Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Processo Saúde-Doença
Aline Andressa Matiello
Processo Saúde-Doença
2
Introdução
As condições de saúde de uma sociedade estão relacionadas, primeiramente, às 
questões individuais de cada pessoa, incluindo, por exemplo, idade e condições 
genéticas. Todavia, além desses fatores individuais, há outros fatores extrínsecos ao 
organismo, os quais podem interferir na incidência de doenças, assim como podem 
interferir nos níveis de saúde de uma comunidade.
A ação desses fatores e a interação com os aspectos individuais podem gerar estímulos 
aos desenvolvimentos de patologias, levando o organismo ao adoecimento.
Por conta disso, na prática dos profissionais de saúde, é imprescindível conhecer 
cada um desses fatores e como eles interferem nas condições de saúde das pessoas, 
de modo que possam estabelecer ações de saúde que interfiram positivamente nas 
condições de vida das pessoas.
Essas ações podem ser desempenhadas pelos profissionais através de condutas 
voltadas à promoção da saúde, da educação em saúde, da prevenção de agravos e de 
reabilitação. Para fins de organização e melhoria no cuidado à saúde da população, no 
Brasil, essas ações são executadas em três diferentes níveis de atenção à saúde, os 
quais são organizados, de modo a promover um cuidado integral e longitudinal a toda 
a população.
Com base nessas informações, neste conteúdo, iremos reconhecer como um organismo 
adoece, quais os fatores que podem contribuir com esse processo e, especialmente, 
como os serviços de saúde podem colaborar, de modo a melhorar a saúde da população.
Objetivos da Aprendizagem
Ao final do conteúdo, esperamos que você seja capaz de:
• Reconhecer a Teoria da História Natural da Doença e as particularidades do 
período pré patogênese e de patogênese;
• Compreender os conceitos aceitos atualmente sobre o processo de saúde-
doença;
• Identificar os níveis de atenção à saúde existentes no Brasil na atualidade.
3
Processo Saúde-Doença
Ao atuar na área da saúde, é primordial que os profissionais de saúde reconheçam 
todos os aspectos relacionados ao processo de saúde e ao processo de adoecimento. 
Esse reconhecimento permite que eles compreendam as variáveis relacionados ao 
processo saúde doença, como são entendidas na atualidade e ainda como essas 
informações impactam na atuação profissional.
História Natural da Doença
Tanto a saúde, quanto a doença sempre estiveram presentes na relação do homem 
com o meio ambiente e com o meio social (SOLHA, 2018). Durante o passar dos anos, 
em cada época histórica, o processo de saúde e doença foi entendido de diferentes 
maneiras. Assim, os marcos históricos, as diferentes estruturas sociais, as condições 
econômicas, condições culturais e científicas, dentre outros fatores interferiram no 
entendimento do processo de saúde e de doença.
Por isso, aos longos dos anos, diversas teorias foram produzidas, a fim de esclarecer 
o mecanismo pelo qual as pessoas passavam por um processo de adoecimento.
Inicialmente, por exemplo, as doenças eram associadas a castigos divinos, 
ocasionados pelas pessoas não cumprirem com suas obrigações do ponto de vista 
moral e religioso em suas comunidades, estando atrelada a condições sobrenaturais 
(SOLHA, 2018).
4
Figura 01: Doenças causadas por castigos divinos
Fonte: Freepik (2018).
#PraCegoVer: Uma ilustração de uma cidade a noite, com fantasmas nas ruas.
Ao longo dos anos, além dessa teoria mágica, a qual relaciona a doença ao sobrenatural, 
outras teorias tiveram destaque, como a Teoria dos Miasmas e a Teoria Bacteriológica, 
conforme você pode averiguar adiante.
Teoria dos Miasmas
Segundo essa teoria, a transmissão de doenças ocorria pelos “maus ares”, 
ou ares pútridos. Assim, acreditava-se que o ar das casas e das cidades eram 
infectados e, por isso, as doenças eram transmitidas (SOLHA, 2018).
Teoria Bacteriológica
Já essa teoria defendia que a doença tinha uma causa única: a infecção. Mas; 
não se considerava a influência de outros fatores no desenvolvimento da 
patologia (SOLHA, 2018).
Outras teorias também foram criadas, porém, a mais aceita e utilizada até a atualidade 
é a Teoria da História Natural da Doença, a qual foi proposta, inicialmente, por Leavell 
e Clark, pesquisadores americanos que a elaboraram no ano 1965 (SOLHA, 2018). A 
figura a seguir ilustra adequadamente essa teoria. 
5
Fatores ambientais 
que produzem 
ESTÍMULO à doença
AGENTE DA DOENÇA 
(AGENTE ETIOLÓGICO)
HOSPEDEIRO 
HUMANO
Figura 02: História Natural da Doença
Fonte: Wikimedia Commons (2011). 
#PraCegoVer: Um esquema com uma gangorra, sendo que, de um lado, o 
hospedeiro humano e, do outro, o agente da doença, e, ao centro, os fatores 
ambientais que produzem o estímulo a doença.
A Teoria da História Natural da Doença explica que o processo de adoecimento é 
resultante da interação de três fatores principais: o ambiente, o hospedeiro e o agente 
da doença, gerando uma tríade (LEAVELL; CLARK, 1978).
Nesse sentido, os fatores ambientais incluem tudo o que cerca o indivíduo. Os 
aspectos relacionados ao hospedeiro se referem às características humanas, como 
idade, gênero, condições prévias de saúde etc. Por fim o agente da doença se relaciona 
ao agente etiológico envolvido no processo de adoecimento.
Desse modo, segundo essa teoria, a interação entre esses três fatores é o que 
determina o adoecimento. Para melhor compreensão, essa teoria explica o processo 
de adoecimento em duas etapas, as quais você pode conferir a seguir.
6
Período Pré-Patogênese e Patogênese: Conceitos 
e Principais Características
A Teoria da História Natural da Doença define que esse processo de adoecimento 
acontece em dois períodos distintos, denominados de período pré-patogênese (ou 
também chamado de período pré-patogênico) e o período de patogênese (também 
chamado de período patogênico).
A seguir, são descritas as características de cada um destes períodos.
Período Pré Patogênese
No período pré-patogênese, as manifestações clínicas da doença ainda não 
estão presentes, mas as condições para o seu aparecimento existem no 
ambiente e/ou no organismo da pessoa. Desse modo, esse período acontece 
antes da instalação da doença no organismo, caracterizando-se por uma fase 
em que há a interação entre os agentes patogênicos (fatores ecológicos, 
culturais, ambientais etc.) com o indivíduo, gerando um ambiente propício para 
o surgimento da patologia (SOLHA, 2018).
Período de Patogênese
Esse período começa com as primeiras alterações geradas pela ação dos 
agentes patogênicos sobre o organismo do indivíduo. Logo, essa fase se refere 
ao período em que a doença já está instalada e as alterações no organismo 
são iniciadas, havendo perturbações em nível celular, as quais evoluem 
posteriormente (PAIM, 2014).
Sobre o período de patogênese, à medida que o processo de adoecimento segue, ela 
evolui, podendo apresentar diferentes desfechos (SOLHA, 2014), isto é, a presença de 
um defeito permanente (ou sequela), cronicidade da doença, a cura, ou a morte.
7
Figura 03: Doenças crônicas
Fonte: PxHere (2017). 
#PraCegoVer: Um idoso com uma das mãos na cabeça, sentado em uma cadei-
ra de rodas, sendo empurrada por outra pessoa.
Como exemplo das duas fases que compõem a História Natural da Doença, pode-se 
citar o hábito do tabagismo.
Fase Pré–Patogênica
O cigarro é um agente patogênico que contribui para o surgimento de doenças, 
como o câncer de pulmão, por exemplo.
Figura 04: Tabagismo
 Fonte: Pixabay (2015). 
#PraCegoVer: a imagem mostra um homem de perfil fumando.
8
Fase Patogênica
O câncer de pulmão representa a fase patogênica, uma vez que o indivíduo 
começa a apresentar sinais e sintomas da doença.
Figura 05: Câncer de pulmão
Fonte: Publicdomainvectorr .org (2019). 
#PraCegoVer: a imagem mostra o uma ilustração anatômica do tronco e da face, destacando o sistema respiratório – 
pulmão e vias respiratórias.
Portanto, identificar esses dois períodos do processo de adoecimento permite que os 
profissionais desaúde possam estabelecer medidas específicas em cada uma das 
fases.
Processo Saúde-Doença
O entendimento do processo saúde doença é considerado difícil, uma vez que se trata de 
uma condição complexa, a qual não pode ser explicada apenas a partir de único ponto 
de vista. Isso reafirma a ideia de que vários fatores atuam como desencadeadores de 
doenças, ou também que atuam na produção de saúde em uma sociedade.
Esse entendimento da complexidade do processo saúde doença fez com que, ao 
longo dos anos, a definição de saúde fosse reformulada, trazendo novos conceitos 
que passaram a ser aceitos no decorrer do tempo.
9
Definição de Saúde
A Organização Mundial de Saúde (OMS) define saúde como o completo bem-estar 
físico, social e mental, e não unicamente a ausência de doença (MOREIRA, 2018). 
Esse conceito aceito pela OMS ultrapassa o conceito aceito em anos anteriores, de 
que a saúde era apenas a ausência de doença.
Desse modo, ao se falar em saúde, deve-se enfatizar que ela também compreende 
uma situação de plenitude que envolve três dimensões distintas, a dimensão física, a 
mental e a social.
Dimensão Física
Refere-se ao fato de que não há apenas a saúde de um órgão, mas sim do 
organismo como um todo, de forma completa.
Dimensão Mental
O indivíduo necessita de equilíbrio, entendimento, compreensão e entendimento 
dentro das situações de vida e do ambiente em que está inserido, de modo que 
a saúde mental auxilie na boa adaptação.
Dimensão Social
O indivíduo precisa se ajustar às exigências do meio, como condições 
socioeconômicas, de distribuição de renda e de oportunidades.
Considerando esse conceito de saúde que envolve o bem-estar do indivíduo em todos 
os aspectos, é necessário que as ações em saúde também contemplem esses aspectos 
e não sejam apenas estratégias voltadas à melhoria das condições biológicas/físicas 
do organismo.
Conceito Ampliado de Saúde
Essas dimensões propostas pela OMS, ao se falar do conceito de saúde, leva em 
consideração que as condições de saúde de uma população vão além apenas da 
preocupação e da criação de estratégias de saúde voltadas apenas à dimensão física 
10
dos indivíduos, isto é, as condições sociais e mentais também interferem no bem-
estar global do indivíduo e, consequentemente, na sua saúde.
Solha (2018) reforça que, atualmente, a saúde é tida como um metal social a nível 
mundial, uma vez que requer a ação de muitos outros setores da sociedade, incluindo 
os setores econômicos e sociais, que precisam atuar conjuntamente ao setor da 
saúde.
Determinantes Sociais de Saúde
A partir de 1960, vários pesquisadores passaram a questionar as teorias que 
explicavam, até então, processo de saúde e doença, uma vez que algumas delas não 
respondiam completamente as necessidades das pessoas (SOLHA, 2018).
Além disso, o conceito de saúde proposto pela OMS trazia consigo a ideia de que a 
saúde é determinada por alguns fatores ligados às condições sociais, econômicas, 
culturais, étnicas, raciais, psicológicas, ambientais e comportamentais, os quais 
influenciam na saúde tanto de forma positiva, quanto negativa (MOREIRA, 2018). Foi 
a partir desses questionamentos e das informações trazidas pela OMS que surgiu a 
Teoria da Determinação Social do Processo Saúde-Doença.
Nessa perspectiva, acredita-se que o desenvolvimento de problemas de saúde, 
ou a produção de saúde em uma população não dependem apenas das questões 
biológicas de cada pessoa, mas sim da ação destes outros fatores sobre o organismo 
do indivíduo.
Tais fatores fazem parte da teoria da Determinação Social do Processo Saúde-Doença, 
recebendo o nome de determinantes sociais de saúde (MOREIRA, 2018). O papel dos 
determinantes sociais de saúde pressupõe, desse modo, que a saúde é complexa, 
multidimensional e dinâmica, porque eles influenciam de diferentes maneiras, sem 
desconsiderar o fato de que o ambiente em que a pessoa está inserida não é estático, 
sofrendo modificações com frequência.
A figura a seguir demonstra esses determinantes sociais da saúde, conforme o modelo 
sugerido por Dahlgren e Whitehead.
11
CONDIÇÕES SOCIOECONÔMICAS, CULTURAL E AMBIEM TIAS GERAIS
REDES SOCIAIS E COMUNITÁRIAS
ESTILO DE VIDA DOS INDIVÍDUOS
Produção 
agrícola e de 
alimentos
Educação
Habitação
Ambiente de 
trabalho
Desemprego
Água e esgoto
Serviços 
sociais e 
saúde
CONDIÇÕES DE VIDA 
E DE TRABALHO
IDADE SEXO E 
FATORES 
HEREDITÁRIOS
Figura 06: Determinantes sociais de saúde
Fonte: Adaptada de Carrapato, Correa e Garcia (2017).
#PraCegoVer: Um esquema em meio círculo, no centro uma imagem com 
algumas pessoas e a descrição de idade, sexo e fatores hereditários. Ao redor 
desse, alguns níveis com a descrição de estilo de vida dos indivíduos, redes so-
ciais e comunitárias, condições de vida e trabalho e as condições econômicas, 
culturais e ambientais respectivamente.
Aliás, Moreira (2018) reforça a ideia de que esses determinantes estabelecem uma 
relação de hierarquia entre si. Por isso, neste modelo, é possível entender que os 
fatores determinantes são dispostos em diferentes níveis.
No centro do modelo, há os fatores individuais, ligados a gênero, idade e fatores 
genéticos. No primeiro nível, há os fatores relacionados aos comportamentos e ao 
estilo de vida adotados pelas pessoas. Como comportamentos nocivos à saúde 
das pessoas, pode-se destacar o hábito do tabagismo e etilismo. A figura a seguir 
exemplifica outros hábitos nocivos à saúde, como a inatividade física e o consumo de 
alimentos ricos em açúcares, gordura e sal.
12
Figura 07: Hábitos nocivos à saúde
Fonte: Freepik (2018). 
#PraCegoVer: Ilustração de um homem obeso sentado num sofá segurando o 
controle remoto e ao lado uma mesa com pipoca e refrigerante. Ao lado, uma 
mulher obesa sentada no sofá comendo um sanduiche, e ao lado uma mesa 
com um cesto de pães e biscoitos.
No segundo nível, existem os fatores relacionados a apoio sociais e comunitário, 
considerados importantes para as condições de saúde de uma sociedade.
Acima dele, estão os fatores relacionados às condições de vida e de trabalho das 
pessoas, como ambiente de trabalho, acesso à educação, alimentação, água potável 
e esgoto, condições adequadas de habitação e disponibilidade de emprego.
Alimentação
O acesso a quantidade adequada de alimentos e de qualidade é essencial para 
a saúde humana, ou seja, ações voltadas ao estímulo de práticas alimentares 
saudáveis e a práticas adequadas de produção de alimentos auxiliam na 
promoção e proteção da saúde. 
 
Figura 08: Alimentação saudável
Fonte: PxHere (2017).
#PraCegoVer:Uma imagem de frutas e vegetais: cenoura, pimentão morangos, nozes, temperos, etc.
13
Saneamento Básico
Envolve um conjunto de serviços de abastecimento de água, limpeza urbano, 
manejo e tratamento de resíduos sólidos. A falta de acesso à água de qualidade 
e ao serviço de tratamento de esgoto influencia diretamente nas condições de 
saúde, como doenças infecciosas.
 
Figura 09: Água potável
Fonte: Freepik (2021 ).
#PraCegoVer: Ilustração de uma torneira gigante derramando água e um homem ao lado com os braços estendidos.
No nível mais distal, encontram-se os determinantes relacionados aos fatores 
econômicos, culturais e ambientais, os quais são considerados fatores 
macrodeterminantes, uma vez que possuem capacidade de influenciar todos os 
demais níveis.
Para compreender um pouco mais os fatores macrodeterminantes de saúde, o quadro 
a seguir expõe alguns exemplos de cada um desses fatores.
14
Determinantes Exemplos
Econômicos Situação econômica do país, renda per capita, rendimentos, situações 
de emprego e renda, dentre outros.
Ambientais
Condições dos ambientes urbanos e rurais, poluição (agua, ar, solo), 
qualidade dos alimentos, gestão do lixo, fontes de energia utilizadas, 
aquecimento global, biodiversidade, dentre outros.
Sociais
Inclusão social, condições de visa, condições de educação e trabalho, 
cultura, estilos de vida adotados, comportamentos em relação a saúde,etnia etc.
Quadro 01: Macrodeterminantes de saúde
Fonte: Adaptado de Carrapato, Correa e Garcia (2017).
Esses determinantes que interferem de forma negativa, ou positiva sobre o processo 
saúde-doença propõem como estratégia de melhoria das condições de saúde da 
população; a modificação das estruturas sociais, econômicas e políticas; considerando 
isso, parte fundamental para se alcançar a saúde da população (SOLHA, 2018).
Um exemplo claro dessa influência é que, ao garantir melhores condições de trabalho, de 
transporte, o acesso igualitário aos serviços de saúde e ainda, a garantia de condições 
ambientais favoráveis, permite que as pessoas tenham melhores condições de vida, o 
que impacta por sua vez em melhores níveis de saúde.
Isso reforça a necessidade de ações voltadas a todos os determinantes, e não 
apenas ações pautadas na preocupação com as condições de saúde individuais de 
cada pessoa. Moreira (2018) enfatiza que os determinantes econômicos, culturais 
e ambientais de saúde são influenciados por políticas destinadas a vários setores 
da sociedade, as quais podem contribuir com melhorias das condições de vida e de 
trabalho das pessoas (MOREIRA, 2018).
Mas, na prática, como as condições econômicas podem interferir 
nas condições de saúde de uma população? Um exemplo disso 
pode ser a presença de uma região economicamente mais 
desfavorável, o que pode gerar escassez de recursos financeiros 
para investimentos na comunidade, como investimentos no setor 
da saúde; dificultando o acesso da população dessa região a 
exames, diagnóstico, consultas etc., contribuindo negativamente 
para as condições de saúde (MOREIRA, 2018).
Reflita
15
A hierarquia entre os determinantes que atuam sobre as condições de saúde apresenta 
particularidades. Isso porque, ela leva em consideração que os fatores sociais, 
econômicos e políticos incidem sobre a saúde da população, mas que essa relação 
não é de causa e efeito, ou seja, não é uma relação direta.
Isso porque, enquanto os fatores individuais, a exemplo das condições biológicas e 
genéticas, ajudam a identificar as pessoas que estão mais vulneráveis ao risco de 
cercas doenças, os determinantes sociais ajudam a compreender o grau que as 
condições sociais, econômicas e ambientais exercem sobre o risco de adoecimento.
1. Ações Sobre Determinantes Econômicos 
Segundo Campos et al. (2016), os melhores níveis de saúde são encontrados 
em países com menos desigualdades econômicas e não em países mais ricos. 
Por isso, melhorar a distribuição de renda é uma das principais ações para 
minimizar as iniquidades econômicas e melhorar a saúde da população.
Figura 10: Distribuição de renda
Fonte: PxHere (2017).
#PraCegoVer: Na figura há uma mão segurando várias cédulas de reais, de cinco, dez, vinte e cinquenta reais.
16
2. Ações Sobre Determinantes Sociais
Possibilitar que as pessoas tenham condições dignas de vida, com acesso ao 
básico é uma das formas de se melhorar os níveis de saúde da população. 
Os benefícios sociais como aposentadoria e auxílio desemprego são exemplos 
destas ações.
Figura 11: Aposentadoria
Fonte : PxHere (2017).
#PraCegoVer: Na figura há um homem idoso com chapéu e óculos escuros.
A forte influência desses fatores leva a compreensão de que as condições em que 
as pessoas nascem e vivem e o modo como trabalham envelhecem interferem na 
manutenção da saúde, ou no desenvolvimento de um processo de adoecimento. A 
figura a seguir exemplifica um ambiente de populações ribeirinhas, com algumas 
dificuldades em relação a acesso a água de qualidade e a serviços de esgoto.
17
Figura 12: Moradias ribeirinhas
Fonte : Wikimedia Commons (2013).
#PraCegoVer: Duas casas construídas na beira de um rio, com mata ao redor.
Considerando esses fatores ainda, é compreensível a necessidade de que as ações 
ofertadas a população devem respeitar os impactos desses fatores sobre a saúde 
das pessoas. Para Souza (2017), as ações planejadas e executadas em prol da 
saúde da população devem partir do pensamento ampliado de saúde, lembrando que 
cada problema, ou demanda de saúde normalmente é resultante de diversos fatores 
determinantes.
Nesse sentido, há necessidade de realização de ações em prol da saúde da população 
que envolvam a saúde ambiental através de ações destinadas à garantia do tratamento 
do esgotamento sanitário, à melhoria da qualidade da água, ao descarte adequado 
dos resíduos e à prevenção da poluição ambiental.
18
Figura 13: Poluição ambiental
Fonte: Pixabay (2016).Erro! A referência de hiperlink não é válida.
#PraCegoVer: Ilustração do mar recebendo lixo (garrafas, latas, plástico) e de 
um navio com vazamento de óleo.
Para os profissionais de saúde, compreender os conceitos e as definições existentes 
acerca do processo saúde-doença e qual delas é a mais aceita atualmente é essencial, 
uma vez que é a partir desses conceitos e da compreensão de sua importância que o 
profissional poderá atuar de forma mais ativa dentro dos serviços de saúde.
Níveis de Atenção à Saúde
No Brasil, todas as políticas, serviços e programas de saúde são organizados em 
níveis de atenção à saúde, que compreendem o nível de atenção à saúde primário, o 
secundário e o terciário (MARQUES, 2017).
19
Nível de Atenção Primário
A atenção primária, também chamada de atenção básica, é caracterizada como o 
primeiro nível de atenção à saúde, sendo considerada a porta de entrada do paciente no 
Sistema Único de Saúde. Nesse nível, as ações realizadas são de baixa complexidade e 
podem ser realizadas nas Unidades Básicas de Saúde, no Programa Saúde da Família 
e no Núcleo Ampliado de Apoio a Saúde das Famílias e Atenção Básica (NASF- AB).
Figura 14: Unidade básica de saúde
Fonte: Wikimedia Commons (2019). 
#PraCegoVer: Ilustração de uma construção, com portões, corredor de entrada, 
rampas de acesso, um banco e uma fachada escrita unidade de saúde da 
família.
Os profissionais que atuam nessa área podem possuir diferentes especialidades 
básicas (enfermagem, pediatria, clínica médica, obstetrícia, ginecologia, psicologia, 
odontologia, serviço social e fisioterapia, cujo objetivo é garantir a universalidade do 
acesso aos serviços de saúde. As ações realizadas pelos profissionais nesse nível de 
atenção devem contemplar a educação em saúde, promoção da saúde, prevenção de 
doenças e agravos e reabilitação dos pacientes.
20
Ações de Promoção e de Educação em Saúde 
As ações de educação e saúde e promoção de saúde podem ser realizadas 
pelos profissionais de saúde incluindo o fisioterapeuta, junto aos serviços de 
saúde de nível primário. Como exemplo, pode-se citar as ações voltadas ao 
estímulo à realização de atividade física regular, reduzindo, assim, os níveis de 
sedentarismo da população. Essa ação pode ser destinada a diferentes faixas 
etárias, desde que respeitado as particularidades de cada população e pode 
contribui também para a redução de outros fatores de risco, como a obesidade 
e o sobrepeso.
Figura 15: Estímulo à atividade física
Fonte: Freepik (2019).
#PraCegoVer: Cinco mulheres sentadas no chão de uma sala, sobre um colchonete, com os braços elevados e as 
pernas cruzadas. 
Ações de Prevenção em Saúde 
As ações de prevenção em saúde podem ser direcionadas, por exemplo à a 
orientação para a adoção de postura de trabalho mais adequadas, prevenindo 
lesões.
Figura 16: Postura laboral
Fonte: Freepik (2021).
#PraCegoVer: ilustração de um homem sentado em frente a um computador. 
21
Ações de Tratamento e Reabilitação
As ações de reabilitação e tratamento são destinadas a pessoas com alguma 
disfunção já instalada, como o tratamento de uma patologia ortopédica .
 
Figura 17: Tratamento ortopético
Fonte: Freepik (2021).
#PraCegoVer: Mulher sentada em uma bola suíça com o braço esquerdo elevado. Atrás dela, uma fisioterapeuta, com 
as mãos locionadas no ombro e no antebraço da mulher. 
Acerca dessas ações desempenhadas no nível de atenção primário, deve-se destacar 
que essas ações podem ser destinadasa nível individual, como a nível coletivo 
(MARQUES, 2017).
Nível de Atenção Secundário
Segundo Marques (2017), o nível secundário engloba a necessidade de profissionais 
especializados associados à utilização de recursos tecnológicos de apoio diagnóstico 
e terapêutico, incluindo ações como exames e procedimentos especializados (por 
exemplo, a ultrassonografia e a angioplastia). Quanto ao local de realização das 
ações, elas podem ser realizadas em unidades de pronto atendimento, em clínicas e 
consultórios de média complexidade.
22
Nível de Atenção Terciário
Já o nível terciário de ação, estão as medidas de alta complexidade, que necessitam de 
profissionais altamente qualificados e recursos tecnológicos de alto custo, permitindo, 
assim, que a população tenha acesso a serviços mais qualificados. Conforme aponta 
Marques (2017), os hospitais de grande porte, são exemplos disso, assim como os 
procedimentos mais complexos, como no caso de procedimentos de neurocirurgia, 
hemodiálise, colocação de marca-passo etc.
Figura 18: Hospital
Fonte: Plataforma Deduca (2021).
#PraCegoVer: ilustração de um grande hospital, numa vista superior; com esta-
cionamento e arvores nas laterais.
O fisioterapeuta pode atuar no nível de atenção à saúde terciário através de ações 
realizadas em diferentes espaços hospitalares, como nas enfermarias e nas Unidades 
de terapia Intensiva (UTI), prestando assistência, por exemplo, à pacientes que 
necessitam de intervenções cirúrgicas.
Nos três níveis de atenção à saúde, diferentes profissionais atuam de modo a garantir 
a qualidade da atenção à saúde. Dentre esses profissionais, há os fisioterapeutas que 
podem desempenhar suas funções nos três níveis de atenção à saúde (MARQUES, 
2017).
23
Nível Primário
O fisioterapeuta atua através de ações de promoção à saúde e de prevenção, 
com grupos de apoio de prevenção de doenças crônicas, a pacientes com 
hipertensão arterial, doença pulmonar obstrutiva crônica etc.
Nível Secundário
Nesse nível, o fisioterapeuta atua em clínicas e consultórios, como, por exemplo, 
no atendimento de pacientes com lesões ortopédicas e neurológicas.
Nível Terciário 
O fisioterapeuta atua no atendimento de pacientes em unidade de terapia 
intensiva, por exemplo.
Essa organização dos níveis de atenção à saúde permite, dentre outros benefícios, 
a melhoria da qualidade dos atendimentos aos pacientes, uma vez que, em cada um 
desses níveis, são encontrados serviços de assistência à saúde específicos, de modo 
que, juntos, possam atender as demandas de saúde da população.
24
Conclusão
Saúde
Não se refere a ausência de doença! O conceito atual de saúde a entende como 
um processo que permite o completo bem-estar a nível físico, a nível mental 
e social, de modo que a garantia desse bem-estar nessas três dimensões 
contribui com a produção de saúde em uma população.
 
Fonte: PxHere (2017).
#PraCegoVer: Um homem e uma mulher sentados em um banco, de frente para um gramado e um lago. 
Determinantes Sociais de Saúde
Contemplam todos os fatores que interferem na maneira como as pessoas 
vivem, trabalham e envelhecem. Incluem desde as condições de moradia, de 
renda, de educação, os hábitos e comportamentos de vida, as relações sociais, 
até as condições individuais, relacionadas à questão biológica e genética.
 
Fonte: Freepik (2015).
#PraCegoVer: Um homem e uma mulher jovens, com roupas esportivas, correndo em uma rua, com arvores na lateral. 
25
Níveis de atenção à saúde
Todas as ações desenvolvidas em prol da saúde da população ocorrem em 
diferentes serviços de saúde. No Brasil, o Sistema Único de Saúde organiza 
esses serviços em três níveis de atenção à saúde (primário, secundário e 
terciário), organizados conforme demandas de complexidade crescentes.
 
Fonte: Freepik (2020).
#PraCegoVer: Ilustração de um grande hospital com uma ambulância na lateral. 
Figura 22: Figura que ilustre o conteúdo
Fonte: Plataforma Deduca (2021).
#PraCegoVer: Oito pessoas, incluindo homens e mulheres, adultos jovens e 
idosos, segurando equipamento de ginástica, acessórios esportivos e alimen-
tos saudáveis. 
26
Referências
CAMPOS, G. W. S. et al. Tratado de saúde coletiva. 2. ed. São Paulo: Editora Hucit, 
2016.
CARRAPATO, P.; CORREA, P.; GARCIA, B. Determinante da saúde no Brasil: a procura 
da equidade na saúde. Saúde Soc., São Paulo, v. 26, n. 3, p. 676-689, 2017. Disponível 
em: https://www.scielosp.org/article/sausoc/2017.v26n3/676-689/. Acesso em: 10 
abr. 2023.
LEAVELL, H; CLARK, G. Medicina preventiva. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil. Rio de 
Janeiro: Fename, 1978. 
MARQUES, M. R. Introdução à profissão: fisioterapia. Porto Alegre: SER – SAGAH, 
2017.
MOREIRA, T. C. Saúde Coletiva. Porto Alegre: SER – SAGAH, 2018.
PAIM, J. S. Saúde coletiva: teoria e prática. Rio de Janeiro: MedBook, 2014.
SOLHA, R. K. T. Saúde coletiva para iniciante: políticas e práticas profissionais. 2. ed. 
São Paulo: Erica, 2018.
SOUZA, M. C. M. R. Enfermagem em saúde coletiva: teoria e prática. 2. ed. Rio de 
Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.
https://www.scielosp.org/article/sausoc/2017.v26n3/676-689/

Mais conteúdos dessa disciplina