu processamento), visando diversos usos. É parte de um suporte informacional que corrobora com a gestão colegiada e a administração da política de Assistência Social, e também a sua consagração como política de proteção social inserida no projeto em curso: o do desenvolvimento social. Para tanto, o projeto da Rede SUAS elenca os seguintes objetivos: • automatização dos processos de gestão, controle social e financiamento da política de assistência social; • favorecimento do melhor desempenho da politica em todo o território nacional, como prevista pela LOAS; • produção da informação qualificada e relevante para a geração de estratégias, valendo-se de sua utilidade nos diversos campos e para os diversos atores, como forma de escapar da zona de desconhecimento que sustenta a participação e assola historicamente a área; • participação de todos os agentes e sujeitos envolvidos pela ação da política de Assistência Social, facilitando seus relacionamentos, demandas e ações, associando funcionalidades da Tecnologia da Informação; • introdução de metodologias de organização e uso da informação (volume e qualidade) para a cidadania participativa; • produção de conhecimento, incrementando não só as ações, mas o estoque dos saberes e, consequentemente, fornecendo elementos para o empowerment dos atores envolvidos (REDE SUAS, 2009, p. 90-91). Nesse contexto, sua operacionalização oferece “suporte para a gestão, o monitoramento e a avaliação de programas, serviços, projetos e benefícios de Assistência Social contemplando gestores, profissionais, conselheiros, entidades, usuários e sociedade civil.” (NOB/SUAS, 2005, p. 45). A palavra empowerment, significa empoderamento, sugere participação dos envolvidos. 16 Unidade: O SUAS e os Desafios para sua Efetivação no Contexto Os programas e benefícios preconizados pelo PNAS No Brasil, as informações que balizam as discussões sobre os programas e benefícios no campo da assistência social são, no mínimo, curiosas, haja vista as constantes polêmicas destinadas a justificar ou criticar a existência desses recursos que hoje se fazem presentes no campo das políticas sociais. Em grande parte dessas discussões, pouco conhecimento se tem, de fato, sobre o que representa e/ou diferencia um programa de um benefício. O que se vê, de modo geral, são as arraigadas formas de criminalização da pobreza para justificar a não existência de certas ações que, ainda parcialmente e com pouco caráter emancipatório, visam reduzir a desigualdade social e erradicar a miséria, frutos do vigente modo de produção capitalista. Torna-se, contudo, indispensável considerar importantes diferenças existentes entre os programas sociais e os benefícios, tendo em vista, inclusive, suas implicações legais para concessão. Assim, podemos entender os programas como “ações integradas e complementares, […], com objetivos, tempo e área de abrangência, definidos para qualificar, incentivar, potencializar e melhorar os benefícios e os serviços assistenciais, não se caracterizando como ações continuadas.” (NOB/SUAS, 2005, p. 22) Como exemplo, podemos destacar os programas de transferência de renda, comumente conhecidos como PTR, que veiculam a proposta de minimizar os elevados índices de pobreza e vulnerabilidade social através do repasse direto dos fundos de assistência social para os seus beneficiários. Diálogo com o Autor São considerados Programas de Transferência de Renda aqueles destinados a efetuar uma transferência monetária, independentemente de prévia contribuição, a famílias pobres, assim consideradas a partir de um determinado corte de renda per capita familiar, predominantemente, no caso dos programas federais, de meio salário mínimo (GIOVANNI, YAZBEK e SILVA, 2008, p. 130). Já os benefícios podem constituir-se em eventuais ou de prestação continuada. Os benefícios eventuais “visam ao pagamento de auxílio por natalidade ou morte, ou para atender necessidades advindas de situações de vulnerabilidade temporária, com prioridade para a criança, a família, o idoso, a pessoa com deficiência, a gestante, a nutriz e nos casos de calamidade pública.” (NOB/SUAS, 2005, p. 22) Benefício de Prestação Continuada: previsto na LOAS e no Estatuto do Idoso, é provido pelo Governo Federal, consistindo no repasse de 1 (um) salário mínimo mensal ao idoso (com 65 anos ou mais) e à pessoa com deficiência que comprovem não ter meios para suprir sua subsistênciaou de tê-la suprida por sua família. Esse benefício compõe o nível de proteção social básica, sendo seu repasse efetuado diretamente ao beneficiário (NOB/SUAS, 2005, p. 22-23). 17 No caso do Benefício de Prestação Continuada – BPC, por estar previsto na LOAS, configura-se como um direito que está garantido desde que determinadas condicionalidades sejam atendidas, como a comprovação de impossibilidade de provimento do próprio sustento e a comprovação de que os rendimentos por pessoa dentro do respectivo núcleo familiar não ultrapasse ¼ do salário mínimo. Além disso, diferentemente de uma aposentadoria regular, no caso de idosos, em caso de óbito e havendo a existência de um cônjuge, não existe a possibilidade de repasse do benefício, como é o caso da pensão por morte, por exemplo. Ou seja, o BPC não se configura como um benefício vitalício, podendo ser excluído a qualquer momento, a depender das alterações da dinâmica familiar, em especial, no que se refere aos rendimentos mensais. Sobre os programas de transferência de renda, o Brasil passou por grandes mudanças no campo da assistência social, em especial dos anos 1990 até os dias atuais. Esses programas foram, em muitos anos, representados, por ações focalistas e eleitoreiras que não promoviam a emancipação dos usuários, mas que, de alguma maneira, representaram mudanças significativas para a sociedade que vivia à margem da exclusão social. Até os anos 2000, esses programas eram representados pelo Programa de Erradicação do Trabalho Infantil – PETI, Bolsa-Escola, Programa Agente Jovem, Vale-gás, entre outros. Com o início da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003 e com a proposta de unificação de quatro programas existentes na política de transferência de renda, criou-se o Bolsa-família, o qual possui hoje a maior representatividade na garantia do repasse de renda por meio da assistência social. E, embora esse programa não represente a garantia da politica social representativa do Estado de Bem Estar Social, o Bolsa-família garantiu por meio da redistribuição de renda (como é considerado), que milhares de pessoas saíssem da condição de miserabilidade, ou seja, abaixo da linha da pobreza. Diálogo com o Autor O Bolsa-Família é considerado uma inovação no âmbito dos Programas de Transferência de Renda por se propor a proteger o grupo familiar como um todo; pela elevação do valor monetário do benefício; pela simplificação que representa e pela elevação de recursos destinados a programas dessa natureza, de modo que, segundo os idealizadores do Programa, não há possibilidade de diminuição da transferência monetária em relação ao benefício que estão prestado por qualquer dos outros programas (GIOVANNI, YAZBEK e SILVA, 2008, p. 136). O cadastramento do Bolsa-família se dá através do Cadastro Único do SUAS, o Cad-Único, que representa um quesito para pré-inclusão no programa. Assim, para os operadores das politicas sociais, considera-se a importância dos programas de transferência de renda como iniciativa de acesso das classes subalternas aos direitos sociais básicos e no enfrentamento da pobreza e da desigualdade social. No entanto, tais iniciativas devem ser pensadas no sentido de oferecer possibilidades de emancipação e continuidade do trabalho social com as famílias beneficiadas, elencando como prioridades o acesso à saúde, educação, habitação, entre outros direitos e não apenas, aos mínimos sociais. 18 Unidade: O SUAS e os Desafios para sua Efetivação no Contexto Algumas considerações finais Pensar na assistência social e na sua gestão por meio do SUAS sugerem inúmeros desafios, principalmente quando analisadas as conjunturas sociopolíticas impostas. A participação popular, o monitoramento, o financiamento do SUAS tornam-se complexos processos que precisam ser mensurados e planejados de forma coerente com a realidade dos territórios e das famílias que ocupam esses espaços, seja no campo, seja na cidade. A política de assistência que hoje conhecemos foi fruto de inúmeros esforços, e sua efetivação por meio do SUAS tem necessidades que não se esgotam, seja por meio da centralidade da família considerada na matricialidade sociofamiliar, como um dos pilares da PNAS; seja na articulação da federação com os estados e municípios. Para que se torne uma política consolidada, muito além da oferta que se faz nos espaços dos CRAS e CREAS, os profissionais necessitam articular formas de promover o protagonismo de sua população usuária. Isso pode se dar por meio dos Conselhos e Conferências de assistência social ou até mesmo nas atividades grupais que se fazem presentes nesses serviços. Portanto, torna-se relevante reconhecer que as ações que hoje concebemos na área da assistência social estão muito aquém do necessário, tendo em vista o caráter inclusivo e democrático trazido pela PNAS. No entanto, a compreensão de que a gestão do SUAS terá repercussão na vida de cada cidadão usuário da assistência social, nos permite acreditar que há muito a se fazer, mas nos cabe reconhecer que a trajetória de garantia dos direitos sociais por meio da assistência social, depende, em grande parte, dos trabalhadores sociais que executam essa política. Abordamos na Unidade: • As bases organizacionais do processo de gestão do SUAS; • A matricialidade sociofamiliar na efetivação dos direitos socioassistenciais; • Os desafios da participação social no contexto do SUAS; • Os programas e benefícios preconizados na PNAS. 19 Material Complementar Livros: · BAVA, Silvio Caccia (Org.). et al. Os programas de renda mínima no Brasil: impactos e potencialidades. São Paulo: Pólis, 1998. · GUEIROS, D. A. Conceito de família nos marcos legais: aplicação na justiça de infância e juventude e nas políticas sociais. XIII CONGRESSO BRASILEIRO DE ASSISTENTES SOCIAIS: LUTAS SOCIAIS E EXERCÍCIO PROFISSIONAL NO CONTEXTO DA CRISE DO CAPITAL – MEDIAÇÕES E A CONSOLIDAÇÃO DO PROJETO ÉTICO- PROFISSIONAL. Anais... Brasília, jul./ago. de 2010. · SANTOS, T. F. S. O trabalho com famílias nos CRAS e CREAS de São Paulo: a matricialidade sociofamiliar tem centralidade? São Paulo, 2010. Trabalho de conclusão de curso (graduação em Serviço Social). Universidade Cruzeiro do Sul. · SARTI, Cynthia Andersen. A família como espelho: um estudo sobre a moral dos pobres. 6.ed. São Paulo: Cortez, 2010. · SILVA, Ademir Alves da Silva. A gestão da seguridade social brasileira: entre a política pública e o mercado. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2010. · RAICHELIS, R. Intervenção profissional do assistente social e as condições de trabalho no SUAS. Serviço Social & Sociedade, n. 104, São Paulo, 2010. 20 Unidade: O SUAS e os Desafios para sua Efetivação no Contexto Referências BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. São Paulo: RT, 2008. ______. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Secretaria Nacional de Assistência Social. Política Nacional de Assistência Social. Brasília, 2004. ______.Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Secretaria Nacional de Assistência Social. Norma Operacional Básica (NOB/Suas). Brasília, 2005. ______. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Orientações técnicas – Centro de Referência de Assistência Social – CRAS. Brasília: MDS, 2009. COUTO, Berenice Rojas; YAZBEK, MARIA Carmelita; SILVA e SILVA, Maria Ozanira da e RAICHELIS, Raquel (Orgs.). O Sistema Único de Assistência Social no Brasil: uma realidade em movimento. 3.ed. São Paulo: Cortez, 2012. GUEIROS, Dalva Azevedo e SANTOS, Thaís Felipe Silva dos. Matricialidade sociofamiliar: compromisso da política de assistência social e direito da família. Serviço Social e Saúde. UNICAMPI Campinas. v. X, n. 12, 2011. RODRIGUES, Roberto Wagner da Silva e TAPAJÓS, Luziele (Orgs.). Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Secretaria Nacional de Assistência Social. Rede SUAS: gestão e sistema de informação para o Sistema Único de Assistência Social. Brasília/ DF,2007. GIOVANNI, Geraldo di; YAZBEK, Maria Carmelita e SILVA e SILVA, Maria Ozanira da. A Política Social Brasileira no Século XXI: a prevalência dos programas de transferência de renda. 4.ed. São Paulo: Cortez, 2008. RAICHELIS, Raquel. Esfera Pública e Conselhos de Assistência Social: caminhos da construção democrática. 6.ed. São Paulo: Cortez, 2011. 21 Anotações