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18/11/2022 23:42 UNINTER
https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 1/28
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LEGISLAÇÃO APLICADA
AULA 6
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Rosinda Angela da Silva
18/11/2022 23:42 UNINTER
https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 2/28
CONVERSA INICIAL
Nesta aula, vamos compreender que uma empresa que planeja as atividades de suas diversas
áreas controla melhor seus custos e lida melhor com as externalidades.
Para que possamos entender essa importância, fixamos como nosso objetivo discutir sobre
planejamento empresarial, enquadramento das empresas, regimes tributários, bitributação e regimes
aduaneiros especiais como forma de benefícios fiscais.
CONTEXTUALIZANDO
Uma das atividades mais relevantes de uma organização é o planejamento, pois o cenário em
que as organizações atuam é dinâmico e impactado por inúmeras variáveis internas e externas.
Figura 1 – Planejamento
Crédito: G-Stock Studio/Shutterstock.
18/11/2022 23:42 UNINTER
https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 3/28
Por meio do planejamento, o gestor terá a oportunidade de conhecer a empresa, já que a cada
ciclo (normalmente anual) as operações são analisadas com os dados mais atualizados, o que
possibilita criar o perfil da empresa e do mercado. O delineamento desse perfil demonstrará se a
empresa está no caminho certo ou se necessita de ajustes, principalmente nos âmbitos financeiro e
tributário, já que a maior parte das dificuldades das organizações são dessas ordens.
Pelos temas discutidos em momentos anteriores, observamos que a complexidade da legislação
tributária e também sua carga sobre os resultados das organizações sacrifica a maior parte dos
negócios. Esse foi um motivador para que, nos últimos anos, uma espécie de planejamento tenha
sido buscado pelas empresas: o tributário. Isso porque se existe uma área empresarial que necessita
ser conhecida profundamente é a tributação, pois ela precisa recolher aos cofres públicos impostos
em qualquer uma das esferas: federal, estadual ou municipal.
Isso nos faz acreditar que a empresa precisa não somente realizar seu planejamento estratégico,
mas também investir tempo para realizar o seu planejamento tributário, e isso começa por identificar
se o enquadramento que ela se encontra é a melhor opção em termos de tributação exigida.
Depois de conhecer esse enquadramento é preciso iniciar o processo de planejamento tributário
de forma que cumpra a lei, mas que também possa encontrar os possíveis benefícios fiscais
existentes para o seu negócio. Isso é uma realidade tanto para empresas que negociam somente no
mercado nacional como também atuam no comércio exterior. Para isso, é preciso conhecer esses
benefícios e verificar a melhor estratégia de usá-los de modo a reduzir o dispêndio com o
recolhimento dos tributos. Nesse sentido, a análise crítica e especializada de um profissional
qualificado nas áreas contábeis, de direito tributário e aduaneiro são essenciais para tomadas de
decisões mais acertadas.
Isso não exime o gestor ou profissional das empresas de conhecerem informações básicas que
impactam nos negócios, até para identificar quando algo pode ser melhorado ou não perder a
oportunidade de se beneficiar de programas oferecidos e amparados pela legislação. Acessaremos
informações basilares para a compreensão desses temas.
TEMA 1 – IMPORTÂNCIA DO PLANEJAMENTO EMPRESARIAL
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O mercado em que as organizações atuam não possibilita agir com improvisos, pois há
concorrência para tudo. Para que os gestores possam alavancar os negócios e fazer com que as
empresas apresentem bons desempenhos, existem inúmeras ferramentas úteis para organizar,
controlar e principalmente, planejar. As empresas maduras no mercado certamente sabem dessa
importância, pois não há como fazer com que uma empresa prospere sem saber exatamente “o que
fazer”. E como identificamos isso? Por meio de planejamento.
De acordo com Silva e Franco (2018, p. 76), “planejamento é uma atividade imprescindível para o
atingimento dos objetivos propostos e deve orientar a direção mais eficiente para a aplicação dos
esforços organizacionais”. Os autores justificam essa importância quando explicam que “planejar é se
preparar para realizar uma atividade futura, pois, quando planejamos, consideramos a meta a ser
atingida e os recursos necessários para alcançá-la”. (Silva; Franco, 2018, p. 76).
E como podemos fazer esse planejamento? Qual sua aplicação prática? Discutiremos esses
assuntos na sequência.
1.1 REALIZANDO O PLANEJAMENTO
O planejamento empresarial “deve” ser realizado em conjunto com a equipe, ser flexível e
contemplar todas as áreas da organização. A ordem apresentada na Figura 2 é a mais utilizada (não a
única) em termos de aplicação do planejamento.
Figura 2 – Hierarquia do planejamento
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Fonte: com base emCampos, 2016, p. 23.
E o que planejamos em cada uma dessas fases? No ambiente estratégico, circulam as decisões
mais importantes da organização, porque direcionam o caminho que a empresa quer seguir. Também
é aqui que as diretrizes estratégicas são determinadas; para isso, a empresa precisa ser avaliada
criticamente por seus gestores, bem como seus pontos fortes e fracos identificados. Além disso, para
que esse planejamento seja eficiente, os gestores precisam estar atentos aos riscos do negócio e o
uso de ferramentas de gestão são essenciais.
No planejamento estratégico, temos os objetivos globais da empresa, por exemplo: aumentar o
market share da empresa em 20% em três anos. Observemos que, nessa frase, identificamos resposta
a algumas questões:
O quê? Aumentar o market share;
Quanto? 20%;
Quando? Em três anos.
Para fazer com que esse objetivo seja alcançado, será preciso ter uma estratégia, por exemplo:
ampliação da fábrica, abertura de filial, aquisição de um concorrente, aumento da linha de produtos,
importação de produtos.
Figura 3 – Objetivo alcançado
Crédito: Leremy/Shutterstock.
Depois de definir a estratégia, é preciso planejar as atividades e verificar os recursos necessários.
Nesse caso, utilizamos o planejamento tático.
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No ambiente tático, já temos um ponto de partida (estratégia), e agora definiremos como fazê-
la. Nesse caso, distribuiremos as tarefas para alcançar o objetivo proposto pelo planejamento
estratégico: aumentar o market share da empresa em 20%. Aqui, os departamentos analisam como
estão, o que eles já têm e o que precisam, por exemplo:
a equipe do setor de marketing avalia como prospectar, acessar e angariar mais clientes;
a equipe do setor comercial avalia sua carteira de clientes para identificar como aumentar o
consumo deles ou quantos novos clientes serão necessários;
a equipe do setor de gestão de pessoas avalia se será necessário contratar mais colaboradores,
quais qualificações serão exigidas;
a equipe do setor financeiro avalia o orçamento atual da empresa e o compara com o
orçamento necessário para comportar esse aumento de market share;
a equipe do setor de contabilidade ou controladoria avalia o aumento da arrecadação de
tributos e realiza seu planejamento tributário;
a equipe do setor de suprimentos avalia se tem fornecedores suficientes para atendê-lo ou se
precisa desenvolver novos;
a equipe do setor de controle de qualidade verifica tanto a questão da qualidade do produto
ou serviço como a do atendimento e relacionamento com o cliente.
Esses são apenas alguns dos setores impactados pela decisão da empresa de querer aumentar
em 20% seu market share. Depois dessas análises e da escolha da estratégia do setor, é preciso
operacionalizar, ou seja, “fazer acontecer”, o que será realizado por meio do planejamento
operacional.
Entendemos o planejamento operacional como “colocar em prática” o que foi decidido pelo
planejamento estratégicoe traduzido pelo planejamento tático. Desse modo, ao darmos
prosseguimento às ações dos exemplos anteriores:
a equipe do setor de marketing inicia o processo de prospecção dos novos clientes por meio
das redes sociais, das ferramentas de marketing digital e marketing de conteúdo;
a equipe do setor de comercial propõe novas condições para os clientes que já estão com a
empresa e investe nos clientes novos com estratégias mais elaboradas;
a equipe do setor de gestão de pessoas terceiriza boa parte do processo seletivo e foca na
escolha final dos novos colaboradores; além disso, determina a quantidade de horas de
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qualificação para os novos colaboradores e a requalificação dos colaboradores-chave do
atendimento;
a equipe do setor financeiro simula seu fluxo de caixa considerando o aumento dos
desembolsos e também das entradas, pois ao aumentar o market share também aumentarão as
vendas, bem como as compras, além de haver a necessidade de cuidar do índice de
inadimplência e de gerenciamento de novos clientes;
a equipe do setor de contabilidade ou controladoria simula o montante de tributos com esse
aumento e implementa seu planejamento tributário;
a equipe do setor de suprimentos desenvolve novos fornecedores e reafirma a aliança com os
fornecedores atuais;
a equipe do setor de controle de qualidade amplia o número de pessoas para atender ao
aumento da demanda interna por inspeções e monitora os indicadores de satisfação dos
clientes.
Figura 4 – Planejamento operacional: “colocar em prática”
Crédito: Gerasimov_foto_174/Shutterstock.
Esse modelo de planejamento pode sofrer variações de acordo com o modelo de negócio da
empresa, o porte, o segmento em que atua, como também a maturidade da empresa e de seus
gestores. No entanto, depois de estudarmos esses tópicos podemos compreender que, para planejar,
desenvolver e implementar estratégias, é preciso conhecer a empresa.
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TEMA 2 – ENQUADRAMENTO EMPRESARIAL E REGIMES
TRIBUTÁRIOS
O tema anterior esclareceu a importância do planejamento empresarial e nos mostrou como
comumente ele é realizado pelas empresas. Entendemos que cada setor é importante e responsável
por parte da meta global proposta, assim é essencial que cada um tenha seu planejamento, sem se
desconectar dos demais, pois, como vimos, uma decisão tomada pela alta gestão da empresa
impacta em todas as áreas dela.
A partir de agora, focaremos no planejamento tributário, que foi citado no tópico anterior. No
entanto, antes disso, precisamos saber que as empresas podem se enquadrar em diferentes
categorias e isso impacta na carga tributária recolhida por elas.
2.1 ENQUADRAMENTO DAS EMPRESAS
O site do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – Sebrae – traz a seguinte
classificação dada às empresas de acordo com seu faturamento (Blog do Sebrae/SC, 2021).
Microempreendedor Individual (MEI): faturamento de até R$ 81.000,00 por ano, o que
equivale a R$ 6.750,00 por mês (dados de fevereiro de 2021), e unificação pelo Sistema de
Recolhimento em Valores Fixos Mensais de Tributos do Simples Nacional (Simei). O MEI deve
pagar uma quantia mensal referente aos tributos obrigatórios, que estão todos inclusos no
Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS). O valor cobrado por mês é reduzido
seu total corresponde a R$ 55,00 de contribuição ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS),
somados à contribuição de R$ 1,00 referente ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e
Serviços (ICMS) para indústria ou comércio ou R$ 5,00 relativo ao Imposto Sobre Serviços de
Qualquer Natureza (ISS) para prestadores de Serviço) (Vasconcelos, 2021a).
Figura 5 – MEI
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Crédito: Tatiana Chekryzhova/Shutterstock.
Microempresa (ME): receita bruta de, no máximo, R$ 360.000,00 por ano. Lei Complementar n.
123/2006, conhecida como Lei Geral da Micro e Pequena Empresa (MPE). Nesse caso, o
empreendedor precisa escolher o regime de tributação mais adequado como Simples Nacional,
Lucro Presumido ou Lucro Real. Ainda segundo Vasconcelos (2021), entre os tributos recolhidos
pela ME, tem-se: IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, CPP, ICMS, ISS, IPI, IOF, II, IE, ITR, FGTS, em que as
alíquotas variam de acordo com o regime escolhido.
Empresa de Pequeno Porte (EPP): Também contemplada pela Lei 123/2006, as EPPs são
empresas com limite de faturamento anual de 
R$ 4,8 milhões e mínimo de R$ 360 mil anuais. A título de tributos que o empreendedor deve
recolher, dependerá se a EPP está enquadrada no Simples Nacional, o qual apresenta alíquotas
de recolhimento dependendo da receita bruta anual; por exemplo: se o faturamento bruto ficou
entre R$ 360 mil e R$ 720 mil, recolherá uma alíquota de 13,5% contemplando IRPJ, CSLL,
Cofins, PIS/Pasep, CPP, ISS. Tais tributos serão recolhidos por meio do Documento de
Arrecadação do Simples Nacional (DAS) de maneira unificada (Lafs Contabilidade, 2020). Caso a
EPP esteja enquadrada no Lucro Presumido, ela terá que arrecadar os tributos separadamente
(não utilizará a DAS) e terá que se atentar aos prazos de recolhimento dos tributos que diferem
entre si.
Figura 6 – Empresa de Pequeno Porte (EPP)
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Crédito: Mix3r/Shutterstock.
Empresa de Médio e Grande porte: são consideradas empresas de médio e grande porte
aquelas que faturam acima de R$ 4,8 milhões anuais. No entanto, a Lei n. 11.638, de 28 de
dezembro de 2007, nos apresenta uma classificação mais afinada entre elas. No art. 3.º,
parágrafo único, encontramos a seguinte definição:
Considera-se de grande porte, para os fins exclusivos desta Lei, a sociedade ou conjunto de
sociedades sob controle comum que tiver, no exercício social anterior, ativo total superior a R$
240.000.000,00 (duzentos e quarenta milhões de reais) ou receita bruta anual superior a R$
300.000.000,00 (trezentos milhões de reais). (Brasil, Lei n. 11.638/2007)
Diante do que define a lei, podemos compreender que é considerada média empresa aquela que
obtém faturamento bruto anual maior que 
R$ 4,8 milhões e menor que R$ 300 milhões. Já como grande empresa, serão consideradas aquelas
que apresentaram faturamento bruto anual acima de 
R$ 300 milhões (Bitar, 2020).
2.2 REGIMES TRIBUTÁRIOS
Agora que já conhecemos a classificação das empresas de acordo com seu faturamento,
estudaremos sobre os regimes tributários – que citamos algumas vezes anteriormente – em que uma
empresa pode se enquadrar de acordo com as regras brasileiras.
O regime tributário trata de um conjunto de procedimentos que uma empresa precisa se
enquadrar para saber exatamente quais tributos terá que recolher em seu exercício fiscal. Em razão
da complexidade dos sistemas jurídicos e contábeis no Brasil, é comum os empreendedores deixarem
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esse enquadramento para o contador, pois ele é o profissional indicado para identificar os requisitos
necessários para cada um. E quais são eles?
Na prática, temos quatro regimes tributários, no entanto, somente três são comumente
utilizados. Entenderemos o porquê.
Simples Nacional: para empresas que faturam até R$ 4,8 milhões anuais há a grande vantagem
unificar vários tributos, entre eles, o ICMS, em uma única guia de recolhimento, chamada de DAS,
simplificando o processo de apuração e pagamento. É um dos regimes mais utilizados no Brasil,
(Ribeiro, 2018) porque 90% das empresas brasileiras estão enquadradas no Simples Nacional Júnior
(2021) complementa explicando que “este regime apresenta alíquotas reduzidas, pois há a união de
oito impostos e contribuições: PIS, Cofins, IPI, ICMS, CSLL, ISS, Imposto de Renda da pessoa jurídica e,
em alguns casos, INSS patronal”. Nos anexos da Lei do Simples, encontramos as alíquotasdesse
regime, que, de acordo com a atividade exercida e o faturamento, podem variar de 4% até 33% (Lafs
Contabilidade, 2020).
Figura 7 – Simples Nacional
Crédito: Andrey_Popov/Shutterstock.
Lucro Real: esse regime tributário é obrigatório para alguns tipos de empresas, por exemplo,
instituições financeiras como bancos, entidades de previdência aberta, sociedades de crédito,
corretoras de valores mobiliários; empresas de seguros privados e capitalização, empresas com
benefícios fiscais e que tiveram lucros provindos do exterior (Lafs Contabilidade, 2020). No
entanto, muitas empresas optam por esse regime mesmo não sendo obrigatório porque os
tributos mais representativos, IRPJ e CSLL, são pagos proporcionalmente ao lucro que a
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empresa realmente obteve. Caso a empresa tenha tido prejuízo naquele exercício, tais tributos
não são recolhidos (Júnior, 2021).
Lucro presumido: para empresas que faturam anualmente até 
R$ 78 milhões; é uma opção que pode ser utilizada por muitas empresas, com algumas
exceções de negócios que podem somente ser gerenciados pelo Lucro Real, como empresas de
seguros, instituições financeiras, entre outras. No Lucro Presumido, a gestão do pagamento dos
tributos é um pouco mais complexa porque alguns são recolhidos mensalmente, como ISS, PIS
e Cofins. Já o IRPJ e a CSLL são trimestrais e apurados sobre um percentual de lucro que foi
presumido pelo empreendedor (Lafs Contabilidade, 2020).
Figura 8 – Lucro presumido
Crédito: Iconic Bestiary/Shutterstock.
Lucro arbitrado: esse regime de tributação pode ser aplicado como “sanção” pela Receita
Federal quando a empresa deixar de realizar suas obrigações tributárias acessórias. Entretanto,
pode ser adotado pelo próprio contribuinte, que conhece a sua renda bruta e arbitra o lucro
que obteve, recolhendo os tributos a partir disso. A Lei n. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, traz
as hipóteses de aplicação do lucro arbitrado; conheceremos algumas.
Art. 47 O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando:
I – o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de
tributação, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as
demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal;
II – a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou
contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para:
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a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou
b) determinar o lucro real.
III – o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da
escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa [...]
IV – o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido [...] (Brasil,
Lei n. 8.981/1995)
A escolha do regime tributário não é algo estático e, no início de cada ano, é possível alterar o
regime. Entretanto, é fato que isso requer atenção por parte do contador e controles das operações
tributárias da empresa. Na prática, a opção por determinado regime tributário é uma decisão
estratégica para as organizações, uma vez que impacta diretamente na carga tributária que a
empresa assume. Para que a empresa possa economizar no recolhimento, sem, no entanto, deixar de
cumprir a legislação, principalmente a tributária, se faz necessário realizar um bom planejamento
tributário.
TEMA 3 – PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO
No tópico anterior desta aula, conhecemos as opções que as empresas têm para se enquadrar
como micro, pequeno, médio e grande porte, além dos regimes tributários que podem optar. Assim,
podemos avançar e entender que as empresas, por meio do regime que escolhem, podem pagar
mais ou menos tributos. Por isso, o planejamento tributário se apresenta como atividade essencial
para que a empresa disponha de recursos para honrar seus compromissos com o fisco e, de certa
forma, economizar financeiramente.
Roque Sérgio D’Andréa Ribeiro da Silva, em sua obra Introdução ao Direito Constitucional
Tributário com ênfase na pessoa jurídica, explica que
o planejamento tributário pode ser compreendido como meio a salvaguardar antecipadamente a
ação fiscal, não praticando o fato gerador do tributo, ou em caráter repressivo, quando ajuíza
demanda fiscal com o escopo de questionar determinada incidência tributária, desaguando
evidentemente na pretensão do cidadão/contribuinte em proteger-se de menor onerosidade
tributária”. (Silva, 2013, p. 192)
Figura 9 – Planejamento tributário
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Crédito: Mongta Studio/Shutterstock.
O planejamento tributário se tornou atividade vantajosa para as organizações e, por isso, os
profissionais responsáveis por ela precisam ter conhecimento suficiente para buscar formas de
economizar sem implicar ações ilícitas. No contexto tributário, a empresa pode se enquadrar em
situações como elisão fiscal, evasão fiscal e elusão fiscal.
3.1 ELISÃO FISCAL
Iniciaremos pelo conceito considerado lícito e que possibilita à empresa pagar menos tributos
ou, até mesmo, não pagar. Tanto isso é possível que a expressão “elisão fiscal” é conhecida como o
próprio planejamento tributário.
Para tanto, os profissionais responsáveis pelo planejamento tributário (geralmente empresas de
consultorias especializadas em direito constitucional tributário, aduaneiro, entre outros) devem fazer
um mapeamento das atividades da empresa – por exemplo, produzir, comercializar, importar,
exportar, industrializar, entre outros – e verificar os tributos que incorrem nessas atividades. Será
necessário também analisar o regime tributário o qual a empresa está enquadrada, os resultados dos
últimos exercícios e a análise de tendências de crescimento ou estagnação, entre outros. A partir
disso, pesquisar quais possibilidades decorrentes da legislação e das lacunas da própria legislação e
que podem ser utilizadas como mecanismo de redução, postergação ou até mesmo não
recolhimento de alguns tributos.
Figura 10 – Elisão fiscal
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Crédito: arka38/Shutterstock.
Algumas situações que caracterizam a elisão fiscal em decorrência da lei são os incentivos fiscais,
como as leis de incentivo às atividades específicas como esporte, cultura, terceiro setor, entre outras,
descontos para pagamento em dia ou antecipado, isenções ou compensações (CHC Advocacia,
2018).
Como estudamos em momentos anteriores, a União, os estados e os municípios podem criar
legislações de acordo com sua alçada. Sendo assim, a chance de que tenhamos diferenças entre as
questões tributárias é grande e isso ocorre, por exemplo, na questão do Imposto Sobre Serviços (ISS).
Esse imposto é criado pelos municípios, logo, cada um deles pode determinar sua alíquota, o que
pode fazer com que algumas empresas mudem seu CNPJ para as cidades vizinhas, em que a alíquota
é menor. Nesse caso, o empreendedor está se valendo de uma lacuna da legislação (Lei
Complementar n. 116, de 31 de julho de 2013), mas não está fazendo algo ilegal, desde que essas
ações sejam realizadas antes do fato gerador.
Essa questão – “antes da ocorrência do fato gerador” – é o que determina a licitude do conceito
de elisão fiscal. No entanto, se o empreendedor tomar ações para reduzir ou deixar de recolher
tributos depois da ocorrência do fato gerador, ele entrará no âmbito da evasão fiscal (CHC
Advocacia, 2018).
3.2 EVASÃO FISCAL
Essa prática é caracterizada pela tentativa de o contribuinte deixar de pagar os tributos devidos
depois da ocorrência do fato gerador. A evasão fiscal está contemplada na Lei n. 8.137, de 27 de
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dezembro de 1997, a qual define os crimes contra a ordem tributária, econômicae contra as relações
de consumo.
Já no art. 1.º da referida lei, fica claro que é considerado crime suprimir ou reduzir tributo por
meio de algumas condutas, tais como:
I – omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias;
II – fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de
qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal;
III – falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda, ou qualquer outro documento
relativo à operação tributável;
IV – elaborar, distribuir, fornecer, emitir ou utilizar documento que saiba ou deva saber falso ou
inexato;
V – negar ou deixar de fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou documento equivalente, relativa
a venda de mercadoria ou prestação de serviço, efetivamente realizada, ou fornecê-la em
desacordo com a legislação.
Pena – reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. (Brasil, Lei n. 8.137/1990)
O artigo da lei deixa claro que, se o contribuinte realizar alguma das situações citadas, ele está
praticando um crime contra ordem tributária e pode ter pena de reclusão, além da multa. O que
temos que ter em mente é que nem sempre o contribuinte incorre nessas situações de forma
premeditada, às vezes ocorre por desconhecimento. Não é muito comum a mídia anunciar que
empreendedores sejam presos por evasão fiscal, assim pode ficar a dúvida: será que a lei não
funciona?
Figura 11 – Evasão fiscal
Crédito: Mongta Studio/Shutterstock.
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Na prática, o que ocorre é que não haverá punição se o contribuinte fizer a denúncia
espontânea, ou seja, ele reconhecer que incorreu em algumas das situações de evasão fiscal, mas que
está disposto em se acertar com o fisco. Essa situação está prevista no art. n. 34 da Lei n. 9.249, de 26
de dezembro de 1995 (Brasil, Lei n. 9.249/1995).
3.2 ELUSÃO FISCAL
Ainda existe uma terceira situação que pode ocorrer caso o planejamento tributário não seja
realizado de forma adequada: a elusão fiscal. Tal prática em algumas situações é considerada ilegal,
pois tem como propósito pagar menos ou até não pagar os tributos.
Os exemplos mais comuns são as simulações de negócios, que, na prática, não existirão, servirão
somente para disfarçar a ocorrência do fato gerador. O exemplo mais comum de uma elusão fiscal é
quando duas pessoas se tornam sócias somente com o intuito de fazer o repasse (venda) de um
imóvel sem o recolhimento do Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI). Isso é caracterizado
como um abuso da legislação tributária e é arriscado; no entanto, nem sempre é ilegal ( Contabilivre,
2020).
Figura 12 – Elusão fiscal
Crédito: Cgstock/Shutterstock.
Após conhecer essas três práticas, entendemos que todas têm como propósito reduzir o
dispêndio dos contribuintes com o pagamento de tributos. O que as diferencia é que, na elisão fiscal,
as ações são realizadas antes da ocorrência do fato gerador. Na evasão fiscal, o contribuinte tenta
reduzir seu dispêndio com tributos, depois da ocorrência do fato gerador ou por meio de atividades
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ilícitas (como emitir meia nota). Por fim, na elusão fiscal, o contribuinte (ou contribuintes) simulam
um negócio para se beneficiar de alguma situação prevista na legislação que faça com que o
dispêndio seja menor.
TEMA 4 – BITRIBUTAÇÃO
Já compreendemos até aqui quão complexa é a gestão tributária no país, no entanto, temos
excelentes profissionais no mercado especializados nessa área que estão preparados a auxiliar as
empresas a encontrar o melhor cenário para atuar.
Às vezes, essa complexidade citada faz com que os empreendedores que não estejam bem
preparados ou assessorados incorram na bitributação, o que não é adequado nem para pessoa física
nem jurídica, pois impacta diretamente no valor dispendido com tributos.
4.1 EXEMPLOS DE BITRIBUTAÇÃO
A bitributação é caracterizada quando dois entes que têm o poder de instituir e cobrar tributos
(União, estados e municípios) acabam instituindo um tributo sobre o mesmo fato gerador. No
Código Tributário Nacional (CTN), a bitributação está contemplada no art. 164, III: “III – de exigência,
por mais de uma pessoa jurídica de direito público, de tributo idêntico sobre um mesmo fato
gerador” (Brasil, LEI n. 5.172/1966).
Os entes citados têm competência para instituir certos impostos, por exemplo, a União (II, IRPF,
IPI, IOF, IE, ITR, IRPJ, INSS), os estados (ICMS, IPVA, ITCMD) e os municípios (IPTU, ISS, ITBI), no
entanto, pode ocorrer de dois desses entes cobrarem tributos sobre o mesmo fato gerador,
caracterizando-se como bitributação.
Em relação a isso, Oliveira (2019) traz uma definição simplificada, explicando que
A bitributação ocorre quando dois entes federativos cobram de um mesmo contribuinte dois
tributos sobre o mesmo fato gerador. Como vimos, essa é uma prática inconstitucional, já que cada
ente federativo tem poder e responsabilidade sobre fatos geradores diferentes. Isso significa que
quando ocorre a bitributação um deles está cobrando algo que é de competência de outro.
Figura 13 – Bitributação
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Crédito: Dim Tik/Shutterstock.
São exemplos de bitributação (Capital Now, 2020):
bitributação de IPTU: pode ocorrer quando um imóvel está localizado no  limite entre dois
municípios, dificultando a apuração do tributo, o que pode fazer com que os dois municípios se
considerem no direto de cobrar o imposto;
bitributação de propriedade rural/urbana: quando não está claro se a propriedade é  rural ou
urbana, levando à cobrança do IPTU pelo município e do Imposto Territorial Urbano (ITU) pela
União;
bitributação de empresas de comércio/serviços: pode ocorrer quando o negócio combina a
venda de produtos e serviços. Nesse caso, a empresa pode ser tributada pelo  ISS e  ICMS ao
mesmo tempo.
Bitributação nos investimentos: se a empresa já pagou imposto sobre seus rendimentos, o valor
foi recolhido na fonte, logo, a distribuição de lucro na forma de dividendos aos acionistas não
deveria ter incidência de Imposto de Renda. Caso o IR seja cobrado sobre um valor que já
tributado, caracteriza-como uma bitributação. Como respaldo legal para essa situação em
específico, foi promulgada a Lei n. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a qual alterou a
legislação sobre o Imposto de Renda, extinguindo a tributação sobre lucros e dividendos sobre
pessoas físicas no Brasil.
4.2 COMO EVITAR A BITRIBUTAÇÃO
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Embora não exista uma receita pronta que faça com que o contribuinte (pessoa física ou jurídica)
possa se eximir da bitributação, há alguns cuidados que os auxiliam, por exemplo, no caso de a
pessoa física organizar suas finanças, conhecer os tributos que são pagos anualmente e ficar atento
aos registros dos bens como imóveis urbanos e rural, bem como conhecer as alíquotas cobradas
pelos municípios, estados e até pela União para planejar tais dispêndios.
Figura 13 – Como evitar a bitributação
Crédito: arka38/Shutterstock.
Para as pessoas jurídicas existe uma complexidade maior em razão das diferentes operações que
realiza e quantidade de tributos que precisa recolher. Ainda assim, é possível elencar alguns
elementos:
realizar o planejamento tributário;
se for uma micro ou pequena empresa, consultar regularmente seu contador para entender
como está a situação tributária do negócio;
se for uma empresa média ou de grande porte, ter suporte especializado de uma empresa de
contabilidade ou especializar sua contabilidade interna para cuidar disso;
utilizar sistemas informatizados que auxiliem no registro e controle das operações da empresa,
principalmente se a empresa realiza diferentes operações como compra e venda de mercadoria,
como também prestação e serviços;
monitoramento constante dopagamento dos tributos, principalmente se a empresa também
realiza negócios internacionais como exportação e importação, pois a bitributação pode ocorrer
sem o gestor perceber.
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Em linhas gerais, percebe-se que a boa gestão contábil e financeira da empresa é que auxiliará a
evitar a bitributação e, até, ampliar as chances de identificar formas de reduzir os dispêndios, como
estudamos nos casos de elisão fiscal.
TEMA 5 – REGIMES ADUANEIROS ESPECIAIS
As empresas que estão sempre atentas às decisões governamentais que impactam no seu
negócio conseguem aproveitar oportunidades que oportunizam pagar menos tributos ou até
conseguir isenções. Entre estas, temos os regimes aduaneiros especiais, os quais têm sido criados
para fomentar o crescimento das negociações por meio do aumento das exportações e também da
economia na importação de insumos. Conheceremos alguns desses regimes a seguir.
5.1 ADMISSÃO TEMPORÁRIA
Por meio desse regime, é possível importar bens que não ficarão em definitivo no país, ou seja,
por algum motivo esse bem entrará em território aduaneiro, mas tem data para retornar ao seu país
de origem. Diante disso, o fisco entende que pode suspender totalmente a cobrança dos tributos, já
que na prática não se trata de uma compra efetivamente.
De acordo com o site da Receita Federal (Brasil, 2018), são três tipos: (1) Admissão Temporária
com Suspensão Total do Pagamento de Tributos; (2) Admissão Temporária para Utilização Econômica;
(3) Admissão Temporária para Aperfeiçoamento Ativo.
A Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil – n. 1.600, de 14 de dezembro de 2015
(IN/RFB 1.600/2015), que regulamenta esse regime, em seu art. 3.º, traz situações aplicáveis, tais
como bens destinados a eventos científicos, comerciais, educacionais, técnicos, políticos, esportivos,
industriais; reparo ou conserto de bens estrangeiros e nacionalizados; objetos para perícia, ensaio,
homologação; bens de reposição em garantia; animais para exposições, feiras, entre outros.
5.2 DRAWBACK
Como forma de fomentar as exportações com preços mais competitivos, foi criado o Drawback,
que, de acordo com Brogini (2013, p. 115-116), “consiste na importação de insumos destinados a
integrar produtos exportados ou a exportar”.
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Figura 14 – Drawback
Crédito: GoodIdeas/Shutterstock.
Esse regime foi instituído pelo Decreto-Lei n. 37, de 18 de novembro de 1966 e, segundo o site
do Siscomex (Brasil, 2019),
permite a suspensão ou eliminação de tributos incidentes na aquisição de insumos empregados na
industrialização de produtos exportados. O mecanismo funciona como um incentivo às exportações
brasileiras, pois reduz os custos de produção dos produtos exportáveis, tornando-os mais
competitivos no mercado internacional.
O drawback apresenta três modalidades e é a empresa que decide qual é o melhor se encaixa
em sua realidade, pois há alguns critérios a serem cumpridos em cada uma delas. Brogini (2013) os
apresenta da seguinte forma.
Drawback suspensão: nesse caso, são os tributos incidentes na importação ou na aquisição no
mercado interno de mercadoria (1) a ser exportada após beneficiamento e (2) destinada à
fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada (Brogini, 2013, p.
116).
Drawback isenção: nessa modalidade, ocorre a isenção dos tributos incidentes sobre a
mercadoria importada, em quantidade e qualidade equivalente à utilizada no beneficiamento,
fabricação ou complementação de produto a ser exportado (Brogini, 2013, p. 116).
Drawback restituição: esse regime estabelece que a empresa poderá ser restituída, total ou
parcialmente, dos tributos que foram recolhidos na importação do insumo e utilizado na
fabricação, montagem ou acondicionamento de mercadoria que foi exportada.
5.3 DEPÓSITO ALFANDEGADO CERTIFICADO (DAC)
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Segundo o site da Receita Federal do Brasil (Brasil, 2021a), esse regime aduaneiro especial é
aquele que “permite considerar exportada, para todos os efeitos fiscais, creditícios e cambiais, a
mercadoria nacional depositada em recinto alfandegado, vendida a pessoa sediada no exterior,
mediante contrato de entrega no território nacional e à ordem do adquirente”. Está previsto no art.
493 do Regulamento Aduaneiro (RA) e pode ser operado em local tanto público quanto privado,
desde que seja um recinto alfandegado devidamente habilitado para tal operação.
5.4 EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA
Também é considerado um tipo de regime aduaneiro especial porque suspende o pagamento de
tributos, nesse caso, de exportação de mercadoria que retornará ao país, exatamente como saiu e
com prazo para o retorno. Também há a possibilidade de realizar uma exportação temporária para
aperfeiçoar ativos, por exemplo, atualizar tecnologicamente alguma máquina ou equipamento. Nesse
caso, o ativo modificado retornará ao país e, então, ocorrerá a cobrança dos tributos somente do
valor que foi agregado nele.
5.5 LOJA FRANCA
De acordo com o site da RFB (Brasil, 2021b), esse regime é bastante utilizado pelas empresas
comerciais estabelecidas em portos e aeroportos alfandegados, os quais são consideradas zonas
primárias. As lojas são comumente conhecidas como Duty Free e estão habilitadas a vender
mercadorias nacionais ou estrangeiras aos viajantes de percursos internacionais com a suspensão dos
tributos, indiferentemente da moeda utilizada para pagamento.
Figura 16 – Loja Franca
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Crédito: William Yuan/Shutterstock.
Além disso, também foi permitida a abertura de lojas francas em fronteiras terrestres na linha
fronteiriça do Brasil, por exemplo, em Foz do Iguaçu (PR), onde, em 4 de maio de 2020, estabeleceu-
se a primeira loja Duty Free, em que os turistas ou moradores locais puderam adquirir compras de até
US$ 300 por CPF (Portal da Cidade Foz do Iguaçu, 2020).
5.6 ENTREPOSTO ADUANEIRO
Esse regime aduaneiro especial pode ser utilizado tanto para importação quanto para
exportação porque consiste na possibilidade de a empresa manter armazenada as mercadorias que
chegaram do exterior (importação) ou que estão prontas para o embarque (exportação) com os
tributos suspensos (Brogini, 2013).
Esse local que armazena precisa ser um recinto alfandegado em que as mercadorias poderão
ficar por até um ano, prazo esse em que não haverá a cobrança dos tributos incidentes na operação.
É um modelo vantajoso para o importador que recebeu muita mercadoria e que pode
desembaraçar aos poucos, recolhendo os tributos conforme usa a mercadoria. Também é
interessante para o exportador que pode ganhar tempo até a efetivação da exportação.
Os regimes aduaneiros especiais apresentados aqui são apenas algumas possibilidades, pois
existem vários outros. No entanto, o que precisa ficar claro é que o objetivo de todos eles é a
redução, suspensão ou inserção dos tributos como forma de benefícios fiscais para as organizações
conseguirem certa competitividade no mercado.
TROCANDO IDEIAS
Discuta no fórum com seus colegas sobre já ter tido a oportunidade de comprar em uma loja
franca (Duty Free, Free Shop). Os preços dos produtos eram menores mesmo? Comente como foi essa
experiência.
NA PRÁTICA
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Vamos ler o fragmento a seguir de um artigo do site Jornal Contábil (Vasconcelos, 2021b).
Qual é a importância prática de um planejamento efetivo?
Leitura complementar
“Sem dúvidas, um dos maiores objetivos compartilhados por organizações de tamanhos e
segmentos variados repousa na busca por extinguir gastos evitáveis e fomentar um lucro
crescente para o negócio. Dentre os métodos que impactam positivamente essa finalidade e
pavimentam um caminho promissor para o empresariado, construir um planejamentoque
contemple o pagamento de tributos, as obrigações fiscais e outras modalidades não só minimiza
a chance de imprevistos tirarem o sono dos empreendedores, como expande o alcance de
inteligência tributária e coloca a companhia em plena harmonia com legislação.
Se a empresa está pagando algo a mais, algo a menos, devendo obrigações ou postergando
compromissos inadiáveis, não é difícil se deparar com gestores que simplesmente não possuem
um conhecimento bem resolvido sobre essas etapas fundamentais. Nesse caso, o planejamento
caracteriza um forte teor organizacional, utilizando a transparência em prol do que precisa ser
aprimorado internamente” (Vasconcelos, 2021).
No contexto da empresa, para encontrar formas de pagar menos tributos, conforme o texto
menciona, algumas práticas são utilizadas, tais como elisão, evasão e elusão fiscal. Nem todas são
lícitas, por isso, é importante conhecê-las.
FINALIZANDO
Nossa jornada, que começou com os temas basilares sobre legislação, tributos, aplicação nas
áreas de logística nacional, logística internacional e comércio internacional, nos possibilitou
compreender que tudo isso precisa ser planejado. Por isso, nesta aula, dedicamos nossos esforços
para compreender que o planejamento é essencial, principalmente o tributário, que está mais
convergente com o propósito da disciplina.
Para complementar nossos estudos, discutimos ainda sobre elisão, evasão e elusão fiscal, além
de bitributação e dos cuidados para evitá-la. Finalizamos conhecendo alguns dos regimes aduaneiros
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especiais, os quais têm o intuito oferecer possibilidades para as empresas obterem economia
financeira com o recolhimento dos tributos.
É importante pontuarmos que não chegamos nem perto de esgotar esse assunto, ao qual é
preciso sempre se manter atento porque as mudanças são constantes e não podemos ocasionar uma
penalidade às empresas em que trabalhamos por desconhecimento profissional.
REFERÊNCIAS
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