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Teoria Literária: Poética 
Responsável pelo Conteúdo:
Prof.ª Dr.ª Vivian Steinberg
Revisão Textual:
Prof.ª Dr.ª Silvia Augusta de Barros Albert 
A Voz e a Palavra: Verso, Som, Ritmo
A Voz e a Palavra: Verso, Som, Ritmo
 
• Sensibilizar-se para o que se instaura quando lemos ou ouvimos um poema;
• Distinguir os textos literários e reconhecer os textos poéticos;
• Distinguir o ato poético de poesia, além de compreender que o poema se faz com palavras e 
que o poeta faz linguagem, fazendo poema;
• Analisar estruturalmente diferentes poemas e versos.
OBJETIVOS DE APRENDIZADO 
• Introdução;
• O Que são Sílabas Poéticas? 
• Vamos Saber mais sobre essa Contagem de Sílabas no Poema?
• Sobre o Repente;
• Cordéis Musicados;
• Rima;
• Soneto.
UNIDADE A Voz e a Palavra: Verso, Som, Ritmo
Introdução
Por que a poesia emociona?
Mas, a poesia emociona?
Sim, claro. Vamos pensar numa criança pequena. Ela olha para o adulto e presta 
atenção nas palavras, tenta repetir. Ela fica maravilhada com o som das palavras, antes 
de saber o significado. Isso é poesia. Poesia feita de palavras. A poesia está desprovida 
do sentido prático. Ou seja, ela não serve para alguma coisa, ela simplesmente tem a 
consistência e o volume de cada som, de cada fonema, de cada sílaba. As palavras ad-
quirem sabor, consistência. A criança brinca com as palavras, com o som das palavras.
Um pouco mais velha, a criança escuta um poema e se diverte, gosta, brinca. É pelo 
som que a criança é seduzida pelas palavras. Novamente, não interessa muito o que quer 
dizer, o significado da palavra poética. 
Vamos ler e escutar “Bolhas”, poema que Cecília Meireles escreveu para crianças, 
sabendo que essas sabem saborear as palavras.
Cecília Benevides de Carvalho Meireles (Rio de Janeiro, 7 de novembro de 1901 – Rio de 
Janeiro, 9 de novembro de 1964). Jornalista, pintora, professora e uma das grandes poetas 
e escritoras brasileiras. Disponível em: https://bit.ly/3wFSfCX
Poema “Bolhas”. Disponível em: https://youtu.be/UFL0cbSn2E4
Conheça também outros poemas do livro “Ou Isto ou Aquilo”,, de Cecília Meireles. 
Disponível em: https://bit.ly/2QYZhUo
“Bolhas” é um poema que as crianças adoram! Você sabe por quê?
O que chama atenção no poema “Bolhas”? O que nos sensibiliza?
O som, o ritmo. E ritmo é a vida. Por exemplo, o coração bombeia sangue sempre 
no mesmo ritmo, se mudar causa uma disritmia. “Dis” é um sufixo de negação, ou seja, 
sem ritmo, todos os alertas precisam ser acionados.
Outro exemplo: O sol nasce todas as manhãs e os dias sucedem às noites. Esperamos 
esse movimento, esse ritmo da natureza. O ritmo causa uma expectativa pela própria 
ocorrência do fenômeno que é repetido. 
Por exemplo, uma torneira pingando no banheiro, nos “prepara” para o próximo 
pingo. A percepção do ritmo comporta aspectos cognitivos e o ritmo auditivo é perce-
bido de modo temporal - depois de um certo tempo, perceberemos ou nos preparamos 
para o próximo pingo. Percebemos o ritmo através da repetição, ou da alternância, ou 
da progressão.
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Figura 1 – As 4 estações do ano
Fonte: Getty Images
#ParaTodosVerem: Composição de um quadro com quatro fotos representando as 
quatro estações do ano. A foto superior esquerda mostra uma paisagem com uma 
grande árvore no centro, o chão e os galhos da árvore estão cobertos de neve. A ima-
gem superior direita mostra a mesma foto, mas com o solo coberto por grama verde, o 
céu azul com nuvens ao fundo e a árvore com poucas folhas. A imagem inferior esquer-
da mostra a mesma árvore com galhos frondosos e com muitas folhas verde-escuras, 
céu azul com nuvens ao fundo. Na imagem inferior direita, a mesma árvore apresenta 
folhas esverdeadas, com tom verde-amarelado.
As primeiras civilizações, por exemplo, se estabeleceram devido ao trabalho realizado 
sobre os ritmos naturais. 
Assim ocorreu com o Egito antigo. A previsibilidade dos períodos de cheia do rio Nilo 
permitiu aos egípcios construir um sofisticado sistema de irrigação das terras ribeirinhas, 
o qual foi a base da existência dessa cultura milenar. Isso também aconteceu com os 
astecas, os incas, os primeiros habitantes das Américas.
Se viajamos para um país que está no outro hemisfério, por exemplo, algum país da 
Europa, ou para os EUA, além do fuso horário, sentiremos a diferença do clima, da es-
tação. Sabemos que, depois do inverno, virá a primavera, nosso organismo se prepara, 
assim como a natureza. Está percebendo como nosso organismo é regido por ritmos 
internos e externos?
Agora, retomando o poema “Bolhas”, de Cecília Meireles, observe de primeira que o 
poema trabalha muito com a sonoridade e tem um ritmo que alterna entre duas, três ou 
cinco sílabas poéticas. É muito fácil de decorar. 
O/lha a bo/lha d`á/gua 5 sílabas poéticas
no/ ga/lho! 2 sílabas poéticas 
O/lha o or/va/lho 3 sílabas
9
UNIDADE A Voz e a Palavra: Verso, Som, Ritmo
O Que são Sílabas Poéticas? 
Para entender o que são sílabas poéticas, antes, é necessário saber o que é Metro: é 
a medida do verso que se dá por meio da contagem dos sons que ele comporta. O 
estudo do metro chama-se metrificação e escansão é a contagem dos sons dos versos. 
A contagem dos sons nos versos se dá pelas sílabas métricas, ou poéticas, que 
diferem, é importante lembrar, das sílabas gramaticais em alguns aspectos. Vale lembrar 
também que em alguns casos elas podem coincidir.
Vamos ver como isso acontece?
• Não se contam as sílabas poéticas que estejam após a última sílaba tónica do verso;
• Ditongos têm valor de uma só sílaba poética;
• Duas ou mais vogais, átonas ou até mesmo tónicas, podem fundir-se entre uma 
palavra e outra, formando uma só sílaba poética.
Vejamos um exemplo de separação de sílabas e de escansão (separação das sílabas 
poéticas) no verso “e viva eu cá na terra sempre triste” (Camões):
“e/ vi/va/ eu/ cá/ na/ ter/ra/ sem/pre/ tris/te/” (Camões) – 
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 – separação de sílabas gramaticais
“e/ vi/va eu/ cá/ na/ te/rra/ sem/pre/ tris/te’ (Camões)
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 – separação de sílabas poéticas
Como podem perceber, o verso de Camões “e viva eu cá na terra sempre triste” 
tem doze sílabas gramaticais, mas apenas dez sílabas métricas, sendo a -tris de 
“triste” a última contabilizada (a última sílaba tônica do verso).
Uma das principais diferenças, então, reside no fato de, na contagem métrica, não se 
contabilizarem as sílabas que se seguem à última sílaba tônica, da última palavra do verso.
Vamos Saber mais sobre essa 
Contagem de Sílabas no Poema?
A contagem do número de sílabas métricas de um verso também é denominada 
de escansão, sendo que o total das sílabas poéticas deve ser igual para cada espécie 
de verso. Assim, é necessário saber a maneira de fazer essa contagem.
Em português, existem doze espécies de versos, relacionados à contagem das sila-
bas métricas. Essa contagem deve ser feita da seguinte forma:
• A contagem termina sempre na sílaba tônica da última palavra de cada verso. Dis-
pensa-se a contagem das demais sílabas dessa mesma última palavra, se houver;
• A cada verso inicia-se nova contagem (dispensam-se as sílabas que sobraram da 
última palavra do verso anterior);
• Na contagem, ignora-se sempre quaisquer pontuações;
• Quando uma palavra terminar por vogal átona e a palavra seguinte começar por vogal, 
também átona, as sílabas que contêm essas vogais constituirão uma só sílaba métrica;
10
11
• Quando uma palavra termina por M e a seguinte começa com vogal, pode haver o 
desaparecimento da consoante “M”.
Para saber mais sobre métrica e escansão leia: Lusofonia – o teu espaço da poesia lusófona 
 – Manuel C. Amor. Disponível em: https://bit.ly/3oURKCs
Voltando a falar da importância da sonoridade para o poema, lembramos que, em sua 
origem, os poemas eram criados para ser cantados, acompanhados por música. O traba-
lho poético com as palavras, entretanto, pode por si só criar ritmo, musicalidade, desen-
volvendo a percepção da sonoridadeda língua e as muitas possibilidades de criar poesia.
Vale lembrar que, antigamente, decoravam-se poemas para serem apresentados em 
saraus e, desde o século XIX, os repentes, que têm sua origem no Nordeste brasileiro, 
são também representativos dessa sonoridade poética. Atualmente, isso acontece de 
novo nas batalhas de poesia falada, os slam.
O Slam, como conhecemos no Brasil, é oriundo do movimento Poetry slam (traduzido 
literalmente do inglês, “batida de poesia”) que consiste em uma competição em que po-
etas leem ou recitam um trabalho original (ou, mais raramente, de outros). Essas perfor-
mances são julgadas por membros selecionados da plateia ou então por uma comissão 
de jurados. Há várias competições no Brasil, não só em cidades, mas competições estaduais 
e nacionais. O primeiro lugar em competições nacionais no Brasil é convidado a participar 
de competições internacionais. Disponível em: https://bit.ly/3utxlFP
Conheça o Slam, a poesia das ruas que reflete sobre temas sociais. 
Disponível em: https://youtu.be/dbMz67uSQXQ
Sobre o Repente
No Brasil, a tradição medieval ibérica dos trovadores deu origem aos cantadores – ou 
seja, poetas populares que vão de região em região, com a viola nas costas, para cantar 
os seus versos. Eles apareceram nas formas da trova gaúcha, do calango (Minas Gerais), 
do cururu (São Paulo), do samba de roda (Rio de Janeiro) e do repente nordestino. Ao 
contrário dos outros, este último se caracteriza pelo improviso – os cantadores fazem os 
versos “de repente”, em um desafio com outro cantador. Não importa a beleza da voz ou 
a afinação – o que vale é o ritmo e a agilidade mental que permita encurralar o oponente 
apenas com a força do discurso. 
A métrica do repente varia, bem como a organização dos versos: temos a sextilha (es-
trofes de seis versos, em que o primeiro rima com o terceiro e o quinto, o segundo rima 
com o quarto e o sexto), a septilha (sete versos, em que o primeiro e o terceiro são livres, 
o segundo rima com o quarto e o sétimo e o quinto rima com o sexto) e variações mais 
complexas como o martelo, o martelo alagoano, o galope beira-mar e tantas outras. 
O instrumental desses improvisos cantados também varia: daí que o gênero pode ser 
subdividido em embolada (na qual o cantador toca pandeiro ou ganzá), o aboio (apenas 
com a voz) e a cantoria de viola.
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UNIDADE A Voz e a Palavra: Verso, Som, Ritmo
Cordéis Musicados
O repente se insere na tradição literária nordestina do cordel, de histórias contadas 
em caudalosos versos e publicadas em pequenos folhetos, que são vendidos nas feiras 
por seus próprios autores. Uma tradição que, por sinal, inspirou clássicos da literatura 
brasileira, como o Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, e Morte e Vida Severina, 
de João Cabral de Melo Neto. O repente foi para o Sudeste em meados do século XX, 
junto com a migração de nordestinos para os grandes capitais. Chegou a São Paulo 
em 1946 com o alagoano Guriatã de Coqueiro (Augusto Pereira da Silva) e, no Rio, 
instalou-se na Feira de São Cristóvão.
Saiba mais sobre a História do Repente, disponível em: https://bit.ly/34kqWlP
Para ouvir Poetas do Repente | Tecendo o Repente. 
Disponível em: https://youtu.be/kr1Q6QAm9q8
Quanto temos a aprender sobre poesia e poemas, não é mesmo? 
Mas voltemos ao poema que estamos analisando, “A bolha”, de Cecilia Meireles. 
Observe que as duas primeiras estrofes (partes do poema) tem três versos (cada linha do 
poema). Todas as estrofes, com exceção da última, começam com as mesmas palavras: 
“Olha a bolha...”, que rimam, ou seja, repetem os fonemas /lh/.
Esse som é “para cima”, ou seja, direciona o olhar, parece que visualizamos uma 
bolha de sabão subindo... imagem alegre, divertida.
Se pronunciarmos a palavra “bolha” com ênfase, como fazem as crianças, ela é sa-
boreada na boca. As crianças brincam com as palavras sem se preocuparem com o seu 
significado. Ele não é o mais importante.
Paul Valéry diz que, em um poema bem-sucedido, acontece “uma hesitação prolon-
gada entre o som e o sentido”.
Quem foi Paul Valéry? 
Ambroise-Paul-Toussaint-Jules Valéry (Sète, 30 de outubro de 1871 – Paris, 20 de julho de 
1945) foi um filósofo, escritor e poeta francês da escola simbolista cujos escritos incluem 
interesses em matemática, filosofia e música. Valéry nasceu em Sète, filho de um pai corso 
e uma mãe genovesa-Ístria, em uma cidade na costa mediterrânea do Hérault, mas ele foi 
criado em Montpellier, maior centro urbano da região. Após a educação católica romana 
tradicional, ele estudou direito na universidade, em Paris, cidade em que viveu a maior par-
te de sua vida. Fez parte, por algum tempo, do círculo de Stéphane Mallarmé. Para saber 
mais acesse o link, disponível em: https://bit.ly/2QXoZsp
Conheça também alguns poemas traduzidos de Paul Valéry.
Disponível em: https://bit.ly/3oTzVUx
12
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Voltando à frase de Valéry, vamos pensar no que ela evoca? O poeta afirma que ao 
lermos ou escutarmos um poema, o que nos emociona, ou o que nos faz vibrar é uma 
hesitação entre o som das palavras e da métrica, das repetições de sons, as rimas e o 
sentido das palavras.
Para aprofundar esse assunto, recomendamos a leitura do artigo “Nos Passos de Valéry” em 
que Aĺvaro Faleiros e Roberto Zular fazem uma leitura do poema “Le pas” (O passo) de Paul 
Valéry. Esse poema publicado pela primeira vez em 1921, na revista Feuillets d’Art, e retoma-
do em Charmes (1922), pode ser lido como uma pequena “arte poé tica” em chave amorosa, 
 espécie de realizaç ão no poema daquilo que mais tarde Valéry chamaria de “hesitaç ão pro-
longada entre o som e o sentido” (VALEŔY, 1960, p. 637). 
Disponível em: https://bit.ly/34ohaz2
É incrível, não é? Você já havia pensado assim sobre os poemas? E não finalizamos 
ainda a análise dos sons no poema “Bolhas” de Cecília Meireles. Fazemos um convite: 
Vamos escutar as rimas e as repetições de sons nos versos desse poema? Vamos lá! 
Audição apurada e vá falando em voz alta cada verso:
Bolha s | Cecília Meireles (1901-1964)
Olha a bolha d’água 
no galho!              
Olha o orvalho! 
Olha a bolha de vinho 
na rolha! 
Olha a bolha! 
Olha a bolha na mão 
que trabalha. 
Olha a bolha de sabão 
na ponta da palha: 
brilha, espelha
e se espalha. 
Olha a bolha!
Olha a bolha
que molha
a mão do menino: 
A bolha da chuva da calha! 
Fonte: MEIRELES, 1990, p. 15
As repetições internas estão marcadas pela cor roxa e as rimas estão em vermelho. 
Podemos observar que o som que mais se repete é o “-lha”, com a variante “-lho”. Veja 
que, já no título, esse som aparece na palavra fundamental do poema. Cecília Meireles, 
nesse poema, refere-se a bolhas pelo som e, através das repetições, consegue que o 
leitor perceba e experimente a sensação das bolhas.
13
UNIDADE A Voz e a Palavra: Verso, Som, Ritmo
Vimos como se dá a relação entre os sons e os sentidos, observando as rimas e 
repetições de sons no poema. Mas a sonoridade do poema se dá também pelo ritmo, 
pela marcação do som que é realizada pela métrica. Vamos, então, separar as sílabas 
poéticas, nas estrofes e nos versos do poema de Cecília Meireles?
Verso = cada linha do poema
Estrofe = cada “conjunto” de versos 
Bolhas
O/lha a bo/lha d`á/gua 5 sílabas poéticas
no/ ga/lho! 2 sílabas poéticas 
O/lha o or/va/lho 3 sílabas
O/lha a/ bo/lha/ de/ vi/nho 6 sílabas
na/ ro/lha 2 sílabas
O/lha a/ bo/lha 3 sílabas
O/lha a/ bo/lha/ na/ mão 6 sílabas
que/ tra/ba/lha 3 sílabas
O/lha a/ bo/lha/ de/ sa/bão! 7 sílabas 
na/ pon/ta/ da/ pa/lha 5 sílabas
bri/lha, es/pe/lha 3 sílabas
e/ se es/pa/lha 3 sílabas
O/lha a/ bo/lha 3 sílabas
O/lha a/ bo/lha 3 sílabas
Que/ mo/lha 2 sílabas
a/ mão/ do/ me/ni/no 5 sílabas
A/ bo/lha/ da/ chu/va/ da/ ca/lh a 8 sílabas
Bem, para acompanhar o ritmo do poema, precisamos perceber como se dá a métrica 
do poema. Observe que a última sílaba tônica de cada verso está em vermelho. Importante 
saber que é assim que contamos as sílabas poéticas, até a últimasílaba tônica do verso. 
Em relação às sílabas poéticas e à métrica, um conceito importante para a teoria de 
poemas é o “enjambement”, que revela a riqueza na construção do texto.
Vamos aprender mais sobre esse conceito, com um teórico da área?
Veja só:
ENJAMBEMENT
by Carlos Ceia | Dez 30, 2009 |  
Termo francês para um processo poético que consiste no desalinhamento da  estrutu-
ra  métrica  e sintáctica de uma composição, onde os versos se sucedem entre si, sem 
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pausas no final de cada um. É normalmente traduzido para português por  encavalga-
mento, por tradução directa do espanhol encabalgamiento. O processo de continuação 
do sentido de um verso no verso seguinte produz versos corridos, característica de muitas 
composições da nossa lírica galego-portuguesa (não significando que seja dela exclusivo, 
pois desde a poesia homérica que o enja mbement pode ser identificado). Trata-se de uma 
alternativa ao paralelismo tradicional e podemos testemunhá-la em cantigas de atafin-
da  (que conduzem ininteruptamente o pensamento “até à  finda” do  poema), como a 
célebre “Quer’ eu en maneira de proençal / fazer agora un cantar d’amor”. Embora larga-
mente utilizado já pelos poetas renascentistas e maneiristas, só a partir de André Chénier 
(1764-1811) o processo voltou a ganhar simpatia entre os poetas. Os poetas românticos 
utilizam-no com alguma frequência, mas só a partir da poesia modernista o processo de 
encadeamento dos versos se vulgarizou. Hoje são raras as composições que ainda obede-
cem a um alinhamento rigoroso dos versos e da sintaxe do poema.
Disponível em: https://bit.ly/3hVC14L
No poema “Bolhas”, verificamos enjambement em todas as estrofes, por exemplo, em: 
“O/lha a bolha d’água/ no galho! “, percebemos que o primeiro verso continua no segundo. 
Podemos dizer que o verso “olha a bolha d’água” se espalha em “no galho”, o segundo verso. 
Em relação à metrificação, notamos que “Bolhas” não segue uma métrica rígida, ou 
seja, os versos não são todos redondilhas maiores ou menores (5 ou 7 sílabas poéticas) 
 – métrica tradicional de poemas populares em português. E, apesar ter rimas, não se-
gue algum modelo tradicional de rimas. Isso acontece porque é um poema moderno, ou 
seja, traz aspectos e características que nos permite localizá-lo, em relação à história da 
literatura brasileira, como moderno. Foi escrito depois de um dos marcos da modernida-
de nas artes no Brasil, a “Semana de Arte Moderna”. Além disso, esse poema acompa-
nha a quebra de regras rígidas, proposta pela modernidade nas artes.
Quando falamos em rimas, em enjambement, em metrificação, percebemos que são 
artifícios para a criação de um ritmo importante para a concretização do poema. 
O ritmo é a questão fundamental para a criação e para a escuta de um poema. O pen-
sador e poeta Octavio Paz escreveu, no capítulo do livro O arco e a lira, “O poema”, 
uma parte dedicada ao ritmo. Vamos ler o trecho inicial: 
O ritmo
As palavras se comportam como seres caprichosos e autônomos. Sempre 
dizem “isto ou aquilo” e, ao mesmo tempo, “aquilo e o que vem depois”. 
O pensamento não se resigna; obrigado a usá-las, repetidas vezes preten-
de reduzi-las a suas próprias leis; e repetidas vezes a linguagem se rebela 
e explode os diques da sintaxe e do dicionário. Léxicos e gramáticas 
são obras condenadas a nunca estar prontas. O idioma está sempre em 
movimento, mas o homem, por ocupar o centro do redemoinho, poucas 
vezes percebe essa mudança incessante. Daí que, como se a língua fosse 
algo estático, a gramática afirme que se trata de um conjunto de palavras 
e que estas constituem a unidade mais simples, a célula linguística. Na 
verdade, um vocábulo nunca aparece isolado; ninguém fala em palavras 
soltas. O idioma é uma totalidade indivisível; não é formado pela somató-
ria de suas palavras, assim como a sociedade não é o conjunto dos indi-
víduos que a compõem. Uma palavra isolada é incapaz de constituir uma 
15
UNIDADE A Voz e a Palavra: Verso, Som, Ritmo
unidade significativa. A palavra solta não é, propriamente, linguagem; 
tampouco o é uma sucessão de vocábulos dispostos ao acaso. Para que a 
linguagem se constitua é preciso que os signos e sons se associem de tal 
maneira que impliquem e transmitam um sentido. Na frase, a pluralidade 
potencial de significados da palavra solta se transforma numa direção 
certa e única, embora nem sempre rigorosa e unívoca. Então, não é a 
palavra, e sim a frase ou oração, que constitui a unidade mais simples da 
fala. A frase é uma totalidade autossuficiente; como num microcosmo, a 
linguagem inteira vive nela. Assim como o átomo, é um organismo que 
só pode ser separado pela violência. De fato, só pela violência da análise 
gramatical a frase se decompõe em palavras. A linguagem é um universo 
de unidades significativas, ou seja, de frases.
[...]
O poema possui o mesmo caráter complexo e indivisível da linguagem 
e da sua célula: a frase. Todo poema é uma totalidade fechada em si 
mesma: é uma frase ou um conjunto de frases que formam um todo. 
Tal como o resto dos homens, o poeta não se expressa em vocábulos 
soltos, mas em unidades compactas e inseparáveis. A célula do poema, 
seu núcleo mais simples, é a frase poética. Mas, ao contrário do que 
acontece com a prosa, a unidade da frase, o que a constitui como tal e a 
faz linguagem, não é o sentido ou direção significativa, mas o ritmo. Essa 
desconcertante propriedade da frase poética será estudada adiante; antes 
disso, é indispensável descrever de que maneira a frase prosaica – a fala 
comum – se transforma em frase poética. 
[...]
O poeta encanta a linguagem por meio do ritmo. Uma imagem suscita 
outra. Assim, a função predominante do ritmo distingue o poema de 
todas as outras formas literárias. O poema é um conjunto de frases, uma 
ordem verbal baseada no ritmo. 
Batendo-se num tambor a intervalos iguais, o ritmo aparecerá como tem-
po dividido em porções homogêneas. A representação gráfica dessa abs-
tração poderia ser a linha tracejada: -----------------------------. A intensidade 
rítmica dependerá da celeridade com que os golpes atinjam a membrana 
do tambor. Intervalos mais reduzidos corresponderão a redobrada vio-
lência. As variações também dependerão da combinação entre batidas 
e intervalos. Por exemplo: -I - -I-I - -I –I- -I etc. Mesmo reduzido a esse 
esquema, o ritmo é algo mais que medida, algo mais que tempo dividido 
em porções. A sucessão de golpes e pausas revela certa intencionalidade, 
algo assim como uma direção. O ritmo provoca uma espera, suscita um 
desejar. Se é interrompido, temos um choque. Algo se rompe. Se conti-
nua, esperamos alguma coisa que não sabemos nomear. O ritmo provoca 
em nós um estado de ânimo que só se acalmará quando sobreviver “al-
guma coisa”. Ele nos deixa em atitude de espera. Sentimos que o ritmo 
é um ir em direção a algo, mas não sabemos o que vem a ser esse algo. 
Todo ritmo é sentido de algo. Então, o ritmo não é exclusivamente uma 
medida vazia de conteúdo, mas uma direção, um sentido.
[...]
(PAZ, 2012. p. 56-64)
16
17
Essa reflexão de Octavio Paz inspirou teorias de tradução, críticas literárias, leituras de 
poemas. Há nela duas ideias essenciais para tratar do poema: a primeira, e principal, é a 
ideia de que a palavra depende de outras palavras, isto é, não pensamos por palavras, mas 
por frases; e a outra, está relacionada a entender o ritmo como “uma direção, um sentido” 
do poema. Se o poema se faz pelo ritmo, o que nos afeta na leitura/escuta do poema é o 
ritmo estabelecido pelas palavras e a colocação nos versos e não o significado dela. Isso é 
o que acontece com a música também. 
Nas palavras de Paz (2012), como vimos na citação anterior, “o ritmo provoca uma 
espera, suscita um desejar”, isto é, algo mais, e não só o significado das palavras, nos 
sensibiliza para o poema.
As teorias mais modernas de tradução levam em conta o ritmo, não apenas o sentido das 
palavras, mas em como uma palavra reverberando em outras, provocadeterminado ritmo, o 
que nos suscita um desejo, uma espera. Esse processo suscita algo que não sabemos nomear. 
Quem se interessar por tradução, ou pela teoria da tradução, um autor que recomendamos 
é Henri Meschonnic, que transformou as teorias de tradução em poesia e em literatura. 
Henri Meschonnic (Paris, 18 de setembro de 1932 – Villejuif, 8 de abril de 2009) foi um poe-
ta, tradutor, linguista, teórico da poesia e da tradução francês. Professor de linguística e lite-
ratura em Paris VIII, foi um dos fundadores do Centro Experimental de Vincennes e promo-
veu uma linha de trabalho desenvolvida como “Disciplinas do Sentido” na École doctorale por 
ele fundada em 1990. Tornou-se mais popular como tradutor do Antigo Testamento bíblico, 
traduzindo-o diretamente dos textos originais, evidentemente, mas com a intenção de de-
mostrar uma fidelidade particular à sua função poética. Sendo considerado um dos tradu-
tores mais inovadores da contemporaneidade, no entanto, sua obra como um todo é motivo 
de culto nos círculos literários no mundo inteiro. Alguns dos seus livros mais conhecidos são 
Critique du Rythme (1982), Poétique du Traduir e (1999) e La rime et la vie (1986).
Para saber mais acesse o link, disponível em: https://bit.ly/3hXLAju
Há, também, uma revista acadêmica que trabalha com teorias de tradução, organizada pela 
casa das rosas. É a revista Circuladô – como tradução e crítica. O primeiro artigo é sobre 
teoria de tradução de Haroldo de Campos e de Henri Meschonnic. Acesse Circuladô – como 
tradução e crítica. Disponível em: https://bit.ly/3wD6TLr
Ainda sobre tradução e os conceitos de H. Meschonnic sobre ritmo, é interessante ler: “Tra-
duzir o ritmo: Octavio Paz e Fabio Morábito” 1 – eLyra.
Disponível em: https://bit.ly/34ornLK
Bem, já exploramos e descobrimos vários aspectos e especificidades dos poemas, 
analisando apenas um deles, repararam na riqueza da poesia? Fiquem atentos!
A partir daqui, vamos ver outras formas de poemas, de outras e diferentes épocas, 
para conhecer mais sobre a tradição da poética em língua portuguesa.
Um primeiro momento da literatura de língua portuguesa é conhecida como a “era 
medieval”, e se situa nos primórdios da civilização europeia. A seguir, escutem uma can-
tiga trovadoresca, uma cantiga de amigo, fundadora do nosso cancioneiro.
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UNIDADE A Voz e a Palavra: Verso, Som, Ritmo
Cancioneiro: é qualquer livro impresso ou manuscrito que contenha uma coletânea de can-
ções, e por extensão, o registro sonoro destas canções. Os cancioneiros podem ser divididos 
entre medievais, renascentistas e contemporâneos.
Fonte: https://bit.ly/3yD8EKx
Para que conheçam mais sobre “cantigas”, assistam a este vídeo e prestem atenção 
ao ritmo. Tentem entrar no clima da “era medieval”!!!
Ondas do mare (Martim Codax) – 13th c. Galician-Portuguese cantiga d’amigo.
Disponível em: https://youtu.be/76SWgIoHg1Q
Agora que escutaram a música, vamos trabalhar o poema. Mas para isso, escutem 
novamente acompanhando com a letra. Importante: no link a seguir, é a mesma can-
ção, com uma interpretação diferente:
EVO & L’Almodí – Ondas do mar de Vigo / Saltarello (5/10) – Auditorio Ciudad de León 
7/5/2011. Disponível em: https://youtu.be/v1fn3AJSMjs
Acompanhem com a letra, para observarmos o poema:
Cantiga de amigo | Martín Codax
Ondas do mar de Vigo, A
se vistes meu amigo? A
e ai Deus, se verrá cedo? B (refrão)
Ondas do mar levado, B
se vistes meu amado? B
e ai Deus, se verrá cedo? B (refrão)
Se vistes meu amigo, A
o por que eu sospiro? C
E ai Deus! Se verrá cedo? B (refrão)
Se vistes meu amado, B
por que hei gran coidado? B
E ai Deus! Se verrá cedo? B (refrão)
Vocabulário: 
• Se verrá cedo? quanto tardará?
• Mar levado: mar encrespado;
• Por que hei gran coidado: por quem eu estou preocupada.
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Sem nos determos muito nessa cantiga, vale ressaltar alguns aspectos formais que 
se repetem:
• As duas primeiras estrofes são semelhantes, muda a última palavra, o adjetivo relativo 
a mar: de Vigo (um lugar) na Galícia, Espanha; levado e meu amigo se transforma 
em meu amado;
• O segundo verso, da primeira estrofe, torna-se o primeiro na terceira estrofe; assim 
como o 2º verso da 2ª estrofe, torna-se o primeiro na última estrofe;
• O terceiro verso repete inteiro nas quatro estrofes, o refrão. Essa forma de repeti-
ção é o que chamamos de paralelística;
• O sistema de rimas é: 
» a/a/b ( 1ª estrofe);
» b/b/b ( 2ª estrofe);
» a/c/b ( 3ª estrofe);
» b/b/b ( 4ª. estrofe).
 Todas as cantigas de amigo têm essa estrutura com pequenas variações. 
Vimos que a Cecília Meireles conhece essa tradição e usou de forma livre para criar 
o ritmo do poema 
“Bolha”.
 Vamos ver outros poemas, observando o ritmo, a métrica, as rimas, as estrofes?
As cantigas de amigo do cancioneiro medieval têm esse registro, e é importante 
a gente conhecer porque esse modelo vai se repetir ao longo de toda a literatura de 
língua portuguesa.
Percorrendo a tradição poética em língua portuguesa, vamos dar um grande salto e 
ir para o século XIX, no Brasil. Vamos ler um trecho de um poema longo de Gonçalves 
Dias, um poeta do romantismo romantismo brasileiro.
Gonçalves Dias (Antônio Gonçalves Dias), poeta, professor, crítico de história, etnólogo, 
nasceu em Caxias, MA, em 10 de agosto de 1823, e faleceu em naufrágio, no Maixio dos 
Atins, MA, em 3 de novembro de 1864. É o patrono da cadeira nº 15, por escolha do funda-
dor Olavo Bilac. Disponível em: https://bit.ly/3wAc6DK
 O poema I-Juca Pirama, de Gonçalves Dias, é um ícone do romantismo brasileiro. 
A obra, indianista, está dividida em dez cantos. Publicado em 1851, no livro Últimos 
cantos, o poema é composto por 484 versos protagonizados pelos índios tupis e tim-
biras. Quem conta a história é um velho timbira que foi testemunha do que se passou e 
resolve recontar os fatos. O cenário do poema escrito por Gonçalves Dias é a floresta 
brasileira, já nos primeiros versos somos situados em meio a mata: “no meio tabas de 
amenos verdores, cercadas de troncos – cobertos de flores”.
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UNIDADE A Voz e a Palavra: Verso, Som, Ritmo
As primeiras criaturas a serem apresentadas são os índios timbiras, conhecidos como 
guerreiros valentes. Anos atrás os índios Timbira capturaram um prisioneiro de guerra 
tupi, o projeto dos timbiras era matá-lo. Ao final do terceiro canto, um dos índios Timbira 
pediu que o prisioneiro se apresentasse e contasse um pouco da sua história de vida. 
O guerreiro respondeu assim:
I – Juca Pirama | Gonçalves Dias
Canto IV
Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi:
Sou filho das selvas
Nas selvas cresci;
Guerreiros, descendo
Da tribo tupi.
Da tribo pujante,
Que agora anda errante
Por fado inconstante
Guerreiros, nasci;
Sou bravo, sou forte,
Sou filho do Norte;
Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi.
[...]
 Nesse trecho do poema, a intenção do poeta é diferente de Cecília Meireles. Esse 
poema é longo, tem 10 cantos e através do ritmo parece um rufar de tambores, e tam-
bém à pulsação do sujeito da enunciação.
 Todos os versos são formados por cinco sílabas poéticas; as estrofes, com exceção 
da primeira, são formadas por 8 versos; o esquema de rimas, com exceção da primeira 
é a/a/a/b/c/c/c/b. O acento recai sobre a segunda e quinta sílabas. 
Tudo isso colabora para a criação de um sentimento de cumplicidade entre o leitor e 
o índio – o sujeito da enunciação.
Leia JUCA-PIRAMA de Gonc ̧alves Dias na íntegra. Disponível em: https://bit.ly/3wGaND5
Assista a animação baseada no poema de Gonçalves Dias: “Juca Pirama”.
Disponível em: https://youtu.be/ra2yyPLc2Z0
Veja também a explicação desse poema, disponível em: https://bit.ly/3wADHoi
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Passemos à leitura de um outro poema, de outro momento histórico político, do mo-
dernismo, de Manuel Bandeira (1886 -1968) . 
Antes saiba quem foi Manuel Bandeira, conhecido como um dos maiores poetas em 
língua portuguesa, um brasileiro nascido em Pernambuco:
Leia sobre os dados biográficos do poeta Manuel Bandeira:https://bit.ly/3wQsNer
Vamos ao poema?
Trem de Ferro
Café com pão
Café com pão 
Café com pão
Virge Maria que foi isto maquinista?
Agora sim
Café com pão
Agora sim
Voa, fumaça
Corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo 
Na fornalha
Que eu preciso
Muita força
Muita força
Muita força
Oô...
Menina bonita 
Do vestido verde
Me dá tua boca
Pra matá minha sede
Oô...
Vou mimbora
Vou mimbora
Não gosto daqui
Nasci no sertão
Sou de Ouricuri
Oô...
Vou depressa
Vou correndo
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UNIDADE A Voz e a Palavra: Verso, Som, Ritmo
Vou na toda 
Que só levo 
Pouca gente 
Pouca gente 
Pouca gente...
(BANDEIRA, M. Estrela da Manhã, 1936)
Para que possamos alcançar a maestria com que o poeta trabalha a sonoridade e o 
ritmo nesse poema, vamos ouvi-lo também? 
Para isso, depois de ter lido o poema, vamos acessar um vídeo e uma musicalização 
do poema:
Assista à animação da poesia Trem de Ferro, de Manuel Bandeira, exibida no Castelo Rá-
-Tim-Bum da TV Cultura. Disponível em: https://youtu.be/nkKA5EbsVt8
Ouça a canção que Tom Jobim fez com essa letra. Disponível em: https://bit.ly/3bTMEBa
Viu e ouviu? O poema é genial, principalmente se ouvirmos o ritmo instaurado pelas 
palavras: “Café com pão” – 5 sílabas poéticas, que reproduzem o som que a locomotiva 
do trem de ferro faz quando está na estação, aquecendo seus motores. Esse verso é re-
petido três vezes. Notem bem: as repetições em poemas são marcadores rítmicos. “Vir-
gem Maria que foi isto maquinista?” – um verso de 10 sílabas poéticas. Nesse verso, o 
ritmo dá uma “brecada”, há uma pergunta, um questionamento, num verso decassílabo. 
E o trem recomeça seu funcionamento, com 5 sílabas, até tomar velocidade e os ver-
sos oscilarem entre 3 e 2 sílabas poéticas. Quanto mais veloz o trem, o verso se torna 
mais breve, até ir parando devagar, volta para três sílabas e termina com uma reticência, 
quando finalmente o trem para. 
Para conseguir esse efeito de sentidos, é preciso sistematizar alguns elementos, pro-
cessos e mecanismos importantes ao fazer poético. É o que mostraremos a seguir, 
retomando alguns conceitos que vimos até aqui e ampliando outros. Acompanhe-nos!
• Versificação é a arte de fazer versos;
• Verso é a unidade rítmica de um poema. Corresponde a cada uma das linhas 
do poema;
• Estrofe é um agrupamento, um conjunto de versos.
Dependendo do número de versos, as estrofes recebem diferentes nomes: monóstico, 
dístico, terceto, quadra ou quarteto, quintilha, sextilha, sétima, oitava, nona, décima.
As estrofes com mais de dez versos são chamadas irregulares.
• Estribilho: (ou refrão) é um verso que se repete no fim das estrofes ou uma estrofe 
que se repete no poema;
• Poema: é o agrupamento de estrofes ou versos. Pode ter poema de apenas uma 
estrofe e/ou de um verso;
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• Metro: (métrica) é a medida do verso – a quantidade de sílabas poéticas;
• Escansão: é a contagem das sílabas poéticas, que diferem das sílabas gramaticais ;
• As sílabas poéticas ou métricas: não se contam da mesma maneira que as 
gramaticais.
Observe o exemplo:
Número de sílabas gramaticais:
Ris  can  do  a  so  li dão  de  u  ma  a   la  me da.
1      2    3   4  5   6  7    8   9  10  11 12 13   14  
Número de sílabas métricas poéticas:
Ris   can  do-a  so  li  dão  de-u   ma-a  la  me da.
1      2   3    4  5   6     7       8    9  10
Obs.: A última sílaba só é contada quando a palavra for oxítona. Nesse caso a con-
tagem para na última sílaba tônica que está em vermelho.
• Versos livres: são aqueles que não seguem as regras da versificação tradicional, como 
o número de sílabas e a distribuição de acentos, isto é, a distribuição de sons fortes 
e fracos. Esses versos são usados pelos poetas modernistas e os que os sucederam.
Quadro 1 – Classifi cação dos Versos Quanto ao Número de Sílabas
Monossílabos 
(1 sílaba)
• Rua;
• Torta;
• Lua
• Morta;
• Tua;
• Port.
(Cassiano Ricardo)
Dissílabos
(2 sílabas)
• Na valsa;
• Cansaste;
• Ficaste;
• Prostrada;
• Turbada!
(Casimiro de Abreu)
Trissílabos
(3 sílabas)
• Foge bicho;
• Foge, povo;
• Passa ponte;
• Passa poste.
(Manuel Bandeira)
Tetrassílabos
(4 sílabas)
• Era uma casa;
• Muito engraçada;
• Não tinha teto;
• Não tinha nada.
(Vinicius de Morais)
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UNIDADE A Voz e a Palavra: Verso, Som, Ritmo
Pentassílabos ou
Redondilhas Menor
(5 sílabas)
• Sou bravo, sou forte;
• Sou filho do Norte;
• Meu canto de morte;
• Guerreiros, ouvi.
(Gonçalves Dias)
Hexassílabas
(6 Silabas)
• Há noite? Há vida? Há vozes?
• Que espanto nos consome.
(Cecília Meireles)
Heptassílabos ou 
Redondilha Maior 
(7 sílabas)
• Minha terra tem palmeiras;
• Onde canta o sabiá.
(Gonçalves Dias)
Octossílabos
(8 sílabas)
• Tu pensas que tu é que és;
• A melhor mulher do planeta;
• Mas eu é que não vou fazer.
(Noel Rosa)
Eneassílabos 
(9 sílabas)
• Ouves acaso quando entardece;
• Vago murmúrio que vem do mar.
(Vicente de Carvalho)
Decassilabos
(10 sílabas)
• Como beber dessa bebida amarga;
• Tragar a dor, engolira labuta.
(Chico Buarque e Gilberto Gil)
Endecassilabos
(11 sílabas)
• No meio das tabas de amenos verdores;
• Cercada de troncos cobertos de flores.
(Gonçalves Dias)
Alexandrinos
(12 sílabas)
• Nas largas mutações perpétuas do universo;
• O amor é sempre o vinho ener-gético, irritante.
(Cruz e Souza)
Rima
Rima é a identidade ou semelhança de sons no final ou no interior dos versos.
Os versos sem rima chamam-se brancos ou soltos. São muito usados pelos poetas 
modernistas.
Classificação das Rimas
As rimas se classificam quanto à disposição (colocação) e quanto à qualidade (valor).
Quadro 2 – Quanto à Disposição
Emparelhadas, 
paralelas (a a b b)
• Pode, em redor de ti, tudo se aniquilar: a
• — Tudo renascerá cantando ao teu olhar. a
• Tudo, mares e céus, árvores e montanhas, b
• Porque a vida perpétua arde em tuas entranhas. b
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Opostas ou interpoladas 
(a b b a ou a- -a)
• Já toda a terra adormece a
• Sai um soluço da flor, b
• Rompe de tudo um rumor b
• Leve como o de uma prece a
Cruzadas ou 
alternada s (a b a b)
• Que rumor é esse na mata. a
• Por que se alarma a natureza? b
• Ai ... É a motosserra que mata a
• Cortante, oxigênio e beleza. b 
Encadeadas 
ou internas 
( dentro dos versos)
• “Sorriu-me a vida pressurosa.
• Colhi  a  rosa  em  primavera
• Mas da ilusão feriu-me a dor
• E esse  amor  se  fez quimera.”
Além dessas, há ainda as rimas misturadas, que não seguem esquematização regular.
Quadro 3 – Quanto à Qualidade e Sonoridade
Quanto à 
qualidade (valor)
As rimas podem ser:
• Pobres: as palavras que rimam são da mesma classe grama-
tical ou as rimas são muito comuns, como em coração e ora-
ção, amor e cantor, etc.;
• Ricas:  as palavras que rimam pertencem a classes gramati-
cais diferentes, como em  respeito  e  satisfeito,  novelo  e  vê-
-lo, paz e  assaz;
• Raras: as rimas ocorrem entre palavras pouco comuns, como 
em pondes e frondes.
Quanto à 
sonoridade
As rimas podem ser:
• agudas : palavras oxítonas: ouvi / cresci / tupi
• graves : palavras paroxítonas: terra / encerra / guerra...
• esdrúxulas : palavras proparoxítonas: pérolas / cérulas...
Soneto
O soneto é um poema de forma fixa, que surgiu entre os séculos XII e XIII. Dos po-
emas de forma fixa, é o que mais tem sido praticado, até hoje, por grandes poetas, em 
vários idiomas.
O soneto se compõe de quatorze versos, distribuídos em duas quadras (quartetos) e 
dois tercetos. O último verso ficou conhecido como a “chave de ouro” do soneto, uma 
vez que deve conter em si a essência da ideia do poema.
Observe, a seguir, um famoso soneto de Vinicius de Moraes, poeta brasileiro que 
além de sonetos magníficos, escreveu e cantou belas canções.
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UNIDADE A Voz e a Palavra: Verso, Som, Ritmo
Vinicius de Moraes, nascido Marcus Vinicius de Moraes (Rio de Janeiro, 19 de outubro 
de 1913 – Rio de Janeiro, 9 de julho de 1980), foi um poeta, dramaturgo, jornalista, diplo-
mata, cantor e compositor brasileiro. 
Poeta essencialmente lírico, o que lhe renderia o apelido “poetinha”,que lhe teria atribu-
ído Tom Jobim, notabilizou-se pelos seus sonetos. Conhecido como um boêmio invetera-
do,  fumante e apreciador do uísque, era também conhecido por ser um grande conquis-
tador.  O  poetinha casou-se por nove vezes ao longo de sua vida e suas esposas foram, 
respectivamente: Beatriz Azevedo de Melo (mais conhecida como Tati de Moraes), Regina 
Pederneiras, Lila Bôscoli, Maria Lúcia Proença, Nelita de Abreu, Cristina Gurjão, Gesse Gessy, 
Marta Rodrigues Santamaria (a Martita) e Gilda de Queirós Mattoso. 
Sua obra é vasta, passando pela literatura, teatro, cinema e música. Ainda assim, sempre 
considerou que a poesia foi sua primeira e maior vocação, e que toda sua atividade artística 
deriva do fato de ser poeta.  No campo musical, o poetinha teve como principais parcei-
ros Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Chico Buarque e Carlos Lyra.
Disponível em: https://bit.ly/2SzDvag
É possível ter mais informações, conhecer melhor o trabalho e a vida de Vinicius de Moraes 
pelo site oficial do poeta. Disponível em: https://bit.ly/34BxYCV
Soneto de Fidelidade
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama,
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
(Vinicius de Moraes. Livros de letras)
Fonte: https://bit.ly/3umpo5n
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Em Síntese
Nessa unidade, estudamos poemas de épocas diferentes, observando como o ritmo é 
fundador das poéticas e dos sentidos. Partimos de dois poemas “Bolhas”, um poema 
feito para crianças, assim como “Trem de ferro”, que precisam ser lidos em voz alta, para 
percebermos melhor o ritmo que trabalha os sentidos do texto e os nossos sentidos; 
além de um trecho de “Juca Pirama”, que narra uma história trágica em relação às guer-
ras aos índios, e o ritmo do poema nos faz escutar o ribombar dos tambores. 
Estudamos um pouco de teoria sobre ritmo, no texto de Octavio Paz, para ampliar e apro-
fundar o conceito de ritmo e buscar compreender como ele está presente em tudo o que 
nos rodeia, tanto na natureza quanto em nós mesmos, em nossos corpos e movimentos. 
Não podemos esquecer que o impulso primeiro das pessoas, da humanidade é imitar, 
escreveu Aristóteles, então, os poemas imitam ritmos, ou melhor, traduzem os ritmos.
No cancioneiro português ocidental, há uma riqueza sonora incrível na poesia trovado-
resca, por isso escutamos uma canção trovadoresca de amigo, cuja estrutura é matemá-
tica e rígida, que traduz o ritmo feudal, daquela época medieval. Esse cancioneiro deu 
origem à riqueza que é o cancioneiro popular brasileiro, representado tanto pelo cordel 
e pelo repente, quanto pelas canções de Vinicius de Moraes, Chico Buarque, Caetano 
Veloso, entre tantas outras.
Até a próxima!
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UNIDADE A Voz e a Palavra: Verso, Som, Ritmo
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Livros
Versos, sons, ritmos
GOLDSTEIN, N. Versos, sons, ritmos. (Série Princípio). São Paulo: Ática, 2006. 
O arco e lira
PAZ, O. “O ritmo”. In: O arco e lira. São Paulo: Cosac Naify, 2012.
 Vídeos
Trem de Ferro – Música de Tom Jobim – poema de Manuel Bandeira
https://bit.ly/3bTMEBa
Cássia Kis traz os versos de Manoel de Barros para o palco
https://bit.ly/3hWAOtT
Sobre a Ocupação Manoel de Barros: 
A 43ª edição do programa Ocupação Itaú Cultural resgata a trajetória do artista por meio 
deste site, de uma publicação impressa – cuja versão on-line pode ser conferida nesta pá-
gina – e de uma exposição, em cartaz na sede do instituto entre fevereiro e abril de 2019.
A Ocupação Manoel de Barros enfatiza o compromisso do Itaú Cultural em valorizar 
a literatura brasileira. Além de homenagear outros nomes desse meio de expressão em 
edições anteriores do programa, o instituto realiza, dentro e fora de sua sede, diversas ati-
vidades voltadas para a arte da linguagem.
https://bit.ly/3hXtZbq
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Referências
BANDEIRA, M. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: José Olympio, 1990.
CARA, S. A. A Poesia Lírica. São Paulo: Ática, 1985.
DIAS, G. “I – Juca Pirama”. MINISTEŔIO DA CULTURA. Fundação Biblioteca Na-
cional Departamento Nacional do Livro. Disponível em: <http://objdigital.bn.br/Acer-
vo_Digital/livros_eletronicos/jucapirama.pdf>. Acesso em: 20/05/2020.
GOLDSTEIN, N. Versos, sons, ritmos. (Série Princípio). São Paulo: Editora Ática, 
2006. (e-book)
MEIRELES, C. Ou isto ou aquilo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990.
PAZ, O. O arco e a lira. São Paulo: Cosac Naify, 2012.

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